Não bimbarás

missbimbo

Sempre ri muito de quem acredita nos famosos jogos considerados do capeta, mas, nessa última semana, reconsiderei.

Há exatos 34 dias, estava eu na minha humilde residência sentada à mesa com a senhorita Mirian, cada uma em seu pequeno mundo virtual, como é de costume nos fins de semana, quando escutei uma platéia aplaudindo, som vindo do note da Paçoca. Não me contive e perguntei o que diabos era aquilo.

Ai começou a merda, ela me apresentou um jogo: Miss Bimbo. Que ela, por sua vez, conheceu através de um tweet/post  da Lia.

O objetivo resumido é: ter as roupas mais caras,  ser a mais magra, inteligente e estilosa. Como a Lia disse, entre as metas “politicamente incorretas” também consta arrumar um namorado rico, mesmo que ele seja velho e feio. Eu ri. Achei ridículo. Mas fui lá e fiz minha querida Bimbo Makyyta, pela boa e velha curiosidade. E desde então, caro leitores, eu bimbo (do bottanês BIMBAR) todos os dias.

Tentei parar, mas quando não bimbei, recebi o e-mail de assunto “Your Bimbo is sick”, resolvi dar uma checadinha e minha Bimbo, uma quase mini-me, estava morrendo de FOME!

Como não pude deixá-la morrer, voltei a bimbar.

Mas essa semana, algo me assustou. Durante esses 34 dias (fora o episódio da fome) tratei minha Bimbo muito bem. Dei legumes, água, chocolate quando ela estava triste, botei a Bimbo pra dançar, mandei pra academia, coloquei roupa bonita e fiz uma maquiagem animal.

Um dos objetivos, como eu disse, era arrumar um namorado. Acontece que minha Bimbo mesmo com alto Q.I., super atitude, bonita e bem vestida não arrumava um mancebo! O que já me pareceu meio familiar…

Quando finalmente conseguiu arrumar um namoradinho feio e pobre (na visão Bimbo de ser, pelo menos), subi novamente de level e a nova meta era: terminar com o namorado.

Fiquei TRÊS dias tentando pagar TREZENTOS bimbos dólares por causar danos emocionais ao meu bimbonamoradovirtual e mesmo assim ele não queria terminar comigo!

Ai já não me era mais familiar. Era minha vida real. Eu tenho um karma lazarento de arrumar nego que não aceita fim de relacionamento nem pagando!

Fui então comentar o fato com a Paçoca, já que, sendo quem me apresentou o jogo, poderia estar mais sabida do que eu e me dar umas dicas. Mas o que ela me disse sobre a sua Bimbo foi:

“Gasto todo o meu dinheiro em roupas, terminei com o meu Bimbo-namorado, entrei em compulsão alimentar e agora tenho que frequentar o psicólogo.”

Duas vezes não pode ser coincidência. Isso não pode ser do bem.

Quadrilha Estendida

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Eu costumava achar que a Quadrilha, de Drummond, era uma puta verdade irritante:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Mas pensando melhor, antes fosse simples assim. Porque fora dos livros, o João é amigo do Raimundo e a Teresa, se pudesse controlar, escolheria gostar do primeiro ao invés do segundo!

Ou a história pula o Joaquim e a Maria quer mesmo é pegar a Lili.

Às vezes, outra quadrilha passa perto e um dos mancebos se torna o J. Pinto da outra história, forçando desiludidas Marias ou Teresas a dar uma chance por despeito e viver uma vida vazia. Ou descobrir o tempo perdido.

E vai ver o J. é de um João mais velho que acaba de voltar dos Estados Unidos, onde se deu bem. Nesse caso, quem melhor pra ficar com o cara do que a Lili, que nessa bagunça toda, certamente era a única que conseguia focar nos estudos e no trampo.

Faz sentido.

Sexta-Feira 12

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Aí marquei um chopp pra Sexta, com uma galera-gente-boa random. Porque, ah, eu estarei em Sampa pra dois trampos no dia e ninguém ia fazer nada, mesmo. Uma parada durante a manhã, tarde livre e a outra à noite, antes da farra.

-Nossa, na noite de Sexta, wtf?

-É que é uma parada com o d… dia dos… namorados… que é na… Sexta? Orra, meu! Esqueci o dia dos namorados!

Né, esqueci. Mesmo com as propagandas todas, não me liguei no dia, não calculei nada, caguei pro dia dos namorados.

Aí hoje, parei cinco minutos pra correr os olhos pelas fofocas twiteiras e pronto:

“Odeio o dia dos namorados.”

“Mais um dia dos namorados sozinho(a)”

“Sexta é dia de me enfiar embaixo das cobertas e esquecer do mundo.”

Gentem, na boa, vai todo mundo pra benzedeira, credo!

Olha só, se liguem-se no que eu vou compartilhar. De todos os anos que eu namorei (os quase oito) eu não me lembro de nenhum dia dos namorados em especial. Sério. Isso porque quando chegava esse dia maldito, TODOS os restaurantes estavam lotados, os motéis lotados, os banco de praça lotados, o bar do Zé lotado, o bar da Loira Drink’s lotado e nem os véio saíam tempo suficiente pra armar uma em casa (mãe, você optou por acompanhar o blog, mas eu decidi fingir que não).

Ou seja, era mais fácil planejar uma noite especial a dois em qualquer outro dia do ano, a não ser que programasse tudo dois meses antes. Coisa que sempre tem 90% de chance de dar merda, simplesmente por não poder dar (um pouco de imaginação e isso vira um trocadilho).

Isso sem contar a porra da obrigação do presente. Eu sou do tipo que tá indo almoçar, vê uma roupa/perfume/cd que ele vai gostar e compra. Pode ser no dia 10 de Novembro, que é dia do trigo (que é pra não ter espaço pra tesão nenhum), simplesmente pra ver a felicidade do outro. Daí eu não vi nada legal, não faço idéia do que comprar, mas preciso.

Depois de anos de namoro, você ainda corre o risco de comprar pela obrigação e o lazarento esquecer o teu.

Enfim, meus argumentos não são apenas pelo “capitalismo disfarçado de sentimento, URRA!”. Porque datas como o Natal e a Páscoa, por exemplo, ainda te mandam pra casa, reúnem a família, vai todo mundo pra casa da vó encher a pança e passar um tempo junto, inclusive parentes que moram fora e você só vê algumas vezes por ano. Tipo, só nessas datas. Enfim, nem essa desculpa o dia dos namorados tem, porque, salvo um ou outro caso, os namorados se encontram e se pegam regularmente.

Pra ser sincera, o ano em que essa data mais me marcou foi o último, por ser o primeiro em que eu não estava oficialmente namorando, mas ao mesmo tempo estava num chove-não-molha, que não me deixava nem esquecer do dia, nem querer lembrar, aí confundiu a mente.

Mano, eu lembro que rolou a tag TPDN, ou “Tensão Pré Dia dos Namorados”, no Twitter. Pra quê, né gente, que fim de carreira.

Então assim, o ponto é: se a falta de um namorado te incomoda, eu presumo que te incomode o tempo todo, todos os dias, ou pelo menos no fim das baladas e nos dias frios, e não SÓ nos dias que antecedem a datinha florida. Então para de bancar a rosa da Fera quando tá caindo a última pétala, que é irritante (com a rosa eu ainda choro). Os casais NÃO se multiplicam nessa data, muitos deles voltam pra casa e brigam depois do jantar, muitos outros dão uma trepadinha marromenos no estilo do presente, outros ainda não completaram nem dois meses de namoro, esses estarão super apaixonados e felizes todos os dias, é você que só vai reparar nisso nessa noite em especial.

Comemora a independência da Rússia, o dia do Beagle, o aniversário do Maguila e a fundação do Figueirense Futebol Clube, mas não fica aí chafurdando em auto-piedade.

Pega a grana que você não vai gastar com ninguém e marca um chopp com uma galera, enche o saco daquele camarada que tá borocoxô porque terminou com a mina, manda ele tomar no cu e curtir a noite. E curta também.

Lembre-se que, ao menos, caiu na Sexta. Além disso, Sexta-Feira 12 deve ser algum sinal.

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horadobeijo_logotipoUpdate: Se você resolveu ficar em casa debaixo das cobertas com um vinhozinho e a sua tampa, se liga nessa: amanhã, das 22h às 23h, o Boticário traz a transmissão de um bate-papo com uma galera-blogueira-gente-boa random – incluindo essa que vos fala! – sobre o elemento chave de qualquer pegação relação, aquele que entrega logo de cara a química da parada, ou a falta dela: o beijo!

Durante essa horinha hot hot, vamos descobrir histórias sobre os primeiros, os últimos, os melhores e os piores beijos da vida desse povo e de quem mais quiser participar do papo, através do chat.

E no meio dessa conversinha descolada, às 22h22, esteja bem pertinho da sua rapariga ou do seu moço, pra lascar-lhe uma bitoca, porque essa vai ser a hora oficial do beijo (ainda tô pensando #comofas// sem namorado, talvez eu beije o garçom)!

Te beijo vejo amanhã?

No rancho puto

Quando a mãe Bottan me perguntou se eu topava me juntar à caravana familiar rumo a três dias em um rancho durante o feriado, eu logo me empolguei. Afinal, sempre foi a maior diversão aqui em casa: trilhas, pescarias, ficar longe da bagunça da cidade e perto da natureza, nem que a gente precisasse abstrair o meu pai imitando mugido de vaca incansavelmente.

Conferi o site da bagaça, era belo! Lago, pra pescar, cavalos, piscina, uma bela casa e pra completar, rolava até usar a internet da dona da bagaça pra gravar um podcast que estava combinado pra sexta. Score, score, COMBO!

Então partimos, na sexta, pouco antes do almoço. Seriam três horas de viagem até a região de Miguelópolis, onde ficava a rancheira. Passando pela cidade, um sentimento estranho tomou conta da galere, porque, tipos, Miguelópolis era um bairro. Tipos que tinha um posto de gasolina de 5 metros quadrados. Tipos que são 3 farmácias, que revezam o”plantão” aos domingos. Tipos que tinha um outdoor parabenizando a cidade pelos seus SESSENTA E QUATRO anos.

O meu avô é mais velho que isso. Imagina que, se a origem da cidade foi um cara que se perdeu e resolveu parar ali e formar uma família, esse cara ainda tá vivo! Creepy.

Tá, aí passamos os dois quilômetros de cidade fantasma e dobramos mais dois em direção ao paraíso. Avistamos vacas. Mais vacas. Um boi. Outra vaca. No fim da estrada, a casinha do porteiro, com outras vacas around. Mais uns metros e o porteiro parecia cada vez mais com a minha tia. As filhas do porteiro pareciam… as minhas primas. Desejei sinceramente que eles estivessem gentilmente tomando um café com a galere da recepção. Mas não, era o milagre da fotografia aumentado cinco cômodos na casa e transformando a piscina de 3 mil litros numa piscina olímpica. Sad trombone ecoou na minha mente por uns minutos, até o espírito aventureiro voltar. Afinal, quem precisa de conforto pra curtir a natureza? Bóra caçar a emoção!

E foram até a recepção –  essa sim, uma senhora casa – perguntar sobre as opções. Após descobrir que internet não era uma delas (o que já era de se esperar, àquela altura), a segunda mais esperada era cavalgar! E descobrimos que eram três cavalos, mas um havia morrido. Coitado, tudo bem, a gente revezava dois. “Então, mas um é muito bravo e o outro, bem, se colocar a cela, ele empaca. Mas dá pra colocar o bicho na charrete, aí ele vai.”

Nesse momento, descobrimos que não ia rolar cavalo, mas que ao menos as vacas tinham conseguido uma cambada de burro como companhia pro final de semana. 

Quando o cavalo empacou com charrete e tudo, disparou na minha cabeça um LOL LOL LOL LOL LOL LOL LOL LOL LOL LOL, que durou até domingo.

Mas a emoção de perder o sono no meio da noite e ao dar uma volta lá fora, ficar na dúvida se o cavalo que pastava era o bravo,  o empacado ou que havia morrido valeu a sexta. Ah, minha mãe descobrir uma perereca no box do banheiro, bem acima da minha cabeça, depois do meu banho de 40 minutos também me causou uma sensação interessante. Não tanto quanto deve ter sido a da minha tia, quando uma outra perereca (ou a mesma, sei lá, eram todas iguais, todas as milhares que apareceram) caiu na cabeça dela, assim que ela abriu a porta da cozinha.

Sobre a pescaria, depois de descobrir que o aluguel do barquinho pra pescar no meio do lago era de cair o cu da carça, meu pai e meu tio tomaram coragem em forma de cerveja e foram pescar no pier, durante a noite. Voltaram mega empolgados com um peixe razoalvelmente digno, o que deu ânimo pra juntar as tralhas logo cedo e voltar pro pesquerê. Nem tudo estava perdido.

Pena que, depois de horas sem pescar nem mato, batendo um papo com um capiau, descobriram que ali do pier ninguém pega nada, apesar de um fiadamãe sortudo ter conseguido uma corvina na noite anterior.

No fim das contas, a maior diversão da viagem que combinou todos os nomes de filmes sobre viagem zoada da sessão da tarde (Entrando numa fria maior ainda, nessas férias muito loucas do barulho), foi brincar no “samba” do parque de diversões, durante a quermesse que rolou na noite de sábado, na terra dos Miguelitos.  Como diria Seth Cohen, eu era o Nemo e só queria voltar pra casa. Mas não sem fotos e uma singela homenagem (clique para aumentar).

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Pegue na minha e balance

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Eu sou cheia das técnicas e teorias pra facilitar a minha própria vida. Algumas são pra me convencer e/ou condicionar a fazer coisas que não são fáceis, porém certas, como a Teoria do Playmobil. Já outras, pra tentar explicar e/ou não me deixar abater pelas que estão fora do meu alcance. O nome precisa vir de algum lugar imbecil, esse veio daqui.

Quem não gosta de mim, pegue na minha e balance. Pegue na mão e balance.

Ninguém é obrigado a adorar profunda e sinceramente cada cabolo desse mundo. Mas na minha visão paz e amor, é preciso ter ao menos UM motivo concreto pra não gostar de alguém. 

Mas olha só, esses dias eu falei qualquer coisa no Twitter sobre uma frase que eu curto, de uma música random. Aí, um cara me deu um reply meio grosseiro e desnecessário. Depois de algumas tentativas frustradas de conversa, eu desisti e disse pra ele que não ia insistir contra grosseria gratuita. A resposta fez a minha ficha cair:

“Não é gratuita.”

Não sei se o que ele quis dizer foi o que eu teorizei depois, mas, de qualquer forma, ele não poderia estar mais certo. Eu posso achar que não dei motivo, mas na cabeça dele, há um. O motivo pode não ser seu, mas do outro, projetado em você. E aí, nada do que você faça vai mudar essa situação. Ao contrário, qualquer tentativa pode se tornar mais um motivo.

Como aconteceu num outro episódio, quando falaram de mim em uma comunidade e eu resolvi ir lá falar pra galera “pegar na minha e balançar”. Fiquei na boa com quase todo mundo e dalí saíram algumas das pessoas com quem eu mais identifiquei nesse mundão virtual de Deus. Mas pra uma meia dúzia, nada mudou. Uma das meninas insistia que a minha atitude era apenas falsa e exagerada simpatia. Pra mim, era –  e continua sendo  -  educação e boa vontade, como meus pais me ensinaram a agir.

Na época eu fiquei bem incomodada, eu não conseguia entender como ela podia ser tão amarga e cética diante da minha abertura, mas hoje eu sei que fazê-la mudar de opinião não cabia a mim e  tudo que eu podia e posso fazer é me afastar desse tipo de energia ruim e de todo o climão que ela causa.

Sabe, durante o colegial, o prefeito inventou que era obrigatório estudar na escola mais próxima de casa e toda a minha turma foi obrigada a mudar da antiga pra uma outra, no bairro vizinho, que fica perto de uma favela. As meninas da escola ficaram putas com a “invasão” das patricinhas e começaram a inventar uma história por dia, pra dar uma coça em cada uma das meninas. 

Talvez eu tenha sido a única que não estufou o peito e disse: “então vem”. E aconteceu que uma delas chegou a me mandar ficar longe daquilo tudo, porque eu “era muito bonitinha e alí só tinha gente feia”.

O que eu sei, é que se chamar pra briga ou aceitar a provocação for sinal de coragem e superioridade, eu faço questão de continuar sendo a maior das covardes.

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