Protected: Projeto Futurão

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A incrível geração de mulheres que tem o poder de escolher ser feliz

Eu nem ando mais lendo o feed do Facebook, mas hoje, na maleita do feriado, acabei rolando a timeline do celular e vi alguns compartilhamentos de um texto que parecia ser sobre empoderamento feminino. O título começava com “A incrível geração de mulheres que foi…” e não dava para ler o resto. Fui dar um confere e, para a minha decepção, o resto do título era: “criada para ser tudo o que um homem NÃO quer”. Depois começava assim:

Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos:
“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.
Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.
Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.

Nem sei por onde começar. Aliás, sei sim. Pela minha casa. Porque eu nem preciso sair dela pra encontrar um homem que: não está nem aí se eu vou cozinhar (coisa que eu adoro fazer, mas se não estou a fim não faço e ponto), nem se eu estou sarada (em vez disso me incentiva sempre a não ser paranóica), só se mete com o meu dinheiro pra me ajudar a me organizar e ter mais dinheiro, nem dirige mas me ajuda a calcular o espaço da baliza quando eu entro em pânico. Fiquei desempregada e foi horrível – nem eu nem ele queremos isso, nem pra mim, nem pra ele. E quando aconteceu, ele me ajudou como podia a tentar arrumar algo – mas também bancou a casa numa boa sozinho enquanto eu me reerguia.

Enfim, eu poderia seguir com a lista desse discurso que a autora considera imaginário e que é integralmente (e não apenas em parte) o discurso da pessoa com quem eu vivo. Aliás, foi por isso que eu escolhi dividir o meu dia a dia com ele. Porque isso é carinho, é respeito. É nessas coisas que uma relação deveria ser pautada, não em machismo ou feminismo.

Esse discurso de algumas vertentes “feministas” dos dias atuais, que considera qualquer homem um completo babaca que cresceu esperando se casar com a Amélia-mulher-de-verdade é infantil e nocivo. Primeiro porque incentivar esse tipo de pensamento só pode criar uma leva de meninas ansiosas, paranóicas e com medo de se relacionar (afinal, ou é sozinha ou é com um babaca). Mulheres que fazem sexo com quem querem porque o corpo é delas – mas não gozam, porque não conseguem ter a confiança e intimidade suficiente pra dizer ao parceiro como querem ser tocadas. Melhor fingir do que ser uma verdade fora do padrão mulher maravilha. O segundo motivo é obviamente por desrespeitar toda mulher que escolhe cuidar dos filhos e da casa, como se essa escolha fosse apenas imposta por modelos sociais e não um desejo intrínseco.

Me parece um caminho mais coerente dizer a essas meninas que tudo isso está em suas próprias mãos. E que as verdades e expectativas são RELATIVAS. O texto segue com “O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós?” e isso também não tem nada a ver com os homens, tem a ver com a gente! Tem a ver com você seguir o seu caminho de acordo com o que você decide que te faz feliz, não com as expectativas de qualquer pessoa que vive fora do seu corpo. Mais: enquanto você se importar tanto com a expectativa dos outros, as suas próprias expectativas nunca serão reais. Mais ainda: expectativas? Que tal aprender desde hoje que tem coisas que você não controla na vida e que dá pra ser feliz mesmo quando os planos mudam contra a nossa vontade?

Por exemplo, minha expectativa real é me sentir feliz. Em alguns momentos isso significou carreira, em alguns momentos significou estar sozinha, em outros viver um amor. Algum dia, pode significar ter filhos e viver apenas para cuidar deles e da casa, para ser uma “Amélia”. O que importa numa relação é que a pessoa que caminha comigo me respeite e continue do meu lado em qualquer decisão – claro, se isso fizer sentido para ela também.

“Mas homem é criado pra ser assim” e “já aconteceu comigo” não são argumentos válidos. Desculpa lembrar que a única “peneira” de relações na sua vida é VOCÊ. Qualquer pessoa que chegou até você e entrou na sua vida para se relacionar teve o seu aval, assim como é só você mesma que pode fechar as portas para a falta de respeito. Se identificar com o que diz no texto, por já ter vivido a situação, é uma coisa, defender e passar pra frente esse pensamento de paranóia e segregação de gêneros é retroceder em HUMANIDADE.

Faça suas escolhas por você. Seja quem VOCÊ quer ser, se respeite. E sendo assim, provavelmente duas coisas vão acontecer: 1- você vai encontrar alguém que te ama exatamente por isso. E 2 – enquanto não encontrar, vai ser feliz sozinha igual. Se aparecer, vai ser pra transbordar, não pra finalmente preencher o que estava incompleto.

Update: Meninas, por favor, estou recebendo alguns comentários que partem para um lado agressivo, de ofensas pessoais e não irei publicá-los ou respondê-los. Essa atitude não acrescenta à discussão e todas estamos em busca de novas interpretações e sentidos. Em alguns comentários eu não consigo ver sequer um argumento, apenas raiva de quem se agarrou ao outro texto por se identificar com a situação descrita. Eu não estou atacando uma coisa que vocês amam muito, são ideias, eu refutei uma ideia. Se vocês discordam, por favor apresentem pontos de vista e assim se faz uma discussão que tem sentido. Obrigada, beijos.

Guia Bottan de Buenos Aires

Não sou profissa nas dicas, mas o Alexandre Formagio me pediu lugares de Buenos Aires que não fossem os mais visitados por turistas e me disse “Ei! Por que você não escreve um texto?” e ei! Estou escrevendo. (um mês depois, sendo que eu disse que escreveria na mesma semana, mas É O MEU JEITINHO)

Pra começar: vou falar dos lugares que EU curto daqui. Não sei se são os melhores, mas são os que eu realmente aprecio P

Bares:

Él Álamo (que agora, ao que parece, mudou de nome. Mas todo mundo conhece assim)
Um bar pra você ficar bêbado e ter uma ressaca do cacete no outro dia. Mesmo. A cerveja vem em jarras de litros e cara.. É treta. Tem dias com doses grátis de tequila toda a noite, beerpong, cerveja grátis pra mulher até as 22h – e é sério mesmo.
Existem dois: um fica na Recoleta, o outro em Palermo.
O de Palermo é mais baladinha, tem um terraço aberto e panz, e a galera fica espalhada pelos andares dançando. O da Recoleta é mais vida louca, mesmo. Pub, escadas de madeira (que estão sempre molhadas com a cerveja treta – eu caí na primeira vez que fui e desci de bunda) e são 3 andares de pura loucura e muita gente feliz EEEEE.
Os dois têm som alto, televisores/telões passando jogos de futebol, basquete, qualquer coisa e são bares legais tanto pra curtir a noite quanto pra um after office.
Amo. <3

Gibraltar
Calle Perú 895 – San Telmo
Um pubzinho super estiloso, com chopp (cerveza tirada) e um ambiente legal pra ir com amigos e tomar uma cerveja tranqui. Sempre tem bastante estrangeiro, mas igual, conheço muita gente que é de Buenos Aires e vai lá porque gostam do bar. Juntam os dois públicos. )

El Living
Marcelo T. de Alvear 1540
Uma baladinha com boa música e bom ambiente. Primeiro uma salinha, onde tem um telão passando clipes de pop/rock/grunge, sofás e o bar. No segundo ambiente, a pista de dança – com músicas no mesmo estilo, porém, dançáveis.(pra terem uma ideia, quando entrei, na primeira sala tocava The Fratellis e na segunda Michael Jackson. Gamei aí, sem nem perguntar o nome)

Million
Paraná 1048
Caro, phyno e de gente ryca. Legal pra tomar uma cerveja pós horário laboral só e conhecer o ambiente, porque a casa tem uma escada e um jardim digno de propaganda de perfume, amigues. É lindo, simples assim.

Frank’s Bar
Arévalo 1445
Um bar secreto. Não adianta ter o endereço e simplesmente colar lá: você tem que ter a senha. RÁ! O esquema é: adicionar no Facebook o perfil do bar, eles liberam a dica e você tem que adivinhar a senha. Tem como verificar se tua resposta está certa na página deles, mesmo. Chegando lá, vão te pedir na porta – e é sério, você não entra se não souber.
O bar em si é realmente lindo e phyno. Os drinks são caros ($90 pesos, PONELE), mas foram os melhores que tomei NA VIDA. De longe. <3 <3

La Catedral
Sarmiento 4006
Um bar MUITO simples, num galpão antigo. Se chegar cedinho, pode participar das aulas de tango <3
Fica em Almagro, um dos bairros mais cara de Buenos Aires <3 Gosto muito. <3

Jobs
Arenales 2932
Um bar pra dar uma passadinha rápida, tomar uma cerveja, comer uma pizza e jogar num PEBOLIM DO TAMANHO DE UMA MESA DE BILHAR. Apenas.

EXTRA – o que fazer:

Ciudad Cultural Konex – La Bomba del Tiempo
Sarmiento 3151
Rola às segundas, tipo 19h, e algumas vezes nos sábados. É uma apresentação de percussão incrível! Muuito animado. Recomendo )

Fuerzabruta
Junín 1930
Uma apresentação bem louca de música e dança. O ambiente muda a cada cena e é sempre uma surpresa!

Restaurantes:

El Cuartito
Talcahuano 937
O lugar é simples de tudo, mas tem uma pizza incrível. A de ananá (abacaxi com presunto e queijo) e a de verdura (acho que é espinafre con creme de queijo) eu aplaudo de pé.

Club de La Milanesa
Tem váários espalhados pela cidade. O atendimento não é sensacional mas a milanesa, meus amigos… A milanesa é o que há. Milanesa con panceta a la crema, vulgo bacon com queijo e creme de leite em cima de um bife a milanesa gigante: amazing.
A batata eu não lembro o nome, mas tem uma opção de pagar um pouquinho a mais e comer uma que vem com muito queijo, cortada grossa. Oh boy. Oh boy. <3

La Cabrera
José Antonio Cabrera 5099
Parrilla incrível. Cara, porém, incrível. Muito cara compara a muitas daqui, porém, incrível. Mesmo. Uma das melhores carnes que provei na vida. Maciazinha, suculenta.. Acompanhada de um vinho, even better!

Lugar pra conhecer fora de BsAs:

San Antonio de Areco
Um ~pueblo~ pequeno e fofo, pra passar um domingo, por exemplo. Tem um ônibus da Chevallier que sai do terminal de retiro – demora umas 2 horas – e sai uns 160 pesos ida e volta. A cidade tem restaurantes muito gostosos, com carne muito boa, lugares históricos – conheçam o El Mitre, bar histórico com um sanduiche de salame e queijo muito gostoso sim senhor. E não deixem, sério, NÃO DEIXEM de ir na Olla de Cobre, uma chocolateria S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-L! Peçam os alfajores de chocolate – melhor alfajor da vida, assim. <3 <3
~De paso~, um passeio no rio, pra ver a ponte – cartão postal da cidade – e comer numa parrilla aí pertinho. )

Dicas e links:
No www.guiaoleo.com.ar você pode procurar sobre bares/restaurantes. Lá tem qualificações, fotos, endereços. Tudo.
O blog www.airesbuenosblog.com tem dicas ótimas de quem mora aqui e vai, conhece, curte e escreve com o coração. )

O amor não basta

Desde os meus primeiros namoricos, minha mãe, reconhecendo meus momentos de posicionamento inseguro e possessivo (aquele que a gente até tenta disfarçar, mas que aos 15 atropela qualquer possibilidade de raciocínio e sensatez) sempre me deu o mesmo conselho super básico que eu, quando mais nova, conseguia ignorar rigorosamente, apesar de entender e ansiar muito pela capacidade emocional para conseguir colocá-lo em prática: a única coisa que resta quando a outra pessoa está longe de você são as lembranças de quando está perto de você.

Uma ideia simples, que deveria, por exemplo, destruir qualquer faísca de comportamento violento direcionado ao parceiro. Aos 15, eu achava que isso seria fácil de fazer quando eu fosse mais “adulta e centrada”. Aos 27, eu penso que era mais fácil aos 15.

Aos 15, eu só tinha que lidar com a ideia do amor, por mais ilusória e equivocada que ela fosse (e quanto mais ilusória mais equivocada) e com as babaquices que ela envolve, tipo ciúme. Os momentos com o outro se resumiam a momentos com o outro. Programados, pensados, preparados, limitados.

Aos 27, vivendo há mais de um ano sob o mesmo teto que o senhor meu mino, eu tenho que lidar com: a minha essência, com toda a realidade e a humanidade que brotam a partir das minhas mazelas (minhas tretas), com a essência e a realidade do outro (tretas do outro), com as diferenças culturais e de métodos de cada um para cada coisa rotineira (a frescura geral) as decisões conjuntas sobre problemas práticos comuns (tretas da casa) AND lidar com as tretas ligadas ao relacionamento em si. Aqui é que o amor só funciona se for… inteligente.

O amor que “faz sentido” é aquele que faz com que duas pessoas queiram se ajudar a evoluir e se sintam felizes e seguras juntas, mas o caminho até aí é uma pica lôca que tem que ser planejada meio estrategicamente até, porque inclui aprender a ouvir e ceder mais e a se comunicar melhor com o outro, coisa que nem sempre a gente sabe fazer até certo ponto da vida (se é que um dia aprende).

Sem essa inteligência trabalhada, o amor que convive com a tpm e a louça suja pode ser uma bomba-relógio. Sabe essas histórias de “namoraram 10 anos e em menos de um ano vivendo juntos se separaram”? Real shit.

É que o amor não é só o amor. É tudo aquilo que vai fazer ele ter sentido quando chegar o ponto em que a gravidade já atuou mais do que a gente queria. Despidos do sexo jovem selvagem descolado e das loucas aventuras que chacoalham a vida adulta, quando resta um corpo frágil e muito mais tempo do que estamos acostumados a ter pra prestar atenção aos detalhes da vida, o que é que você quer ter?

Eu penso que ser feliz conversando, debatendo e viajando sobre o presente, passado e futuro com o outro é a coisa mais tesuda do mundo e é o que nos resta lá na frente, me parece a cola da cena do casal que segue junto até o fim, porque sim, porque basta.

Por isso tudo a ideia de uma ligação nascendo entre uma máquina e um homem não me espanta. Nestes dias, onde nos deslocamos desnorteados por labirintos de concreto dos centros abarrotados de gente que não se reconhece como igual, terminando o dia em camas e fugas cada vez maiores, que nunca bastam para cessar o anseio por simplesmente ser ouvido.

Hoje (14/02), estreia nos cinemas o novo filme de Spike Jonze, “Her”, que conta a historia de um homem que vai encontrar o amor num lugar improvável. O diretor, ao terminar o filme, mostrou o trabalho a algumas pessoas e registrou vários pontos de vista sobre o que seria o amor no mundo moderno, num documentário ao mesmo tempo delicado e forte:

Quando você acabar de limpar esse cisco no seu olho, se estiver a fim, deixa aí nos comentários a sua opinião sobre o assunto. E fica a dica pro cineminha da sexta de valentine’s day! Beijas!

 

A carta que eu queria ter recebido

Oi, Micky,

Você tem doze anos, quase treze. Já é quase dia das crianças e eu quis te dar um presente! Porque SIM, por mais que você negue, você ainda é uma criança.

E aaantes que você esbraveje, saia batendo as portas e se enfie no quarto com os seus incensos e cristais, espera eu dizer que você é uma criança incrível e que todas as histórias que aconteceram até agora (tipo sobre você começar a falar antes de andar e ficar no portão da casa da vó chamando estranhos na rua enquanto ainda nem levanta a busanfa do chão, sobre ter fugido da creche com menos de três anos de idade e sobre saber o nome do presidente da Rússia com cinco), serão sempre contadas com muita risada e sempre vão te dar muito orgulho.

Não tenha raiva de ser criança, é a fase da sua vida onde você foi mais autêntica e genial e, te juro, daqui pra frente isso fica cada vez mais difícil. É que mesmo que você seja, vai ser mais difícil se enxergar assim, porque vão pedir mais de você e você vai fazer o mesmo.

Mas sobre isso, eu queria te falar uma coisa muito, mas muito importante, que é o motivo de eu te escrever essa carta. No próximo ano, você vai sentir muita necessidade de ser outra pessoa. Porque mudou de escola, porque deu seu primeiro beijo, mudou de turma e quer ser mais legal. Tudo bem, faz parte. Mas eu preciso te avisar que nem tudo vale a pena.

Por exemplo, você vai querer colocar um piercing no supercílio que depois de dois anos vai ser a coisa mais ridícula do mundo e você vai poder tirar mas a cicatriz vai ficar, sua idiota uahauha. Mas tá, isso é de boa. Você também vai querer pintar o cabelo de vermelho porque tá na moda. Seu cabelo vai ficar uma bosta mas depois cresce, então é de boa também (mas não faça de novo aos dezessete!!! sério!!).

Outra coisa é que você vai gostar muito de um menino, escrever coisas, fantasiar e… ele vai querer a sua amiga que já tem peitos. Depois de um tempo você vai acabar ficando com ele e descobrindo que ele beija mó mal e vai desencanar dele em uma semana. Então não chore tanto, nem deseje tanto ter peitos porque peito que vem cedo, cedo cairá.

Mas agora, o mais importante: antes do fim do próximo ano, você vai ganhar uns dois quilinhos. Isso vai te deixar com pouco mais de 45 quilos, que eu te juro que não é NADA! É o peso perfeito pra você! Então, quando você ler aquela matéria da Reader’s Digest contando a história do menino com bulimia, por favor, POR FAVOR: não faça igual.

Vou te adiantar umas coisas que você poderia descobrir tarde demais:

1 – você vai se machucar muito. Muito mesmo. Desde as primeiras tentativas de forçar o vômito, até quando você já souber como fazer. Vai machucar sua garganta, seu esôfago, seu estômago, suas mãos. Vai vomitar sangue. Isso mesmo, tenta imaginar o quão horrível pode ser esse momento. Mas você pode escolher não passar por ele.

2 – você vai ficar doente, fraca, triste, sem vontade de sair da cama. Por isso, vai perder um ano na escola, amigos, momentos felizes e vai ser muito, mas muito difícil se perdoar.

3 – você vai ficar FEIA. Nessa tentativa de emagrecer e ser linda, você vai ficar horrível. Porque olhando no espelho procurando paranoicamente os seus OSSOS, você vai ignorar o seu ROSTO, que vai ficar inchado, parecendo uma lua cheia. São as suas glândulas de saliva que vão inchar de tanto vomitar. Sem contar o seu cabelo que vai cair e quebrar e a sua pele que vai ficar toda cagada. Sério, tipo uma caveira seca, é isso que você quer? Você vai rasgar muitas, muitas fotos por isso depois. Sem contar que, quando você vomita comida, o que vai embora é sua massa magra, não gordura. Ou seja, você vai ficar flácida e vai ter que correr atrás do prejuízo muuuito antes que todas as meninas normais.

O que nos leva ao último e pior ponto: eu te juro, mesmo, que se você começar, nunca mais vai se sentir normal. Ao contrário do que você possa pensar, você não vai conseguir parar quando quiser. Acredita em mim, não vai. Porque uma hora isso vai virar seu escape para todas as frustrações e vai ser tão, mas tão normal, que mesmo quando você aprender a se controlar, sempre vai ser um esforço enorme. Como se NÃO fazer é que não fosse normal. Nunca mais a sua relação com a comida vai ser natural, você nunca mais vai comer sem culpa e vai chorar muito muito quando perceber tudo isso.

Em algum canto do seu ser, a criança genial ainda vai estar guardada, então, se decidir não me ouvir e quiser passar por tudo isso mesmo assim, ainda vai se tornar uma pessoa legal, vai conseguir coisas legais, você não vai se afundar. Mas, ao olhar pra trás, vai perceber quanto tempo e oportunidades perdeu, tentando se encaixar numa perfeição que não existe! ME ESCUTA: NÃO EXISTE!

As pessoas da TV, elas não são tão de verdade e lindas como hoje você pensa. Muitas delas sofrem com tudo isso que você pode evitar. Muitas são lindas por fora e podres por dentro. Muitas não dormem e não têm paz.

E te juro que não compensa.

Então, por favor: se cuida. Lembra que uma pessoa linda é uma pessoa que se ama e ama a vida! Que pode até querer mudar uma coisinha ou outra, mas se ama tanto que NUNCA vai se machucar pra conseguir isso. E muito menos colocar a beleza em primeiro lugar a ponto de viver em função disso e não ter outra função no mundo (que tá precisando muito, muito de gente legal e linda).

Se a coisa apertar, não sofre calada, não procura na internet nem nas amigas da mesma idade que sabem tão pouco quanto você: fala pra sua mãe. Fala a verdade e pede ajuda, porque provavelmente nesse momento de confusão, ela te ama mais do que você mesma e, por isso, vai saber a coisa certa a fazer para o seu bem.

Beijos, e a gente se vê em 14 anos!

(essa carta teria sido perfeita pra mim, pra me poupar do terror que foram todos esses anos de dor – que ainda não acabaram, porque a luta é até o fim – mas a ideia dela ainda pode ser perfeita pra você, ou pra qualquer serzinho amado – criança ou não – que a gente possa salvar de se perder de si mesmo. BE THE CHANGE!)

Um recado às mulheres que semeiam vida

Quando eu tinha 12 anos, arrumei meu primeiro namoradinho. A gente mal sabia o que fazer, eu mal tinha dado o meu primeiro beijo e nem sabia mexer cas coisa lá embaixo mas assim que a paranóica da minha mãe descobriu, já me arrastou até uma ginecologista pra consulta, anticoncepcional, sermão sobre um monte de coisa que nem fazia sentido pra mim ainda e, além disso, daí pra frente me aporrinhava todo ano pra fazer aquela coisa insuportável que é o exame preventivo. Marcava e me levava com a cara emburrada. Desde os 12 fucking anos.

GRAZADEUS, SALVE SALVE DONA ELIANA.

Quem sabe se mais meninas tivessem uma dona Eliana paranóica que as colocasse em contato regular com um profissional de ginecologia, nós não teríamos perdido mais 4 MIL VIDAS no Brasil em 2012 para o CÂNCER DE COLO DO ÚTERO.

Fiquei a par dessa informação na última quinta, numa palestra-chacoaio com o pessoal da Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia. Esquece o nome complicado e prestenção no que interessa:

Se você é mulher fêmea do sexo feminino você sabe que o preventivo é um momento infeliz das nossas vidas. Sem nem te pagar um drink chegam com um bagulho de metal gelado que é basicamente uma alavanca pra enfiar em você e abrir caminho rumo ao seu útero, enquanto conversam com você sobre um assunto aleatório da atualidade (ou sobre a sua vida e família se é um profissional que vc já conhece) e você fica ali querendo se desintegrar pelo incômodo da situação de estar exposta e sendo cutucada pra coleta de material por… sei lá, menos de um minuto.

Mais ou menos um minutinho incômodo é o que dura a forma mais acessível de prevenção de um tipo de câncer que representa a QUARTA PRINCIPAL CAUSA DE MORTE ENTRE AS BRASILEIRAS.

Acontece que uma das principais causas do desenvolvimento do câncer de colo do útero é o HPV, um vírus sexualmente transmissível que tá por aí, é bastante silencioso e não muito levado a sério aqui na terra brasilis. Estudos pelo mundo comprovam que 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas pelo vírus em algum momento da vida. OI TEN TA POR CEN TO.

Agora, a treta: justamente os tipos mais frequentes desse vírus, vêm com o brindezinho de POTENCIALIZAR O RISCO DE CÂNCER EM ATÉ 100 VEZES.

Só que, segundo os resultados de uma pesquisa feita pelo Ibope, 66% das brasileiras não relacionam o vírus com o câncer. Mas isso não é o pior: 40% NÃO RELACIONAM O EXAME PREVENTIVO COMO FORMA DE PREVENÇÃO DO CÂNCER.

Como eu cresci fazendo o preventivo todo ano e sabendo exatamente porque fazia, esse dado me deixou impressionada. Mas não mais que esse: 31% das entrevistadas NUNCA REALIZARAM ou fizeram APENAS UMA VEZ NA VIDA o papanicolau.

Gente, a gente não pode escolher ser assaltada e tomar um tiro, ser atropelada, cair e bater a cabeça e muitas outras formas de morrer. Mas se dá pra escolher não morrer de um câncer, com uma consultinha por ano, que pode ser feita pelo SUS, não dá pra fazer parte dessas estatísticas, né?

Todas essas informações levaram à campanha MULHERES QUE SEMEIAM VIDA, uma iniciativa ótima que usa as redes sociais como plataforma de conscientização sobre o assunto. Afinal, já que tá todo mundo no Facebook, porque não usar ele pra ampliar o acesso à informação e tentar diminuir o número de mortes no Brasil?

A cada 25 likes na página, uma árvore será plantada em homenagem às brasileiras que morreram vítimas da doença no ano passado, como eu comentei no começo do texto.

Mas, independente disso, curtam pra ler mais, entender mais, pra SE PREOCUPAR MAIS. Não é brincadeira, não dá pra ir deixando pra depois quando o depois pode ser muito tarde. E muito menos quando o que te separa de um “muito tarde” e nenhum depois é um examezinho de menos de um minuto, que é acessível no país todo de forma gratuita!

E, vale lembrar, existe uma informação que talvez seja mais chata do que o próprio exame: suas filhas, por mais novas que sejam, um dia VÃO TRANSAR. Acostume-se com essa ideia e ajude-a a se proteger e se cuidar. Não deixe o medo da perda da inocência da sua menininha ser responsável pela perda da VIDA da sua menininha.

E é isso aí, todo mundo ligando pra gineco e vamo que vamo!

Ygor, o hamster russo

hamster
“Soon…”

Um dia eu acordei e senti que precisava ter um mascote. É que passo muito tempo sozinha aqui em Buenos Aires e, poxa, uma vidinha fazendo companhia pra gente é muito amor. Mais: eu precisava doar meu amor a uma vidinha.

Entao decidi comprar um peixe.
Estava super contente, pensando “vou ensiná-lo a fazer acrobacias!” mas quando compartilhei isso com a minha irmã, ela retrucou: “você não pode ensinar isso a um peixe.” Eu disse “claro que posso, vou dar comida quando ele fizer isso e..” e ela: “não.” Aí decidi comprar um hamster.

Cheguei no petshop e avistei os hamsters sírios. Aqueles douradinhos, gordinhos e fofos. Estavam todos dormindo com cara de lindos e de ternura pura.
No vidro ao lado, havia uma casinha e vi que tinha alguma coisinha embaixo. Levantei a casinha, sai um hamster cinza correndo, sobe na rodinha da gaiola e me olha com uma cara meio de raiva tipo “véi, por que você fez isso?”
Era um Hamster Russo. Comprei esse, claro. Achei ele muito mais divertido. Dei o nome de Ygor, o Russo.

No caminho à minha casa, já percebi que ia dar merda: tentava fazer carinho nele, ele me mordia. Mó grosseiro.
Cheguei em casa, solto o hamster na nova casinha dele – pela qual paguei uma puta grana, porque comprei uma super moderna – e o filho da puta agarra meia duzia de grãozinhos de comida, se esconde dentro da rodinha e NÃO SAI MAIS DE LÁ.

Quando saiu, tentei pegar ele na mão ele correu pela casa inteira, se escondendo em cada canto, me olhando com cara de “sai, porra!” e “o que cê está fazendo?!”
Parou no potinho de comida, comeu um pouco e eu agarrei ele na marra (tomando muito cuidado pra nao esmagá-lo).
Em menos de 1 minuto ele cagou e cuspiu toda a comida que tinha na bochecha… na minha mão.
E foi assim todo o fim de semana. Ele me odiando, eu tentando fazer carinho nele, ele me cuspindo comida e cagando na minha mão.
Daí no domingo à noite decidi que ia limpar a casinha dele, pra ter uma casinha mais confortável. Sei lá, eu fico feliz quando troco o lençol da cama, então na minha cabeça fazia sentido.

Mas minha estupidez foi tanta que eu comprei um desinfetante cheiroso. Pro hamster. Limpei a casinha toda e coloquei ele de volta. E foi aí que começou meu problema. O Ygor ficou puto. Começou a cheirar tudo, a tentar escapar da casinha, deu um salto mortal, pulou pra fora da casa, tentou entrar no lixo onde estava a sujeira da casinha dele e… começou a bater a cabeça na parede.

Ele tomava distância na metade do quarto, saía correndo e se jogava contra a parede.
Eu entrei em pânico, comecei a gritar “Você vai se matar!”, tentei segurá-lo, coloquei ele no lixo com a sujeira da outra casa, tentei dar comida, tirei ele do lixo, coloquei na casinha, tranquei ele lá dentro e ele ficou lá, se jogando na parede da casinha.

Comecei a chorar. Ele escalando as paredes da casa, eu derrubando ele, ele me mordendo.

Aí ele parou. Parou, sentou no potinho de comida e comeu. Comeu, comeu, comeu sem parar.
Liguei pra um amigo daqui e contei a história e ele disse “Maira… Eu acho que você drogou seu hamster com desinfetante e agora ele tá com uma puta larica. Fica de olho, se ele dormir, certeza.”
E foi exatamente isso que aconteceu. Passou a fome absurda, ele dormiu. No meio da comida.

Hoje acordei e ele estava calminho da vida. Acendi a luz do quarto e ele ficou em pé na casinha. Abri, ele subiu na minha mão e ficou ali. E ficou uns lindos 15 minutos, pedindo carinho.
Eu, com a maior cara de idiota, feliz da vida querendo mostrar pra alguém, corri no quarto de um dos meninos e falei “OLHA OLHA!! Ele não me odeia!!” e fiquei ali naquele momento lindo até que ele cagou e cuspiu comida na minha mão outra vez.

Falei “você é um ogro idiota, Ygor.” – coloquei ele na casinha e fui lavar a mão.

Enfim, vim pro trabalho pensando nisso. Será que eu comprei 15 minutos de carinho dele com um pouco de desinfetante que deixou ele louco? Cogitei comprar um pouco mais, pelo menos até ele se acostumar comigo…

Mas a maior dúvida é: se ele ficou tão feliz com desinfetante… será que se eu limpar a casinha com vodka, ele me ama pra sempre? Afinal, ele é um Hamster Russo, né?