Familia-ê, família-a!

E teve aquela época em que o carro da família era um Passat verde metálico. E embora no fundo eu gostasse do bicho, porque afinal, ele nos carregava pra lá e cá, eu tinha uma vergonha desgraçada. Verde metálico, pô.

Também tinha vergonha de quando o meu pai ia me buscar na saída das festinhas. Com ou sem Passat. E quase morria quando a minha mãe vinha me dar beijo na bochecha, me melecando de batom. Na verdade eu odiava beijos e abraços em geral. Me sentia um ursinho, e eu não era ursinho. Eu era má.

A Maira era o ursinho, vivia tentando me abraçar, e eu corria. Coitada.

Mais tarde, queria ver uma anã enfurecida era me forçar a fazer a social e perder churrasco na casa de amigos pra ir numa festinha de aniversário de alguma tia. Eu acabava indo, sob ameaça, claro. Mas ia de jeans rasgados, e não falava com ninguém. Yo era rebelde.

Da mesma forma, odiava perder as férias e deixar o namorado pra ir pra praia com os pais e a irmã. Jurava que não ia me divertir nunca. Se não me engano uma vez tentei descer do carro em movimento pra fugir de uma dessas. Uma mula, mesmo.

Mas nessa época, entre achar que não se é mais criança e ainda não ser porra nenhuma na vida, tudo que tenha relação com a família embaraça. Levar a irmã junto na festa!? Nem a pau, Juvenal. E se chamasse de Tatá, morria, como já é sabido por aqui. Almoço de domingo na casa da vó era um drama na minha vida adolescente, ainda mais depois de acordar cedo e contra a vontade, pra ir à missa. Eu acho que é geralmente nessa idade que se cria um emo. Um tio me chamava de coruja, porque eu passava o domingo todo trancada num quarto escuro, vendo TV.

Mas o tempo passa. E eu não sei exatamente quando acontece, talvez em algum momento entre arrumar um trabalho e pagar as próprias contas, ou começar um namoro sério, o que interessa é que você começa a perceber que a família não é assim, uma coisa tão ruim. É divertido, até.

E de repente, quando você tomou um pé, e suas amigas estão todas namorando, você descobre que combinar seus pais e tios com cuba libre e trilha sonora 60’s pode ser infinitamente melhor do que acabar chorando bêuba numa balada cheia de um povo que você nunca viu mais gordo, feio e pobre.

Na verdade, quando você vê a sua vó mandando ver no twist, ou metade da sua família bêbada dançando macarena , você tem certeza que fez a escolha certa.

Enfim, demora, mas a gente aprende que ligar pros pais é sempre a melhor escolha, porque além de não ficar de saco cheio de você, eles vão chorar, rir, ou xingar junto. E quando você ligar pra eles quase parindo pra conseguir falar porque tá com a garganta fodida, de cama, entupida de analgésico, eles vão ser foda o suficiente pra te dizer que estão na piscina tomando cerveja. Porque não podem fazer mais nada mesmo, a não ser te dar esperança de estar no lugar deles no próximo final de semana. Justo.

Mas não significa que eu não possa me vingar:

Na próxima, manera na cuba, véio!

Prepara a cerveja, vejo vocês na sexta! ;)

Update: tá quase acabando, mulherada, entra , e manda seu textículo (opa)! Quem sabe você não vai pra New York?! E não esquece de dizer que fui eu quem te mandou lá, quem sabe eu ganho a desgrama do Vaio!

Oops, I did it again

Já começo pedindo desculpas pela ausência! Mas tenho uma boa razão, e explicarei a seguir:

Meu pai tem uma loja. E como todo filho de pai que tem loja, nas horas de perrengue acabo sempre socorrendo. Acontece que dessa vez o negócio foi além: a guria da administração ficou prenha. E como toda prenha, uma hora tem que parir. E ela pariu. E aí vem a frase ambígua que mais tenho falado (sorry, Veridiana ): Puta que pariu!

Então tá aí o motivo do sumiço. Escola, trabalho. Sabe cumé.

“Ah, beleza.  Some, tá trabalhando, deve estar ganhando uns dinheiros.”

Não. Ser filha do dono pode ser pior do que ser um simples funcionário…

1°Problema: Você não tem horário. “Oh, que ótimo!” Ótimo merda nenhuma! Eu faço um “Pacote Almoço”, que é o tempo de engolir a comida, escovar os dentes, se achar necessário, se esconder no banheiro para que parem de correr atrás de você com um turbilhão de coisas pra fazer e de brinde o tempo de tomar uma aguinha.

2°Problema: Esse é um problema “Extra”. É brinde também. Imagine você que sua mãe também trabalhe na loja. Imaginou? Agora imagine a comida que sua mãe te mandaria se tivesse pouco tempo pra prepará-la. Imaginou? Mãe, se você estiver lendo isso e sei que está, não me entenda mal e nem me chame de ingrata, mas, poxa… Nuggets frito/murcho/engordurado, queijo! MÃE! EU NÃO COMO QUEIJO COM COMIDA! E POUCO ME IMPORTA SE ELE É DERRETIDO, FRITO OU NÃO! E.. pára de me mandar ovos crus. Sério. Eu não frito, não como, não dá! Pior que isso só miojo em potinho, que quando ‘desenforma’ fica parecendo um Flan nojento. Ugh.

3°Problema: Salário. Por mais que eu faça, EU NÃO SOU A VERIDIANA (a prenha)! Ganharei menos da metade do salário dela e quando eu pedi pra ganhar comissão o assunto se tornou uma masterblaster briga.
Então pessoar, vou ter que pedir desculpas novamente, dizer que tentarei escrever com mais freqüência, nem que seja pra levar uma máquina de datilografar no busão, visto que faço uma viagem de 40 minutos de manhã, dizer também que não é por má vontade, espero que entendam.. mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preeeta, como diria o Chiquinho.

Agora vem o meu apelo: Tatá, você sabe que tô sofrendo, pára de fazer chantagem emocional porque eu não estou mandando os textos (palavras dela: “Pô, eu perguntei se era pra valer, perguntei se você queria, coloquei sua foto no layout e você não escreve nem me manda a porra do About!”)!

Como diria uma amiga, você quer que eu cague tempo, mas eu não tenho nem tempo pra cagar! Entendeu ?
E por último mulheGada, entrem no site da melissa e blábláblá. Já sabem. Ajudem a paçoca a pagar os móveis dela, ganhando o diacho do notebook.

Obs. Mãe e pai, daqui a três segundos, vocês esquecerão tudo o que eu disse sobre o trabalho nesse texto.  3,2,1… PUF!

Nota da Bottan 1: é impressão minha, ou a você está querendo me desmoralizar, rapariguinha?

Um post incomum

Porque eu amo o meu país, e porque o melhor do Brasil é o brasileiro, certo?

Clique pra ampliar:

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E também pra dizer que eu não morri, mas eu sei que você ainda não tá na comunidade do Substantivolátil e não votou em mim na promoção da Melissa.

Você não tem vergonha, não? Me ajude a ganhar aquele Vaio, leitor amigo! :D

E falando em vergonha, cobrem a Maira, porque eu acho que ela abandonou vocês. Prontofalei.

Sobre o Tempo

Como eu não consegui comprimir a maldita música, carreguem o vídeo abaixo antes, pra ler com trilha sonora. E abaixa um pouco o diacho do volume, pra não ensurdecer.

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Haja hoje pra tanto ontem, já disseram Leminski e seu bigode bizarro. E foi a primeira coisa que me ocorreu quando li no meu scrapbook a seguinte mensagem, depois de mandar um meadd, no Orkut, pra uma menina que estudou comigo há mais ou menos quatro anos:

Oi, me desculpa, mas eu te conheço?!

Cumassim!? A mesma rapariga, uns dois anos mais nova, me adicionava toda vez que eu deletava e criava outro perfil, diacho! De repente, a menina não lembra mais de mim. Mas eu sabia o porquê. Minha resposta foi:

Eu tinha um cabelo vermelho bizarro e usava uma mochila gigantesca do urso Pooh. Lembrou?

Poisé. Eu tinha o cabelo da cor do tomate mais maduro do mundo e usava mochilas de acrilico e/ou pelúcia. Também usava blusas com estampa de quadrinhos e saias pregadas de todas as cores existentes. Antes disso, eu usei coisas de skatistas e tentei fumar porque achava bonito. Felizmente, eu odiava mais.

Depois de ser ruiva, loira e morena, já nem sei de que cor o meu cabelo é. Também já coloquei piercing no supercílio e no meio dos zóio. E também já pesei 10kg a menos, com a mesma altura.

Eu mudei tanto, que as pessoas que me viam há quatro anos não me reconhecem mais. E de repente eu me dei conta do quanto a minha barrinha de inocência diminuiu em tão pouco tempo.

Com 12 anos eu chorei de alagar o quarto por gente que nem sabia dos meus sentimentos, depois chorei por gente que sabia e não dava a mínima. Com 14, achei que estava amando e que ia ficar com o dito pra sempre. E acabou. Aí achei que ia ficar solteira pra sempre. Então conheci alguém que amei de verdade e por muito mais tempo.

Fiz coisas que pareciam certas, depois se mostraram erradas, depois se mostraram meios errados para um final (quase) certo. O que não significa que não doa. E que eu não sonhe todos os dias com como as coisas poderiam ter sido diferentes. Mais que isso, não significa que eu não sonhe em ainda repará-las, um dia.

Dei importância pra pessoas que me levaram pra tomar sorvete, quando o que me deixava forte era a minha avó me entupindo de chuchu. Se fosse pelos sorvetes, eu só teria cáries. E hoje, além de tudo, eu sei cozinhar o chuchu pra futuramente entupir os meus filhos, mesmo contra a vontade deles. E eu o farei.

Tenho uma lista de pessoas pra pedir perdão. E também o farei, pois uma das coisas que o tempo transforma, e muito bem, é a vergonha idiota de chorar e se desculpar. Também só hoje eu entendo porque o meu pai me bateu quando eu queimei a secretária eletrônica (nooossa) novinha que ele acabara de comprar. E eu só sei disso porque ainda não consegui comprar o meu próprio telefone.

Finalmente eu parei de querer farra atrás de farra por medo de ficar sozinha. Eu sou a minha melhor companhia. Apesar de não conseguir me livrar de uma relação quase carnal com o aparelho de DVD. Que só não chega a ser por culpa do controle remoto.

Tá, foi péssima.

Enfim, toda essa fanfarronice, é pra dizer pra você que: tomou um pé na bunda, fez cagada e machucou alguém, tratou mal quem não merecia, deu valor às coisas erradas e perdeu muita coisa por causa disso, que você está exatamente onde deveria estar, e vai ter que chorar pelo que perdeu. Mas, mesmo que leve alguns anos e muitos capotes, você vai aprender, e um belo dia, sem mais nem menos, vai se sentir feliz de verdade, onde, com quem e como estiver.

Melhor ainda se você tiver apenas 21 anos, e uma vida inteira pela frente.

And that’s what you get when you let your heart win.

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Ps. Meninas, entrem aqui, vamos ganhar essa bagaça juntas!

Revendo Conceitos

Meu nariz torceu 360 graus quando eu peguei nas mãos o livro “Uma vida inventada“,  pra ler e dar uma palavrinha sobre.  O que diabos eu ia querer com a biografia da Maitê Proença? Botei na mesa e ficou alí, com os depois-eu-vejo-faço-arrumo-termino.

Eis que, na mesma tarde, como que propositalmente, meu computador na agência resolveu ter um piriri. Faltou bater o pézinho: “Não ligo, não ligo e não ligo! Boba!”

Botei o bicho pra consertar e fiquei no aguardo. Olhei pro lado, e a Maitê me esperando. Peguei, com aquela má vontade de doméstica que trabalha há 30 anos na mesma casa, sabe? Não? Bom pra você.

Depois de devorar 50 páginas num tapa, Fiquei com vergonha. Eu tinha feito com ela exatamente o que eu mesma detesto que façam comigo:

- Pô, você é bonitinha e AINDA POR CIMA manda bem nos textos! LOL

E fiquei matutando a história. Porque diabos a gente tem mania de querer diminuir algum aspecto do outro, quando um em especial se destaca? É o velho papo do nerd feio e tosco, da gostosona burra, ou da modelo tapada.

Na verdade, desde criança você se acostuma com o fato de os malvados serem feios, e as mocinhas lindas e inocentes.

Mas enquanto a bruxa é capaz de inventar toda uma estratégia maléfica pra acabar com as donzelas, as antas não conseguem sequer notar o perigo. Branca de Neve vai que vai na maçã oferecida por uma velha mendiga toda torta, e Bela Adormecida enfia o dedo na agulha na maior fanfarronice. Lôra, linda e burra. Bah.

O livro da Maitê é ótimo. Bem escrito, interessante, engraçado e profundo. Assim como a história de vida dela, que me surpreendeu. Mais uma vez como acontece comigo, por exemplo, ao falar da época em que sofria de bulimia:

– Nossa, sério!? Mas você!? Nem dá pra imaginar.

E se eu tivesse uma verruga na ponta do nariz, daria?

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Pra terminar, uma promoção relâmpago, pra quem ficou curioso: tenho um exemplar do livro,  pra presentear um leitor ou uma leitora aqui do Subs. Eu mesma peguei a maldita fila de uma hora e meia pra conseguir um autógrafo no bichinho, como vocês podem ver nas fotos abaixo (clique para ampliar):

maitê2 maite

Pra ganhar, basta completar, nos comentários mesmo,  o trecho que eu vou transcrever aqui. A continuação mais criativa leva!

A frente da casa estava impressionantemente igual. Estranho, pensou a menina. Como é que a vida podia ter virado do avesso, e justamente naquela casa, onde tudo havia acontecido, nada ter se alterado? Permanecia solidamente em pé, como se fosse um lugar seguro, como se tivesse esse direito depois de ter deixado que tudo se desarrumasse na existência de seus moradores. Casa de merda. Servira de palco para “aquilo” e agora estava alí, impávida, invulnerável.

Boa sorte! :)

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