19
Mar
  Dove – Qual a real intenção da campanha pela real beleza?

Estava passeando pelo Terra hoje quando de repente me pula um pop up nas fuças com aquela musiquinha bonitinha “True color”. Era a seguinte propaganda:

[video]http://www.youtube.com/watch?v=701MIlqphCc[/video]

A campanha Dove pela real beleza vem fazendo um trabalho muito interessante, incentivando mulheres do mundo todo a se aceitarem e se amarem como são. Pode parecer bobeira, mas o assunto é sério, e merece atenção.

Desde que o mundo é mundo, as mulheres buscam incessantemente uma aparência que agrade à opinião alheia, dentro do contexto em que vivem. E isso não significa apenas a opinião masculina. Mulheres arrumam-se, inclusive e principalmente, para outras mulheres. Competição ou conquista, não importa, elas sempre querem estar dentro dos padrões de beleza de seu tempo e espaço.

Só que nos últimos tempos, a busca pelo modelo de perfeição que nos é apresentado pela mídia – modelos esculturais, com cabelos brilhantes, pele perfeita e nenhum grama além do necessário – tem tornado a coisa perigosa, sendo que essa dita cuja perfeição quase sempre nem é real. Isso também é mostrado em outro anúncio Dove, Evolution.

Mas o primeiro vídeo me deu um nó na garganta por se tratar de meninas. Quantas das mulheres com quem você convive passa perto desse estereótipo de beleza que vivemos tentando alcançar? Pois é. Mas nessa corrida louca nossas crianças estão se machucando, seja passando fome, vomitando comida, se matando de malhar quando seus corpos ainda nem se formaram por completo ou passando por tratamentos estéticos cada vez mais cedo. Uma vez eu conheci uma menina de treze anos que fazia tratamento para celulite numa clínica. Treze anos!

Eu tive bulimia por quatro anos e a coisa não é, nem de longe, como o mostrado nas novelas da Globo. É muito mais triste e doloroso do que possa parecer. Eu consegui me curar, mas a maioria das meninas não tem o mesmo destino.

Por isso, apesar da evidente base marketeira da campanha (afinal, trata-se de uma empresa de cosméticos, ou seja: sinta-se bonita como é, mas comprando nosso creme firmador ou o creme para celulite, ficará ainda melhor mesmo com os quilinhos a mais), eu acredito que a idéia deva ser apoiada e passada adiante.

Nem que seja apenas para que as nossas crianças possam ser crianças por mais tempo.







14
Mar
  O Orkut me deixou burra, muito burra demais.

Não sou grande conhecedora ou fã de tecnologia. No mundo do iPhone, eu tenho um Samsungzinho que serve pra falar e só. Ah, e pra ver as horas.

Computador, até que eu me viro, fuço em tudo que eu preciso, inclusive trabalho muito bem com edição de imagens, que eu usava no meu último emprego como fotógrafa. Mas pára por aí. Uma vez o Mobilon quis me ensinar PHP. Eu chorava.

Tem até uns nomes que eu acho legais, tipo Dual Core. Eu acho lindo! Mas não sei o que é.

Meu negócio é lápis e papel, carta, livro empoeirado. Daqueles enormes, sem figuras e com a letra pequena. Não dá pra entender como um dia eu fui virar uma orkuteira.

Meu contato com o mundo da internet começou tarde. Foi lá pelas bandas de 2001, quando eu ganhei um jamantador.

Usado, claro. Mais amarelo que dente de fumante, e o monitor ia embora pra assistência toda semana. Fiquei até amiga do técnico, um gordinho simpático. Não lembro mais o nome do cara. Falando em monitor, sempre tive problemas com eles, teve uma época que a tela ficava em tons de rosa, e dando umas porradas voltava ao normal. Descobri na raiva.

Um outro companheiro (eu tive vários, eles não colaboravam mesmo) desligava sozinho. Esse, no começo, voltava com porrada, depois nem assim. Eu brigava mais com ele do que com a minha irmã, xingava mesmo, era deprimente. Um dia, estava com um copo de água em mãos. Pois é.

Quanto ao micro, em si, era um Pentium 233, com 3Gb de HD! E eu rodava um Photoshop 6 no coitado. E ICQ, que era basicamente o que eu fazia na internet naquela época. Em 2003 eu descobri o Fotolog, UAU! Primeiro fiz um pra banda que eu tinha na época, depois o meu próprio. Mas o fotolog ainda era inocente. O problema foi quando ELE surgiu. A obra do tinhoso. O Orkut.

E por um momento, fuçar a vida alheia pareceu uma diversão. Mas quem com Orkut fuça, com Orkut será fuçado, e quando isso se tornou um problema e eu percebi que respondia scraps mais rápido do que a mensagens em ims, decidi que era hora de parar. Orkut, Fotolog, Msn (que eu já não gostava mesmo – saudoso ICQ!), foi tudo de uma vez.

A crise de abstinência já começou, mas sairei ilesa desta batalha. Tudo em prol de minha própria saúde mental. E vocês, caros leitores, irão me ajudar. Sim, vocês. Não me abandonem, comentem, dêem idéias de textos, me mantenham ocupada. E aguentem textos estúpidos e gigantes como este. Sejam meu Valium.

Um dia de cada vez.

Obrigada.







8
Mar
  E que o humor negro esteja presente nas redações, amém.

Primeiro semestre do curso de Jornalismo. Sonho de anos, e a cada aula a certeza não poderia ser maior. Almejando o meu primeiro estágio como assistente de redação num jornal local, visualizando uma carreira deliciosa pela frente, aquele tão falado “compromisso com a verdade”.

Ai, ai. Mágico.
Eis que hoje me deparo com a seguinte notícia:

Um ano depois, a tragédia da ETE de SB deixa rastro

Um ano após o incidente que transformou a vida da família Máximo Leão, ainda sobram lembranças, expectativas sobre o ressarcimento de prejuízos e lamentos. O agricultor Raimundo, sua esposa Almerinda e a cunhada Josefa Gonçalves de Souza trazem na mente e no corpo as marcas daquela sexta-feira, 3 de março de 2006.

Vizinhos da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) Toledos 1, no Jardim Conceição, a maior estação de tratamento de detritos de Santa Bárbara d´Oeste, a família foi surpreendida naquela noite com uma avalanche de esgoto sem tratamento. A onda de dejetos destruiu a casa de nove cômodos, dizimou a criação de galinhas formada por 180 cabeças de aves, matou dois cães e três gatos e prensou o Fusca do filho do casal entre as árvores localizadas no extremo da propriedade de 26 mil metros quadrados.

E de repente eu me pergunto se seria capaz de falar com sincera seriedade sobre o drama de uma família que teve sua casa destruída por uma enxurrada de BOSTA.

(…)

Eu sou uma pessoa horrível.