30
Aug
  This is Sparta! Satirizando o filme – Parte III (o retorno) e Face Transformer

Aviso: esse é um post de besteirinhas. Uma gripe maldita me pegou e nem adiantou tentar discutir com o vírus dizendo que eu tinha que escrever. Estou debilitada e textos gigantes não sairão dessa cabeça zonza no dia de hoje. Mas se eu aqui, toda moribunda, consegui me divertir com as dicas a seguir, vocês também irão.

Na época do lançamento do filme “300″, eu postei algumas montagens em foto e vídeo parodiando o protagonista Leônidas e seu exército. Mas o vídeo abaixo conseguiu juntar as duas coisas e ficou mais estupidamente engraçado do que todos os que eu já tinha visto. Confiram:

[video]http://www.youtube.com/watch?v=rZBA0SKmQy8&mode=related&search=[/video]

A segunda dica é um site de transfornação facial muito interessante. Basta subir uma foto sua e preencher um perfilzinho e o site te dá várias opções de transformações bem interessantes. Legal mesmo. Pra obter resultados mais perfeitos, utilize uma foto que mostre bem o rosto (de frente, craro) e que tenha o mínimo de expressão. Exatamente como a cara de babaca que eu fiz na minha, que você poder conferir no quadro abaixo, junto com alguns resultados. Basta clicar pra ampliar.

Tabela Face Transformer

Considerações: Adorei o mangá. Se eu fosse africana não teria bochechas, mas como oriental elas seriam duas vezes maiores. De qualquer forma, espero que elas não fiquem assim quando eu ficar velha (sim, é paranóia). Quanto à pintura, se eu quisesse mandar alguém fazer uma minha, não pediria a Alphonse Mucha, porque essa não tem nada a ver comigo. Mas pelo menos também não tem bochechas.

Pra finalizar, um traveco do Mirão aqui não seria nada bonito de se ver. Que desgraça.







28
Aug
  Considerações sinceras (até demais) sobre o BlogCamp

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Mobilon e eu no BlogCamp (clique para aumentar)

Esse BlogCamp foi uma coisa curiosa pra mim. A começar pelo fato de ter dormido apenas duas horas de sexta pra sábado, e já chegar morrendo ao local. Mas vamos rebobinar um pouco:

Gente, eu sou do interior. Acho que nunca fui pra São Paulo sem ser em excursão escolar, onde o ônibus nos deixava e pegava exatamente no ponto da visita. Então dá pra imaginar a caipira com o nariz grudado na janela espiando tudo. Até os carros alegóricos destroçados perto do sambródro sambódromo eu achei legal. Me senti o Id Brain, com aquela cara de feliz e me diverti até no metrô, segurando no Mobilon porque eu não alcançava lugar nenhum com aquele monte de gente. Estranhei o horizonte amarelado, pois aqui em Americana, o céu ainda é azul.

Passada a euforia de quem vê o mar pela primeira vez, percebi que tudo lá é longe e grande pacas e que a gente ia ter que andar um bocado. Pensando em chegar logo, as duas topeiras decidiram deixar o hotel pra mais tarde. No meio do caminho imaginei como seria um efeito dominó com aqueles edifícios.

Chegando ao Gafanhoto – ai que emoção – avistei o Fábio Seixas, um dos poucos que tem foto no blog e que eu pude reconhecer de primeira. Mais tarde ele me perguntou qual era o meu blog, e depois da resposta fez cara de interrogação – o Fábio Seixas não me conhece. Fazer o quê.

Alguns dos primeiros a bater um papinho com a gente foram o Paulo, o Wagner Fontoura e o Marcel, que inclusive aturou a gente boa parte do dia.

Sobre o evento, devo dizer que alguns debates me pareceram meio monopolizados. Eu sei que fala quem quer, mas no debate (que a princípio era) sobre jornalismo participativo, eu fiquei com medo de abrir a boca e levar porrada. Vai ver foi o sono, vai ver eu sou uma frouxa. Em alguns momentos a coisa se tornava “profissional” demais, perdia um pouco a leveza e parecia mais uma disputa por visibilidade. Por vezes foi maçante.

Mas calma, coleguinhas, obviamente houveram as partes boas, onde o pessoal debateu de forma sadia e se divertiu bastante. Eu só sinto por ter perdido a dancinha do Edney - que devia adotar Interney no nome, porque muita gente não conseguia se referir a ele de outra forma. Ele me conhecia, ai que emoção².

E, mais que obviamente, a melhor parte foi o bar. Lá eu – depois de uns copinhos – desembestei a falar, infernizando a vida de um monte de gente, entre eles: Fugita, Thiane, Manoel Netto, Inagaki, Tiago Dória, Renato e Eric. Pessoal, da próxima vez vocês estão autorizados a me atingir na cabeça com o objeto mais próximo. Eu achei que ia infernizar o Cardoso também, mas acho que ele não foi com a minha cara (apesar da foto do começo do post ser de autoria dele).

Pra finalizar, lembram do papo do hotel, lá no começo? Depois de gastar mais de 10 pilas com o táxi, pois os hotéis mais próximos já estavam lotados, pegamos o ÚLTIMO quarto disponível num F1. Eu estaria disposta a dormir na calçada caso não conseguíssemos, pois após quase 20 horas acordada (tendo dormido só duas), eu não estava em condições de dar mais nenhum passo. Mas eu ia acabar com a raça do Mobilon.

É isso, pessoal, eu estava devendo este texto, mas demorei pra me recuperar do final de semana – lembrando que eu ainda fui prestar ENEM no domingo. Se você chegou até o final, parabéns, você já atingiu sua cota de leitura por hoje, pode ir dormir. Eu vou.

Update: esqueci de comentar que, durante o evento, ocorreu um infeliz incidente: um projetor do local foi furtado. O pessoal está tentando arrecadar o dinheiro para repor o aparelho através de contribuições, visto que o local nos foi cedido gratuitamente. Caso queira colaborar, pode fazê-lo através de um botão de doação na sidebar do blog oficial do BlogCamp 2007.







23
Aug
  Juventude Transviada

amy-winehouse.jpg

Quando eu tinha treze anos, tive uma briga feia com a minha mãe e fugi de casa – pulei o muro dos fundos, levei um capote do outro lado e ganhei um joelho ralado. Corri pra casa de uma amiga. Quinze minutos depois, meus pais apareceram. Um joelho ralado e uma surra. Parabéns pra mim.

No começo do ano passado, saí de casa e fui morar com uma amiga. Voltei três meses depois, sem grana e com cara de cão arrependido. Parabéns de novo.

Apenas dois leves episódios de várias atitudes estúpidas que tomei em busca de uma liberdade e independência que ainda não tinham hora nem motivo pra ser. Dos quatorze aos dezessete anos fui de primeira aluna a aluna rebelde e perdi um ano escolar, incrivelmente me tornando o avesso de mim mesma. E só depois de muita cabeçada eu me toquei que andava pra trás, desperdiçando qualidades e tempo em troca do “eu sou mais eu”.

Hoje em dia, back on track, não consigo me conformar que tantos jovens tenham realmente que criar um belo monte de merda pra só depois se tocar que eles mesmos terão que limpar tudo sozinhos. E aqueles que não percebem acabam morrendo afogados no meio da própria bagunça.

Os exemplos são vários, e em diferentes níveis. Como a tal onda rehab, que já não dá mais pra engolir. Lindsay Lohan, Britney, Paris, e mais recentemente Amy Whinehouse, que ilustra esse post, e dona do hino anti-reabilitação, fazem parte de uma explosão de poitas pessoas que se acabam publicamente, num universo onde sobra dinheiro e faltam valores. Longe de mim dar uma de politicamente perfeita, mas acessar um portal todo dia e ver “fulana deixa a reabilitação”, “fulana presa dirigindo bêbada”, “fulana volta à reabilitação” é de torrar a paciência de qualquer um.

Mas não precisamos ir tão longe. Podemos encontrar bons exemplos de inconsequência e rebeldia sem causa mais perto do que pensamos. Um ótimo lugar pra isso é a faculdade. E se tratando da rede privada de ensino, a coisa tende a piorar. Em sua maioria, um reservatório de salsinhas que, enquanto os pais – de classe média – se matam pra pagar as mensalidades, só pensam em ir “po bar”, ficam felizes quando tem palestra ao invés de aula, pois assim não precisam ir, e desperdiçam o tempo – deles, do professor e dos outros alunos – se manifestando no meio de uma aula de sociologia da comunicação pra fazer uma piada infame.

Invariavelmente, quando esse tipinho chega e brada: “Vam po bar, galera!”, e você responde: “Tá louco, tem aula”, ele te manda um: “Então fica, CDF”, e sai, feliz e contente, com os amigos maiorais pra jogar truco e beber enquanto você rala. Porque ele é mau, e você é um neeeeerdeee.

Invariavelmente, amanhã ele estará varrendo o chão da sua empresa. Se você deixar.







14
Aug
  Melhor é ser pobre

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Eu não sou pobre. Também não sou rica, nem de longe. Tô no meio do furdunço da maldita classe mérdia. Isso porque o meu pai – que veio do sítio e foi engraxate aos 10 anos – e minha mãe – que também criança, entregava pão de madrugada pra ajudar o meu avô – trabalharam feito camelos pra que eu tivesse um pouco mais de conforto e oportunidade nessa vida bandida.

E assim, trabalhando e construindo a vida em 12x nas Casas Bahia, num sufoco dos diabos, fomos conquistando, aos poucos, pequenos e grandes confortos, que incluem desde quinquilharias eletrônicas, até carro e casa própria. Benzadeus, já diria a minha avó. Vira pro lado e abraça o irmão, diria um pastor da igreja Penten Peten Pentecostal.

E era uma vez que, o cinto é apertado, a faculdade – que eu já divido com o meu pai, por caridade dele, não minha – fica um pouco pesada. Bóra arranjar um descontinho – descontinho o escambau, no máximo um financiamento que eu vou ter que pagar de qualquer forma. Mais uma vez, um jeitinho Casas Bahia de se viver.

Vou até a sala da assistente social, e explico pra ela que eu sou blogueira tá complicado dar conta e que eu não queria deixar o curso, que eu adoro. Ela, com aquele jeito de assistente social, começa a falar comigo com a voz mansa e pausada, e quando eu percebo, já encarnei a pobre pra não desapontar a coitada. Ou vice-versa.

Agora, analisando a ficha de inscrição do programa, tenho apenas uma coisa a declarar: nesse país, se não puder ser rico, pule a classe média e seja pobre. Não importa quantos carnês você tem socado naquela pasta entupida de contas a pagar, se você tem uma TV, um microondas e mais que dois pares de sapato, você não tem direito à ajuda nenhuma. A classe média é a órfã da grande pátria.

Porque se o governo diz que eu posso, eu vou ter que me poder.







11
Aug
  Um conto de Clarice

Uma esperança

Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.

Houve um grito abafado de um de meus filhos:

- Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.

- Ela quase não tem corpo, queixei-me.

- Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.

Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.

- Ela é burrinha, comentou o menino.

- Sei disso, respondi um pouco trágica.

- Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.

- Sei, é assim mesmo.

- Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.

- Sei, continuei mais infeliz ainda.

Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vigiando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse.

- Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim.

Andava mesmo devagar – estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo.

Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia “a” aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:

- É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte…

- Mas ela vai esmigalhar a esperança! respondeu o menino com ferocidade.

- Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros – falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança.

O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.

Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la.

Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: “e essa agora? que devo fazer?” Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.

Clarice Lispector, de “Felicidade Clandestina” – Ed. Rocco – Rio de Janeiro, 1998