
Quando eu tinha treze anos, tive uma briga feia com a minha mãe e fugi de casa – pulei o muro dos fundos, levei um capote do outro lado e ganhei um joelho ralado. Corri pra casa de uma amiga. Quinze minutos depois, meus pais apareceram. Um joelho ralado e uma surra. Parabéns pra mim.
No começo do ano passado, saí de casa e fui morar com uma amiga. Voltei três meses depois, sem grana e com cara de cão arrependido. Parabéns de novo.
Apenas dois leves episódios de várias atitudes estúpidas que tomei em busca de uma liberdade e independência que ainda não tinham hora nem motivo pra ser. Dos quatorze aos dezessete anos fui de primeira aluna a aluna rebelde e perdi um ano escolar, incrivelmente me tornando o avesso de mim mesma. E só depois de muita cabeçada eu me toquei que andava pra trás, desperdiçando qualidades e tempo em troca do “eu sou mais eu”.
Hoje em dia, back on track, não consigo me conformar que tantos jovens tenham realmente que criar um belo monte de merda pra só depois se tocar que eles mesmos terão que limpar tudo sozinhos. E aqueles que não percebem acabam morrendo afogados no meio da própria bagunça.
Os exemplos são vários, e em diferentes níveis. Como a tal onda rehab, que já não dá mais pra engolir. Lindsay Lohan, Britney, Paris, e mais recentemente Amy Whinehouse, que ilustra esse post, e dona do hino anti-reabilitação, fazem parte de uma explosão de poitas pessoas que se acabam publicamente, num universo onde sobra dinheiro e faltam valores. Longe de mim dar uma de politicamente perfeita, mas acessar um portal todo dia e ver “fulana deixa a reabilitação”, “fulana presa dirigindo bêbada”, “fulana volta à reabilitação” é de torrar a paciência de qualquer um.
Mas não precisamos ir tão longe. Podemos encontrar bons exemplos de inconsequência e rebeldia sem causa mais perto do que pensamos. Um ótimo lugar pra isso é a faculdade. E se tratando da rede privada de ensino, a coisa tende a piorar. Em sua maioria, um reservatório de salsinhas que, enquanto os pais – de classe média – se matam pra pagar as mensalidades, só pensam em ir “po bar”, ficam felizes quando tem palestra ao invés de aula, pois assim não precisam ir, e desperdiçam o tempo – deles, do professor e dos outros alunos – se manifestando no meio de uma aula de sociologia da comunicação pra fazer uma piada infame.
Invariavelmente, quando esse tipinho chega e brada: “Vam po bar, galera!”, e você responde: “Tá louco, tem aula”, ele te manda um: “Então fica, CDF”, e sai, feliz e contente, com os amigos maiorais pra jogar truco e beber enquanto você rala. Porque ele é mau, e você é um neeeeerdeee.
Invariavelmente, amanhã ele estará varrendo o chão da sua empresa. Se você deixar.




