
Desde já, peço desculpas aos meus futuros netos: eu não serei uma boa avó. E desde já, peça também desculpas aos seus, pois você também não será. Cheguei a esta conclusão há uns dois dias atrás quando levei uma mala de roupas para que a minha avó fizesse uns ajustes.
Sentada ao lado dela enquanto ela costurava as roupas, comendo um pedaço de pão doce, eu me toquei. Eu não sei costurar e não sei fazer pão doce. Jamais terei uma neta sentada ao meu lado comendo o pão doce que eu fiz enquanto eu costuro as roupas dela.
Piegas? Então vamos lá. Minha avó cuidou de mim por um bom tempo durante minha infância, pois morávamos numa casinha no quintal da casa dela e meus pais trabalhavam fora. Bolos, bolachinhas, sopa de bolacha, café da tarde, mamão picado, e mais mil coisas de avó foram responsáveis pela minha engorda. Eu, como avó, no máximo vou indicar as prateleiras, porque estarei trabalhando, e: avós não trabalham. Eles estão sempre na casa deles esperando a gente com as bolachinhas prontas. Me diga se você se imagina parando de trabalhar pra ficar sentada num banquinho na frente de casa fofocando com a vizinha?
A minha avó odeia a mensagem telefônica que diz “este número está ocupado, tente mais tarde”, ela diz que “essa moça” não tem nada que meter o bedelho, é só colocar o pi pi pi que ela já sabe que tá ocupado, diacho! Mas nós vamos saber que a moça é uma mensagem, e que os personagens que morrem nas novelas não morrem de verdade. Seremos avós modernos, entendidos. E talvez entediantes, pois não se esqueça: um dia eles estarão à sua frente quanto às novidades tecnológicas e você não vai ter nada nem de novo e nem de inocentemente engraçado a dizer. É, cumpadre.
Talvez eu me torne uma avó doidona que faz kung-fu. Mas as bolachinhas… nem.
Sem saber costurar ou fazer guloseimas e sem vontade de cuidar de jardinzinho, nos resta contar histórias. Ao menos isto companheiros (principalmente os blogueiros), nós faremos muito bem.






Juntem as frases em negrito e terão o retrato perfeito de milhares de raparigas do nosso Brasil. Eu sei que a maioria dos homens não vão dar a mínima pra este texto, afinal, é sempre uma vantagem quando sobra uma pelada na TV, mas eu, com o resto das mulheres e algumas excessões do sexo masculino ainda questionamos o assunto.