9
Aug
  Nós não seremos bons avós

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Desde já, peço desculpas aos meus futuros netos: eu não serei uma boa avó. E desde já, peça também desculpas aos seus, pois você também não será. Cheguei a esta conclusão há uns dois dias atrás quando levei uma mala de roupas para que a minha avó fizesse uns ajustes.

Sentada ao lado dela enquanto ela costurava as roupas, comendo um pedaço de pão doce, eu me toquei. Eu não sei costurar e não sei fazer pão doce. Jamais terei uma neta sentada ao meu lado comendo o pão doce que eu fiz enquanto eu costuro as roupas dela.

Piegas? Então vamos lá. Minha avó cuidou de mim por um bom tempo durante minha infância, pois morávamos numa casinha no quintal da casa dela e meus pais trabalhavam fora. Bolos, bolachinhas, sopa de bolacha, café da tarde, mamão picado, e mais mil coisas de avó foram responsáveis pela minha engorda. Eu, como avó, no máximo vou indicar as prateleiras, porque estarei trabalhando, e: avós não trabalham. Eles estão sempre na casa deles esperando a gente com as bolachinhas prontas. Me diga se você se imagina parando de trabalhar pra ficar sentada num banquinho na frente de casa fofocando com a vizinha?

A minha avó odeia a mensagem telefônica que diz “este número está ocupado, tente mais tarde”, ela diz que “essa moça” não tem nada que meter o bedelho, é só colocar o pi pi pi que ela já sabe que tá ocupado, diacho! Mas nós vamos saber que a moça é uma mensagem, e que os personagens que morrem nas novelas não morrem de verdade. Seremos avós modernos, entendidos. E talvez entediantes, pois não se esqueça: um dia eles estarão à sua frente quanto às novidades tecnológicas e você não vai ter nada nem de novo e nem de inocentemente engraçado a dizer. É, cumpadre.

Talvez eu me torne uma avó doidona que faz kung-fu. Mas as bolachinhas… nem.

Sem saber costurar ou fazer guloseimas e sem vontade de cuidar de jardinzinho, nos resta contar histórias. Ao menos isto companheiros (principalmente os blogueiros), nós faremos muito bem.







3
Aug
  Mães com descontrole emocional

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Se não me engano, na minha época de Orkut (maldita seja) eu fazia parte da comunidade que dá nome a esse texto. Minha mãe e eu nunca fomos melhores amigas e ela faz o tipo meio, digamos… exagerada. Mas isso, hoje em dia, nem é mais um problema tão sério, afinal, ambas somos crescidinhas e não há motivos para perder a cabeça por besteira, não é?

Era o que eu pensava, até hoje.

Estávamos numa discussão besta, quando ela, soltando um clichê de mãe sem argumento me disse que eu tinha que obedecer porque a casa é dela, e eu rebati com um clichê de filha sem argumento dizendo que nasci porque ela quis.

Alguma coisa naquele ali não foi legal, pois ela virou pra mim com a maior cara de ódio que conseguiu fazer (algo parecido com o Pikachu nervoso) e disse:

- Se você disser isso mais uma vez, você vai… (e eu prevendo os clássicos “se ver comigo” ou “se ver com o seu pai”, quando ela completa com um:) morrer.

(…)

Milhares de respostas passaram pela minha cabeça, mas eu só consegui ficar parada, atônita.

Então é isso, a minha mãe quer me matar. Caso eu suma, vocês já sabem.







1
Aug
  A Itália não quer se tornar o Brasil

“A Itália é o país das mulheres nuas” e “Onde as mulheres são apenas objetos” foram os títulos que estamparam os dois principais jornais italianos nesta semana, numa referência às jovens bonitas, com pouco ou nenhum talento, que aparecem vestindo biquínis, sutiãs minúsculos ou microssaias em quase todos os programas televisivos e peças publicitárias no país.De acordo com as publicações, passadas três décadas da aprovação das leis que legalizaram o divórcio e o aborto, consideradas marcos das conquistas femininas, as italianas parecem não se importar com o fato de que estão sendo exploradas e tratadas como simples objeto.O assunto veio à tona depois que o jornal inglês Financial Times publicou um artigo de quatro páginas criticando duramente o tratamento reservado às mulheres na Itália: “o uso de bailarinas em todos os gêneros de programas televisivos, as peças publicitárias dominadas por alusões sexuais, o prevalecimento da mulher como objeto, destinada a excitar os órgãos genitais dos homens em vez do cérebro”.

Adrian Michaels, autor do texto, diz que o mais surpreendente é a ausência de protestos. De acordo com ele, “aparentemente, as mulheres não vêem nada de mal em terem seus corpos descobertos inutilmente para divulgar qualquer produto”.

Fonte: BBC Brasil

399695-7146-in.jpgJuntem as frases em negrito e terão o retrato perfeito de milhares de raparigas do nosso Brasil. Eu sei que a maioria dos homens não vão dar a mínima pra este texto, afinal, é sempre uma vantagem quando sobra uma pelada na TV, mas eu, com o resto das mulheres e algumas excessões do sexo masculino ainda questionamos o assunto.

Eu fico aqui a pensar com os meus botões, como se sentem as moçoilas, quando sua capacidade mental é colocada em jogo. Rebolar a bunda é fácil, mas abrir a boca e dizer algo que preste é a parte que complica, e quando alguém fala sobre isso, aí a peruada fica toda nervosa, querendo provar a todo custo que não é uma bela embalagem vazia. Aliás, se você parar pra pensar, toda mulher que começa pelada em algum lugar, logo dá um jeito de apresentar um programa de TV ou virar atriz.

Uma vez eu vi uma entrevista onde a entrevistada (! – não me lembro quem era) dizia que a Playboy apenas abre as portas do sucesso, e que só quem tem talento pode manter a “carreira”. Claro, amiga, só depende de como você quer ser vista. Se eu quero ser uma jornalista séria, e tento impulsionar a minha carreira com algo do tipo, a única coisa que eu não serei é uma jornalista séria. Não digo pra mim mesma, mas aos olhos dos outros. É a mesma coisa das mulheres pra sair e das mulheres pra casar. Então esse papo todo de que “eu mostro meu corpo mas tenho talento” é conversa pra boi gordo ferrar no sono. Isso é sim uma forma de se tornar famosa quando você não sabe fazer absolutamente nada de interessante e inteligente. Pode ser também uma forma de se auto-afirmar. De qualquer maneira, não se contam as causas, e sim a consequência.

Acontece que a coisa vai bem além do que seria uma simples “desvalorização” pessoal, atingindo nível nacional e tornando o Brasil o país da bunda. E ponto. É assim que somos vistos mundialmente e merecemos, pois de certa forma, incentivamos a pataquada toda, dando a audiência necessária pra que a coisa funcione e encarando na maior normalidade. Aposto que muita gente vai achar a atitude dos italianos o maior exagero, quando nós é que estamos exagerando e transformando em artistas bundas rebolantes.

Parabéns pra nós, e pra todas as bundas. Somos um país pra sair e não pra casar.