27
Oct
  Rio, picanha e o dilema futebolístico

Noite de sexta, chego na faculdade carregando a casa nas costas. roupas, secador de cabelos, dois pares de sandálias, cremes, perfumes, câmera, carregadores em geral, maquiagem, tudo socado numa mochila verde que, no momento pesava o dobro de mim. Tudo pronto pra ir pra terra do Capitão Nascimento e do maldito funk do morro do dendê, que toca em 10 de 10 celulares aqui no interior.

Lá pelas onze e meia da noite, embarcamos, Mobilon e eu, naquele veículo do capeta: o ônibus de viagem sem leito. Era a nossa única opção daqui pro Rio.
Sim, eu sou compacta e me viro. Mas como só as pernas do Mobilon já são quase do meu tamanho, o espaço que eu deixo livre, ele ocupa. E ocupou, o maldito siriemo.

Depois de uma noite do cão, chegamos ao Rio, e o Ian já nos esperava na rodoviária. Com ele, aprendemos a fugir dos taxistas de(sh)controlado(ash), em bom carioquês. Carioca fala muito mais vogais nas palavras, já notaram? E também dão dois beijinhos ao cumprimentar. Eu nunca me lembrava dos dois beijinhos, porque aqui ou é um, ou logo três. Dois não existe. Nunca serão.

Depois de passear pra lá e pra cá no sábado, com direito a Murphy colocando nuvens estratégicas bem na fuça do cristo e na frente do pôr do sol, voltamos ao hotel, só pra tomar banho e já sair pro esquenta do Barcamp Rio. Lá, pudemos encontrar o pessoal pra encher o caco junto conversar um pouco antes do evento, no domingo.

Mas foi depois do esquenta, lá pelas duas da manhã, me entupindo de arroz, feijão, fritas e picanha (sim, às duas da manhã) com o Ian e o Mobilon, que ouvi o seguinte diálogo entre um senhor e um rapaz, devidamente alterados pela bebida, inspirado na famosa camisa da seleção de Ian Black:

Velho: O que significa CBF? Eu sei que é “Brasileiro de futebol”, mas o que é o “C”?
Moleque: É Clube, não é?
Velho: Clube Brasileiro de Futebol?
Moleque: É.
Velho: (pensando) Não, acho que não…
Moleque: Claro que é.
Velho: Ah, tá! É confederação! Confederação Brasileira de Futebol.
Moleque: hmmm..
Velho: E FIFA?
Moleque: É fundação..
Velho: Fundação!? Eu acho que é federação.
Moleque: Será?
Velho: É sim, Federação internacional de futebol…
Moleque: Masculino.
Velho: (faz a cara de interrogação mais espantada que já pude presenciar) Masculino!? Com A?
Moleque: Argentino?

Considerações por conta de vocês.

Quanto ao Barcamp, deixo aqui os parabéns ao Nick, pela ótima organização. O pessoal ficou muito bem amparado pra se matar de falar sobre monetização, velha e nova mídia, credibilidade, e tudo aquilo que a gente sempre fala, mas nunca cansa. Mas foi boa, zero meia. Padrão.

 Update: estava devendo este texto desde semana passada! Então sexta, no caso, não é essa sexta, é a outra! Tendido!? )







16
Oct
  Cabelo bandido? Se não tá preso tá armado? Chega, liberte-se do elástico!

14387-bovvered-big.jpg

Vou contar uma história pra vocês. Era uma vez uma menina com belos cachos loiros. Com treze anos de idade a menina encucou que queria pintar os cabelos de vermelho. A menina pintou os cabelos de vermelho por quase dois anos. Parecia um tomatão. Ou tomatinho, pois ela era pequenininha. Óbvio que o cabelo ficou uma bosta. Então ela resolveu deixar os cabelos crescerem e voltarem ao normal naturalmente. Isso demorou um ano e meio.

Eis que, um belo dia, a menina e a sua banda iam tocar numa festa. De tão empolgada, a AMEBA AZUL foi lá e pintou tudo de vermelho de novo. Mais um ano e meio pra desfazer a cagada. Nesse meio tempo, ela ainda fez “luzes”, pra disfarçar o degradê do loiro pro ruivo. Era uma coisa divina aquilo.

Depois disso, a menina sossegou o picuá, e resolveu não fuçar mais nas madeixas… por um tempo. No começo do ano passado a MACACA AZEDA DO MATO foi lá e pintou o cabelo de novo. De loiro. Mas de tão MACACA AZEDA que ela era, errou a tonalidade e ficou igualzinha à Leona da novela. Vocês se lembram? A Carolina Dieckman com aquele cabelo branco. Pois é, foi assim que a MACACA AZUL DO MATO AMEBA (ai, me perdi…) ficou.

Claro que a anta era eu. Depois disso, pra tentar voltar a ter cor de cabelo de gente, pintei ele de escuro umas quinze vezes no mesmo ano. Dessa vez, ficou uma bosta inexplicável, que me levou a alisar os cabelos, pra não parecer a bruxa Keka. Sem contar a franja, que eu vivo cortando sozinha, e sempre fica curta demais. Ou torta. Ou as duas coisas, como da última vez. Por conta disso, nas últimas semanas meu humor tá uma paçoca.

Mas eu duvido que milhares de outras mulheres não tenham uma história parecida com a minha, ou pior. A gente vive desfazendo as próprias cagadas, e reclamando que o cabelo não presta quando a culpa disso é mesmo nossa. E vivemos em busca de algum milagre que permita sair no vento, ou deixar a janela do carro aberta. O Mobilon me odeia por isso, não abro nem quando tá o inferno na terra de tanto calor. Eu hein! Keka mode-off!! Sair no vento SÓ com o cabelo preso, o que é um saco. Ainda mais quando você acaba de fazer aquela escova/chapinha e tá linda maravilhosa, vai tacar um elástico? Nã-nã-não.

Tomando as dores das descabeladas do meu Brasil, a L’oréal lançou a nova linha Volume Control, da Elsève, que promete hidratar e diminuir o volume das madeixas. E junto, veio o movimento Liberte-se do elástico, que vai te dar um celular Prada novinho, para combinar com a chiqueza dos seus cabelos domados, benhê. São duas formas de ganhar: a primeira é fazer o cadastro, e a partir daí, recrutar todas as suas amigas e amigos, para lutar conosco contra os cabelos rebeldes. Quem recrutar o maior número de pessoas, leva o celular, mais um puta kit de produtos Elsève. A outra forma é criar uma frase dizendo o que a liberdade dos seus cabelos significa para você, a frase mais criativa também leva o celular, mais kit Elsève. Lembrando que nas duas categorias, os vencedores do 2º ao 5º lugar também levam kits Elsève Volume Control.

Tá esperando o que, leãozinho? Corre lá salvar essa juba! E se livra desse elástico!







3
Oct
  Walt Disney ferrando com a ordem natural das coisas

vida-de-inseto.jpg

Personificação é sucesso na certa, seja lá do que for. Todo mundo gosta de um bichinho ou coisinha falante, e o pessoal dos estúdios Walt Disney sabe muito bem disso. Mesmo os desenhos mais antigos sempre contavam com um toquezinho, como os objetos de “A Bela e a Fera” ou os ratinhos de “Cinderela“, além do próprio Mickey e Cia. De qualquer forma, sempre dando não só voz aos bichos, mas também toda uma sociedade organizada, como a humana (cof cof). Mais recente é a onda de animações Disney/Pixar, que tem sido melhor opção que muito filme de marmanjo.

Mas há uma parte maléfica nisso tudo, que muito provavelmente eu seja a única pessoa do mundo a enxergar. Simplesmente porque eu não consigo mais matar uma merda duma formiga!

Ontem eu estava assistindo “Uma vida iluminada“, com o Frodo Elijah Wood. Em certo ponto, o Frodo Elijah, que ficava colecionando coisas durante o filme, pega um grilo e guarda num saquinho. Primeira coisa que me veio em mente: “Puta que o pariu! Deixa o grilo lá!”.

Já hoje, quando um bicho estranho passou por mim no ponto de ônibus e tive ímpeto de pisá-lo, me contive ao pensar um medonhamente absurdo: “Deixa o coitado ir pra casa”. Como assim!? Que casa!? Em seguida passou uma madame oxigenada e magrela fazendo marchinha, tentando ignorar as pelancas aparentes. Pensei que talvez pisasse nela, mas não no bicho.

Então me toquei de várias coisas. Da forma como desvio das formigas no chão, e como não consigo ver aquelas formiguinhas de açúcar se afogando na pia da cozinha, tirando-as da água e colocando na janela, ou como eu vivo tentando conversar com os cachorros. Quando vi o cachorro da vizinha do Mobilon ser atropelado fiquei mal por mais de uma semana. Eu achei estranho mesmo só eu ter chorado, além da dona. Ou ainda como fiquei esquisita ao preparar peixe pro almoço essa semana. Me senti a parte humana-vilã do filme do Nemo. Que tristeza. Eu tenho a capacidade de ficar espantando um mesmo bichinho que pare na tela do monitor – por causa da luz – a noite toda, ao invés de esmagá-lo de uma vez. E tudo porquê!? Porque a Disney me ensinou que o mosquitinho tem sentimentos. Duvido que você coma um frango depois de assistir O Galinho Chicken Little.