
Já tinha enfrentado 8 horas de terror na ida pra BH. E isso pagando oitenta reals num ônibus (dito) executivo que nem travesseirinho tinha. Mundo cão. E agora era: enfrentar as mesmas oito horas num ônibus convencional e perder o segundo dia do Blogcamp, ou então pagar duzentos contos numa passagem de avião, mas aproveitar o domingo e chegar em casa em, no máximo, duas horinhas. A conta no banco perdeu a batalha. No more bunda quadrada, noite em claro e hipotermia (quase!).
Eu nunca havia viajado de avião, então fiquei eufórica. Estava feliz por voltar rápido e chegar cedo, pela fadiga evitada, e pela novidade toda, enfim. Então, depois de participar das últimas horas de desconferência (as mais produtivas por conta da total informalidade), e encher a pança almoçar muito bem, tomamos o rumo do aeroporto. Eu, Mobila e Ian.
Ao chegar, tudo me parecia belo. Ao menos naquele momento, era um lugar tranqüilo e civilizado, sem a correria e a bagunça das rodoviárias. Ao invés de vendedores afoitos e barraca de cocrete havia um café. Dois cafés. E uma mini livraria. Oh, belo.
Tínhamos muito tempo, principalmente depois de pular toda a gigantesca fila do check in por não termos bagagem, então fomos para a sala de embarque, e permanecemos ali, fuçando os livros da tal livrariazinha.
Fui ao banheiro e a moça na caixa de som ao lado da pia avisou que o meu avião já se encontrava no aeroporto. Ai, que emoção. Alguns minutos depois, estávamos na fila para o embarque, mais alguns minutos e pude avistar uma aeromoça com cabelos ruivos e encaracolados e cara de cu. Posso falar cu aqui, né? E você sabe que cu não tem acento, né? Então beleza.
Enfim, ao adentrar aquele maravilhoso pássaro de ferro, cheguei à seguinte conclusão:
“Puta cidadã cuja renda provém do comércio do próprio corpo que o pariu! Que busão comprido.”
É, parecia um ônibus extra large e só. Nada demais. Não sei o que eu esperava, mas não chegou. Depois disso, me dirigi ao meu assento e descobri que não era na janelinha. Aí eu fiquei puta. Rezei pra que quem quer que fosse na minha janelinha ficasse entupido na privada, mas não funcionou. Um senhor rechonchudo apareceu, e ainda me fez levantar pra se sentar. Na minha janelinha. Eu queria matar aquele gordo. Isso sem saber que ele ainda iria dormir a maior parte do vôo. Pra quê janelinha se você vai dormir, sua mula? Eu não me conformei.
Não havendo o que fazer, decidi seguir o conselho de Ian e prestar atenção no inglês ruim das comissárias de bordo. Aquilo me distraiu. Mas eu perdi o lance dos bracinhos porque o banco era alto demais pra mim e eu não enxergava.
E foi em algum momento entre os bracinhos e a luz do cinto acendendo, que eu fui me dar conta da minha situação. Eu ia tirar o pé do chão. E não era no melhor estilo Ivete Sangalo.
Quando o avião pegou velocidade pra subir, meu estômago devia estar meio solitário, porque foi bater um papo com os meus pulmões. E depois que comi o lanchinho servido no avião, ficaram todos ali: a barrinha de cereais, os amendoins, o suco, meu esôfago e meu estômago, todos confraternizando com os meus pulmões.
Outro que não estava feliz em seu habitat natural era o meu cérebro, rodando dentro da minha cabeça e tentando sair pelo ouvido.
De qualquer forma, o vôo teria sido apenas tranquilamente incômodo do início ao fim. Mas não é o fim até que acabe. E não acabou exatamente tranquilo. Não pra mim.
Quando eu me preparava pra ir ao banheiro, a luzinha do cinto acende novamente. Era hora de descer. Eu me preparei para o enjôo da mudança de pressão, mas não para o quase-infarto que estava por vir. E assim que o avião tocou o chão, eu tive kinda 3 segundos de paz pra soltar o ar dos pulmões. Até o piloto ligar o famoso reverso da turbina…
Apenas uma foto poderia explicar o que o Mobilon, sentado ao meu lado, presenciou quando o avião deu AQUELE tranco. Eu, colada na cadeira, arrancando o braço dele, com os olhos esbugalhados e quase chorando. Eu sou do interior, sempre digo. Nunca havia voado. Era congonhas. Certeza que eu ia morrer. Óbvio.
Mas o avião parou, e tudo estava bem. E eu estava inteira, pronta pra lembrar que ainda tinha que pegar o ônibus de Sampa pra Americana. Oh, boy.
Anyway, tô pronta pra próxima, que rola (voa) na sexta. Rumo ao Blogcamp PR. Apertem os cintos. E que o reverso não falhe, amém.





