28
Nov
  Viajar é preciso, voar… bem, depende.

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 Já tinha enfrentado 8 horas de terror na ida pra BH. E isso pagando oitenta reals num ônibus (dito) executivo que nem travesseirinho tinha. Mundo cão. E agora era: enfrentar as mesmas oito horas num ônibus convencional e perder o segundo dia do Blogcamp, ou então pagar duzentos contos numa passagem de avião, mas aproveitar o domingo e chegar em casa em, no máximo, duas horinhas. A conta no banco perdeu a batalha. No more bunda quadrada, noite em claro e hipotermia (quase!).

Eu nunca havia viajado de avião, então fiquei eufórica. Estava feliz por voltar rápido e chegar cedo, pela fadiga evitada, e pela novidade toda, enfim. Então, depois de participar das últimas horas de desconferência (as mais produtivas por conta da total informalidade), e encher a pança almoçar muito bem, tomamos o rumo do aeroporto. Eu, Mobila e Ian.

Ao chegar, tudo me parecia belo. Ao menos naquele momento, era um lugar tranqüilo e civilizado, sem a correria e a bagunça das rodoviárias. Ao invés de vendedores afoitos e barraca de cocrete havia um café. Dois cafés. E uma mini livraria. Oh, belo.

Tínhamos muito tempo, principalmente depois de pular toda a gigantesca fila do check in por não termos bagagem, então fomos para a sala de embarque, e permanecemos ali, fuçando os livros da tal livrariazinha.

Fui ao banheiro e a moça na caixa de som ao lado da pia avisou que o meu avião já se encontrava no aeroporto. Ai, que emoção. Alguns minutos depois, estávamos na fila para o embarque, mais alguns minutos e pude avistar uma aeromoça com cabelos ruivos e encaracolados e cara de cu. Posso falar cu aqui, né? E você sabe que cu não tem acento, né? Então beleza.

Enfim, ao adentrar aquele maravilhoso pássaro de ferro, cheguei à seguinte conclusão:

Puta cidadã cuja renda provém do comércio do próprio corpo que o pariu! Que busão comprido.”

É, parecia um ônibus extra large e só. Nada demais. Não sei o que eu esperava, mas não chegou. Depois disso, me dirigi ao meu assento e descobri que não era na janelinha. Aí eu fiquei puta. Rezei pra que quem quer que fosse na minha janelinha ficasse entupido na privada, mas não funcionou. Um senhor rechonchudo apareceu, e ainda me fez levantar pra se sentar. Na minha janelinha. Eu queria matar aquele gordo. Isso sem saber que ele ainda iria dormir a maior parte do vôo. Pra quê janelinha se você vai dormir, sua mula? Eu não me conformei.

Não havendo o que fazer, decidi seguir o conselho de Ian e prestar atenção no inglês ruim das comissárias de bordo. Aquilo me distraiu. Mas eu perdi o lance dos bracinhos porque o banco era alto demais pra mim e eu não enxergava.

E foi em algum momento entre os bracinhos e a luz do cinto acendendo, que eu fui me dar conta da minha situação. Eu ia tirar o pé do chão. E não era no melhor estilo Ivete Sangalo.

Quando o avião pegou velocidade pra subir, meu estômago devia estar meio solitário, porque foi bater um papo com os meus pulmões. E depois que comi o lanchinho servido no avião, ficaram todos ali: a barrinha de cereais, os amendoins, o suco, meu esôfago e meu estômago, todos confraternizando com os meus pulmões.

Outro que não estava feliz em seu habitat natural era o meu cérebro, rodando dentro da minha cabeça e tentando sair pelo ouvido.

De qualquer forma, o vôo teria sido apenas tranquilamente incômodo do início ao fim. Mas não é o fim até que acabe. E não acabou exatamente tranquilo. Não pra mim.

Quando eu me preparava pra ir ao banheiro, a luzinha do cinto acende novamente. Era hora de descer. Eu me preparei para o enjôo da mudança de pressão, mas não para o quase-infarto que estava por vir. E assim que o avião tocou o chão, eu tive kinda 3 segundos de paz pra soltar o ar dos pulmões. Até o piloto ligar o famoso reverso da turbina…

Apenas uma foto poderia explicar o que o Mobilon, sentado ao meu lado, presenciou quando o avião deu AQUELE tranco. Eu, colada na cadeira, arrancando o braço dele, com os olhos esbugalhados e quase chorando. Eu sou do interior, sempre digo. Nunca havia voado. Era congonhas. Certeza que eu ia morrer. Óbvio.

Mas o avião parou, e tudo estava bem. E eu estava inteira, pronta pra lembrar que ainda tinha que pegar o ônibus de Sampa pra Americana. Oh, boy.

Anyway, tô pronta pra próxima, que rola (voa) na sexta. Rumo ao Blogcamp PR. Apertem os cintos. E que o reverso não falhe, amém.







20
Nov
  Blogcamp BH – Quer história? Então toma!

A Saga 

Quem é leitor do Substantivolátil há algum tempo, já conhece a minha história de amor mais famosa… com o Murphy. E quem sabe disso, sabe também que ele é tão simpático e cuidadoso, que aparece em TODOS os feriados prolongados com várias surpresinhas agradáveis. Então, para que o relato sobre o Blogcamp MG fique devidamente contextualizado, vamos lembrar que esse foi (e ainda está sendo) um mega feriado prolongado. Ok, game on.

Sexta, lá pelas seis e meia da tarde, depois de muita corrente de oração, ebó do forte e apelo por escrito com assinatura reconhecida em cartório de qualquer fanfarrão importante, fui finalmente convencida a comparecer ao Blogcamp em Belo Horizonte.

Passagens pra BH devidamente adquiridas on line, bastava juntar os cacarecos e mandar bala pra Sampa, de onde saía o ônibus-executivo-com-leito-pelamordedeus pra MG. Afinal, oito horas de viagem em ônibus convencional nem saco-roxo aguenta. Eu desafio.

E pra quem não sabe, eu e meu companheiro de aventuras temos a estúpida mania de fazer as coisas do modo mais hippie possível, sempre otimistas, certos de que no fim, tudo acaba bem. E geralmente acaba mesmo, mas dessa vez havia o fator feriado prolongado na equação. E foi aí que a coisa começou a ficar bonita: chegando na rodoviária, havia apenas UM lugar no ônibus pra São Paulo.

Olha, eu nunca fui muito boa em física, mas se tem uma coisa que eu me lembro é que dois corpos não ocupam o mesmo espaço. E o cara do guichê sabia bem disso. Nos dois minutos seguintes de indecisão, enquanto olhávamos um pro outro com cara de banana, o cara que estava atrás da gente na fila passou e comprou o bilhete premiado. Agora não tinha mais lugar nenhum. E o ônibus pra BH lá de Sampa acenando pra gente. E o Murphy no assento do motorista, com aquele sorriso besta.

Depois de descartar algumas possibilidades, resolvemos apelar e contratar o serviço cujo custo não passa de alguns minutos perdidos e um magnífico poder de persuasão: a carona familiar. Mais ou menos assim:

-Mããããe! Pelamordedeusnãotinhamaislugarnobusãoeláemsãopaulosaidezequinze! AgentenãotemcomoirpelamordedeusajudaagentevamoperdeOITENTACONTO!

Depois de xingar um pouco eles acabam concordando, como aconteceu. Afinal, prole é prole.

Vamos passar rapidamente pela parte do nosso velho amigo (desconjuro e vá de retro) ônibus, dessa vez com leito mas sem travesseiro e/ou cobertorzinho, o ar condicionado no talo com força total e eu de jaquetinha jeans. Oito horas acordada e tremendo dentro de um ônibus é pra quem tem Murphy no coração, maluco.

Chegando em BH, ÓBVIO que a gente não tinha hotel reservado, pra honrar o hippie-blogger lifestáioul. Mas tínhamos o endereço de onde FugitaHelder, Lu Monte e Bruno Dulcetti estariam hospedados. Só que o Mobilon esqueceu de levar. É. E depois de perambular pela Antônio Afonso Pena por uns 40 minutos, acabamos acordando o Fugita e o Arcanjo (às 7 da matina) pra descobrir que o hotel era do lado da rodoviária. Eu digo que as pessoas deveriam me atirar coisas na cabeça, mas ninguém leva a sério.

O Encontro

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Sem dúvida, um dos melhores que eu já tive a oportunidade de participar! Tudo muito light, sem grandes conflitos, um clima muito aconchegante, onde ficava fácil se posicionar sem a mínima pressão. Tirando é claro, o momento em que todos descobrimos que somos mambembes e acabaremos na latrina, segundo o cc da www. Com nofollow, lóóóóchico.

Descobrimos também que o Arcanjo não tem a MÍNIMA NOÇÃO. Ele pensou que fosse alimentar a torcida do Flamengo, e apesar de muito boa, acabou sobrando comida pra doar! Literalmente. Já a cerveja…

E por falar em cerveja, os belo horizontinos tem um lema muito porreta, principalmente pra quem bebe feito porco e o bolso não acompanha: “Sentou, sorriu, a conta dividiu”.  Pois sorriremos à valer em Curitiba!

Bom, coleguinhas, por hoje é só, mas já adianto que a minha volta pra casa de avião merecerá um post a parte. Be prepared.







14
Nov
  Sacodindo a poeira

Eu ainda não morri, nem fui abduzida, nem fugi para a minha ilha paradisíaca secreta pra viver feliz para sempre com o Johnny Depp (opa, falei..), e sim, cá estou novamente, meus caros, pronta pra dar a minha explanação. Pra dá o papo reto, tá ligado?

Eis que, numa bela manhã de segunda, eu acordo com a simpatia em pessoa que é a minha mãe irritada, quase me atirando um jornal nas fuças:

-Toma aí, pra você dar uma olhada.

Isso porque eu havia dito que estava cansada de ficar em casa interagindo apenas virtualmente com as pessoas – já fazia quase um ano que eu lidava apenas com o blog, desde que havia dado um pé no meu último job de   fotógrafa/ maquiadora/ produtora /vendedora /faxineira /arte-finalista /por um salário miserável.
Só que eu jamais consegui explicar pros progenitores como eu arranjava dinheiro pra pagar a faculdade ficando sentada na frente do computador o dia todo. Capaz que eles já me visualizavam como uma chefe do crime e tal. Ô vida bandida. Enfim.

Foi assim que, voltando à bela manhã de segunda, eu peguei os classificados e mandei um ÚNICO currículo por email, quase que por desencargo descargo de consciência.

Passaram-se os dias, e eis que na quinta-feira, lá pro horário do almoço, me liga um sujeito pedindo pra eu estar indo comparecer a um certo endereço, às 3 da tarde. Ô beleza, bem no meio da faxina! A casa de ponta cabeça e eu – lerê lerê – ia ter que parar tudo e provavelmente terminar no final de semana. Mas fui.

Chegando ao local, a ameba que vos fala caiu em si: esquecera o papel com o endereço. Lembrava o nome da rua, mas não o número. Depois de perambular uns 15 minutos, já desanimada e falando sozinha um putaquepariuquemerdasuacagada, avisto uma cidadã perdida, olhando pra uma porta. Eu, mais do que depressa e sem a mínima cerimônia:

-Tá procurando a entrevista?
-Tô sim… (risinho sem graça)
-Mas você sabe o número?
-Sei, sim, é esse aí.
-Opa, então é aqui mesmo que eu tô.

Entrei rápido, deixando a gordinha pra trás. Cheguei atrasada, óbvio, e quando vi, havia umas 10 meninas sentadas em torno de uma mesa oval, mais dois caras no final da mesa: os chefes.
A coisa toda era uma dinâmica, onde deveríamos escolher o nome de um fanfarrão famoso, a quem admirássemos por um motivo qualquer. Percebi o nível da situação quando vi que meu Luis Fernando Verissimo competia com Alline Moraes, Marjorie Estiano, Will Smith, Ana Hickman e a mãe do Harry Potter. Ai Jisuis.

As candidatas encarnariam seus respectivos personagens, e estariam todos em um balão prestes a cair. Objetivo: induzir as outras pessoas a pularem do balão. Meu argumento base: devemos contribuir para a perpetuação cultural. E foi sob esse argumento que pularam Alline Moraes, Marjorie, Ana Hickman. Ana Paula Arósio era mais forte, tivemos que jogá-la.

Enfim, depois dessa, fui pra casa refletindo sobre como metade da juventude de hoje poderia simplesmente explodir. No fim de semana seguinte fui para o Rio, dar as caras no Blogcamp. Depois de vários passeios, bares, muita cerveja, encontro, viagens intermináveis de ônibus, horas e horas sem dormir direito, cheguei ao meu querido lar na segunda, lá pelas 10 da manhã. Ao invés de dormir passei o dia terminando a faxina da quinta anterior e fuçando a blogosfera ainda contagiada com o encontro. Quatro e meia da tarde me liga o mesmo sujeito, pedindo pra estar lá em uma hora. E vamos nós, tomei o banho mais rápido da vida e fui. Uma segunda eliminatória.

Depois disso fui pra faculdade, e lá mesmo recebo a notícia: parabéns, contratada, beijinho, beijinho, o treinamento começa amanhã, às 8, em Limeira.

Ah, tá. Fodeu.

Pulei da cama às CINCO da manhã e fui dormir à meia noite todos os dias nas duas semanas seguintes a esse episódio, fato que MOEU a minha pessoa física e psicológicamente. Mas agora sim, meus caros, estou de volta ao ritmo anormal, pronta pra voltar a filosofar sobre nada com vocês. E altas histórias virão.

Nota: Aproveitando, gostaria de dizer que, embora minha pequena presença tenha sido cancelada no Blogcamp BH, podem me aguardar em Curitiba, visse!