25
Dec
  Retrospectivando depois de um natal esquisito

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Há um ano atrás, eu estava curtindo o começo de umas férias que durariam praticamente o ano todo. Mandei um pé na bunda do meu antigo trabalho e fui viver de amor blog. Já em Janeiro, escrevi sobre os meus objetivos para 2007. Agora vamos analisar a evolução da coisa:

Eu disse que ia estudar. Realmente, mandei bala no começo. Porque depois o curso ficou uma merda e eu decidi trancar pra fazer alemão no ano que vem.

Sim, eu me contive com a gastança, e até fechei a conta no banco, me livrando dos talões de cheque e cartão de crédito. Mas em Novembro eu gastei um salário INTEIRO em roupas porque achei que merecia. Depois eu até chorei, porque me liguei que não merecia tanto assim. Ameba azeda.

Assumir esse blog de vez foi praticamente o que eu fiz de melhor e melhor em 2007. Botei pra fora tudo que ficava entalado, desenvolvi um estilo de texto, fiz amigos, viajei demais (literal e figurativamente falando), virei coelhinha e até ajudei o ajudante do Noel. Não, eu não vou colocar o link do funk. Turn yourself, já diria alguém que eu não lembro quem é.

Além disso, é também graças ao blog que me mudo pra Sumpaulo, agora em Janeiro. Virar Riot grrl, preenchendo o objetivo ‘Vip Job‘ e atormentar diariamente colegas blogueiros como a Bruna, o Luiz e o meu querido Ian Black. Aliás, aproveito para parabenizar o próprio, que ontem mesmo trocou alianças natalinas com a também coelhinha e falsa-índia-paraense, minha queridona, Marina Santa Helena.

Então eu estava aqui, terminando de arranjar as coisas, pois amanhã me enfio novamente numa viagem onibulística de 7 horas, rumo a um reveillon de blogueiro no Rio de Janeiro, quando me dei conta de quão estranho foi o meu natal.

O detalhe inicial: meu primeiro natal solteira em 7 ANOS. Sim, eu tenho 21 e namorei desde o começo da vida.

Daí que essa foi uma peça chave na esquisitisse do meu natal. As pessoas me tratavam como o bom filho que à casa retorna, me abraçando e esmagando como se eu estivesse precisando de uma dose extra de afeto.

Puta merda.

De um período de três horas, eu gastei uma tentando fazer o micro do meu tio funcionar pra ver o streaming do casamento dos Black’s (não funfou), enquanto rolava um 80’s Tribute no DVD. Quando eu percebi, meus amigos, eu estava cantando Conga la Conga com a Gretchen. Larguei a taça de vinho na hora, e fui socializar.

Socializei demais. Comi, contei as novidades e até participei do amigo-da-onça familiar. Aí ganhei uma merda duma jarra de suco. Gente velha adora dar jarras de suco. E tapeware.

Peguei a taça de vinho e voltei pro pc.

Quando tudo acabou, eu me dei conta que não queria sair. Estava cansada e decidi guardar forças pro Reveillon, voltando pra casa com um sentimento de dever cumprido, depois de mostrar pra família que eu ainda existia, enquanto a minha mãe se encarregava de mostrar o resto, com aquele calendário pra cima e pra baixo. Céus.

Mas fiquei puta mesmo foi com o Papai Noel. Não apareceu ontem, e tá pensando que eu me esqueci. Então vou deixar a explanação praquele barbudo sem-vergonha:
Aqui, Noel: ou tu mostra o saco, ou eu mando pegar a doze, tá ligado.

Fica esperto.

(Feliz Natal, cambada! A gente se vemos no ano que vem!)







21
Dec
  Manual do sucuzinho

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Aqui em casa rola uma naturalidade gastronômica. Minha mãe é técnica em nutrição e ensinou todo mundo a gostar das coisas da terra. Fruta, legume, verdura e tal.

Faz um tempo que ela estava namorando um Juicer. Um daqueles fazedores de suco que você enfia a fruta inteira e ele faz o milagre todo. Só falta se limpar sozinho.

Enfim, deu a louca e foram comprar o tal. Presente de natal pra família toda, aôba.

Na loja, dois modelos. Um mais caro, todo foda, cheio dos terecotecos. O outro mais humilde. Segundo a moça da loja, a única diferença real era que no outro, o foda, dava pra fazer suco de mandioca.

Você aí já tomou suco de mandioca? Responda sinceramente. Porque nem o meu pai, que veio da roça, foi convencido por este argumento.

No fim, levaram o humildezinho. Mas, queridos, esse vinha com um livro de receitas! A gente estava saindo no lucro. A mandioca que me perdoasse.

Chegando em casa, fui espiar o tal livro, que devia ter umas idéias magníficas pra eu ativar meu Amélia style, agora que tô de férias, né.

Primeira receita: Suco de Laranja

    3 Laranjas

Descasque as laranjas. Coloque-as na centrífuga e processe.

Segunda receita: Suco de Maçã e Laranja

    2 Maçãs
    1 Laranja

Descasque a laranja, lave a maçã com uma escovinha e retire o talo. Coloque na centrífuga e bata.

Puta que o pariu.

Mas chegou uma hora em que a coisa evoluiu: o Suco de Abacaxi.

    2 Rodelas de 3 cm de espessura de abacaxi, com casca bem lavada.

Corte em pedaços que caibam no alimentador da centrífuga e processe.

Pelo menos agora eu tinha que usar régua.







15
Dec
  O primeiro aniversário

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Tá achando engraçado? Vem aqui rir comigo então.

Pra mim, pouca coisa nesse mundo faz sentido. Primeiro aniversário é uma delas.

Primeiro aniversário de criança, por exemplo. Eu não me lembro muito bem do meu, afinal, eu estava completando um ano de vida (duh). Aliás, primeiro equívoco. Um ano e nove meses, que não podem nem ser calculados exatamente. Um ano fazia que eu havia sido cuspida no mundo.

Se a minha mãe parasse pra pensar, ia se dar conta que há um ano ela havia passado pelo pior dia da vida dela até então: contrações, anestesia, cirurgia. Dor, muita dor. Não creio que ela comemoraria isso.

Durante o período em que trabalhei no estúdio, desenvolvi uma certa compaixão por crianças que estão completando um ano de idade. O processo todo é assaz traumatizante. Demais.

A mãe chegava no estúdio, geralmente bem cedo, toda empolgada. Queria porque queria enfiar o rebento numa fantasia de moranguinho, com aquele chapéu esdrúxulo, enforcando a criança, que berrava (na minha orelha) até não aguentar mais.

Isso quando não queria encher de flor, de plumas, de tecido, botar numa concha gigantesca RIDÍCULA a pérola da sua vida. A criança quase morria pra atender o capricho da doida da mãe.

E depois havia os recadinhos de convite. Sabem né? Aqueles versinhos prontos com umas riminhas geniais que alguém decide que tem a tua cara. No meu convite de um ano:

“Vejam bem minha carinha
Todos querem me beijar
Já pensou quando eu crescer
O trabalho que vou dar?”

Pá.

Durante a festa, os pais se embebedam, os tios se embebedam, os primos correm feito doidos, todo mundo se entope de comida, e você que se foda. Seu papel na festa é quase o mesmo dos enfeites da mesa. Só que além disso você é adereço pra foto. Você está em todas elas, de alguma forma. Se parecer que não, pode procurar, em algum canto você encontra. Tipo onde está Wally.

Mas tem outros exemplos. Tem também primeiro aníversário de namoro. Vocês comemoram num restaurante chique, com vinho e luz de velas. Ou em algum lugar mais aconchegante, todo preparado, rosas, perfumes. Lindo.

Um mês depois ela/ele te mete um galho e dá um pé na tua bunda fácil.

Eu, particularmente, acho que um ano é muito pouco pra comemorar num namoro. Certamente, nessa época, ele ainda não arrota na tua frente, e nem você desconta o ódio causado pela TPM em ofensas dirigidas à ele e qualquer coisa que você achar (no momento) que seja mais importante que você. Quando esse tipo de coisa começar a acontecer, aí sim você tem base pra saber se vale a pena comemorar qualquer porcaria.

Quer comemorar antes disso? Uma semana tá valendo. Ou “faz uma hora e trinta e oito segundos que você derrubou cerveja no meu sapato. Vamos comemorar?”. E boa.

Primeiro aniversário de casamento. Nos dias de hoje, o lance do namoro vale aqui. Ainda mais se você casou bêbado em Las Vegas. Já quem namorou oitocentos anos antes de casar, deve comemorar o primeiro minuto. Que a força esteja com vocês.

Depois disso tudo, ia parecer controverso eu dizer que este post é pra comemorar um ano de Substantivolátil?

Então que tal comemorar a marca dos 100 posts, 1000 comentários, 600 assinantes RSS, e aquela barrinha lá em cima, que significa que o nosso querido bebê tá no Vírgula?

Mais especificamente, fazendo parte do Blogamos, “uma blogfarm que junta sob o mesmo portal, diversos blogs com temas e conteúdos selecionados tecendo uma rede repleta de entretenimento, conteúdo pertinente e diversão“. Cool, huh?

E pra fechar a semana agitada, a Playba tá nas bancas, coleguinhas. E o making/história/wallpapers tão aqui.

Abraço, macacada! Em breve, ALTAS novidades por aqui!







12
Dec
  O desafio de ser 100% natural

Quando eu nasci, minha mãe adotou uma mania que virou coisa de família depois: com um radinho (Meu primeiro Gradiente, lembram?) ela gravava tudo que eu dizia.

Gravou por alguns anos, coisinhas pequenas.

Em um certo ponto eu comecei a ter opinião. Aí fodeu:

-Mirian?
-Queee?
-Onde você está?
-Não vem aqui, não! Tô fazendo arte!

Ou:

-Hoje, a Mirian e eu fomos ao parque e tomamos sorvete, não é Mi?
-É.
-E estava bom?
-Não.

Ou ainda:

-Hoje a Mirian foi passear com a turminha da creche e comeu cachorro-quente, certo?
-É, mas não tava quente.

E por aí vai.

Criança é um bicho desgraçado pra ser natural. Eu, por exemplo, além de falar muita verdade, não precisava me preocupar em fazer escova no cabelo, nem fazer dieta, nem em me ligar se alguém ia gostar do que eu ia dizer ou não.

Aos cinco anos eu citei o nome do Presidente da Rússia na época, o Gorbachov, no meio de uma conversa de adultos. Quase matei todo mundo de espanto. Mas eu não estava querendo fazer moral. Eu sabia, porra. Falei mesmo.

Não ligava pra refrigerantes e doces, passei a ingerir essas porcarias na pré adolescência. Antes disso, adorava uma água, e parava de comer quando matava a fome, não socava comida por dó das crianças da Nigéria. Porque elas não iam comer o que eu jogasse no lixo mesmo.

Hoje acordo no meio da noite pra comer bolacha recheada, e fico me xingando no outro dia. Sonâmbula maldita.

Enfim, naturalidade na fase adulta é uma coisa um pouco mais complicada.

Imagina só, você e a sua respectva, naquele clima, rolando uma musiquinha toda envolvente, um vinhozinho e tal. Aí ela vai até a mesa reabastecer a taça, e você solta:

-Nossa, amor, tá precisando queimar essa celulitezinha, hein?

Certamente você vai levar uma garrafada na fuça. E com razão. Eu jogaria.







12
Dec
  Spoiler do Agreste

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Era um dia normal. Eu, a caminho do trabalho, bêbada de sono, e no chacoalho do busão, como sempre. Até que um diálogo no assento dianteiro chamou a minha atenção.

Era uma nordestina, que falava alto pra burro, contando a história toda do filme “A noiva de Chuck”, para a colega desanimada.

-Não é de medo, não! É comédia, sabe?

Fiquei lá, me divertindo com a empolgação da cidadã, e com a cara de sem saco da receptora.

Quando, de repente, a rapariga faladeira solta:

-Ei, você já viu “A colheita do mal”?
-Ainda não, tô querendo ver.
-Acabou de sair, né?
-Uhum, eu vou alugar.
-Nossa, é muito interessante, viu?
-Hm
-É sobre as dez pragas da bíblia. Sabe, as pragas?
-Sei…

(E agora, tentarei ser o mais fiel possível ao que meus pobres ouvidos puderam presenciar)

-Então. É sobre elas. São dez né? Isso. Então, tem todas, a das vacas mortas, do mar vermelho. Tem as varejeiras também. Muito legal, tem todas mesmo, o rio de sangue, a úlcera, os bichos mortos, a chuva de fogos. Muito legal. Tem os piolhos também. E depois a morte dos não seguintes de Deus.
-Hm, legal mesmo.
-E o final é surpreendente, todo mundo pensando que é a menininha que está fazendo aquilo, mas não é. Todo mundo morre e a mulher fica grávida.
-…
-Mas e você, ainda não contou pra tua mãe que tá namorando? Por que? Tá com medo?

Nunca vi uma spoiler tão enrolada, devastadora e dissimulada ao mesmo tempo.