
No último sábado, deixei minha pacata cidade pseudo-interiorana para mais uma mini aventura: conferir a edição 2007 do Nokia Trends, em São Paulo.
Festa estranha, com MUITA gente esquisita, enfim. Inclusive a gente. Éramos seis (eu te amo Carmensita), e cinquenta por cento de nós desfilavam pomposos black powers. Uma coisa quase fraternal, assim.
Enfim, a festa estava boa, mas acabou, domingo passou e eu estou aqui pra falar do que rolou depois disso. Justamente quando eu voltei pra pacata cidade que deixei no primeiro parágrafo.
Voar pelos metrôs de Sampa às dez e meia da noite de um domingo e chegar faltando cinco minutos pra saída do ônibus não foi problema nenhum. Deixar São Paulo mais uma vez querendo ficar também não.
Mentira.
Enfim, durante o dia, a bateria do tijolar carinhosamente cedido pela minha mãe depois de um infeliz episódio que matou o meu Samsungzinho, arriou. E a espertona da Bala Chita não fez questão de saber se alguém tinha tentado contato, subiu no ônibus e bóra pra casa. Só no meio do caminho fui me dar conta do quão tarde eu ia chegar, e de que não tinha como avisar meus pais.
“Fodeu.”
Ao chegar, a primeira coisa que fiz foi correr pro primeiro orelhão pra dar sinal de vida, e, obviamente, pedir um arrego, pois já passava da uma da manhã, e a minha casa fica simplesmente do outro lado da cidade.
Mas qual não foi a minha surpresa quando… ninguém atendeu. Nem em casa, nem em nenhum celular.
“Fodeu, fodeu.”
Parei, respirei e tentei o celular da minha irmã novamente. Dessa vez chamou – Oh, thanx! – agradeci, sem saber que, pra variar eu estava agradecendo cedo demais.
-Maira, alguém pode vir me pegar aqui na rodoviária?
-Nossa, você só chegou agora?
-É, não deu pra avisar, pois a bateria acabou e…
-Mas viu, eu não tô em casa e o pai e a mãe estão na chácara…
Bom, não preciso dizer o que eu pensei.
A rodoviária estava deserta, eu era uma pulga com uma mochila nas costas, sozinha naquele lugar frio e… tá, aí eu tomei vergonha e fui caçar um táxi. Mas não tinha. Ninguém, nada. Só eu e a mochila.
Quando eu já tarra decidindo entre dormir na rodoviária ou atravessar a cidade a pé, eis que alguém lá em cima ficou com muita pena de mim e mandou o Seu Teixeira. Um taxista.
Quando ele apareceu, o mundo se iluminou por uns cinco segundos. Até eu perguntar quanto ficava a corrida até o meu bairro.
-Uns 30, 35.
Adivinhem!? Eu tinha quinze conto na carteira. Aí, tenho que admitir, uma lagriminha rolou. Eu estava morta de cansaço, só queria ir pra casa. Lembrando que eu estava sem as chaves, disposta a apenas pular o muro (eu ainda ia descobrir como) e dormir no quintal. Não era pra ser tão aventura assim, porra.
Enfim, o Seu Teixeira ficou sensibilizado com a minha situação e num gesto absurdamente legal, me levou embora, pelos míseros 15 reais que eu tinha.
Descobri que ele adora trabalhar durante a noite, que já perdeu duas mulheres por conta disso e que às 5 da manhã ele toma uma cerveja no bar, antes de ir embora. E outra em casa, às 6, antes de dormir.
Segundo ele, as coisas mais esquisitas acontecem durante a noite. Ele não sabia com quem estava falando.
Ao chegar, acabei descobrindo que a vizinha estava com uma chave e eu poderia finalmente descansar. Por umas três horas, ao menos. Na cama, não no quintal.
E ficou combinado: da próxima vez, eu chego lá pelas 5. E vou tomar uma cerveja com o Seu Teixeira.
Update: e por falar em gesto legal, o pessoal do Jacaré Banguela matou a pau com esse vídeo, que explica a campanha “Adote uma Carta”, realizada pelos Correios. Muita gente boa apoiando, e o Substantivolátil também apóia!
[video]http://www.youtube.com/watch?v=Psw_ZhDzLEg&eurl[/video]




