26
Mar
  Turistando e rodando em SP – Parte 8325453

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Dessa vez, por Maira Bottan

Estudo na ETec Polivalente de Americana e na grade escolar temos uma matéria chamada PROJETO. Portanto, é obrigatório apresentar um projeto, sendo esse de qualquer merda.

Funfa assim: um grupo de no máximo 5 alunos, um tema qualquer que agrade a todos e um saco vazio pra estar cheio no final do ano.

Disso, saiu o projeto "Uma mistura explosiva?", sobre a mistura de refrigerante de cola light e bala m. Ou Mentos e Coca-cola Light. Como você preferir, não a Coca.

Já que tínhamos lutado o ano inteiro e já que estávamos com o troço em mãos (eita), nos inscrevemos para a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), que rola na USP. E não é que foram gente fina e nos enfiaram no meio da paçoca?!    

Então semana passada, fizemos nossas malas, pegamos o único professor que nos apoiou e fomos embora lavar os pés vermeios na garoa da Capitar!

E por falar em garoa… pegamos foi uma baita chuvinha lazarêtcha! Agora perguntem pra anta que vos fala: mas você levou roupa de frio e guarda-chuva, não é mesmo? é São Paulo! E a anta que vos fala responde: Não.

O resultado da falta de roupa foi um empréstimo muito dos grandes. Coitada da minha colega de quarto. Só faltou pegar as meias da manceba.

Mas o guarda chuva? Não tinha guarda-chuva. E aí que:

Mulher é mulher, cabelo de mulher é cabelo de mulher. De que me adiantava ter um secador no meu quarto se 5 minutos na rua destruiria todo o meu trabalho?!  Então veio a brilhante idéia de uma cabeça de girico: O hotel colocava todos os dias no nosso banheiro toucas de banho…

Ohhh yeah baby! Cinco meninas de toucas de banho andando pela Paulista.

Problema de roupa e cabelo resolvido, veio o próximo: o ônibus pra USP saía às 9h30, e a feira era às 13h30! Ninguém quis ficar esse tempo todo boiando por lá e decidimos pegar um táxi.

A idéia era ótima, porém a USP era longe, ia ficar caro e estávamos em 13 pessoas.

Mas poxa, a idéia era ótima! Então alugamos uma Zafira, onde couberam as 13 pessoas, mais o motorista!

E como diabos fomos? Três (contando o motorista) na frente – um deles quase sentando no câmbio, hohoho – cinco atrás e…e.. seis pessoas no porta malas! E os menores sempre se fodem! Eu, como sou portátil feito o Bulbassauro, fui um deles. Mas pra quem dormiu numa trilha de jipe, dormir num porta-malas lotado não é nada de mais. Sim, eu dormi.

E pra voltar da feira era uma desgraça. O ônibus parava muito longe! A única coisa que nos consolava era saber que no primeiro dia havíamos feito um caminho bem maior (era impossível achar a merda do hotel) e com malas na mão.

"Mas essa viagem foi uma merda?"

Não, pois tivemos a honra de viajar com um professor que é um amigão! Bord, obrigada por nos apoiar, nos levar pra tudo quanto é canto possível em Sumpaulo e, principalmente, por ter contado os podres dos outros professores. Foi como abrir um novo horizonte. Pois mesmo quando eu estiver tomando bronca deles, sempre surgirá um sorrisinho maldoso no meu rosto.

Táxi – 70,00
Diária do hotel – 60,00
Descobrir que os professores que mais falaram merda de você o ano inteiro foram hippongos em TODOS os sentidos: NÃO TEM PRE-ÇO!

[Nota da Bottan 1: tendo estudado no mesmo colégio, também fiquei muito satisfeita ao saber que aquela maldita de História não tomava banho. Resta saber como usar essa informação.]







13
Mar
  Literalmente literal

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Realiza:

A classe conversa alto e ri descontroladamente. Aquela zona maldita de primeiro ano do ensino médio. Eis que o professor de matemática mais temido num raio de 900km, um bigodudo encanado, chega.

Ele pára, olha em volta, a classe engole os gritos, temendo pela vida. O professor caminha até a própria mesa, abaixa, procurando algo. Ao levantar, tem o algo nas mãos: um balde.

Caminha tranquilamente até o meio da sala de aula, colocando o balde no chão. Dá uns passinhos de ré. De repente, engata a primeira, e após uma corridinha, mete um chutão no balde.

Foi a porcaria de cena que uma acéfala me fez imaginar quando parou atrás de mim na fila da cantina e disse: "Nossa, hoje a classe estava fazendo tanta bagunça, que o Mauro chutou o balde, literalmente!"

Porque, às vezes, é necessário fazer bonito, bem. E depois de mandar a bela palavra que enfeitou feito cereja a sua frase, o sujeito empina o nariz e suspira, com aquele ar de missão cumprida. Sem saber a merda que acabou de falar.

Fiquei (figurativamente) chocada, ao checar o assunto uébafora:

Sendo mais que breve, afinal os vossos sacos, tanto figurativamente quanto literalmente, já devem estar para lá de Badgá.

Só espero que o infeliz esteja ainda ligado ao dito, apenas numa viagem a negócios, ou algo que o valha.

O mundo está literalmente perdido.

Também, nesse universo tão grande, com essas estrelas atrapalhando a visão, pô.

O fato de poder navegar em literalmente qualquer lugar, e melhor ainda, com uma conexão estável, não tem preço.

Não mesmo. Na Paulista, por exemplo, já pensou? E nem precisa navio, só uma lanchinha já bastava.

As três próximas, inacreditavelmente, estão no mesmo texto:

Terminei a prova, literalmente voando.

Ao menos conseguiu entregar, antes de sair pela janela?

Então fui checar a fila, que literalmente dobrava quarteirões.

Putaquepariu, então eu perdi a porra da passeata de mutantes do Smallville?

Terminou o show e saí literalmente MORTO (…)

Devia ter escutado a tua mãe quando ela disse que ficar no meio da muvuca era perigoso. E viva a psicografia, que nos permite bater um papo contigo depois do ocorrido, né, mancebo?

Agora eu quero ver o texto com o maior número de comentários da história. Está oficialmente ( e figurativamente²) lançada a campanha "Pelo bom uso do literalmente" (sim, como no Orkut – e eu participo dessa comunidade desde SEMPRE). Postem a pérola mais maldita envolvendo o pobre literalmente que seus ouvidinhos já puderam presenciar, seguidas de um adjetivo criativo (ou não) para a ameba azul do mato que a proferiu.

Vamos salvar o português do assassinato. E terminar com um literalmente aqui seria emocionante, mas errado.







7
Mar
  Orgulho Amélia

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Quando criança, eu era fascinada por todo e qualquer tipo de adultice. Dirigir, trabalhar, fumar, fazer compras, tudo me parecia tããão chique. E as minhas melhores histórias foram motivadas por essa mente precoce.

Eu tinha um aterrorizante costume por volta dos 4 anos de idade: fugir. Aterrorizante pro coitado que estivesse incumbido de vigiar a minha minúscula pessoa, pois pra mim, era só aventura. Eu corria desembestada portões afora, rumo à liberdade que ia me permitir fazer tudo aquilo que eu achava emocionante. Numa das fugas, me encontraram no mercadinho da rua de cima, com uma  cestinha em mãos. Bolachas, chocolate, e mini absorventes íntimos. Porque aqueles eram do meu tamanho.

Enfim, no meio das coisas admiradas estavam – óbvio – os afazeres domésticos. Aiminhanossa, QUE legal era aquilo! Cozinhar, lavar louça, lavar roupa! Aiaiai Yukito!

E nessa admiração louca e selvagem, eu vivia querendo ajudar. Mas só me deixavam tirar o pó das coisas, fato que me deixava assaz emputecida.

Um dia eu decidi lavar a louça. Dane-se. Estava sozinha em casa, iam chegar e me admirar eternamente. Peguei um banco, subi (uia), e fui me completar como mulher. Aos 6 anos. Olhei pro lado e lá estava ele, a bela louça branca reluzindo, meu amigo das horas de desespero: o filtro d’água (vaso sanitário em cima da pia NÃO). Então tive uma idéia que ia enaltecer homericamente a minha pessoa perante todos e para todo o sempre: botar água no troço.

O que eu consegui foi derrubar aquela porra de cima da pia. Espatifou no chão, e eu chorei sozinha por meia hora antes de criar coragem de ligar pra minha mãe. Patético.

Enfim, alguns anos mais tarde, eu me lembrava dessas coisas com um ódio mortal enquanto limpava o banheiro sob ameaça de não sair no final de semana caso o serviço estivesse malfeito. E durante muito tempo, uma palavra era sinônimo de terror, pra mim: faxina. Nessa época, eu até perdi o gosto pela sexta-feira. Virou um dia amaldiçoado.

E quando saí do estúdio onde trabalhava pra ficar um ano em casa cuidando deste querido blog, que ainda usava fraldas, passei a cozinhar para a minha família. Virei a Amélia oficial do meu lar interiorano. Uma diarista não remunerada. Mais ódio. Ódio com azeite e Sazon.

O que eu não podia adivinhar é que todo esse ódio ia valer a pena quando eu tivesse que cuidar sozinha do meu próprio traseiro. Os próximos parágrafos são dedicados à senhora minha mãe:

Mãe, muito obrigada por através de muito trabalho escravo me transformar num às das panelas e dos afazeres domésticos. Graças à você, eu sou uma dona de casa foda e uma cozinheira mais foda ainda. Valeu mesmo! D

Mas não posso esperar pra te ver lavando talheres na MINHA pia.







3
Mar
  Oompa Loompa Style

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Eu tenho uma teoria: tudo, absolutamente TUDO que acontece comigo tem um propósito positivo. Comecei a pensar assim depois que uma sucessão de merdas resultou em uma porrada de coisa boa nos últimos meses. A última delas foi me perder, descendo pro lado errado da Av. Paulista, e encontrar um apartamento foda, por um valor mais foda ainda.

Por conta disso não fico mais com raiva quando perco o ônibus, esqueço alguma coisa, ou quando qualquer coisa parece ter dado errado. Vivo mais feliz assim.

E só assim eu consigo explicar o fato de o meu pai ser o mais baixo dos sete irmãos dele e ter casado com a minha mãe, que era a mais baixa da ninhada alemã.

Porque tem que ter uma razão divina pra essa minha estatura de banquinho de cozinha.

E se não estava irônico o suficiente, infomação adicional: minha ÚNICA irmã, MAIS NOVA, é mais alta que todo mundo em casa. O alvo dessa maldade era eu. Única e exclusivamente. E como se não bastasse, aos 21, tenho fuça de 15.

Mas eis que, analisando minha tosca situação sob essa nova ótica, descobri que sim, mais uma vez , eu me ferrei mas me dei bem:

- Eu passei por baixo da roleta no ônibus por muito mais tempo do que você e o todos os seus irmãos juntos.

- Quando eu quero, eu faço as coisas sozinha, tipo hoje, quando enfiei o rack que eu havia comprado num carrinho de supermercado e levei (ladeira abaixo) até a minha casa, só pra não pagar entrega. Mas quando eu não tô afim, eu faço cara de chorinho e as pessoas me ajudam.

- Eu NUNCA bato a cabeça nos lugares, porque não chego lá. E fico em pé dentro de um carro. Não que isso seja muito útil, anyway.

- Eu nunca fico pra trás com caronas. “A Mirian cabe”.

- Se eu torcer o pé, sou fácil de carregar. Se eu estiver com preguiça de andar também, aí combino com a cara de chorinho e não fico com remorso, pois sei que não incomodo muito.

- Eu posso comprar roupas de criança. MUITO mais barato que roupa de gente. E se eu for comprar tecido pra mandar fazer alguma peça, também gasto menos.

- As pessoas me dão lugar no ônibus quando percebem que estou prestes a morrer esmagada.

- Eu consigo dormir deitada numa poltrona. Mas dá um pouco de trabalho.

- Posso usar o salto que eu quiser. Meninas mais altas tem limite de salto. Quando quero ficar malvada, posso mandar uma botona dominatrix com um salto que poderia entrar pela sua barriga e sair nas costas. Fuck, yeah!

- Eu consigo dar voltas nadando numa piscina de lona. Tá, essa é completamente useless, mas eu queria mais ítens.

E se tudo isso não for suficiente, saiba que eu era MUITO mais ágil que a maioria das pessoas no Kung Fu, por conta do tamanho. Chega aí que a gente bate um papo. Rápido e indolor.