Como eu não consegui comprimir a maldita música, carreguem o vídeo abaixo antes, pra ler com trilha sonora. E abaixa um pouco o diacho do volume, pra não ensurdecer.
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Haja hoje pra tanto ontem, já disseram Leminski e seu bigode bizarro. E foi a primeira coisa que me ocorreu quando li no meu scrapbook a seguinte mensagem, depois de mandar um meadd, no Orkut, pra uma menina que estudou comigo há mais ou menos quatro anos:
Oi, me desculpa, mas eu te conheço?!
Cumassim!? A mesma rapariga, uns dois anos mais nova, me adicionava toda vez que eu deletava e criava outro perfil, diacho! De repente, a menina não lembra mais de mim. Mas eu sabia o porquê. Minha resposta foi:
Eu tinha um cabelo vermelho bizarro e usava uma mochila gigantesca do urso Pooh. Lembrou?
Poisé. Eu tinha o cabelo da cor do tomate mais maduro do mundo e usava mochilas de acrilico e/ou pelúcia. Também usava blusas com estampa de quadrinhos e saias pregadas de todas as cores existentes. Antes disso, eu usei coisas de skatistas e tentei fumar porque achava bonito. Felizmente, eu odiava mais.
Depois de ser ruiva, loira e morena, já nem sei de que cor o meu cabelo é. Também já coloquei piercing no supercílio e no meio dos zóio. E também já pesei 10kg a menos, com a mesma altura.
Eu mudei tanto, que as pessoas que me viam há quatro anos não me reconhecem mais. E de repente eu me dei conta do quanto a minha barrinha de inocência diminuiu em tão pouco tempo.
Com 12 anos eu chorei de alagar o quarto por gente que nem sabia dos meus sentimentos, depois chorei por gente que sabia e não dava a mínima. Com 14, achei que estava amando e que ia ficar com o dito pra sempre. E acabou. Aí achei que ia ficar solteira pra sempre. Então conheci alguém que amei de verdade e por muito mais tempo.
Fiz coisas que pareciam certas, depois se mostraram erradas, depois se mostraram meios errados para um final (quase) certo. O que não significa que não doa. E que eu não sonhe todos os dias com como as coisas poderiam ter sido diferentes. Mais que isso, não significa que eu não sonhe em ainda repará-las, um dia.
Dei importância pra pessoas que me levaram pra tomar sorvete, quando o que me deixava forte era a minha avó me entupindo de chuchu. Se fosse pelos sorvetes, eu só teria cáries. E hoje, além de tudo, eu sei cozinhar o chuchu pra futuramente entupir os meus filhos, mesmo contra a vontade deles. E eu o farei.
Tenho uma lista de pessoas pra pedir perdão. E também o farei, pois uma das coisas que o tempo transforma, e muito bem, é a vergonha idiota de chorar e se desculpar. Também só hoje eu entendo porque o meu pai me bateu quando eu queimei a secretária eletrônica (nooossa) novinha que ele acabara de comprar. E eu só sei disso porque ainda não consegui comprar o meu próprio telefone.
Finalmente eu parei de querer farra atrás de farra por medo de ficar sozinha. Eu sou a minha melhor companhia. Apesar de não conseguir me livrar de uma relação quase carnal com o aparelho de DVD. Que só não chega a ser por culpa do controle remoto.
Tá, foi péssima.
Enfim, toda essa fanfarronice, é pra dizer pra você que: tomou um pé na bunda, fez cagada e machucou alguém, tratou mal quem não merecia, deu valor às coisas erradas e perdeu muita coisa por causa disso, que você está exatamente onde deveria estar, e vai ter que chorar pelo que perdeu. Mas, mesmo que leve alguns anos e muitos capotes, você vai aprender, e um belo dia, sem mais nem menos, vai se sentir feliz de verdade, onde, com quem e como estiver.
Melhor ainda se você tiver apenas 21 anos, e uma vida inteira pela frente.
And that’s what you get when you let your heart win.





