24
Oct
  Auto Afirmation Tabajara

E por quê aquele cara que tem uma namorada linda, que ele ama, acaba saindo com outra?

Pulando a óbvia primeira opção (ele não ama), e a improvável segunda (ele se apaixonou perdidamente quando viu a outra ali parada, esquecendo instantaneamente da fuça da respectiva) vamos pra terceira, essa sim digna de uma divagaçãozinha de leve: auto-afirmação.

- Eu sou gato, eu posso, eu vou. Quer ver?

Mas auto afirmação é uma coisa engraçada, porque, ao mesmo tempo que o sujeito se sente mais gostoso e supersônico, provando carquécoisa pra si e pros outros, ele deixa escancarada a falta de confiança em si mesmo. Se o fulano (ou fulana) é bonito e cobiçado, a coisa é óbvia, não precisa de confirmação.

Mas vamos de exemplo mais simples, e mais ridículo.

Planeta Terra, Brasil, Orkuts. Enquanto a comunidade “Pelo bom uso do ‘literalmente‘”, que eu não canso de divulgar, tem pouco mais de 8 mil membros, comunidades como “Vc tem peito, + eu tenho BUNDA” tem mais de 50 mil despeitadas.

Gente, minha avó também tem bunda, mas nem por isso ela declama isso no almoço de domingo.

Aliás, falando em comunidades orkutescas, aquilo sim é um bom território pra analisar a negada auto afirmando tudo até a última ponta. Tipo, a manceba toma um pé na bunda, e no outro dia adiciona “Ex bom é ex morto“, ou “Tô com outro, mais gostoso que você!“. Na boa, se estivesse mesmo, ia ter coisa mais importante pra fazer do que fuçar no Orkuts.

Os exemplos que melhor definem o tipo mais baixo de auto afirmação de cada sexo são as mina-balada e os mano-tunado. Ambos extremamente previsíveis e facilmente identificáveis.

A mina-balada é a aquela rapariga bela, badalada, que vive sozinha. Obviamente, segundo ela, ficar sozinha é uma opção, porque homem só atrapalha a vida. Se fica com alguém e o dito não liga no dia seguinte, diz que tá de buenas, que “Deus me livre ficar feito a fulana, com o cicrano pegando no pé!”.

No meu toba, guria. Todos os exemplos dessa raça que eu pude conhecer melhor choravam escondidinhas e admiravam de longe os casais apaixonados com seus apelidinhos e agradinhos.

Eu namorei trezentos anos e três dias e talvez por isso tenha perdido o treinamento tô nem aí. Se ontem o cara era uma coisa e hoje nem responde mensagem, eu vou ficar puta e assumir que comprei gato por lebre. Ou homem por qualquer coisa que valha uma lebre. Mas admito o incômodo.

Já os mano-tunado tem subdivisões: os acéfalos e os latin lovers. Os acéfalos eu nem faço questão de triturar, porque muitos sequer se dão conta do que tão fazendo. Aí a coisa vai muito além da minha humilde divagação, se envereda pelos caminhos da psicologia, dos lares conturbados e do pau pequeno. Como podemos nós discutir a complexidade do caso do cara que sente um prazer quase sexual ao exibir os novos bancos de couro do golfão socado no chão?

Já os latin lovers sabem muito bem o que estão fazendo e a coisa é mais triste quando o cara não é tão mau sujeito assim mas é altamente influênciável e vai na onda dos outros latin lovers do bando, exibindo músculos e gostosas como troféus. Podemos também abrir uma brechinha pra ex-namorados e ex-namoradas revolts, que saem pegando geral por vingança e não conseguem se ligar a ninguém, ficando chorandinho em casa feito as mina balada.

E é por essas e outras que eu assino embaixo quando o Wollowitz diz que “smart is the new sexy”.

Mas se juntar o smart com um poquito de rock ‘n roll, eu não vou reclamar.