25
Feb
  A great day for freedom

freedom

Existem fases pelas quais todo mundo passa. Tipo as moléres naquela (tão temida pelos homens) de querer um bebêzinho e uma casinha com cerquinha e plantinhas até mais do que possam querer dinheiro ou o próprio homem, e os hombres enquanto lobos teimando em querer comer a chapeuzinho, if you know what I mean. Mas tem aquela que vem SEMPRE, mais cedo ou mais tarde, e se não vem cedo vem tarde, e aí geralmente fica feio por bosta.

Tipos tiozão com carro tunado, regata e óculos espelhado e tiazona com silicone e sutiã de oncinha, ambos agitandinho bacanamente com os amigos dos filhos na balada. Então, na minha cabeça é tudo negada que pulou a tão bela e mágica fase que chamaremos aqui de FREEDOM RUN.

Eu não sou o ser mais vivido cronologicamente falando, mas se tem uma coisa que eu já vi por aí foi essa fase chegar, e nos mais variados casos.

Com 14 eu já não era das mais controladas, mas conheci uma garota que deixava todas as minhas wildices no chinelo. A menina vivia um pouco aqui, um pouco lá, pelas casas de parentes espalhadas pelo Brasil, fazendo o que dava na cabeça, no melhor estilo go with the flow. O cara por quem ela era apaixonada era um hippie chamado Sol que morava na praia, e ela tinha todas pra contar, inclusive sobre sexo, botando medo ou lenha na fogueira pro resto da galera, que ainda estava no ninho.

Só que hoje ela tem um filho e não tem aqueeeela estabilidade, que só acontece com um pouco de raiz e regras, principalmente naquela fase.

Quanto aos tiozões e tiazonas, um motivo comum é tipo fulana que casou cedo e dedicou o tempo e a vida aos filhos e marido, e mesmo assim a coisa falhou, fazendo a moça, já não tão moça, querer experimentar tardiamente os prazeres da vida.

Mas esse exemplo é bem default. Nem precisa ser uma vida, basta dedicar alguns anos a um relacionamento que não funfou como era esperado. O período seguinte sempre vira uma desvairada busca pela liberdade. O famoso “recuperar o tempo perdido”.

Eu acho que é uma fase necessária, porque você precisa saber até onde pode e quer ir sozinho, e do que é capaz de fazer, seja cagada pra servir de lição, seja score, e talvez a melhor época seja mesmo ao ingressar na faculdade, mudar de cidade (como a Bottanzinha está fazendo agora), que é quando você vai realmente descobrir quem você é longe de qualquer coisa que já te fizeram acreditar ser. Mas enfim, quem controla o timing, né?

Porque se você já entrou e saiu da faculdade, já mudou de cidade e voltou pra casa, já começou e terminou longos OU insignificantes relacionamentos, tem mais é que fazer aquele favor de levantar essa bunda gorda da cadeira e tentar descobrir outra vez por onde ir, antes de ir procurar o amor no bate papo do UOL, sala 20 a 30.

Já parou pra pensar que se tivesse nascido míseros 20 quilômetros longe de onde nasceu, provavelmente jamais teria encontrado o fulano ou a fulana que talvez ainda estejam te impedindo de seguir?

Sabe a bunda gorda na cadeira? Então, são as suas pernas que a sustentam.







3
Feb
  Libera e joga tudo pro ar

carnaval_mascara

Não é novidade que eu sou durock. Baladinhas alternativas, do rock clássico ao ska punk, cabelos malucos, roupas malucas e aquela vida Cazuza que só os rocknrollas guentam, acabou que nunca fui aquela moça que a vó sempre quer que a gente seja, né.

Porque enquanto a filha da dona Cida estudava bonitinha com os óculos de armação quadradinha, eu mandava a dona Cida tomar no cu se me olhasse torto, sumia no mundo, jogava cadeira no namorado e em quem quisesse me desviar do caminho da malvadeza, e outras punkices do lado negro de Bottan que eu jamais publicarei.

Durante essa fase, eu aprendi, como todo rebeldezinho, a repudiar qualquer coisa que não fosse cult e rockah. Eram as clássicas de se esconder num buraco durante o carnaval, não pisar jamais numa pista que tocasse forró, fugir de eventos em família ou frufrus, pra não usar social nem poluir a mente com axé e cia.

Embora lá nas profundezas da minha mente malvada eu soubesse o perigo de coexistir com uma boa batida de axé…

Eu me remexia. Muito.

Eu continuava achando idiota, mas gostava do ritmo, e sabia muito bem que num passado não tão distante daquela época, havia me divertido horrores zoando as coreografias mais porcas possíveis, do bambolê à manivela. E num belo dia, na primeira festa foda em família onde eu me senti livre pra botar pra foder depois dessa fase, eu fiquei perdidona, e me senti uma besta quadrada por abrir mão de tantos anos de farra saudável, achando que tinha que agradar seja lá quem fosse.

Quantas formaturas com o pezinho batendo debaixo da mesa, tsc, tsc. Mas pra compensar e me manter firme na reabilitação, na última me dei o direito de reproduzir a dancinha de Uma e Travolta em Pulp Fiction. Além de me meter no meio da molecada e dançar até funk. Como me gusta. P

Sem contar que uma das noite mais divertidas do ânus que se foi (esse mereceu o trocadilho), foi dançando forró.

Ver a globeleza globelezando na TV sempre foi deixa pra pensar “oh, shit”, e programar a fuga rápida, pra qualquer lugar onde eu não vislumbrasse bundas rebolantes. E mais importante, pra que eu não me juntasse à elas!

E aí que eu venho por meio desta comunicar-lhes que pela primeira vez em, sei lá, 10 anos, eu vou passar o carnaval no carnaval. Até agora, as únicas aleatoriedades que sei sobre o que me espera são: Ilha Comprida e bloco do Pinto. Muita angústia e momentos de tensão por aqui.

Mas não me abandonem. Independente do que vier, nem uma chave de pernas da Ivete me faz perder o Skarnaval.

God bless my eyes.

Ps. E vocês, como encaram o Carnaval?

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Então pegue na minha e balance.