26
Mar
  Teoria do Playmobil

playmobil

Orkuteando por volta de 2006, eu dei de cara com uma comunidade que mudou a minha vida. Hiperboleamentos à parte, a parada me apresentou à teoria mais simples e eficaz ever: a Teoria do Playmobil. E depois de me perguntarem por toda a semana no MSN o que diabos é a Teoria do Playmobil,  decidi apresentá-la aos senhores e desenrolar a coisa como eu a vejo (oi?). Preparem-se, aqui vai:

“Nada do que possa acontecer vai tirar esse sorriso do meu rosto.”

Se você  não entendeu, atente para a foto do nosso querido modelo Playma acima.

Se você ainda não entendeu, aqui vamos nós:

Numa semana, recebo várias propostas de projetos absurdamente legais, combino um encontro com uma pessoa que muito me agrada, marco uma viagem, emagreço dois quilos (girl talk) e tal.

Na outra semana, o maior projeto vai pra stand by, a tal pessoa também, eu quase quebro o nariz e passo dias com dor e, se não bastasse, no único dia que eu resolvo sair, eu encontro o ex de mãos dadas com uma mistura de lacraia com Gretchen, que rebolava ao som de tuntstunts.

Não era pra voltar pra casa e chorar toda a vida? Óbvio, e foi o que eu fiz, até desabar de cansaço.

Acordei mais inchada que baiacu com medo, mandei o espelho tomar no meio do toba dele e fui pra cozinha. Aí minha irmã chegou de São Paulo. Passei umas boas horas conversando e rindo com ela e com a minha mãe, e de repente me caiu a ficha do nível de pateticidade dos meus últimos dias.

Quando você tá mal, você se força a ficar cada vez pior. Interneticamente falando, você vai lá e coloca Hamburg Song no repeat enquanto posta uma foto com cara de cu no fotolog e fica falando sozinho no twitter, tudo isso sem abrir a janela ou acender a luz, claro, porque luz vai estragar o clima “I’m sorry, I can’t be perfect“.

Aí quem te olha de fora pensa: puta cara chato da porra.

Parabéns, agora além de patético, você é chato.

Claro que não é fácil ficar bem do nada, quando você tá (ou acha que tá) ferrado em todos os campos da tua vida, mas da próxima vez, tenta fazer um esforço e fazer alguma coisa que cause riso. Bota uma comédia, assusta a vó, vai brincar com o pet. Peixe não vale.

E agora se apegue ao que achar mais conveniente, porque as explicações vão de misticismo à ciência. Você pode simplesmente acreditar que positivo atrai positivo ou pesquisar sobre os benefícios do riso para a saúde. Fazendo o último, inclusive, você vai descobrir que o riso faz o organismo liberar serotonina. Quem mais força isso mesmo? Ah, os antidepressivos! Então se você se entope de alegria fabricada, podia tentar fabricá-la sozinho.

E arrume desculpas pra tudo. Azar o dele se ele tá pegando baranga, já apareceram mais três projetos novos, e tem 6 bilhões de pessoas no mundo. Tirando as mulheres, que eu ainda não cheguei nesse ponto, e filtrando mais umas paradas, eu posso chutar que existem ao menos algumas mil pessoas por quem eu ainda posso me apaixonar. Que sejam cem. Que sejam 10. Que seja uma.

Só que eu nunca vou encontrá-la enquanto estiver postando cuzice no fotolog. E ela nunca vai me amar se eu não o fizer primeiro.

Ps. Comunidade aqui.







15
Mar
  Gula

gula

Fome é uma merda.

Fome de doce, fome de farra, fome de saquê com morango, fome de alguém, fome de vida, fome de amor.

Eu aprendi que se não dá pra fazer uma refeição completa, eu posso comer uma fruta ou tomar um iogurte e meu corpo aguenta mais umas três horas sem me derrubar.

Mas e amor, tem na geladeira?

Hoje eu passei muito tempo sem comer, e a fome começou a me doer mais do que o nariz que eu quase quebrei na porra do flying boat aqui em Bombinhas. Aí parti pro restaurante DAQUELE JEITO pro garçom: “moço, me vê tua alma com maionese”.

Pedi entrada, um elfo, um unicórnio, dois sucos de laranja e uma coca cola.

Eu que nunca bebo durante a refeição.

Comi o mundo e a alma do garçom e ainda trouxe a coca pra casa. Tô passando mal, claro. Tive que arrumar espaço pra dois comprimidos digestivos com mais uns goles de coca. Aí foi bem ruim. Consertar cagada é sempre pior que evitar, até o Nemo sabe, e a gente continua fazendo errado.

Quando você chega num restaurante com muita fome, pega um cardápio e vê a tua comida preferida, tudo que dá pra imaginar é que você vai ser o abestado mais feliz do mundo quando a parada estiver ali na tua frente, esperando pra ser atacada.

Só que comer desesperadamente e além da conta te faz mal.

Quando você encontra alguém que preenche todos os requisitos pra ser o prato principal pro qual todas as entradas te levaram, a fome causa o exagero. Nem precisa externar, basta querer demais, querer rápido, querer resultado, querer certeza.

Querer desesperadamente e além da conta te faz mal.

Até porque, nem sempre a comida chega como você imagina enquanto está sentado esperando, quase sentindo o gosto de antemão. Às vezes, falta sal. Às vezes, durante a espera, o pedido da mesa ao lado chega, e você fica na dúvida.

É muito louco.

Só sei que eu tô apaixonada e tomei no cu. Mas a gente não desiste, né? Não pode.







10
Mar
  Relashionshits no more

leoa

E um curso de “como relacionar-se equilibradamente com a pessoa amada  em (no máximo, vai) dez passos”?

Eu acho que seria prático, normal. (dica: 2′10)

Porque, afinal, tão mais fácil se a gente conseguisse atingir o ponto de equilíbrio antes de arruinar alguns muitos relacionamentos, inclusive aqueles onde os dois, ainda amando, chegam ao ponto de decidir de forma racionalmente dolorida e doloridamente racional que não dá, não funciona.

Ainda que, logo esse, seja um primeiro indício de sanidade. Intenso não significa maluco e sem noção.

Eu já joguei cadeira de raiva, eu já dei xilique de ciúme, eu já quis pra mim, e SÓ PRA MIM, cada pensamento do cidadão. Com a cadeira eu ferrei a parede, com o ciúme eu ferrei algumas noites (as que foram ruins e outras que poderiam ter sido boas e nunca aconteceram), com o desejo de exclusividade eu consegui distância.

Demorou pra ouvir com atenção o conselho da mãe Bottan, que sempre me disse que tudo o que as pessoas precisam fazer é criar um clima condizente com o que sentem pelo outro. O resto vem, ou não. E se não vier, se não houver um retorno na paz, na guerra e na obrigação é que não vai rolar.

As meninas lindas e gostosas não vão desaparecer quando você oficializar um relacionamento. Idem pros caras interessantes. Tudo o que você tem com a pessoa que tá contigo nessa, é aquilo que ela vai sentir falta quando você for embora. Again, “ou não“. Porque eu tô pra conhecer quem sente falta de briga, desconfiança, provocação, ironia, e o resto dessa família do capeta.

Mas dá pra tentar mudar de atitude e salvar um lance assaz desgastado? Me responde você, dá pra lidar com a bagagem? Com tudo que já rolou de ruim, tudo que já foi dito e feito? Eis a hora da racionalidade que dói,  mas transforma. 

Se libertar dos fantasmas do passado em geral, seja do apego, da zona de conforto ou do sentimento de posse não é fácil, não é rápido, mas é necessário quando se decide mesmo mudar e voltar a si. Ou se acorda mesmo ou se continua dormindo, o que não dá é pra ser sonâmbulo, que a gente não pode chacoalhar sob risco de tragédia.

E quando se consegue olhar pra dentro tempo o suficiente pra detectar a necessidade de atitude, geralmente já se sabe o que fazer.







2
Mar
  Maira Bottan – o retorno.

ma_mi

Quando a senhorita Mirian Bottan foi-se embora para São Paulo, afirmei pra mim mesma: eu nunca sairei de Americana. Essa frase virou lei quando a mancebinha voltou dizendo que a capitar era pura loucura, que mais um mês e ela escalaria prédios no auge do surto. Até então, minha idéia era bem simples: fazer uma viagem pós-formatura do ensino médio, voltar e me preocupar com faculdade e meu namoro.

Acontece que nem tudo é como se espera, baby, nem tudo é pra sempre. E quando me disseram, ri ironicamente e gritei que era praga. Não acreditei em uma só palavra, e arrumei desculpas esfarrapadas para isso.
Em menos de um mês, o tal namoro tão concreto e eterno acabou, depois de tomar coragem lendo um texto que me passaram. E a pessoa a quem me dediquei por 2 anos, sem pausa para mim mesma, disse, em exatas palavras: ‘Você tem que sofrer para aprender. Vai aprender na dor’

Dado o aviso, o mancebo pisou em mim feito o seu Madruga no chapéu.

Entrei na fase que ganhou o título de ‘blackout da mente’. Fiz o que não faria, fui quem não fuiria. Mas saí dessa fase, com a ajuda de uma pessoa. Quando o ano estava prestes a acabar, bateu o desespero. Que aquela merda acabasse logo. E foi aí que me pegaram pelo braço, e fui até o fim.

E foi-se 2008, entre tantos soluços e abraços. [Exit night.]
E começou 2009. [Enter light.]

E aí? Aí que 5 meses de lágrimas, 5 meses de pensamentos ruins, 5 meses de sentimentos ruins me trouxeram ao agora: nunca estive tão feliz comigo mesma, nunca me senti tão bem por ter uma chave de casa, nunca senti tanta saudade do meu cachorro, nunca amei tanto meus pais, nunca tive tantos amigos, nunca fui tão eu mesma, e, por último, mas não menos importante: nunca estive tão próxima da minha irmã.

E, na verdade, é mais por ela do que por mim que faço esse texto, porque, se ainda não deu pra sacar, foi ela quem jogou a ‘praga’, quem passou o texto do fim do namoro, me guiou até o fim do ano, me ouviu chorar uma vez por dia, todos os dias, em 5 meses, foi ela quem me levou pra sair quando só queria enfiar o travesseiro na cara e esquecer o mundo, me ligou meia-noite no meu aniversário, meio louca, e me fez rir. Foi ela quem começou, que causou e que salvou. E por causa não só dela, mas em grande parte, estou aqui, em São Paulo, numa lan, vendo a chuva, escutando meu estômago roncar e recebendo msgs de ‘quando você volta?’ das meninas com quem moro agora.

Mano, você salvou minha vida.

Ou começou a foder tudo. D

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[Nota da Miroca] Depois dessa, ela quase pode me chamar de Tatá em público. Te amo, gorda.

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