
E um curso de “como relacionar-se equilibradamente com a pessoa amada em (no máximo, vai) dez passos”?
Eu acho que seria prático, normal. (dica: 2’10)
Porque, afinal, tão mais fácil se a gente conseguisse atingir o ponto de equilíbrio antes de arruinar alguns muitos relacionamentos, inclusive aqueles onde os dois, ainda amando, chegam ao ponto de decidir de forma racionalmente dolorida e doloridamente racional que não dá, não funciona.
Ainda que, logo esse, seja um primeiro indício de sanidade. Intenso não significa maluco e sem noção.
Eu já joguei cadeira de raiva, eu já dei xilique de ciúme, eu já quis pra mim, e SÓ PRA MIM, cada pensamento do cidadão. Com a cadeira eu ferrei a parede, com o ciúme eu ferrei algumas noites (as que foram ruins e outras que poderiam ter sido boas e nunca aconteceram), com o desejo de exclusividade eu consegui distância.
Demorou pra ouvir com atenção o conselho da mãe Bottan, que sempre me disse que tudo o que as pessoas precisam fazer é criar um clima condizente com o que sentem pelo outro. O resto vem, ou não. E se não vier, se não houver um retorno na paz, na guerra e na obrigação é que não vai rolar.
As meninas lindas e gostosas não vão desaparecer quando você oficializar um relacionamento. Idem pros caras interessantes. Tudo o que você tem com a pessoa que tá contigo nessa, é aquilo que ela vai sentir falta quando você for embora. Again, “ou não“. Porque eu tô pra conhecer quem sente falta de briga, desconfiança, provocação, ironia, e o resto dessa família do capeta.
Mas dá pra tentar mudar de atitude e salvar um lance assaz desgastado? Me responde você, dá pra lidar com a bagagem? Com tudo que já rolou de ruim, tudo que já foi dito e feito? Eis a hora da racionalidade que dói, mas transforma.
Se libertar dos fantasmas do passado em geral, seja do apego, da zona de conforto ou do sentimento de posse não é fácil, não é rápido, mas é necessário quando se decide mesmo mudar e voltar a si. Ou se acorda mesmo ou se continua dormindo, o que não dá é pra ser sonâmbulo, que a gente não pode chacoalhar sob risco de tragédia.
E quando se consegue olhar pra dentro tempo o suficiente pra detectar a necessidade de atitude, geralmente já se sabe o que fazer.




