
Pode soar meio new age da minha parte, mas tenho cá pra mim que o maior desafio do ser humano é se livrar de suas ideias fixas, pra ser feliz de verdade.
Depois de um tweet sobre o aniversário de 1 ano da minha vida de solteira, de 1 ano sem um namoro que já tinha se tornado problemático e de como me sinto mais feliz por isso, recebi um reply que me deixou muito encucada. O assunto era o mesmo, mas o cara mandou à merda um casamento de 12 anos e diz ser agora o pai solteiro mais feliz do mundo. Até ai, tudo bem. Mas o que me matou foi a forma como terminou: ”Por que eu demorei tanto?”
Confesso que essa frase me deu um medo gigantesco. Por que demoramos tanto?
Você continua naquele trabalho porque é natural acordar, trabalhar todo dia, todo o dia, ganhando o mesmo salário.
Você continua com aquela pessoa porque é mais do que normal papear com a familia dela, sua família perguntar por ela, sair com os mesmos amigos, dividir as mesmas situações, o sexo de sempre, as brincadeiras de sempre.
Você continua saindo com aqueles amigos porque se conhecem há décadas e dividem as mesmas coisas que divide com a sua/seu namorado/namorada. Menos o sexo. Ou não.
E não para pra pensar se o que você julga “natural, normal” na verdade já se tornou algo chato ou até infeliz, a que você continua agarrado. Seja pelo medo de soltar, seja por não ter pensando nisso ainda.
Não penso que seja só pela segurança. Há um fator de grande peso que deixamos de lado: ideia fixa.
É algo que nunca me desceu pela goela. Pensar em manter qualquer coisa da minha vida sem emoção, sem querer fazer acontecer, sem o gostinho da conquista, sem um algo novo, me sufoca.
Tudo o que começamos, seja um novo trabalho ou um relacionamento, é também uma busca por novas experiências, algo que nos acrescente mais do que temos até então. Uma espécie de troca, sabe? Você ensina e é ensinado. Mas quando chega o comodismo, é porque também chegou o maldito ponto em que nada mais vai te fazer crescer!
É como terminar a escola e querer voltar para o primeiro ano. Não vai mais ter cabeça para as mesmas piadinhas, não vai mais ter graça sem as companhias e não aprenderá mais nada de útil. Porque assim como nos estudos, a vida é feita pra ser vivida em etapas, conforme a sua necessidade de algo maior.
Continuar na mesma é dizer “te amo” todo dia, pra alguém que você trocaria por uma mariola.
Não há problema em arriscar novas amizades, um novo trabalho e buscar um novo amor. Mas talvez haja em continuar pra sempre neles achando que já é tarde ou ainda é cedo.






