29
Sep
  Exatamente fodidos

duvida

Dia desses, quando me mandaram virar à direita, prar variar, deu tela azul e eu fiquei dançando com o volante, sem saber pra onde ir. Isso porque, dirigindo, me falta agilidade pra fazer um air-writing e lembrar qual é a mão direita. Só assim eu sei qual lado é qual.

Vai, pode rir, eu fui piada por anos (e ainda sou) por conta disso. E antes fosse só por isso.

Relógio, pra mim, só digital e nos esquema AM PM da vida. Porque, se eu estiver desatenta e o relógio mostrar 16h30, eu vou falar “seis e meia”.

Quinhentos metros e um quilômetro, pra mim, é a mema merda. Também não me pergunte o tamanho de nada, que eu só fiz questão de decorar o meu pra afirmar que não sou anã. Por três centímetros E MEIO.

Se um dia você começar a calcular algo em voz alta na minha frente e eu estiver prestando atenção, é encenação. Eu já parei de ouvir no primeiro número e tô pensando no queijo que tá na geladeira.

Eu dou a volta no quarteirão e já acho que tô no outro bairro.

Eu dou a volta em mim mesma e já não sei de que lado eu vim.

Se eu disser que tá vindo um ventinho noroeste, seja legal e não me peça pra apontar.

Eu, que sempre fui a melhor aluna da sala, vacilei no segundo ano do colegial e reprovei. Detalhe: Reprovei em todas as matérias de exatas e passei com nota máxima em todas as outras.

O diretor disse que não podia me ajudar porque eu não era burra, era folgada.

Daí que, num belo dia, eu resolvi descobrir se isso era normal, ou se tinha algo por trás de eu ser tão mula, matematicamente falando. Procurei por “falta de senso de direção” e RÁ! Olha o que eu achei na Wikipédia:

Discalculia (não confundir com acalculia) é definido como uma desordem neurológica específica que afeta a habilidade de uma pessoa de compreender e manipular números.

Entre os sintomas, estão:

Problemas de diferenciar entre esquerdo e direito.

Falta de senso de direção (para o norte, sul, leste, e oeste) e pode também ter dificuldade com um compasso.

Dificuldade com tabelas de tempo, aritmética mental, etc.

Melhor nos assuntos tais como a ciência e a geometria, que requerem a lógica mais que as fórmulas, até que um nível mais elevado que requer cálculos seja necessário.

Dificuldade com tarefas diárias como verificar a mudança e ler relógios analógicos.

A inabilidade de compreender o planejamento financeiro ou incluir no orçamento, nivelar às vezes em um nível básico, por exemplo, estimar o custo dos artigos em uma cesta de compras.

Tendo a dificuldade mental de estimar a medida de um objeto ou de uma distância (por exemplo, se algo está afastado 10 ou 20 metros).

Inabilidade de apreender e recordar conceitos matemáticos, régras, fórmulas, e seqüências matemáticas.

Dificuldade nas atividades que requerem processamento de seqüências, do exame (tal como etapas de dança) ao sumário (leitura, escrita e coisas sinalizar na ordem direita). Pode ter o problema mesmo com uma calculadora devido às dificuldades no processo da alimentação nas variáveis.

A circunstância pode conduzir em casos extremos a uma fobia da matemática e de dispositivos matemáticos (por exemplo números).

E tem mais, num outro artigo:

A discalculia é um distúrbio que dificulta a aprendizagem, pois impede que o indivíduo compreenda os processos matemáticos, mesmo que ela tenha um QI normal ou acima do normal.

As crianças que apresentam esse tipo de dificuldade realmente não conseguem entender o que está sendo pedido nos problemas propostos pela professora. Não conseguem descobrir a operação pedida no problema: somar, diminuir, multiplicar ou dividir. Além disso, é muito difícil para elas entenderem as relações de quantidade, ordem, espaço, distância e tamanho. E isso algumas vezes é entendido pelos pais e professores como preguiça.

Então, amigo, se você apresenta essas dificuldades, você tem discalculia. Seus problemas não acabaram, você vai continuar sem entender porra nenhuma na aula de Física e usando a calculadora só pra escrever SEIOS e OLHOS. Então faça como eu, vá pra uma área onde você só use números escritos por extenso. E o mais importante, use essa bagaça a seu favor:

Mãe, é por isso que eu não controlo meus gastos.

Amigos, é por isso que eu sou uma merda no bilhar.

Pai, é por isso que eu arranquei o retrovisor do carro, aquela vez.

Maira, tá fudida, vai me ajudar a estudar exatas pro vestibular.

E last, but not least: querido diretor, folgada é a senhora sua mãe. Um beijo.







23
Sep
  O livro dos dias

“Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”

E foi com essas frases que conheci Legião Urbana. Não simples frases, mas aquelas ditas no momento certo.
Legião Urbana desde então foi isso pra mim: frases certas, nas horas certas.

Minha história sobre como comecei a gostar de Legião Urbana passa longe de ser daquelas belas onde o pai apresentou ao filho e blablablous. Muito pelo contrário, meu pai surtava com Renato Russo, dizendo que era muito depressivo. Pelo fato de na época eu só usar calças jeans, tênis e camisetas pretas, ele vivia dizendo que era culpa das músicas que eu escutava, proibindo até de tocar Legião no carro quando a família saía pra viajar. Chegamos a brigar feio. Ele gritava que o cara já tava morto quando ainda era vivo e eu gritava que.. gritava nada, porque não tinha coragem de gritar com o meu pai (que na época era maior que eu) por medo de levar uma no meio da boca e perder os dentes da frente. Então ele falava e eu chorava no meu cantinho. Escutando Legião, claro.

E não foi motivo de brigas só com o meu pai, não. Foi motivos de brigas com desconhecidos que falavam que era uma merda, foi motivo de brigas com a minha irmã pela demora pra escrever esse texto (essa parte vc corta, é que não resisti..hahahaha*), e até motivo de brigas com meu ex-namorado, que dizia que o Renato tinha uma voz irritante e era um bicha. Como meu ex gostava de Freddy Mercury, tinha o que mandar quando ele dizia isso..mesmo gostando do Freddy Mercury também. Mas não, Renato Russo não foi motivo pra ele ser ex. Meu ex virou ex porque ele gosta de meninos e meninas mesmo. Brincadeira. Ou não…vai saber.

Enfim…quem me apresentou Legião Urbana foi minha queridíssima irmã, senhorita Mirian Bottan. Ela já gostava, eu cantarolava “Eduardo e Mônica”, ela me apresentou o cd “As Quatro Estações”, eu gamei. E desde então, Renato Russo se tornou presente na minha vida, dono até da música-tema do meu primeiro namorico.
Não é segredo nenhum nesse blog minhas desgraças amorosas, então não faz diferença para minha pessoa dizer que a música era “Mais Uma Vez”, cuja letra dizia:

“Tem gente que está
Do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá…”

Preciso dizer que é mais do que lógico que Renato Russo tinha razão?
E, como a anta que vos fala nunca entende os sinais divinos, Renato Russo foi dono da música-tema do meu segundo namorico também…

“Você gosta mesmo de mim
Se arriscando a me perder assim
Ao me explicar o que eu não quero ouvir.”

Rolou um sentimentalismo aqui, mancebos. Melhor mudar os exemplos.
Voltando, Legião foi trilha sonora de quando prestei vestibular também!..

“Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar…”

…e foi ai que sai no meio da prova, liguei pra Paçoca chorando loucamente porque tinha rodado no vestiba.

Saindo das desgraças da vida da Maira, vamos pras vergonhas.
Lembram quando era moda alugar karaokês em datas festivas? (Pra quem lembra, shame on us) Pois toda vez que havia um, lá estava eu, superando a vergonha de cantar em público e entre “Catedral” e “Hyperconectividade”** (a Paçoca era viciada em cantar isso no karaokê com nossa prima), cantando TODAS as músicas da Legião Urbana, pra vergonha de mim mesma e tortura alheia.

A paixão pela banda e pelo Renato Russo foi crescendo cada vez mais e comecei uma coleção da banda, incluindo revistas antigas e lp’s, que buscava em tudo quanto era sebos de Americana e região. Por isso quase surtei quando fiquei sabendo do novo livro. Tentei participar de promoção, mas a minha Mairice não deixa ganhar essas coisas. E eis que recebo um exemplar de presente, de um truta da Tatá, que me viu participando!

Posso dizer que o livro é perfeito. É tudo o que eu esperava ler de Renato Russo. E foi justamente por ler e ver que “Renato Russo: o filho da revolução” é um presentão pra qualquer fã que estou aqui agora, pra um super negócio. Recebi não só um, mas DOIS exemplares!

Então é o seguinte: o Subs vai presentear com um livro o leitor que contar a melhor e mais divertida história pessoal envolvendo alguma música da banda. Quero ver quem tem algo das desgraças Bottânicas na própria vida )

É isso, negada, esse é o livro dos nossos dias, o livro dos nossos amores!

Notas da Miroca:

* Não corto.

** HiperconectividadÊ! Liga lá!