26
Oct
  Como nossos pais?*

Lá no lar Bottânico, a gente tem mania de papear por horas com os velhos sobre o passado deles e como chegamos até aqui.

Na última dessas, eu fiquei horas refletindo sobre o que eu ouvi e cheguei a algumas conclusões.

Meu pai saiu do sítio e começou a trabalhar por volta dos 8 anos de idade, engraxando sapatos. Minha mãe entregava pão de madrugada, também criança. Os dois trabalharam durante toda a adolescência, como muitos de nós, hoje, só que o dinheiro ia todo pra casa. Minha mãe teve que dar até o último mês de salário pro meu avô, antes de se casar.

Mas o que me espanta é a trajetória pós-casamento. Uma sociedade com parentes onde os dois entraram com dinheiro e saíram sem nada; minha mãe vendeu alumínio; os dois montaram barraca na feira; meu pai foi viajar como vendedor e dormiu em hotel com cachorro debaixo da cama; deram quase tudo pra comprar uma mercearia e o antigo dono resolveu comprar uma perua e atender os antigos compradores em suas casas, ferrando o negócio.

Pagaram por anos um apartamento e depois descobriram que, por causa da inflação, a dívida só aumentava e, quando terminassem de pagar, estariam devendo cinco apartamentos. Pararam de pagar. Nesse meio tempo, minha mãe montou uma empresa de fraldas descartáveis, que deu dinheiro suficiente pra erguer a nossa casa antes do despejo do apartamento. Pouco tempo depois, um incêndio destruiu a fábrica toda.

Depois disso, meu pai abriu uma loja de materiais hidráulicos, com dez peças de cada. Foram alguns anos trabalhando pra pagar as contas, sem lucro, mas ele nunca deixou de acreditar. Quinze anos depois, ele vai pra Paris por bater recorde de vendas de um fornecedor.

Apesar de ter dormido nos sacos de arroz enquanto meu pai enchia linguiças, à noite, no açougue da mercearia, eu não tive uma vida dura. Não precisei trabalhar quando criança e sempre tive o que dava pra ter. E eu sempre soube o que dava pra ter e não pedia mais que isso.

Quantas dessas histórias há por aí? A geração dos pais dos quase-adultos de hoje foi a que mais se ferrou, a que passou pelas maiores mudanças. Já nós, nascemos e crescemos num mundo um pouco mais tranquilo, onde não era preciso lutar tanto. Porque eles lutaram por nós.

Só que, sinceramente, eu acho que isso fodeu com alguns de nós. Eu não me sinto digna de ganhar um carro, mas muita gente que eu conheço exige isso, sem ter conquistado porra nenhuma. Muita gente acha normal. Não é. Você tem que conquistar uma coisa pra dizer que é tua. Tem que pagar teu aluguel se quiser morar sozinho. Que trampo, né?

Fui pra São Paulo e vi um cara com as pernas atrofiadas, se arrastando num skate. Quem sou eu pra reclamar e desistir das coisas que eu quero?

Quem é você?

Shame on us, a vida é DEMAIS. É só enfiar a cara.

*Já usei esse título, mas não tinha mais adequado.







9
Oct
  Tenha Paciência, Meu!

tpm

E, de repente, eu chamei o pano, que estava dentro do balde que eu queria usar, de IMBECIL. Derrubei uma caneta e a bicudei pro cu do mundo. Chorei porque tinha que lavar louça.

Pronto, fudeu. TPM feelings.

Legal é que duas horas antes de xingar objetos inanimados, depois de uma visita inesperada, pensei em tuitar que, “às vezes, a vida é tão fácil de ser vivida” e desisti porque me soou deveras gay. Mas estava assim, de buenas, felizona.

E aí que eu resolvi escrever esse texto pros moços. Aqueles que sofrem junto, mas não conseguem entender whatafuck is going on com a moça.

Porque falando assim, posso não conseguir expressar com a devida importância a MERDA MORFÉTICA que é não conseguir parar de chorar sem nem saber o porquê ou querer morrer porque acabou o papel higiênico, mas preciso informá-los da importância que os senhores têm, nesses dias de caos.

Talvez existam donzelas que, como eu disse hoje, digam: “se quiser ficar no teu canto, fique à vontade, que eu tô chorona”, numa tentativa racional de evitar atritos maiores e tentando ignorar que, tratando-se de hormônios DESCONTROLADOS, isso não adianta porra nenhuma, porque:

1- Se você concordar com ela, ela vai se sentir abandonada e te odiar.

2- Se você insistir e ignorar o conselho, vai acontecer o que já se sabia desde o começo. Round 1, FIGHT!

Agora, antes de surtar com a sua mina porque ela tá chata, irritante ou chorona, saiba que, se quiser se livrar disso, vai ter que passar a dar ré. Porque até ALOCA da galera, aquela que tá sempre rindo e zoando, tem “em cada dia do mês, uma concentração de hormônios sexuais diferente da do dia anterior e diferente da do dia seguinte”, que fazem com que ela te mande um caminhão de pétalas de rosas num dia e um de bosta no outro. Quer resmungar, reza e xinga o cara lá de cima </JEITINHO>, que foi ele quem fez.

Mas uma solução muito mais esperta é aceitar que, a menos que você siga a sugestão do parágrafo acima, isso vai acontecer pelo resto da sua vida e é muito mais fácil se preparar com um pote de sorvete e boa vontade pra vinte minutos de cafuné.

Caso isso seja muito cansativo para a vossa senhoria, sempre se pode conversar e dar a explanação. Evitar se encontrar nesses dias, sei lá. Apesar de, na verdade, a vontade de agradar a rapariga que você ama, ser esperada independente de você saber que ela está precisando disso. E se essa vontade não existir, talvez os seus hormônios é que sejam o problema – a única coisa impulsionando a relação. Se esse for o caso e você quiser se livrar da carga, tente fazê-lo antes do final daquela quinzenazinha de paz.

Afinal, TPM é atenuante de pena por homicídio e alguém teve que provar.