3
Jan
  Are we humans or are we players?

Você cortou a franja muito curta. Sai perguntando se tá muito ruim. Seus colegas dizem que não. Sua irmã diz que não. Seu namorado diz que não. Seu horóscopo diz que não.

Seu primo de seis anos diz que tá feio.

No fundo, você também achava. Mas só a partir daí você para de achar que se arrumar a franja assim e assado vai ficar bom. Agora, você desencana e prende a franja até crescer.

E por que caralhos todas as outras pessoas da sua vida, que não possuem a inocência de uma criança de seis anos, mentiram pra você, sendo que achavam a mesma coisa?

Seus colegas nem prestaram atenção, sua mãe não queria te magoar, seu namorado quis evitar que você ficasse emburrada e seu horóscopo diria qualquer coisa que você quisesse ouvir. Nenhum deles te ajudou a tomar uma decisão. Mesmo as pessoas que queriam evitar o seu sofrimento, acabaram te atrapalhando.

-”Eu ainda te amo, penso em você, mas você me machucou e eu decidi desistir.”

-”Eu só quero te comer e não ficar sozinho, senão eu desabo.”

-”Eu estou bem, mas curto um drama, me faz parecer mais interessante.”

-”Cara, se eu quisesse você, eu diria!”

Acabam virando:

-”Tá sofrendo? Agora chora.”

-”O quê você vai fazer hoje? Queria te chamar pra vir aqui.”

-Frase de impacto no MSN.

-”Ai, moço, hoje eu tô de boa, só vim pra dançar, hihi.”

O quê há de errado com a gente, que não consegue falar a verdade? Na maioria das vezes, nem estamos pensando no outro, então qual o problema em descomplicar a vida das pessoas e evitar sofrimento e perda de tempo? Ou qual o problema em se mostrar desprotegido?

Sabe qual a pior consequência dessa atitude egoísta e tão automática? Ninguém mais acredita nas verdades.

Já tentou virar pra alguém e dizer: “eu errei, me desculpe, eu realmente te amo”, depois de dizer um monte de merda pra parecer forte e superior? Não adianta. Vai parecer vazio. Somos tipo aquele Joãozinho mentiroso, resta rezar pro lobo não chegar, nunca.