O que escrever à Mirian no dia do seu aniversário, aqui entre seus textos?
Um poema? uma carta apaixonada? Enfim, pego-me indagando: talvez um, talvez nenhum, muito provável os dois. Os dois, mais e muito mais – para além da fronteira nítida dos diferentes gêneros literários- pois que, fazendo uma reflexão com meus “bottans”, sinto que é esse o mesmo tipo de dúvida que paira sobre minha cabeça toda vez que a vejo: devo beijá-la? apertá-la? contar algo novo? Sinceramente, todos.
E todos ao mesmo tempo, numa angústia dolorida; numa vontade inigualável de querer gritar e pular.
E assim o é, há exatos 5 meses, com relação a tudo que rodeia a mim e a ela. Nunca a vida fez sentir-se tão presente, tão belamente presente, como faz conosco agora.
A menina que há algum tempo se referiu caminhando na relva orvalhada, longe da agudez bruta das pedras cortantes passadas, é hoje a mulher que me acompanha. Se antes pisava moderada o novo caminho; hoje, corre comigo por todos seus cantos. Se antes sentia-se feliz ante a expectativa da nova maciez; hoje, sente-a por completo. Assim me sinto, também.
Desde aquele primeiro contato (ou então antes ainda), em que fatos pequenos e incríveis se somaram como dominó, sinto que é minha companheira (de grandes centros, pequenas camas…), minha amante, minha amiga: minha mulher. Tudo que hoje sinto, de mais extraordinário e sensacional, devo aos seus carinhos e seus beijinhos. E falo isso, com “Os passistas” de Caetano ecoando o seu “Amor, onde quer que estejamos juntos…”.
Aos leitores, creio que não mais preciso me indentificar – a fluência e o ritmo falam por si – e se, de tudo, apenas uma palavra fosse utilizada para resumir a minha pequeninha, com certeza, seria: “sentir”. Pois que nunca, em uma vida, senti com tamanha intensidade e significado cada passo dado por aquela relva macia.
“Sem vós o que são meus olhos abertos?” – Camilo Pessanha
Com todo o amor,
Otávio




