18
Jan
  Maira @ USA Parte II

Segue mais um email enviado pela dona paçoca menor, sobre suas aventuras lá nas gringa:

Em nova york, ficamos em dois hotéis: no primeiro, posso dizer que a foto era exatamente igual a realidade… Mas ocultaram que a realidade era para anões (ou Mirians). O quarto tinha UMA cama, e o box do chuveiro era de vidro, de frente pra cama. Quarto de motel define. Na porta, estava escrito “como se divertir: entre no quarto, feche a porta, entre debaixo do lençol e divirta-se!”… Quédizê, tenho cara de lésbica agora.
Fizemos um código de honra lá, enquanto usava o banheiro, a porta com vidro fumê cobria o vaso sanitário, pq eu não sou obrigada a ver ninguém cagando.
Nesse hotel, tinhamos uma belíssima vista diretamente pro terraço do terceiro andar.

Saí comprar leite. Comprei uma garrafinha de 200 ml e um achocolatado e fiquei feliz. Daí cheguei no hotel, fui tomar meu leite e adivinha! A porra do achocolatado não era uma lata normal. Era uma merda de uma lata que pra abrir, precisa de abridor!
Enfiei a lata de volta na sacola e fui lá trocar, pensando no meu discurso no caminho. Aí comecei a pensar: “e se esse cara nao trocar a lata. Esse cara não vai trocar a lata. Esse VIADO vai me deixar com uma merda de lata fechada e eu não vou tomar meu leite”. Aí comecei a chorar. Liguei pra mãe e falei que eu era uma burra e que não podia nem tomar leite. Ela mais ou menos me mandou me recompor e trocar a merda da lata.

Daí tivemos que trocar de hotel, e nosso novo hotel fedia cigarro e tinha um delicioso bolor no frigobar.
Dessa vez ficamos no 11o andar \o/ com uma linda vista pro muro do hotel do lado. Daí eu desisti de ter uma vista bonita alguma vez na vida e fui mais feliz.
Tivemos que comprar botas de pelo por dentro, porque tava mtoo frio e eu estava prestes a perder a ponta do meu dedão. Sério, tava preta.
Na rua, na frente do Guggenheim, um casal chegou perto da gente e disse “hmm.. Can you please take a picture?” e a Carol lá “Sure, sure!” e aí o cara disse “Try to… Éé…to show de Guggenheim”.

Mano, esse “éé” não me engana. Americano não fala “é”. Latino não fala “é”.

E eu “Where are you from…?” e eis que o cara me solta um “Brrrazil!”. Óbvio. Aí falei “Então pode falar em português!” aí rolou aquele momento “eeeeee conterraneos!” que durou 5 segundos porque nosso onibus chegou.

No Starbucks, um casal olhava pra mim e pra Carol e tentavam adivinhar de onde a gente era. Chutaram Rússia, França, Holanda e ficaram com França. Eu tava quase levantando e falando “ok, one chance! Listen to me: veeeeeem pra ser feeeliz!” enquanto dançava com os peitos de fora.

Na noite da véspera do Natal, tudo fechou. Tudo. Daí quando vimos que estava tudo fechando saímos correndo que nem loucas pra comprar coisas de necessidade básica: água, leite, absorvente e um alicate de unha, porque nóis é pobre mas limpinha.

26/12: fomos embora de nova york. Ou tentamos. Acordamos cedinho pra comprar maquiagem da promoçao de Natal na Sephora e fomos trocar o alicate pq ele fechava e não abria mais. Demoramos muito nisso.
Pegamos um metrô Que ficava parando de tunel em tunel, daí perdemos o outro trem, daí chegou um outro trem, daí lembrei que não tinha feito o check in do voo, daí desesperei daí chegamos com meia hora de antecedência no aeoporto. Yay! Mas demoramos pra achar o check in. E chegamos atrasadas 4 míseros minutos… E perdemos o voo.

Eu surtei, pq tem alguma companhia que me fez assinar dizendo que pagaria uma multa mto alta pra trocar de voo, comecei a chorar, a tremer, dor de barriga, a atendente toda calma, a Carol me mandando ficar calma (ela nao sabia disso da multa) mas acabou que nao era essa companhia, a mulher ficou com dó da gente e trocou nosso voo… Pra dali 6 horas. Passamos o dia no aeroporto, mas pegamos o voo.

Chegando no aeroporto de Charlotte, onde tinhamos conexão, adivinha? Voo atrasado 1 hora. Chegamos tarde por bosta em Myrtle Beach. A tia Leila ficou feliz, pq não atrapalhamos a novela dela.

Em Myrtle Beach foi tudo bem tranquilo, pq nao tinha como dar errado. Todo mundo levava a gente pra lá e pra cá, nao tinha check in pra fazer nem nada. \o/
Daí saímos um dia, a tia nos deixou no shopping e disse “quando quiserem, liguem e eu venho buscar!”. Falei “pega o telefone da carol!” e ela disse “nao, VCS vão precisar de mim. Não eu de vocês.”

Resultado? A bateria do meu cel acabou, não sabíamos como ligar pro telefone da tia Leila, fui pedir ajuda pra um cara disse que minha bateria tinha “died” e que eu precisava de um carregador e o cara, um marroquino, sei lá, me fez uma cara de “ah, sim, sim!” me chamou, disse para eu estender a mão e ao invés de me dar um carregador, jogou uma porra de um sal na minha mão. Na minha E na da Carol. Começou a jogar água na nossa mão, falar pra esfregar, já tava achando que era pra eu rezar por um carregador e daí o cara tentou me vender o pote de sal por 80 DOLARES. Chorei, né? Ele disse que o sal era bom pras mãos, que hidratava, que cuidava. Saí puta da vida com as mãos cheias de óleo, sem carregador e xingando o marroquino e foi aí que aprendi que se eu sorrir enquanto falo “Enfia um pepino no seu cu, seu merda” vão me falar “Oh, that’s beautiful, thank you!”

Daí sei la como a tia conseguiu o telefone da carol e nos ligou. Ficamos 8 horas no shopping.

No ano novo não fizemos nada de mais… Ficamos em casa, depilamos… A tia resolveu depilar o suvaco da carol com cera quente e ela ficou cheia de hematomas.

Fui numa festa com a Paula, filha da tia, bebi um licor de mel maldito lá e ensinei todo mundo a jogar bilhar brasileiro. O mais legal: eu não sei jogar bilhar. Só lembro que eu falava “that’s the braziiiilian way!”. existe bilhar brasileiro? Foda-se. Sei que sou tão ruim que perdi no jogo que eu mesma inventei.

Enfim, hoje é dia 13/01, chegamos em Orlando depois de uma viagem de 8 horas num trem lotado.

Chegando em Orlando vi que o google maps me mandava caminhar por 17 minutos com as malas. Me recusei, e fui perguntar sobre o, saca só, SHUFFLE. Hahahahahahha. O cara me olhava com cara de “whaaaat?!” enquanto eu pedia mais informaçoes sobre o SHUFFLE pro hotel. Hhauhauauhauhauaha.

Aí ele disse “Come with me, young lady…” e me levou para uma imensa placa com os escritos “SHUTTLE”. Hahahahaha

Shuffle, sabe? Aquele tipo de carro que vc entra e ele embaralha todo mundo e vc desce num lugar aleatório.

Mas ok, chegamos no hotel, a atendente estava falando no telefone… E continuou falando no telefone… E eu fui perdendo a paciência… Até a Carol falar “O que vc está esperando?” e eu responder “Tô esperando essa vaca desligar essa porra desse telefone e me atender!”
Aí uns 2 minutos depois a mulher me atende e diz “Where are you from?” a Carol disse “Brazil!” e a mulher me solta um “Oh, enton falan brasileiro?” hahahahahahahahaha! A mulher entendia português.

Comprei os ingressos da Disney. Paguei com um rim praquele rato capitalista. Mais um pouco e eu ganhava uma faca da tramontina porque ooolha, ô passeio caro da porra! Tinha desconto pra recém-casados. Cogitamos falar que éramos casadas, já que temos o mesmo sobrenome…

Mas foi isso. Fui jantar agora e um cara passou, buzinou e me chamou de bitch. Não foi uma boa recepção.

Beijos, amo vcs e tô com saudade. )