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	<title>Substantivolátil &#187; Mirian Bottan</title>
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	<description>O primeiro rascunho de qualquer texto é uma m#$&#38;@.</description>
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		<title>Samba e tango</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jun 2010 14:45:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Substantivolátil.com]]></category>

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		<description><![CDATA[Caros leitores, hoje me ocorreu deixar a crônica desinteressada e desbocada de lado e mostrar um lado que talvez vocês nunca tenham visto aqui. Ou, parafraseando a paçoca menor (maior), e dadas as devidas proporções, enfiar um F. Pessoa onde rola um F. Verissimo. Segue! (apita o árbitro!)
&#8211;
Já nem sabe desde quando arrastava essa milonga. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Caros leitores, hoje me ocorreu deixar a crônica desinteressada e desbocada de lado e mostrar um lado que talvez vocês nunca tenham visto aqui. Ou, parafraseando a paçoca menor (maior), e dadas as devidas proporções, enfiar um F. Pessoa onde rola um F. Verissimo. Segue! (apita o árbitro!)</p>
<p>&#8211;</p>
<p>Já nem sabe desde quando arrastava essa milonga. Estendia-a à sua frente, pra depois seguir por cima dela &#8211; um tapete que ia sendo desenrolado sobre um caminho que tanto já lhe dilacerara os pés. Mas se esses mesmos pés, sempre descalços, já não sentiam pedras a lhes rasgar a carne, também já não podiam sentir a terra molhada e a vida nela, tão enfiados estavam no vermelho-sangue do veludo, que dava o tom exato de drama àquele sem-fim de cinza.</p>
<p>Há tanto era um tal, naquele bailar, de rostos que se viravam, olhos que não se olhavam, mãos e corpos que se tocavam e não se sentiam - apenas executavam avanços precisos e passos estáveis, com postura impecável, expressão austera e cabelos muito bem presos no topo da cabeça &#8211; que quis desvencilhar-se e lançou-se a dançar sozinha, ainda que apenas para ditar o próprio ritmo. Gostou. Respirou &#8211; já sorria.</p>
<p>Mas, um dia, ao contar o próprio tempo, como sempre fazia, surpreendeu-a uma rajada que lhe atirou longe as presilhas e fez esvoaçar os cabelos, numa farra de entrar pelo meio deles e depois pelo vestido, correndo-lhe junto à pele, fazendo o sangue ir mais rápido e mais quente, numas de subir todo à face, enquanto o ar do mundo todo lhe entrava pelas narinas e a fazia descobrir toda a capacidade dos pulmões.</p>
<p>E pôde ouvir, e era ainda longe, alguma coisa que brincava em quase entrar pelos ouvidos, mas era pouca e não se fazia conhecer de vez, apenas insinuava uma batida convidativa e &#8211; tão convidativa! &#8211; só foi fechar os olhos, abrir o peito e deixar escorregar um dos pés pra fora da falsa proteção &#8211; que cobria lascas mas escondia inúmeras e sorrateiras armadilhas &#8211; e, ao invés de pedras, pisou em grama e orvalho e sentiu que o orvalho logo cuidou de regar-lhe a alma, além da pele.</p>
<p>Daí pra frente foi uma e foi outra que não já podia prever, pois quando a vida da terra lhe chegou às mãos, sentiu outra na sua &#8211; e era só o que esperava o segundo pé, que havia ficado.</p>
<p>E ao abrir os olhos num susto, viu outros, que olhavam de volta. Não só olhavam, mas rasgavam-lhe o casulo da alma, fazendo-a voar e sair do corpo e ir dançar com o vento e os cabelos, onde agora se enroscava outra mão &#8211; e outra na cintura, que a conduzia num novo compasso; e uma outra lhe desenhava os traços do rosto; e eram mil as mãos dele e era ele todo enroscado nela, protegendo, guiando, moleque, alegre, leve, numa gafieira malandra e mágica.</p>
<p>E talvez fosse tarde -apesar de cedo- pensou, quando, lá longe, alguém parecia avisar pra pisar naquele chão devagarinho.</p>
<p>Afinal, já flutuavam dois palmos acima dele.</p>
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		<title>Gula</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 07:07:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>

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		<description><![CDATA[
Fome é uma merda.
Fome de doce, fome de farra, fome de saquê com morango, fome de alguém, fome de vida, fome de amor.
Eu aprendi que se não dá pra fazer uma refeição completa, eu posso comer uma fruta ou tomar um iogurte e meu corpo aguenta mais umas três horas sem me derrubar.
Mas e amor, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-709 aligncenter" title="gula" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/03/gula1.jpg" alt="gula" width="300" height="292" /></p>
<p>Fome é uma merda.</p>
<p>Fome de doce, fome de farra, fome de saquê com morango, fome de alguém, fome de vida, fome de amor.</p>
<p>Eu aprendi que se não dá pra fazer uma refeição completa, eu posso comer uma fruta ou tomar um iogurte e meu corpo aguenta mais umas três horas sem me derrubar.</p>
<p>Mas e amor, tem na geladeira?</p>
<p>Hoje eu passei muito tempo sem comer, e a fome começou a me doer mais do que o nariz que eu quase quebrei na porra do flying boat aqui em Bombinhas. Aí parti pro restaurante DAQUELE JEITO pro garçom: &#8220;moço, me vê tua alma com maionese&#8221;.</p>
<p>Pedi entrada, um elfo, um unicórnio, dois sucos de laranja e uma coca cola.</p>
<p>Eu que nunca bebo durante a refeição.</p>
<p>Comi o mundo e a alma do garçom e ainda trouxe a coca pra casa. Tô passando mal, claro. Tive que arrumar espaço pra dois comprimidos digestivos com mais uns goles de coca. Aí foi bem ruim. Consertar cagada é sempre pior que evitar, até o Nemo sabe, e a gente continua fazendo errado.</p>
<p>Quando você chega num restaurante com muita fome, pega um cardápio e vê a tua comida preferida, tudo que dá pra imaginar é que você vai ser o abestado mais feliz do mundo quando a parada estiver ali na tua frente, esperando pra ser atacada.</p>
<p>Só que comer desesperadamente e além da conta te faz mal.</p>
<p>Quando você encontra alguém que preenche todos os requisitos pra ser o prato principal pro qual todas as entradas te levaram, a fome causa o exagero. Nem precisa externar, basta querer demais, querer rápido, querer resultado, querer certeza.</p>
<p>Querer desesperadamente e além da conta te faz mal.</p>
<p>Até porque, nem sempre a comida chega como você imagina enquanto está sentado esperando, quase sentindo o gosto de antemão. Às vezes, falta sal. Às vezes, durante a espera, o pedido da mesa ao lado chega, e você fica na dúvida.</p>
<p>É muito louco.</p>
<p>Só sei que eu tô apaixonada e tomei no cu. Mas a gente não desiste, né? Não pode.</p>
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		<title>Relashionshits no more</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Mar 2009 05:50:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
E um curso de &#8220;como relacionar-se equilibradamente com a pessoa amada  em (no máximo, vai) dez passos&#8221;?
Eu acho que seria prático, normal. (dica: 2&#8242;10)
Porque, afinal, tão mais fácil se a gente conseguisse atingir o ponto de equilíbrio antes de arruinar alguns muitos relacionamentos, inclusive aqueles onde os dois, ainda amando, chegam ao ponto de decidir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-700 aligncenter" title="leoa" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/03/leoa1.jpg" alt="leoa" width="347" height="295" /></p>
<p>E um curso de &#8220;como relacionar-se equilibradamente com a pessoa amada  em (no máximo, vai) dez passos&#8221;?</p>
<p>Eu acho que seria <a href="http://www.youtube.com/watch?v=byE7MPuiUHU" target="_blank">prático, normal</a>. (dica: 2&#8242;10)</p>
<p>Porque, afinal, tão mais fácil se a gente conseguisse atingir o ponto de equilíbrio antes de arruinar alguns muitos relacionamentos, inclusive aqueles onde os dois, ainda amando, chegam ao ponto de decidir de forma racionalmente dolorida e doloridamente racional que não dá, não funciona.</p>
<p>Ainda que, logo esse, seja um primeiro indício de sanidade. Intenso não significa maluco e sem noção.</p>
<p>Eu já joguei cadeira de raiva, eu já dei xilique de ciúme, eu já quis pra mim, e SÓ PRA MIM, cada pensamento do cidadão. Com a cadeira eu ferrei a parede, com o ciúme eu ferrei algumas noites (as que foram ruins e outras que poderiam ter sido boas e nunca aconteceram), com o desejo de exclusividade eu consegui distância.</p>
<p>Demorou pra ouvir com atenção o conselho da mãe Bottan, que sempre me disse que tudo o que as pessoas precisam fazer é criar um clima condizente com o que sentem pelo outro. O resto vem, ou não. E se não vier, se não houver um retorno na paz, na guerra e na obrigação é que não vai rolar.</p>
<p>As meninas lindas e gostosas não vão desaparecer quando você oficializar um relacionamento. Idem pros caras interessantes. Tudo o que você tem com a pessoa que tá contigo nessa, é aquilo que ela vai sentir falta quando você for embora. Again, &#8220;<strong>ou não</strong>&#8220;. Porque eu tô pra conhecer quem sente falta de briga, desconfiança, provocação, ironia, e o resto dessa família do capeta.</p>
<p>Mas dá pra tentar mudar de atitude e salvar um lance assaz desgastado? Me responde você, dá pra lidar com a bagagem? Com tudo que já rolou de ruim, tudo que já foi dito e feito? Eis a hora da racionalidade que dói,  mas transforma. </p>
<p>Se libertar dos fantasmas do passado em geral, seja do apego, da zona de conforto ou do sentimento de posse não é fácil, não é rápido, mas é necessário quando se decide mesmo mudar e <strong>voltar a si</strong>. Ou se acorda <strong>mesmo </strong>ou se continua dormindo, o que não dá é pra ser sonâmbulo, que a gente não pode chacoalhar sob risco de tragédia.</p>
<p>E quando se consegue olhar pra dentro tempo o suficiente pra detectar a necessidade de atitude, geralmente já se sabe o que fazer.</p>
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		<title>A great day for freedom</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Feb 2009 08:37:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>

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		<description><![CDATA[
Existem fases pelas quais todo mundo passa. Tipo as moléres naquela (tão temida pelos homens) de querer um bebêzinho e uma casinha com cerquinha e plantinhas até mais do que possam querer dinheiro ou o próprio homem, e os hombres enquanto lobos teimando em querer comer a chapeuzinho, if you know what I mean. Mas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-670 aligncenter" title="freedom" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/02/freedom1.jpg" alt="freedom" width="411" height="311" /></p>
<p>Existem fases pelas quais todo mundo passa. Tipo as moléres naquela (tão temida pelos homens) de querer um bebêzinho e uma casinha com cerquinha e plantinhas até mais do que possam querer dinheiro ou o próprio homem, e os hombres enquanto lobos teimando em querer comer a chapeuzinho, if you know what I mean. Mas tem aquela que vem SEMPRE, mais cedo ou mais tarde, e se não vem cedo vem tarde, e aí geralmente fica feio por bosta.</p>
<p>Tipos tiozão com carro tunado, regata e óculos espelhado e tiazona com silicone e sutiã de oncinha, ambos agitandinho bacanamente com os amigos dos filhos na balada. Então, na minha cabeça é tudo negada que pulou a tão bela e mágica fase que chamaremos aqui de FREEDOM RUN.</p>
<p>Eu não sou o ser mais vivido cronologicamente falando, mas se tem uma coisa que eu já vi por aí foi essa fase chegar, e nos mais variados casos.</p>
<p>Com 14 eu já não era das mais controladas, mas conheci uma garota que deixava todas as minhas <em>wildices</em> no chinelo. A menina vivia um pouco aqui, um pouco lá, pelas casas de parentes espalhadas pelo Brasil, fazendo o que dava na cabeça, no melhor estilo <em>go with the flow</em>. O cara por quem ela era apaixonada era um hippie chamado Sol que morava na praia, e ela tinha todas pra contar, inclusive sobre sexo, botando medo ou lenha na fogueira pro resto da galera, que ainda estava no ninho.</p>
<p>Só que hoje ela tem um filho e não tem aqueeeela estabilidade, que só acontece com um pouco de raiz e regras, principalmente naquela fase.</p>
<p>Quanto aos tiozões e tiazonas, um motivo comum é tipo fulana que casou cedo e dedicou o tempo e a vida aos filhos e marido, e mesmo assim a coisa falhou, fazendo a moça, já não tão moça, querer experimentar tardiamente os prazeres da vida.</p>
<p>Mas esse exemplo é bem default. Nem precisa ser uma vida, basta dedicar alguns anos a um relacionamento que não funfou como era esperado. O período seguinte sempre vira uma desvairada busca pela liberdade. O famoso &#8220;recuperar o tempo perdido&#8221;.</p>
<p>Eu acho que é uma fase necessária, porque você precisa saber até onde pode e quer ir sozinho, e do que é capaz de fazer, seja cagada pra servir de lição, seja score, e talvez a melhor época seja mesmo ao ingressar na faculdade, mudar de cidade (como a Bottanzinha está fazendo agora), que é quando você vai realmente descobrir quem você é longe de qualquer coisa que já te fizeram acreditar ser. Mas enfim, quem controla o timing, né?</p>
<p>Porque se você já entrou e saiu da faculdade, já mudou de cidade e voltou pra casa, já começou e terminou longos OU insignificantes relacionamentos, tem mais é que fazer aquele favor de levantar essa bunda gorda da cadeira e tentar descobrir outra vez por onde ir, antes de ir procurar o amor no bate papo do UOL, sala 20 a 30.</p>
<p>Já parou pra pensar que se tivesse nascido míseros 20 quilômetros longe de onde nasceu, provavelmente jamais teria encontrado o fulano ou a fulana que talvez ainda estejam te impedindo de seguir?</p>
<p>Sabe a bunda gorda na cadeira? Então, são as <strong>suas </strong>pernas que a sustentam.</p>
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		<title>Libera e joga tudo pro ar</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Feb 2009 03:19:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>
		<category><![CDATA[skarnaval]]></category>

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		<description><![CDATA[
Não é novidade que eu sou durock. Baladinhas alternativas, do rock clássico ao ska punk, cabelos malucos, roupas malucas e aquela vida Cazuza que só os rocknrollas guentam, acabou que nunca fui aquela moça que a vó sempre quer que a gente seja, né.
Porque enquanto a filha da dona Cida estudava bonitinha com os óculos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-661 aligncenter" title="carnaval_mascara" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/02/carnaval_mascara1.jpg" alt="carnaval_mascara" width="300" height="296" /></p>
<p>Não é novidade que eu sou <em>durock</em>. Baladinhas alternativas, do rock clássico ao ska punk, cabelos malucos, roupas malucas e aquela vida Cazuza que só os rocknrollas guentam, acabou que nunca fui aquela moça que a vó sempre quer que a gente seja, né.</p>
<p>Porque enquanto a filha da dona Cida estudava bonitinha com os óculos de armação quadradinha, eu mandava a dona Cida tomar no cu se me olhasse torto, sumia no mundo, jogava cadeira no namorado e em quem quisesse me desviar do caminho da malvadeza, e outras punkices do lado negro de Bottan que eu jamais publicarei.</p>
<p>Durante essa fase, eu aprendi, como todo rebeldezinho, a repudiar qualquer coisa que não fosse <strong>cult </strong>e <strong>rockah</strong>. Eram as clássicas de se esconder num buraco durante o carnaval, não pisar jamais numa pista que tocasse forró, fugir de eventos em família ou frufrus, pra não usar social nem poluir a mente com axé e cia.</p>
<p>Embora lá nas profundezas da minha mente malvada eu soubesse o perigo de coexistir com uma boa batida de axé&#8230;</p>
<p>Eu me remexia. Muito.</p>
<p>Eu continuava achando idiota, mas gostava do ritmo, e sabia muito bem que num passado não tão distante daquela época, havia me divertido horrores zoando as coreografias mais porcas possíveis, do bambolê à manivela. E num belo dia, na primeira <a href="http://www.flickr.com/photos/mbottan/2439336874/in/set-72157607174602249/" target="_blank">festa foda em família</a> onde eu me senti livre pra botar pra foder depois dessa fase, eu fiquei perdidona, e me senti uma besta quadrada por abrir mão de tantos anos de farra saudável, achando que tinha que agradar seja lá quem fosse.</p>
<p>Quantas formaturas com o pezinho batendo debaixo da mesa, tsc, tsc. Mas pra compensar e me manter firme na reabilitação, na última me dei o direito de reproduzir a <a href="http://br.youtube.com/watch?v=zoUEMZnibS8" target="_blank">dancinha </a>de <strong>Um</strong>a e <strong>Travolta </strong>em <strong>Pulp Fiction</strong>. Além de me meter no meio da molecada e dançar até funk. Como me gusta. <img src="http://substantivolatil.com/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif" alt="P" class="wp-smiley" /> </p>
<p>Sem contar que uma das noite mais divertidas do ânus que se foi (esse mereceu o trocadilho), foi dançando forró.</p>
<p>Ver a globeleza globelezando na TV sempre foi deixa pra pensar &#8220;oh, shit&#8221;, e programar a fuga rápida, pra qualquer lugar onde eu não vislumbrasse bundas rebolantes. E mais importante, pra que eu não me juntasse à elas!</p>
<p>E aí que eu venho por meio desta comunicar-lhes que pela primeira vez em, sei lá, 10 anos, eu vou passar o carnaval no carnaval. Até agora, as únicas aleatoriedades que sei sobre o que me espera são: Ilha Comprida e bloco do Pinto. Muita angústia e momentos de tensão por aqui.</p>
<p>Mas não me abandonem. Independente do que vier, nem uma chave de pernas da Ivete me faz perder o <a href="http://br.youtube.com/watch?v=--bOlu5sjHk" target="_blank">Skarnaval</a>.</p>
<p>God bless my eyes.</p>
<p>Ps. E vocês, como encaram o Carnaval?</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p><a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=41999949" target="_blank">Então pegue na minha e balance.</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Presente-mais-que-perfeito</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jan 2009 07:11:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Fala, galerinha, como foi a folia de fim de ano? Peço desculpas pelas teias de aranha, mas cá estou, nem mais alta, nem mais obesa, mas com uns anos a menos pra viver, talvez, depois de tanta maratona de tequila, cerveja e saquê, nessas últimas semanas.
Enfim, antes de começar, eu sei que o tempo verbal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-643 aligncenter" title="past-present-future" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/01/past-present-future1.jpg" alt="" width="309" height="324" /></p>
<p>Fala, galerinha, como foi a folia de fim de ano? Peço desculpas pelas teias de aranha, mas cá estou, nem mais alta, nem mais obesa, mas com uns anos a menos pra viver, talvez, depois de tanta maratona de tequila, cerveja e saquê, nessas últimas semanas.</p>
<p>Enfim, antes de começar, eu sei que o tempo verbal no título <em>non ecziste</em>, foi só um trocadilho amador, já chego lá.</p>
<p>Tudo começou com uma simples passada de olho nas novas regras do nosso bom e velho portuga (mais velho que bom, agora) e fui dar uma espiada em regras antigas, e de uma coisa fui pra qualquer outra coisa que me fez trupicar e dar de fuça num artigo sobre <strong>modo e tempo verbal</strong>.</p>
<p>Em algum lugar entre o futuro do pretérito dos que teriam feito algo, se tivessem colhões ou um pouco mais de vontade e o <em>futuro do presente</em> de muitos que farão até o fim do próximo ano, se não estiverem deveras atarefados, eu me lembrei que não escrevi sobre <strong>resoluções</strong>.</p>
<p>Por coincidência, nesse meio tempo, eu ouvia uma música que me arremessou alguns anos pra trás e somou ao raciocínio que se formava, a idéia de como cheiros e músicas nos fazem lembrar do passado de uma forma distorcida, tanto pra melhor, como pra pior, whatéva.</p>
<p>Meu ponto é: enquanto estamos preocupados com a merda que foi, ou com a glória que vem ou vice-versa, o presente passa batido. Clichê, eu sei. Still, em segundos, uma música me mandou pro nostalgia mode, pensando cá com os meus botões que &#8220;naquela época é que eu era feliz&#8221;.</p>
<p>Só que naquela época eu achava tudo uma grande e bela bosta.</p>
<p>Agora, voltando às resoluções: não as cultivo. Claro que a gente precisa de um otimismo maroto, né garotada, uma base de como seguir, tipo desenhar o traço com o lápis antes de passar o delineador (meninas, fica a dica). Mas aquelas de sempre, de emagrecer, parar de fumar, de beber e deixar de ser frouxa, não mais.</p>
<p>Mas é porque eu adotei esse lance do presente e é tipo: não dá pra prometer a dieta pra segunda com a boca cheia de pipoca, às 23h49 do domingo. COSPE a pipoca e começa JÁ. Se falhar na terça, vai fazer o que, cristão? Se acabar na coca cola até a PRÓXIMA segunda, só pela poesia da coisa?</p>
<p>Fazer o contrário ninguém quer, né? Tipo, &#8220;vou ficar uma semana sem fumar e na segunda compro uma caixa e fumo até o cu fazer bico&#8221;.</p>
<p>Agora é a minha irmã quem tá se mudando pra Sampa, mês que vem. Eu passei um mês mandando ela enfiar a contagem regressiva no toba, porque não queria lembrar que estava perto. De repente eu me toquei que ao invés de perder tempo com raiva por ela ir, eu preciso é pegar a menina e fazer farra TODAVIDA enquanto ela estiver aqui, levar ela comigo pra tudo que é canto, até pro puteiro, se ela quiser.</p>
<p><span style="font-size: x-large;">Brincadeira, mãe!</span></p>
<p>Assim como, quase 5 da manhã, eu posso lamentar o fato de ser uma mula alada e não ter ido dormir 5 horas antes, precisando acordar cedo amanhã pra fazer lição de alemão antes da aula, ou fazer a dita agora e ir dormir com a missão cumprida, independente de precisar engolir uma combinação de energético com pó de guaraná e café pra parar em pé amanhã, correndo sério risco de ter um treco.</p>
<p>Aí eu percebo que já perdi mais dois minutos escrevendo o último parágrafo, e assim a coisa vai, sucessivamente, me levando a questionar se tequila de manhã vai mal. Tipo, agora.</p>
<p>Tschüs!</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>Mancebada, vamos dar uma agitada na <a href="http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=41999949" target="_blank">comunidade do Subs</a> no orkutz!</p>
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		<title>Até mais ouvir</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 03:49:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Dói a alma]]></category>
		<category><![CDATA[fobias]]></category>
		<category><![CDATA[telefone]]></category>

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		<description><![CDATA[
E estava a professora de alemão a me falar, semanas atrás, sobre a expressão auf wiedersehen, o nosso talvez outrora mais falado: até mais ver. Porque pode ser que alguns de vocês ainda até-mais-vereiem as pessoas, mas cá com os meus sou mais de um falou. E seguindo, me mostrou que assim como basear a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-633 aligncenter" title="i-hate-talking-on-the-phone" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/12/i-hate-talking-on-the-phone1.jpg" alt="" width="350" height="302" /></p>
<p>E estava a professora de alemão a me falar, semanas atrás, sobre a expressão <em>auf wiedersehen</em>, o nosso talvez outrora mais falado: até mais ver. Porque pode ser que alguns de vocês ainda até-mais-vereiem as pessoas, mas cá com os meus sou mais de um<em> falou</em>. E seguindo, me mostrou que assim como basear a despedida numa esperança de ver o cujo do dito novamente, lá pras terras alemoas, as conversas ao telefone terminam baseando-se na possibilidade de ouví-lo. Um &#8220;até mais ouvir&#8221;, ou <em>auf wiederhören</em>.</p>
<p>Aí que, depois de negar uma chamada no celular, me pipocou aqui a idéia de que talvez eu nunca use essa expressão.</p>
<p><a href="http://twitter.com/mbottan/status/1046956478" target="_blank">Eu odeio telefone.</a></p>
<p>Não sei explicar quando e como começou. Sei que aos 12 anos eu chegava da escola, preparava um copo gigantesco de leite com achocolatado, enfiava o cartucho no meu Super Nintendo, e passava horas desvendando os segredos do Super Mario World e comentando o último episódio de Pokemon com o meu&#8230; er, primeiro namoradinho, e hoje, eu simplesmente não posso colocar músicas que gosto como ringtone do meu celular, porque pego ódio mortal de todo barulho que me indique que alguém do outro lado da linha espera que eu diga alô.</p>
<p>O meu último namoro começou quando, num impulso, passei o meu número pro amigo dele. Mas eu devo ter feito isso na esperança de encontrá-lo pessoalmente antes que o hombre resolvesse discar o que estava no papelzinho. Não aconteceu. Minha próxima lembrança é a minha mãe parada com o telefone na mão, esticando aquela jeringonça na minha direção, enquanto eu me escondia atrás de uma quina de parede, como se o próprio interlocutor estivesse na mão dela: é&#8230; oi?</p>
<p>Quando eu passo o número do meu celular, eu quero dizer &#8220;me envie sms&#8221;. Se alguém me pergunta quando pode me ligar, eu invento compromissos, ou qualquer coisa que impossibilite a situação. Eu nego chamadas e envio uma mensagem. Cheguei a cogitar fobia social, mas pessoalmente eu sou exageradamente sociável. Principalmente com saquê e morango nas mãos.</p>
<p><strong>O telefone é traçoeiro</strong>. Veja bem, nós temos dois exemplos que deixam a situação mais confortável, ou por esconder ou por mostrar demais.</p>
<p>Face-to-face, você fica desprotegido, tem a desvantagem de não ter muito tempo pra elaborar, pensar no que responder, ou começar uma idéia e desistir dela no meio. Falou tá falado, você pode mudar, mas o outro já ouviu. Porém, mesmo que você fique em silêncio, tem a vantagem de visualizar cada reação, cada sinal de linguagem corporal, podendo identificar rapidamente um <em>tamos aí, baby</em>, ou <em>pediu pra parar, parou</em>.</p>
<p>Com cartas, mensagens ou os nossos queridos <em>instant messengers</em>, podemos começar uma frase, parar, pensar, apagar e reescrever, ou ainda elaborar com mais calma uma idéia antes de passar adiante, pra não ficar dando volta e acabar falando nada com nada.</p>
<p>Mas o telefone mistura a parte ruim disso tudo. O silêncio é incômodo, você não vai ter pra onde olhar, nenhum outro elemento alí vai te indicar como agir. Você não vai saber se está falando e o outro está fazendo cara de saco cheio. E falou, também tá falado. Só tem números, não tem tecla delete.</p>
<p>E tem a tecla mudo. Ai.</p>
<p>Ao lembrar dessa informação, dedico este texto à senhora minha mãe, que na última semana pediu uns minutos pra uma cliente durante a ligação, e quando retornou, depois de chamar algumas vezes pelo nome da fulana, sem obter resposta do outro lado da linha soltou, da forma mais espontânea e cagada possível, com o telefone ainda fora do gancho:</p>
<p>- Ô anta, desligou.</p>
<p>Pergunta se a tal anta havia desligado.</p>
<p>Até mais ler, senhores.</p>
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		<title>Desapego</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 03:43:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Já fazia um tempo que eu andava torcendo o nariz pro meu computador. Grande, gordo e velho, ocupava 80% da minha escrivaninha, entre aquela cabeçona e o corpo barulhento feito um avião, que juntava uma poeira do capeta.
Aí começou a faltar espaço, faltar rapidez, faltar silêncio durante a madrugada, quando eu não queria ser descoberta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/11/letting1.jpg" alt="" width="300" height="314" /></p>
<p>Já fazia um tempo que eu andava torcendo o nariz pro meu computador. Grande, gordo e velho, ocupava 80% da minha escrivaninha, entre aquela cabeçona e o corpo barulhento feito um avião, que juntava uma poeira do capeta.</p>
<p>Aí começou a faltar espaço, faltar rapidez, faltar silêncio durante a madrugada, quando eu não queria ser descoberta por um pai bêbado de sono, possesso com a cria que nunca dorme. E pior, começou a sobrar oportunidade onde eu precisava enfiar aquela tralha numa mochila e levar comigo.</p>
<p>Não fiz isso, né, gente. Fui lá e comprei um notebook. Com o dobro de HD, o dobro de memória, o dobro de velocidade, uns 20% do tamanho, e nenhum barulho. Demoréds. Peguei o bichinho quase ouvindo aquele coro gospel do comercial do cream cheese.</p>
<p>Configurei, instalei programas, testei daqui, de lá, reiniciei, fucei mais, tirei foto, desliguei. Fui tomar banho, e quando voltei, tendo mexido no treco de tudo que era jeito possível, na sétima hora, Mirian viu que aquilo era bom, transferiu os arquivos do monstrengo antigo pro brotinho prateado, e foi dormir.</p>
<p>Não sem antes deletar os arquivos do idoso jamantador. Porque o lance é que eu sou uma maldita de uma hiperativa e curto as coisas aqui, agora e assim, e eu queria tudo limpo alí, um lance assim meio neurótico.</p>
<p>Quem não me viu <a href="http://twitter.com/mbottan/status/1002108978" target="_blank">comentando o fato</a> no <a href="http://twitter.com/mbottan" target="_blank">Twitter</a>, já deve estar soltando um &#8216;que é que vem&#8217;, então, sem mais delongas, na manhã seguinte o note não ligava. Não vou desenrolar o problema aqui, mas fiz o que pude, tentei o que deu, e foi inevitável: perdi TUDO.</p>
<p>Por isso eu não tive forças pra discutir na loja, por isso eu chorei o caminho todo pra casa, por isso eu cheguei em casa, sentei na cama e pensei: &#8220;fudeu, mano. Vou virar hippie.&#8221;</p>
<p>Fotos, textos, logs, lembranças de anos, Gigafuckingbytes de música. Plóf. Ou uma onomatopéia qualquer que represente merda na água. Sblóft cai bem.</p>
<p>Depois de algumas horas de choro, fiquei anestesiada e voltei a raciocinar. <strong>Primeiro</strong> que muitas das coisas eu tenho em CD. <strong>Segundo</strong> que muitas das coisas eu tenho online. <strong>Terceiro</strong>, e mais importante: muitas das coisas, eu não queria mais, e só não havia me desfeito por dó.</p>
<p>Fotos que eu escondi de mim mesma pra não ver, músicas que eu pulava sempre que o shuffle resolvia me lembrar que elas ainda existiam, programas que eu nunca mais ia usar, mas deixava lá porque demorou um século pra baixar, filmes que eu não ia mais ver, mas não ia deletar pelo mesmo motivo dos programas.</p>
<p>Pensando um pouco mais (o processo foi longo), também concluí que eu não sou a pessoa mais adequada pra chorar os dados derramados (Oo). Eu nunca pensei duas vezes antes de digitar um nome na busca do Gmail, selecionar tudo, excluir e limpar lixeira. Rasgar fotos. Queimar coisas (pela poesia do ato, confesso). Destruir diários. Às vezes nem era por mim, mas por outra pessoa ou um outro motivo qualquer, eu logo me desfazia do que poderia me atrapalhar naquele momento. Se um tempo depois, a pessoa ou o motivo não existissem mais, as lembranças não voltariam, mas prazer, inconsequência soy yo.</p>
<p>Ao mesmo tempo, tenho uma caixinha de coisas não-tão-relevantes, que existe há séculos, e de lá, as coisas não saem. Porque não doem, não incomodam, são pedaços aleatórios de fases que me permitem lembrar como eu virei esse meio metro de paçoca escrivinhante.</p>
<p>Eis que logo após o ocorrido, empolgada com o raciocínio da vida hippie e das coisas que eu não preciso mais, peguei uma caixa de fotos velhas e resolvi fazer a busca, selecionar tudo, excluir e limpar a lixeira.</p>
<p>Parei no segundo seguinte.</p>
<p>Eu não sou um novo namorado com ciúme do antigo. Nem um bando de amigos novos de uma galerinha <em>über cool, man</em>, que achariam estranho o meu antigo cabelo vermelho-fogo, e as roupas coloridas. Eu não sou alguém que me admira hoje, e não conseguiria ligar o nome à pessoa quando se trata do período em que a bulimia me estragou legal. Eu não preciso me desfazer de mim. Também não sou um Windows Vista zoado, pra me apagar.</p>
<p>Peguei todas as lembranças, principalmente as frescas e que ainda doem, e coloquei na caixinha. Fechei, lacrei, e escrevi: purgatório.</p>
<p>Em seguida tirei fotos novas. E muito provavelmente, foram as mais lindas que eu já fiz.</p>
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		<title>Aí eu choro</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 19:25:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Uma amiga da minha mãe, que mora nos EUA há 10 anos, tá por aqui. Por aqui mesmo, ali no outro quarto, roubando a cama da paçoca (liga não, Leiloca, a gente te ama!). Daí que, depois de ela contar como o básico pra uma vida decente é garantido por lá, a gente estava discutindo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-602 aligncenter" title="cry" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/11/cry1.jpg" alt="" width="350" height="440" /></p>
<p>Uma amiga da minha mãe, que mora nos EUA há 10 anos, tá por aqui. Por aqui mesmo, ali no outro quarto, roubando a cama da paçoca (liga não, Leiloca, a gente te ama!). Daí que, depois de ela contar como o básico pra uma vida decente é garantido por lá, a gente estava discutindo sobre como aqui no Brasil o negócio é armar um barraco pra fazer valer os seus próprios direitos.</p>
<p>Quando eu era criança, costumava ter vergonha de quando a minha mãe erguia a voz. Eu não entendia por que ela não podia simplesmente esperar, quieta, como todos, sem chamar atenção de todo mundo pra gente (logo eu, que dançava em cima da mesa da professora, mas ok).</p>
<p>Fui entender quando tinha uns 14 anos. Não tínhamos convênio, e aguardávamos na fila do SUS, pra falar com o psiquiatra (eu, Mirian Bottan, 14 anos, bulímica &#8211; dava filme). Esperávamos por volta de duas horas, quando uma senhorinha de uns 70 anos levanta e vai até o atendente perguntar se ia demorar pra chegar a sua vez. O cara simplesmente gritou com ela, mandando sentar e esperar, enquanto a pobrezinha já chorava de dor.</p>
<p>Eu teria repetido sílaba por sílaba tudo o que a minha mãe disse, indignada, praquele pedaço de bosta que era o cara.</p>
<p>Ou uma outra vez, num hospital infantil, onde uma menininha andava pra lá e pra cá com parte do intestino pra fora (!), e quando as enfermeiras disseram que não podiam dar prioridade à menina, pois os outros pacientes poderiam se irritar, ela levantou e perguntou se alguém ali se incomodaria em ceder a vez. Óbvio que não.</p>
<p>Enfim, eu admiro muito quem, como ela, tem essa coragem de cobrar os seus direitos, e até os dos outros. Porque eu, apesar de ter muita força de vontade pra coisa, não aguento pressão. E depois de uns cinco minutos de pose e fala firme, eu geralmente&#8230; choro.</p>
<p>Sério, é patético.</p>
<p>Numa briga, eu começo falando alto e parecendo um poodle raivoso. Se eu não começar a chorar no meio, assim que acaba, eu procuro o canto isolado mais próximo.</p>
<p>Essa semana, comprei um notebook. Fiquei a noite toda configurando o bicho, instalando todos os programinhas e transferindo arquivos. No outro dia, pela manhã, o treco não ligava. Levei de volta pra loja, sangue <em>nozóio</em>, praguejando contra Deus e o mundo, dizendo que não voltava pra casa sem ele. Pois voltei.</p>
<p>No outro dia, quando fui buscar o pepino que deveria estar resolvido, o mesmo discurso: &#8220;Não quero saber, mano!&#8221;. Quando o cara me disse que eu teria que esperar até o outro dia (longa história), eu me preparava pra pular o balcão e estrangular o mancebo, mas não deu tempo, no segundo seguinte tive que respirar fundo pras lágrimas voltarem. Saí correndo da loja e fui chorar no banheiro. Depois no estacionamento. Depois até chegar em casa.</p>
<p>Mas o mais bonito foi no dia da festa do meu aniversário, que aconteceu em sampa. Todos os hotéis estavam lotados por causa da corrida, e eu já estava desistindo, quando surge uma vaga, de última hora, e num hotel meia boca. Fizemos a reserva, eu e a paçoca, e partimos, no sábado à tarde.</p>
<p>Chegando no hotel, de mala e cuia, e empolgadinhas:</p>
<blockquote><p>-Oi moço, a gente tem reserva.</p>
<p>-?</p></blockquote>
<p>Medo.</p>
<blockquote><p>-Não moça, não tem nenhuma reserva nesse nome.</p></blockquote>
<p>Faltava menos de três horas pra festa, e não havia possibilidade de hotel na região. Eu virei um monstro. Eu não queria saber, não ia sair dali até me arrumarem um quarto, porque aquilo era um absurdo, uma falta de respeito, de profissionalismo, blablablablous.</p>
<p>Meia hora nessa, e nada. O tempo passando.</p>
<p>E bla bla bla whiskas sachê, eu vou processar isso aqui, onde está o gerente, e eu não quero saber, e qual é  seu nome, e vai.</p>
<p>E nada.</p>
<p>Eu já estava no meu limite, ok. Desabei a chorar. Expliquei a história pra camareira, pro porteiro, pro atendente, era a minha festa de aniversário, oh, me socorram.</p>
<p>Aí rolou uma comoção. A mulher começou a ligar pra tudo que era hotel, tentando achar vaga. Em vão, eu havia feito aquilo a semana toda.</p>
<p>No fim, acabou surgindo um quarto, de uns africanos que não queriam dormir juntinhos numa cama de casal. Aí pegamos o bicho. Chegando lá, não tinha água. Voltou vinte minutos depois, gelada, trincando. Ao entrar no banho, a Maira soltou três palavras que descreveram perfeitamente a sensação:</p>
<blockquote><p>-AI MINHA ALMA!</p></blockquote>
<p>Conseguimos ir pra festa, voltar e ter um teto, e <strong>uma </strong>cama (dura) pra dormir. No outro dia, pela manhã, encontramos com uma hóspede que havia presenciado o drama na recepção:</p>
<blockquote><p>-Deu tudo certo, não é? Que bom! Porque ontem eu fiquei com dó e acabei saindo daqui e indo procurar um quarto pra vocês.</p>
<p>-Caramba, não precisava! Mas aposto que não encontrou, estava tudo lotado.</p>
<p>-Que é isso menina, precisava sim! E eu até acabei encontrando, mas quando voltei, vocês já haviam subido.</p>
<p>-Encontrou!?</p>
<p>-Sim, no <strong>Ibis</strong>. Mas felizmente já estava tudo certo por aqui.</p></blockquote>
<p>Eu parei, fazendo uma retrospectiva mental da noite anterior. Na verdade eu só precisava lembrar do banho. Fingi uma satisfação, de leve.</p>
<blockquote><p>-Pois é. Felizmente.</p></blockquote>
<p>É, mãe, reivindicar não é pra todos. Eu vou é entrar num curso de teatro.</p>
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		<title>Put it behind you</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2008 03:45:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Nem sempre é revolta, sabe? Nem sempre é recado, nem sempre é experiência, nem sempre é justo que vocês não entendam do que eu estou falando. Mas, às vezes, tudo isso acontece ao mesmo tempo, como no último texto.
Engraçado é que é legal que ele esteja lá, e é lá que ele vai ficar. Porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-571 aligncenter" title="mi" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/10/mi-300x267.jpg" alt="" width="300" height="267" /></p>
<p>Nem sempre é revolta, sabe? Nem sempre é recado, nem sempre é experiência, nem sempre é justo que vocês não entendam do que eu estou falando. Mas, às vezes, tudo isso acontece ao mesmo tempo, como no último texto.</p>
<p>Engraçado é que é legal que ele esteja lá, e é lá que ele vai ficar. Porque algum recado foi passado, de alguma forma, mesmo que não seja o quê e pra quem eu fazia questão. Mais engraçado ainda, é que este texto aqui, logo depois do outro, vai ser bem bonito.</p>
<p>Quando a minha irmã começou a namorar, a gente se distanciou bem. Eu não gostei daquilo, porque ela era a minha pequena, e de repente, não estava mais lá, nunca. Então, durante uma discussão, eu disse pra ela que aquele namoro não ia durar pra sempre, e ela emputeceu level 10, estrelinha. Faz pouco mais de um mês, ela veio me dizer que eu estava certa. O namoro acabou, ninguém morreu, a vida indo.</p>
<p>O que eu queria que ela entendesse naquela época, é que eu não estava dizendo por mal, que não era triste, nem desesperador, nem macumba pra ter a minha irmã de volta. Era só a realidade, e a realidade não é triste, é bonita!</p>
<p>Porque antes disso, eu havia namorado três anos, e acabou. Cada um seguiu a sua vida, as coisas mudaram. Hoje ele tem um filho, e eu, namorei mais uns muitos anos, e acabou outra vez. E exatamente aí, quando não podia, parece que eu mesma esqueci a minha lição. E senti o baque, bem feio.</p>
<p>Seria muito mais prático se as fases da vida fossem como as da lua, que mudam, independente de a gente querer ou não. Eu não gosto da lua minguante, mas de tempos em tempos, ela está lá. E eu tenho a opção de não olhar pro céu se eu quiser, mas aí, eu perderia também as estrelas todas. De qualquer forma, se as nossas fases mudassem por conta, quanta coisa a gente não ia deixar de entender. Eu acho bonito assim, mesmo chorando mais.</p>
<p>Enfim, eu tentei retardar a mudança que estava invadindo a minha vida, eu fechei todas as portas por onde a realidade e a novidade pudessem entrar. E sabe o que acontece quando você faz isso? Não entra nada, nem luz. Às vezes falta ar, também.</p>
<p>Enquanto eu escrevo, tá rolando <strong>Keane</strong>, no repeat:<br />
<em><br />
O tempo corre em um ritmo rápido<br />
É engraçado como é fácil esquecer o rosto dela<br />
Você esconde as rachaduras, os <strong>fatos vão te encontrar</strong><br />
Vire-se e deixe os dias solitários para trás agora</em></p>
<p><em> Todas as coisas que você achava que estavam garantidas<br />
Te atingiram como uma bala na barriga<br />
Você não consegue se levantar<br />
<strong> Mas você vai ao menos tentar?</strong><br />
Porque se você nem ao menos tentar<br />
O tempo vai te deixar pra trás</em></p>
<p>Você não suporta mais aquele trabalho, apesar de ganhar muy bien, e estar lá há trocentos anos. Você não suporta mais o relacionamento que não faz mais bem pra nenhum dos lados, mas está quase noivo. Você descobre que quer a arte, no penúltimo semestre de direito.</p>
<p>E aí?</p>
<p>Mais uma vez, não é triste, apenas &#8220;é&#8221;. Mas às vezes, a única coisa que faz com que a gente encare os fatos, ainda a contragosto, e comece a cogitar a mudança, é o cansaço. Porque cansaço dói, e quando chega a hora que dói demais, também chega a hora onde o mínimo descanso da dor vai te fazer entender tudo, e querer se livrar dela, de vez.</p>
<p>Não adianta eu dizer que você deve tentar, se você mesmo não estiver preparado. Eu ignorei o meu próprio conselho, por não estar. Eu sabia, mas não queria mudar de fase.</p>
<p>Não significa mudar de mundo, de cabelo, de gosto. Mas pode significar até aceitar de volta partes de outras fases que já se foram. Eu criei uma conta nova no <a href="http://www.fotolog.com/missbottan" target="_blank">fotolog</a>, mas mantive a franja.</p>
<p>E a esperança. Só que voltada pro lado certo, dessa vez.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p><a href="http://substantivolatil.com/BFC/BottanFC_fechado2.jpg" target="_blank">E quem vai?</a></p>
<p><a href="http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=41999949" target="_blank">E quem gosta?</a></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Auto Afirmation Tabajara</title>
		<link>http://substantivolatil.com/archives/auto-afirmation-tabajara.php</link>
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		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 18:03:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[E por quê aquele cara que tem uma namorada linda, que ele ama, acaba saindo com outra?
Pulando a óbvia primeira opção (ele não ama), e a improvável segunda (ele se apaixonou perdidamente quando viu a outra ali parada, esquecendo até da fuça da respectiva) vamos pra terceira, essa sim digna de uma divagaçãozinha de leve: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E por quê aquele cara que tem uma namorada linda, que ele ama, acaba saindo com outra?</p>
<p>Pulando a óbvia primeira opção (ele não ama), e a improvável segunda (ele se apaixonou perdidamente quando viu a outra ali parada, esquecendo até da fuça da respectiva) vamos pra terceira, essa sim digna de uma divagaçãozinha de leve: <strong>auto afirmação</strong>.</p>
<p>- Eu sou gato, eu posso, eu vou. Quer ver?</p>
<p>Mas auto afirmação é uma coisa engraçada, porque, ao mesmo tempo que o sujeito se sente mais gostoso e supersônico, provando pra si e pros outros <em>carquécoisa</em>, ele deixa escancarada a falta de confiança em si mesmo. Se o fulano (ou fulana) é bonito e cobiçado, a coisa é óbvia, não precisa de confirmação.</p>
<p>Mas vamos de exemplo mais simples, e mais ridículo.</p>
<p>Planeta Terra, Brasil, <strong>Orkuts</strong>. Enquanto a comunidade &#8220;<a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=2823357" target="_blank">Pelo bom uso do &#8216;literalmente</a>&#8216;&#8221;, que eu não canso de divulgar, tem pouco mais de 8 mil membros, comunidades como &#8220;<a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=1729804" target="_blank">Vc tem peito, + eu tenho BUNDA</a>&#8221; tem mais de 50 mil despeitadas.</p>
<p>Gente, minha avó também tem bunda, mas nem por isso ela declama isso no almoço de domingo.</p>
<p>Aliás, falando em comunidades orkutescas, aquilo sim é um bom território pra analisar a negada auto afirmando tudo até a última ponta. Tipo, a manceba toma um pé na bunda, e no outro dia adiciona &#8220;<strong>Ex bom é ex morto</strong>&#8220;, ou &#8220;<strong>Tô com outro, mais gostoso que você!</strong>&#8220;. Na boa, se estivesse mesmo, ia ter coisa mais importante pra fazer do que fuçar no Orkuts.</p>
<p><img class="size-full wp-image-559 alignright" title="pimp1" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/10/pimp11.jpg" alt="" width="300" height="362" /></p>
<p>Os exemplos que melhor definem o tipo mais baixo de auto afirmação de cada sexo são as <strong>mina-balada</strong> e os <strong>mano-tunado</strong>. Ambos extremamente previsíveis e facilmente indentificáveis.</p>
<p>A mina-balada é a aquela rapariga bela, badalada, que vive sozinha. Obviamente, segundo ela, ficar sozinha é uma opção, porque homem só atrapalha a vida. Se fica com alguém e o dito não liga no dia seguinte, diz que tá de buenas, que &#8220;Deus me livre ficar feito a fulana, com o cicrano pegando no pé!&#8221;.</p>
<p>No meu toba, guria. Todos os exemplos dessa raça que eu pude conhecer melhor, choravam escondidinhas, e admiravam de longe os casais apaixonados com seus apelidinhos e agradinhos.</p>
<p>Eu namorei trezentos anos e três dias, e talvez por causa disso, tenha perdido o treinamento <em>tô nem aí</em>. Se ontem o cara era uma coisa, e hoje nem responde mensagem, eu vou ficar puta, e assumir que comprei gato por lebre. Ou homem por qualquer coisa que não merece a minha admiração. Mas <strong>admito </strong>o incômodo.</p>
<p>Já os mano-tunado tem subdivisões: os <em>acéfalos</em> e os <em>latin lovers</em>. Os acéfalos eu nem faço questão de triturar, porque muitos sequer se dão conta do que tão fazendo. Aí a coisa vai muito além da minha humilde divagação, se envereda pelos caminhos da psicologia, dos lares conturbados, e do pinto pequeno. Como podemos nós discutir a complexidade do caso do cara que sente um prazer quase sexual ao exibir os novos bancos de couro do golfão socado no chão?</p>
<p>Os latin lovers sabem muito bem o que estão fazendo, e a coisa é mais triste quando o cara não é tão mau sujeito assim, mas é altamente influênciável, e vai na onda dos outros latin lovers do bando, exibindo músculos e gostosas como troféus. Podemos também abrir uma brechinha pra ex-namorados e ex-namoradas revolts, que saem pegando geral por vingança e não conseguem se ligar a ninguém, ficando chorandinho em casa feito as mina balada.</p>
<p>E é por essas e outras que eu assino embaixo quando o <a href="http://www.givememyremote.com/remote/fall-preview-the-big-bang-theory/simon-helberg-as-howard-wolowitz-in-the-big-bang-theory/" target="_blank">Wollowitz</a> diz que &#8220;smart is the new sexy&#8221;.</p>
<p>Mas se juntar o smart com um poquito de rock &#8216;n roll, eu não vou reclamar.</p>
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		<title>Upside Down!</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Oct 2008 07:13:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
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Faltando menos de um mês para o meu 22º aniversário, parei, sentei, respirei, e minha mente sagaz começou a produzir uma bela retrospectiva Bottânica.
Não que eu sempre tenha tido uma vidinha normal, insossa e tal, porque eu meio que nasci rock &#8216;n rolleando o mundo, né, fazendo tudo cedo, meio torto, aprendendo as lições por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-539 aligncenter" title="upside_down_house" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/10/upside_down_house1.jpg" alt="" width="399" height="309" /></p>
<p>Faltando menos de um mês para o meu 22º aniversário, parei, sentei, respirei, e minha mente sagaz começou a produzir uma bela retrospectiva Bottânica.</p>
<p>Não que eu sempre tenha tido uma vidinha normal, insossa e tal, porque eu meio que nasci rock &#8216;n rolleando o mundo, né, fazendo tudo cedo, meio torto, aprendendo as lições por meios empíricos sempre, enfiando o dedo no fogo pra ver que queima. E dá-lhe <em>Paraqueimol </em>até parar de arder.</p>
<p>Mas, felizmente, fiz tudo dentro do limite de cagadas necessárias pra me tornar um ser humano de 20 anos equilibrado e possuidor das faculdades mentais e de todos os membros, não me faltando nenhuma orelha sequer. A vidinha acalmou, tudo tranquilo, namoro com planos de casamento, faculdade, uma partezinha da massa proletária que vai ao mercado na quarta, porque é dia de oferta.</p>
<p>Mas aí fiz um blog.</p>
<p>Um blogzinho inocente, um <em>pontocomzinho</em> meio rosa, meio tosco, de nome esquisito, pra escrever tudo que rolava em caderninhos há tanto tempo.</p>
<p>Exatamente um ano depois, saí num encarte da Playboy e me mudei pra capital. Né.</p>
<p>De repente, não tinha mais namorado, muito menos planos de casamento, da faculdadezinha de jornalismo interiorana pra selva selvagem da publicidade na cidade enorme, com números e tendências, e veneno, e aluguel, e falta de tempo, muito blog, muito blogueiro, muito bar, quilos a mais, oitavo andar com vista ampla e solitária, aprendendo a não precisar dos outros, descobrindo que todo mundo precisa de alguém, descobrindo que menos é mais, descobrindo que <strong>PUTAQUEOPARIU, que que eu tô fazendo aqui, cadê a minha vida!?</strong></p>
<p>E quando eu disse em voz alta, um amigo me respondeu: &#8220;ei, ESSA É a sua vida&#8221;. Né.²</p>
<p>Como eu não estava contente com aquilo, juntei a tralha toda em um dia e vazei de volta pro meu aconchego. Pra recuperar o fôlego, a paz de espírito, o tempo, e me livrar dos quilos, do aluguel, e da solidão.</p>
<p>Mission accomplished, zero meia, caveira. Mas pra quem acha que nessa parte é que eu digo que recuperei os planos de casamento e voltei pra faculdadezinha interiorana, eu dou um um duplo mortal carpado na fuça e digo que há dois dias eu fotografei pra uma marca famosa e conheci um ator da <em>Grobo</em>. Há!</p>
<p>- <em>Vai fazer a goshhtosa pra cima dinói, então?</em></p>
<p>Nem, leitor amigo. Só estava aqui matutando que todas as loucuras que eu já fiz na minha vidinha, ainda iam me levando pra vida dos meus pais (nada contra ela, pais, aqui estou eu, o seu <span style="text-decoration: line-through;">menor</span> melhor legado, que vai comprar uma casa na praia e um jatinho pra vosmecês <span style="text-decoration: line-through;">NOT</span>). E com a coisa mais (inicialmente) insignificante, um passatempo, a minha vida virou de cabeça pra baixo, descobri quem vai estar sempre lá, me livrei de coisas e pessoas que eu pensava serem garantidas e eternas, cresci, descobri <em>quemsô</em>, <em>oncotô</em> e <em>doncovim</em>.</p>
<p>Agora me resta saber <em>proncovô</em>.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>Observações gerais:</p>
<p>1 &#8211; Já deu pra ter uma noção da pilha que eu tô, e por que aindei sumida?</p>
<p>2 &#8211; Não, eu não posso dar mais detalhes ainda.</p>
<p>3 &#8211; Façam pressão, entrem na <a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=41999949" target="_blank">comunidade do Subs</a> e me enviem pautas!</p>
<p>4 &#8211; Meu aniversário é dia 05/11.  CINCO DO ONZE, TÁ?</p>
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