15
Apr
  Sobre o Tempo

Como eu não consegui comprimir a maldita música, carreguem o vídeo abaixo antes, pra ler com trilha sonora. E abaixa um pouco o diacho do volume, pra não ensurdecer.

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Haja hoje pra tanto ontem, já disseram Leminski e seu bigode bizarro. E foi a primeira coisa que me ocorreu quando li no meu scrapbook a seguinte mensagem, depois de mandar um meadd, no Orkut, pra uma menina que estudou comigo há mais ou menos quatro anos:

Oi, me desculpa, mas eu te conheço?!

Cumassim!? A mesma rapariga, uns dois anos mais nova, me adicionava toda vez que eu deletava e criava outro perfil, diacho! De repente, a menina não lembra mais de mim. Mas eu sabia o porquê. Minha resposta foi:

Eu tinha um cabelo vermelho bizarro e usava uma mochila gigantesca do urso Pooh. Lembrou?

Poisé. Eu tinha o cabelo da cor do tomate mais maduro do mundo e usava mochilas de acrilico e/ou pelúcia. Também usava blusas com estampa de quadrinhos e saias pregadas de todas as cores existentes. Antes disso, eu usei coisas de skatistas e tentei fumar porque achava bonito. Felizmente, eu odiava mais.

Depois de ser ruiva, loira e morena, já nem sei de que cor o meu cabelo é. Também já coloquei piercing no supercílio e no meio dos zóio. E também já pesei 10kg a menos, com a mesma altura.

Eu mudei tanto, que as pessoas que me viam há quatro anos não me reconhecem mais. E de repente eu me dei conta do quanto a minha barrinha de inocência diminuiu em tão pouco tempo.

Com 12 anos eu chorei de alagar o quarto por gente que nem sabia dos meus sentimentos, depois chorei por gente que sabia e não dava a mínima. Com 14, achei que estava amando e que ia ficar com o dito pra sempre. E acabou. Aí achei que ia ficar solteira pra sempre. Então conheci alguém que amei de verdade e por muito mais tempo.

Fiz coisas que pareciam certas, depois se mostraram erradas, depois se mostraram meios errados para um final (quase) certo. O que não significa que não doa. E que eu não sonhe todos os dias com como as coisas poderiam ter sido diferentes. Mais que isso, não significa que eu não sonhe em ainda repará-las, um dia.

Dei importância pra pessoas que me levaram pra tomar sorvete, quando o que me deixava forte era a minha avó me entupindo de chuchu. Se fosse pelos sorvetes, eu só teria cáries. E hoje, além de tudo, eu sei cozinhar o chuchu pra futuramente entupir os meus filhos, mesmo contra a vontade deles. E eu o farei.

Tenho uma lista de pessoas pra pedir perdão. E também o farei, pois uma das coisas que o tempo transforma, e muito bem, é a vergonha idiota de chorar e se desculpar. Também só hoje eu entendo porque o meu pai me bateu quando eu queimei a secretária eletrônica (nooossa) novinha que ele acabara de comprar. E eu só sei disso porque ainda não consegui comprar o meu próprio telefone.

Finalmente eu parei de querer farra atrás de farra por medo de ficar sozinha. Eu sou a minha melhor companhia. Apesar de não conseguir me livrar de uma relação quase carnal com o aparelho de DVD. Que só não chega a ser por culpa do controle remoto.

Tá, foi péssima.

Enfim, toda essa fanfarronice, é pra dizer pra você que: tomou um pé na bunda, fez cagada e machucou alguém, tratou mal quem não merecia, deu valor às coisas erradas e perdeu muita coisa por causa disso, que você está exatamente onde deveria estar, e vai ter que chorar pelo que perdeu. Mas, mesmo que leve alguns anos e muitos capotes, você vai aprender, e um belo dia, sem mais nem menos, vai se sentir feliz de verdade, onde, com quem e como estiver.

Melhor ainda se você tiver apenas 21 anos, e uma vida inteira pela frente.

And that’s what you get when you let your heart win.







10
Apr
  Revendo Conceitos

Meu nariz torceu 360 graus quando eu peguei nas mãos o livro “Uma vida inventada“,  pra ler e dar uma palavrinha sobre.  O que diabos eu ia querer com a biografia da Maitê Proença? Botei na mesa e ficou alí, com os depois-eu-vejo-faço-arrumo-termino.

Eis que, na mesma tarde, como que propositalmente, meu computador na agência resolveu ter um piriri. Faltou bater o pézinho: “Não ligo, não ligo e não ligo! Boba!”

Botei o bicho pra consertar e fiquei no aguardo. Olhei pro lado, e a Maitê me esperando. Peguei, com aquela má vontade de doméstica que trabalha há 30 anos na mesma casa, sabe? Não? Bom pra você.

Depois de devorar 50 páginas num tapa, Fiquei com vergonha. Eu tinha feito com ela exatamente o que eu mesma detesto que façam comigo:

- Pô, você é bonitinha e AINDA POR CIMA manda bem nos textos! LOL

E fiquei matutando a história. Porque diabos a gente tem mania de querer diminuir algum aspecto do outro, quando um em especial se destaca? É o velho papo do nerd feio e tosco, da gostosona burra, ou da modelo tapada.

Na verdade, desde criança você se acostuma com o fato de os malvados serem feios, e as mocinhas lindas e inocentes.

Mas enquanto a bruxa é capaz de inventar toda uma estratégia maléfica pra acabar com as donzelas, as antas não conseguem sequer notar o perigo. Branca de Neve vai que vai na maçã oferecida por uma velha mendiga toda torta, e Bela Adormecida enfia o dedo na agulha na maior fanfarronice. Lôra, linda e burra. Bah.

O livro da Maitê é ótimo. Bem escrito, interessante, engraçado e profundo. Assim como a história de vida dela, que me surpreendeu. Mais uma vez como acontece comigo, por exemplo, ao falar da época em que sofria de bulimia:

– Nossa, sério!? Mas você!? Nem dá pra imaginar.

E se eu tivesse uma verruga na ponta do nariz, daria?

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Pra terminar, uma promoção relâmpago, pra quem ficou curioso: tenho um exemplar do livro,  pra presentear um leitor ou uma leitora aqui do Subs. Eu mesma peguei a maldita fila de uma hora e meia pra conseguir um autógrafo no bichinho, como vocês podem ver nas fotos abaixo (clique para ampliar):

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Pra ganhar, basta completar, nos comentários mesmo,  o trecho que eu vou transcrever aqui. A continuação mais criativa leva!

A frente da casa estava impressionantemente igual. Estranho, pensou a menina. Como é que a vida podia ter virado do avesso, e justamente naquela casa, onde tudo havia acontecido, nada ter se alterado? Permanecia solidamente em pé, como se fosse um lugar seguro, como se tivesse esse direito depois de ter deixado que tudo se desarrumasse na existência de seus moradores. Casa de merda. Servira de palco para “aquilo” e agora estava alí, impávida, invulnerável.

Boa sorte! )







26
Mar
  Turistando e rodando em SP – Parte 8325453

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Dessa vez, por Maira Bottan

Estudo na ETec Polivalente de Americana e na grade escolar temos uma matéria chamada PROJETO. Portanto, é obrigatório apresentar um projeto, sendo esse de qualquer merda.

Funfa assim: um grupo de no máximo 5 alunos, um tema qualquer que agrade a todos e um saco vazio pra estar cheio no final do ano.

Disso, saiu o projeto "Uma mistura explosiva?", sobre a mistura de refrigerante de cola light e bala m. Ou Mentos e Coca-cola Light. Como você preferir, não a Coca.

Já que tínhamos lutado o ano inteiro e já que estávamos com o troço em mãos (eita), nos inscrevemos para a FEBRACE (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia), que rola na USP. E não é que foram gente fina e nos enfiaram no meio da paçoca?!    

Então semana passada, fizemos nossas malas, pegamos o único professor que nos apoiou e fomos embora lavar os pés vermeios na garoa da Capitar!

E por falar em garoa… pegamos foi uma baita chuvinha lazarêtcha! Agora perguntem pra anta que vos fala: mas você levou roupa de frio e guarda-chuva, não é mesmo? é São Paulo! E a anta que vos fala responde: Não.

O resultado da falta de roupa foi um empréstimo muito dos grandes. Coitada da minha colega de quarto. Só faltou pegar as meias da manceba.

Mas o guarda chuva? Não tinha guarda-chuva. E aí que:

Mulher é mulher, cabelo de mulher é cabelo de mulher. De que me adiantava ter um secador no meu quarto se 5 minutos na rua destruiria todo o meu trabalho?!  Então veio a brilhante idéia de uma cabeça de girico: O hotel colocava todos os dias no nosso banheiro toucas de banho…

Ohhh yeah baby! Cinco meninas de toucas de banho andando pela Paulista.

Problema de roupa e cabelo resolvido, veio o próximo: o ônibus pra USP saía às 9h30, e a feira era às 13h30! Ninguém quis ficar esse tempo todo boiando por lá e decidimos pegar um táxi.

A idéia era ótima, porém a USP era longe, ia ficar caro e estávamos em 13 pessoas.

Mas poxa, a idéia era ótima! Então alugamos uma Zafira, onde couberam as 13 pessoas, mais o motorista!

E como diabos fomos? Três (contando o motorista) na frente – um deles quase sentando no câmbio, hohoho – cinco atrás e…e.. seis pessoas no porta malas! E os menores sempre se fodem! Eu, como sou portátil feito o Bulbassauro, fui um deles. Mas pra quem dormiu numa trilha de jipe, dormir num porta-malas lotado não é nada de mais. Sim, eu dormi.

E pra voltar da feira era uma desgraça. O ônibus parava muito longe! A única coisa que nos consolava era saber que no primeiro dia havíamos feito um caminho bem maior (era impossível achar a merda do hotel) e com malas na mão.

"Mas essa viagem foi uma merda?"

Não, pois tivemos a honra de viajar com um professor que é um amigão! Bord, obrigada por nos apoiar, nos levar pra tudo quanto é canto possível em Sumpaulo e, principalmente, por ter contado os podres dos outros professores. Foi como abrir um novo horizonte. Pois mesmo quando eu estiver tomando bronca deles, sempre surgirá um sorrisinho maldoso no meu rosto.

Táxi – 70,00
Diária do hotel – 60,00
Descobrir que os professores que mais falaram merda de você o ano inteiro foram hippongos em TODOS os sentidos: NÃO TEM PRE-ÇO!

[Nota da Bottan 1: tendo estudado no mesmo colégio, também fiquei muito satisfeita ao saber que aquela maldita de História não tomava banho. Resta saber como usar essa informação.]







13
Mar
  Literalmente literal

ChutandoBalde_Final

Realiza:

A classe conversa alto e ri descontroladamente. Aquela zona maldita de primeiro ano do ensino médio. Eis que o professor de matemática mais temido num raio de 900km, um bigodudo encanado, chega.

Ele pára, olha em volta, a classe engole os gritos, temendo pela vida. O professor caminha até a própria mesa, abaixa, procurando algo. Ao levantar, tem o algo nas mãos: um balde.

Caminha tranquilamente até o meio da sala de aula, colocando o balde no chão. Dá uns passinhos de ré. De repente, engata a primeira, e após uma corridinha, mete um chutão no balde.

Foi a porcaria de cena que uma acéfala me fez imaginar quando parou atrás de mim na fila da cantina e disse: "Nossa, hoje a classe estava fazendo tanta bagunça, que o Mauro chutou o balde, literalmente!"

Porque, às vezes, é necessário fazer bonito, bem. E depois de mandar a bela palavra que enfeitou feito cereja a sua frase, o sujeito empina o nariz e suspira, com aquele ar de missão cumprida. Sem saber a merda que acabou de falar.

Fiquei (figurativamente) chocada, ao checar o assunto uébafora:

Sendo mais que breve, afinal os vossos sacos, tanto figurativamente quanto literalmente, já devem estar para lá de Badgá.

Só espero que o infeliz esteja ainda ligado ao dito, apenas numa viagem a negócios, ou algo que o valha.

O mundo está literalmente perdido.

Também, nesse universo tão grande, com essas estrelas atrapalhando a visão, pô.

O fato de poder navegar em literalmente qualquer lugar, e melhor ainda, com uma conexão estável, não tem preço.

Não mesmo. Na Paulista, por exemplo, já pensou? E nem precisa navio, só uma lanchinha já bastava.

As três próximas, inacreditavelmente, estão no mesmo texto:

Terminei a prova, literalmente voando.

Ao menos conseguiu entregar, antes de sair pela janela?

Então fui checar a fila, que literalmente dobrava quarteirões.

Putaquepariu, então eu perdi a porra da passeata de mutantes do Smallville?

Terminou o show e saí literalmente MORTO (…)

Devia ter escutado a tua mãe quando ela disse que ficar no meio da muvuca era perigoso. E viva a psicografia, que nos permite bater um papo contigo depois do ocorrido, né, mancebo?

Agora eu quero ver o texto com o maior número de comentários da história. Está oficialmente ( e figurativamente²) lançada a campanha "Pelo bom uso do literalmente" (sim, como no Orkut – e eu participo dessa comunidade desde SEMPRE). Postem a pérola mais maldita envolvendo o pobre literalmente que seus ouvidinhos já puderam presenciar, seguidas de um adjetivo criativo (ou não) para a ameba azul do mato que a proferiu.

Vamos salvar o português do assassinato. E terminar com um literalmente aqui seria emocionante, mas errado.







7
Mar
  Orgulho Amélia

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Quando criança, eu era fascinada por todo e qualquer tipo de adultice. Dirigir, trabalhar, fumar, fazer compras, tudo me parecia tããão chique. E as minhas melhores histórias foram motivadas por essa mente precoce.

Eu tinha um aterrorizante costume por volta dos 4 anos de idade: fugir. Aterrorizante pro coitado que estivesse incumbido de vigiar a minha minúscula pessoa, pois pra mim, era só aventura. Eu corria desembestada portões afora, rumo à liberdade que ia me permitir fazer tudo aquilo que eu achava emocionante. Numa das fugas, me encontraram no mercadinho da rua de cima, com uma  cestinha em mãos. Bolachas, chocolate, e mini absorventes íntimos. Porque aqueles eram do meu tamanho.

Enfim, no meio das coisas admiradas estavam – óbvio – os afazeres domésticos. Aiminhanossa, QUE legal era aquilo! Cozinhar, lavar louça, lavar roupa! Aiaiai Yukito!

E nessa admiração louca e selvagem, eu vivia querendo ajudar. Mas só me deixavam tirar o pó das coisas, fato que me deixava assaz emputecida.

Um dia eu decidi lavar a louça. Dane-se. Estava sozinha em casa, iam chegar e me admirar eternamente. Peguei um banco, subi (uia), e fui me completar como mulher. Aos 6 anos. Olhei pro lado e lá estava ele, a bela louça branca reluzindo, meu amigo das horas de desespero: o filtro d’água (vaso sanitário em cima da pia NÃO). Então tive uma idéia que ia enaltecer homericamente a minha pessoa perante todos e para todo o sempre: botar água no troço.

O que eu consegui foi derrubar aquela porra de cima da pia. Espatifou no chão, e eu chorei sozinha por meia hora antes de criar coragem de ligar pra minha mãe. Patético.

Enfim, alguns anos mais tarde, eu me lembrava dessas coisas com um ódio mortal enquanto limpava o banheiro sob ameaça de não sair no final de semana caso o serviço estivesse malfeito. E durante muito tempo, uma palavra era sinônimo de terror, pra mim: faxina. Nessa época, eu até perdi o gosto pela sexta-feira. Virou um dia amaldiçoado.

E quando saí do estúdio onde trabalhava pra ficar um ano em casa cuidando deste querido blog, que ainda usava fraldas, passei a cozinhar para a minha família. Virei a Amélia oficial do meu lar interiorano. Uma diarista não remunerada. Mais ódio. Ódio com azeite e Sazon.

O que eu não podia adivinhar é que todo esse ódio ia valer a pena quando eu tivesse que cuidar sozinha do meu próprio traseiro. Os próximos parágrafos são dedicados à senhora minha mãe:

Mãe, muito obrigada por através de muito trabalho escravo me transformar num às das panelas e dos afazeres domésticos. Graças à você, eu sou uma dona de casa foda e uma cozinheira mais foda ainda. Valeu mesmo! D

Mas não posso esperar pra te ver lavando talheres na MINHA pia.