Buenos Aires, Malos Xavecos

Dois meses em Buenos Aires e AGORA eu me sinto a vontade pra começar a falar sobre como é estar aqui. E começamos pela parte que é mais interessante: baladas, festas e paqueras. (ui)

Vou ser bem sincera: eu não achei que teria tanta mudança cultural… E o problema está justamente nisso. De tanto achar que não tem mudança cultural, tá difícil entendê-las.

Aí acontecem coisas como andam acontecendo nos bares, onde as minhas cantadas vão de mal a pior.

Primeiramente, gostaria muito, MUITO de entender por que DIABOS os argentinos pedem o telefone igual, sei lá, um monte de carpa pedindo migalha de pão em rio raso. Sério.

Os caras chegam, falam 5 minutos comigo na balada e pedem o telefone.

Mas isso não é o pior, o pior é que eu já sei a sequência de frase que vem, manja?
– Ahhh então você é do Brasil? FALA BRASILEIRO? [não sei pq eles acham que no Brasil a gente fala brasileiro, mas okay, você é gato, eu deixo ser um pouquinho tapado.]

Na sequência, vem a frase:
– Posso ser seu guia! Buenos Aires é beeem grande, certamente tem lugares que você não conhece.
E, por fim:
– Me passa seu telefone! Aí a gente combina esse tour ou sai pra tomar um café.

Então, eu comecei a achar que os argentinos vão pra balada pra catalogar telefone. Devem marcar meu telefone como “Maira A Brasileira Vem Sambar Aqui Ó”.

Respondendo na mesma moeda, eu comecei a catalogar os caras.
So far, temos essa agenda:

“Jennifer Aniston”, querido argentino piegas que me manda foto no Whatsapp abraçando um filhote de cachorro e pedindo pra eu ~dar um nome~ pro ~bebê~, que me manda mensagem de bom dia e que diz amar filmes românticos.

“Sidney Magal”, o moço bonito e de olhar sedutor, que nasceu num povoado de 5 mil pessoas e mudou pra Buenos Aires há alguns anos mas vive uma vida cigana e me chamou pra um café 6 da manhã depois da balada. E eu fui, porque topei achando que era blefe.

“Sem Pegada”, o lindo tudibom com profissão exótica, por assim dizer, que luta e dança tango mas que é tão delicado que chego a pensar que esse Ken é Barbie.

“No Paul”, o cara que eu puxei conversa perguntando o que achava do presidente do Uruguay e que, ainda assim, me manda mensagens convidando pra jantar, sair, dançar, tomar café, passear, maaas que não tem facebook, logo, não tem fotografia na internet e que me deixa com uma leve lembrança de que ele não parecia o Paul McCartney, o que reduz a minha atração por ele.

“Ariel-por-que-não?”, aaaah o Ariel. Rapaz rápido, lindo, que só me disse “Anota meu telefone aí e me liga pra gente sair pra tomar um café.” e foi embora. (se eu tomasse todos os cafés que esses argentinos me convidam, teria insônia por 5 anos). Eu nem conversei com ele, mas era bonito e foi direto. Marquei como “Por que não?” porque vai que bate a solidão, né?

“O Mecânico do Desperate Housewives”, mecânico lindo, louro, sarado e sedutor cujo cinto da calça jeans abriu enquanto dançava cumbia comigo e ficou todo sem graça e me disse “Espero que alguma vez isso tenha acontecido com você no Brasil”. Tadinho. Felizmente pra mim e infelizmente pra ele, nunca tinha acontecido.

E, por fim, temos o:
“Não Responder”, o maluco que pegou meu telefone com a amiga boliviana bacana que estava passando uma noite em Buenos Aires e ia pra São Paulo no outro dia trabalhar como tatuadora na Galeria do Rock porque estava fugindo do marido louco que batia nela. Ou seja…

Observação: todos dançam cumbia, aparentemente.
Observação 2: seguindo a lógica, fui a um bar de cumbia me enturmar e me passaram a mão na bunda.
Observação 3: se eu fosse homem, terminaria a observação anterior como a música dos Mamonas mesmo. Sim, eu sei que vocês pensaram nisso.

17 comentários em “Buenos Aires, Malos Xavecos

  1. Gabriel

    Ah Ah… muito bom isso! Peguei o link pelo marketing twitteiro da sua perfeita gata irma. Que familia hein nuss. Se tivesse na Argentina te perguntaria se fala Argentino e chamava pra tomar uma Coca… so pra variar, Bjo linda…

  2. Miguel Jacoput

    Sério, vi o post do texto no face e resolvi dar uma lida. Não me arrependi nem um pouco e ri demais, me lembrou o namorado argentino que a Robin arruma em How I Met Your Mother. Só que ele é basicamente tudo isso junto. ahsuashsauhas

  3. Diego

    Texto novo. Eba! O Subs tá vivo! \o/
    Li mentalmente “me passaram a mão na bunda” com a voz do Dinho.
    E tô começando a achar que é negócio abrir um café em Buenos Aires.

  4. Silvia

    Coincidência… tô morando em Bs As há um mês e meio! Vc só esqueceu de dizer que todo argentino, ao descobrir que somos brasileiras, dizem: êú falú portugués! Tbm é importante lembrar que eles sempre acham que sambamos como a Globeleza. Como se todo argentino tbm soubesse bailar tango…

  5. Maira

    @Gabriel: hahahaha! Ligeiro. Nem vem, uma stalkeadinha de leve pra saber com quem vamos sair é sempre justa.

    @Miguel Jacoput: Pô, não assisti… termina bem, pelo menos? hahahaha.

    @Silvia: hahaha verdade!! êú falú un poquinio! hahahaha! Pô, vamos conversar, trocar experiências! hahaha! =D

    @Baioneis: VIRGE. hahahaha!

  6. Eduardo

    Muito bom seu post !! parabéns !!
    Aproveitando.. (kkkk) manda uma dica boa de saída (solteiro) para uma 6 feira ai em BsAs (vou em Ushuaia e passar um fds aí)

  7. thaianmoraes

    hahaha o texto de vcs é mt bom! como nao tem comentarios aqui? quando eu fui pra Buenos Aires, não gostei das mulheres lá, achei bem ruins de conversa.

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