Essa semana, passei por uma experiência kinda traumática. Fui lá fazer aquilo que as empresas fazem de má-vontade e a gente faz com o cu na mão: entrevista de emprego.
Pra começar, estou eu toda trabalhada no preparo emocional, e aí… os corno me mandam voltar dali dois dias.
Dois dias depois, saio toda feliz, andando de mãos dadas com a esperança de um salário nessa vida de merda. Ando uma eternidade para chegar ao metrô, carrego bilhete único, saio do metrô para pegar o ônibus e… perco a desgraça (do ônibus, nunca a minha). Fico ali meia hora com o coração palpitando, xilique nas pernas, achando que ia perder a porra do horário. Garrei na esperança que tava querendo me largar.
Chega o ômbus. Me arrumo ali, naquela lata de sardinha, sem nem segurar, porque o povo vai tão junto que não tem nem espaço pra cair. Todo mundo tipo joão bobo. Eis que (óbvio), no meio do percurso, um barulho MUITO ALTO no ônibus indica que alguma coisa que fazia parte do ônibus agora não faz mais. Motorista anda mais umas 3 quadras e encosta. E vem o anúncio: “A bolsa caiu.”
Bolsa? Que porra de bolsa é essa? Porra, cobrador, deixou cair a bolsa com a marmita?!
Bolsa de ar. Aparentemente, aquilo que não deixa o ônibus ficar rebaixado quando tem uma cacetada de jão dentro. O que, né, era nosso caso.
Todo mundo pra fora.
Detalhe: eu não sei me virar em São Paulo sem o site da SPTrans e o Google Maps. Não sei chegar em lugar nenhum sem ver percurso, numeração da linha etc. Afinal, São Paulo não é Americana, onde QUALQUER ônibus que você pega, até os interurbanos, passa pelo terminal, de onde, obviamente, sai também qualquer outro ônibus.
Aí ficou lá a caipira, enfiando a cabeça pra dentro de qualquer ônibus e perguntando se passava na rua tal, até que descobriu um que “passava ali perto”.
Finalmente, meu destino. Entro, pego um lugarzinho. Espero ser chamada.
Pensem comigo: o que pode ser uma entrevista para “assistente de professora de artes”? Na minha cabeça, nada mais que algumas perguntas bobas tipo “O que você acha de arte-educação?”, “Qual foi a última exposição de artes que você visitou?” e tal. Já tinha passado por isso, tava baba. Nas tranqulidade, sento, espero uns 5 minutos enquanto a atendente, com um fone de ouvido, fala com alguém de outro setor e ri. Então ela começa o conversê:
“Bom, Maira… Você vai fazer uma redação e uma prova e…”
O QUÊ?! REDAÇÃO? PROVA? QUE PORRA É ESSA? EU TÔ PRESTANDO VESTIBULAR OU TENTANDO UM EMPREGO?!
Mas escolha é que eu não tinha, fiz a redação e fui pra prova. Ah, a prova.
Imaginem uma matéria que você aprendeu, sei lá, na quarta ou quinta série, e que nunca mais, e com certeza absoluta, NUNCA MAIS usou. Era o caso. A “matéria”? Não riam dessa pobre burrica: Excel.
Agora, PRA QUÊ DIABOS uma ASSISTENTE DE SALA da PROFESSORA DE ARTES precisa mandar muito no EXCEL?!
Claro que eu não sabia fazer NADA. Num ato de desespero… abri a ajuda. E li. Li até me convencer de que não sabia que porra era “matriz” e “k” na fórmula de percentual. Como sou brasileira, ainda fiquei sentada lá uma hora até entender que.. é, eu não sabia nada.
Finalmente, a entrevista de verdade verdadeira. Uma mulher muito mal-comida que nem olhava pra minha cara, muito menos anotava o que eu dizia. Sabe quando você tem uma frasezinha básica que geralmente ganha os entrevistadores? Então… A minha é “Essa experiência seriam bem interessante porque pretendo lecionar e…” e nessa hora, sempre fazem uma cara SUPER FELIZ e é win. Sempre. (Pra constar: eu pretendo mesmo lecionar. Não é mentira pra entrevistador!)
De qualquer forma, minha frase-chave não funcionou. A mulher nem levantou uma sobrancelha. Nada. Nesse momento eu tive a certeza absoluta de que tinha me fodido. E, como dizem por aí, tá no inferno, abraça o capeta. Então, eu fiz o que me restava: desandei a mentir. Disse que já tinha experiência em escolas, em vários cursos. Menti tanto que esqueci de contar que tive experiência (de verdade) com crianças em ateliê, no meu antigo emprego. É nóis.
Legal é que uns dias antes da entrevista, um amigo me disse que tinha se fodido numa entrevista por não saber Excel. Aí fui contar minha experiência a ele, e, como o mundo é mesmo uma ervilha, a vaga que eu não tive a capacidade excelística de conseguir era a mesma dele.
Mas é isso aí, amigos são pra essas coisas… rir, chorar, se foder no Excel.
Agora quero ficar um tempinho sem fazer uma entrevista. Vou primeiro aprender mecânica, elétrica, marcenaria e culinária. Porque, seguindo a (falta de) lógica, vai que eu precise, pra ser estagiária num museu. Né?










