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	<title>Substantivolátil &#187; Crônicas</title>
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	<description>O primeiro rascunho de qualquer texto é uma m#$&#38;@.</description>
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		<title>Muito do que não basta</title>
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		<pubDate>Mon, 24 May 2010 18:17:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Lá pro tempo da minha avó (ou da infância dos meus pais), a despesa da casa era feita em armazéns. Um balcão, um tio atrás do balcão. Não eram muitos os tios, nem os balcões, nem as opções.

Exatamente por isso, pra crescer, tinha que ser de outro jeito.

Vieram os PEGUE E PAGUE, onde o cliente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Lá pro tempo da minha avó (ou da infância dos meus pais), a despesa da casa era feita em armazéns. Um balcão, um tio atrás do balcão. Não eram muitos os tios, nem os balcões, nem as opções.</div>
<p></p>
<div>Exatamente por isso, pra crescer, tinha que ser de outro jeito.</div>
<p>
Vieram os PEGUE E PAGUE, onde o cliente entrava e pegava o que quisesse, botava na cestinha e passava pelo caixa. Agregamento de ítens HORTIFRUTIGRANJEIROS, carnes, pães e lacticínios, crescimento exponencial da variedade de marcas e produtos.</p>
<div>Hoje, o foco é suprir todas as necessidades que o cara possa ter, no mesmo espaço físico.  Eletrodomésticos, roupas, remédios, eletrônicos e serviços. Dá pra abastecer o carro, tomar um café, pagar contas, colocar crédito no celular, revelar fotos, fazer amigos e dançar a conga. 24 horas por dia.</div>
<p></p>
<div>Eu lembro de uma infância num esquema armazém do tio.</div>
<div>Eu tinha uma professora, eu tinha uma turma onde ninguém era ruim. Eu tinha umas poucas vontades. Queria gibis, roupas roxas, um macacão e repicar o cabelo. Sabia desde janeiro o que pedir no natal.</div>
<p></p>
<div>E tinha mais PAIXÃO. O peito doía de alegria com as férias na casa das primas, com a semana na praia, com o oi do Renan, com o domingo no clube, com o pacote de Passatempo, a bolacha mais gostosa do universo. Nada era ruim por muito tempo. Assim que o choro secava, já tava tudo bem.</div>
<p></p>
<div>O tempo e as surras vão laceando as emoções, ao mesmo tempo que a gente sofre mais. Uma roupa nova já não tem tanto valor no fim do dia, um sentimento novo já não tem tanto valor no fim da noite. A gente já não sabe qual é a melhor bolacha, já não sabe qual pacote de feijão comprar, tem coisa demais no supermercado, tem gente demais na vida da gente.</div>
<p></p>
<div>Eu ando quilômetros com o carrinho e não levo nada. Eu não gosto mais das coisas que eu gostava e o problema de experimentar uma daquelas que a gente nunca pensa em pegar porque é muito caro, é que a gente tem mania de viciar no que não dá pra ter sempre que a gente quer.</div>
<p></p>
<div>Eu andei perguntando pras pessoas se elas são felizes e ninguém diz &#8220;sim&#8221;. Ao invés de três letras, elas usam o resto do alfabeto, os números e a mitologia grega. Elas não sabem, elas estão trabalhando pra isso, elas são 70% felizes.</div>
<p></p>
<div>Elas se encontram no mercado, de madrugada, procurando por alguma resposta. Andam, olham, pegam, hesitam, devolvem, continuam com fome.</div>
<p></p>
<div>No meio de tanta opção, ninguém dá bola pra algo como uma bala. Não mata a fome, mas adoça uns minutos da vida. É uma alternativa simples e desinteressada, mas boa. Como um cafuné pra dormir.</div>
<p></p>
<div>Da próxima vez que você se perder no mercado, com fome, compre balas.</div>
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		<title>O novo &quot;nós&quot;</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Mar 2010 13:17:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Ontem, num papo sobre os tempos do colégio, alguém disse: fulano era gente boa. Breve pausa e a Mairoca replicou: gente boa? Vocês estão falando da quinta série, porra!
O ponto era: quem não é gente boa na quinta série? Tirando o cdf que te entrega se perceber que você tá colando e o cara que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2010/03/Peterpan1.jpg"><img class="size-full wp-image-933 aligncenter" title="Peterpan" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2010/03/Peterpan1.jpg" alt="" width="307" height="362" /></a></p>
<p>Ontem, num papo sobre os tempos do colégio, alguém disse: fulano era gente boa. Breve pausa e a Mairoca replicou: gente boa? Vocês estão falando da quinta série, porra!</p>
<p>O ponto era: quem não é gente boa na quinta série? Tirando o cdf que te entrega se perceber que você tá colando e o cara que rouba teu lanche, não tem muito como ser cuzão com 11 anos. E, veja bem, até os exemplos acima são, provavelmente, fruto de um lar-não-tão-doce-lar.</p>
<p>Mas o que me deixou matutante foi uma possível continuação do pensamento inicial: o fulano que era gente  boa e não o é anymore. Lembrei de amigos, lembrei de supostos melhores amigos e efetivos. Quantos deles, quantas mudanças. O que acontece quando pessoas que a gente conhecia tão bem parecem se tornar outras pessoas?</p>
<p>De uma forma geral, os bambambans dos tempos áureos eram as meninas que tinham peitos e os meninos que não tinham medo do perigo. Digo, era o que bastava pra chamar a atenção e categorizar o sujeito como popular. Fosse de forma boa ou ruim, por admiração ou temor alheio, tava bão.</p>
<p>Menos de 15 anos depois, ainda longe dos 30, o cidadão precisa, no mínimo, estar com mais de meio caminho andado para: ser um profissional reconhecido, ter uma linda e unida família, estar em forma e saudável, ficar milionário e deixar um belo legado para a humanidade.</p>
<p>E aí que, no meio do caminho: relacionamentos falham (entenda-se: vc não pega ninguém, toma um galho, toma um pé na bunda etc), a correria te acrescenta cinquenta digitos em quilos, você trabalha feito uma mula e ninguém te dá valor (ou é demitido), seu cachorro morre, sua casa pega fogo, você tem hemorróidas, fica careca, seus pais se separam ou rola uma maldição de ondina e se você não prestar atenção, esquece de respirar e morre sufocado.</p>
<p>Nem todo mundo é gente boa quando se sente pobre, feio e fodido. Só que esse não é o problema, afinal, a maioria dessas coisas são superáveis, tipo mudar o foco na procura de emprego, voltar a estudar, cuidar da alimentação, frequentar lugares diferentes, arrumar um novo cachorro ou aceitar que não se pode mudar certas coisas e não focar mais a sua atenção nelas. O bom é que hoje a vida é mais difícil, mas também te dá mais alternativas. O antigo nós só se preocupava em não mijar na calça, mas não podia comprar um carro novo.</p>
<p>O que fode é sentar e esperar as coisas voltarem a ser como antes nos quesitos tranquilidade e complexidade, quando é óbvio que tudo ao redor mudou demais pra que isso seja sequer possível.</p>
<p>Quer um jeito de descobrir se tá na hora de se mexer? Tenta vestir a sua fantasia do Jaspion.</p>
<p>Ps. Caso você consiga, se não for um anão (tocaê), não foi aqui que você aprendeu a falar palavrão, ok?</p>
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		<title>Extremos</title>
		<link>http://substantivolatil.com/archives/extremos.php</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Feb 2010 17:49:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maira Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Há algumas semanas, me perguntaram no Formspring se me comparam muito com a mancebinha da minha irmã. Resolvi discorrer sobre o assunto e colocar na ponta do lápis dedo três comparações que sempre foram um fantasma na vida dessa irmã mais nova que vos fala:
1. Toda reunião de família, o pessoal começa a lembrar como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2010/02/meanbrother1.jpg"><img class="size-full wp-image-904 aligncenter" title="meanbrother" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2010/02/meanbrother1.jpg" alt="" width="374" height="328" /></a></p>
<p>Há algumas semanas, me perguntaram no <a href="http://www.formspring.me/mairabottan/q/18799230" target="_blank">Formspring</a> se me comparam muito com a mancebinha da minha irmã. Resolvi discorrer sobre o assunto e colocar na ponta do <span style="text-decoration: line-through;">lápis</span> dedo três comparações que sempre foram um fantasma na vida dessa irmã mais nova que vos fala:</p>
<p>1. Toda reunião de família, o pessoal começa a lembrar como era quando os filhos/sobrinhos/netos eram pequeninos e, como já foi dito muitas vezes por aqui, minha irmã era o capeta em forma de guria.</p>
<p>- Ela abriu e virou um vidro de shampoo na cabeça de uma tia no meio do supermercado, enquanto a coitada da tia segurava a infeliz no colo, olhando para o outro lado ao invés de vigiar a semente do mal.</p>
<p>- Pediu laranja com sal pra minha mãe, supostamente, pra comer. Na verdade, era só pra jogar o sal na cabeça da outra tia que tinha acabado de fazer permanente.</p>
<p>- Fugiu de casa com 3 anos e foi encontrada lavando o banheiro do vizinho.</p>
<p>- Fugiu de casa com 5 anos pra fazer compras no supermercado, onde foi encontrada com uma cestinha cheia de besteiras tipo doces e um absorvente mini, ítem que alegou ser feito para ela, pois era pequenino.</p>
<p>- Defecou no corredor do meu avô.</p>
<p>- Batia nos meus primos que eram mais velhos que ela.</p>
<p>E mais mil ítens que posso continuar citando aqui até enjoar, porque, acabar,  não acaba nunca.</p>
<p>E, lógico, sempre depois de falar da minha irmã ficam todos em silêncio lembrando dos episódios e acho meio impossível não pensar &#8216;e a Maira?&#8217;.</p>
<p>Pois é. Perguntem: E você?</p>
<p>Eu? Eu, nada!</p>
<p>Porque enquanto minha irmã aprontava, eu estava na mesa da cozinha conversando com ervilhas, no chão da sala arrancando as asinhas de insetos, brincando de formar casais com os lápis de cor, picotando papéis ou dormindo, porque como uma tia disse uma vez, era me deixar quieta por 1 minuto que eu deitava onde estava e dormia.</p>
<p>2. Sempre demorei muito mais pra pegar no tranco e isso não é segredo pra ninguém.</p>
<p>Quando minha irmã tinha uns 5 aninhos, minha mãe disse pra paçoquinha que se ela não fizesse xixi na cama naquela semana, ganharia um presente. Parou naquele dia e nunca mais fez.</p>
<p>Tentou isso comigo desde antes dos 5 anos e eu parei faltando 15 dias para completar&#8230; 9 anos.</p>
<p>Eu fazia questão de escolher minha fralda no supermercado e colocá-la sozinha. O mínimo de dignidade, né, por favor.</p>
<p>3. Por último, algo que sempre compararam é inteligência/esperteza. Claro, é normal irmãos disputarem as melhores notas e tal.</p>
<p>Mas só vou fazer UM  comentário: na mesma idade em que minha irmã sabia quem era <strong>Gorbachev</strong>, eu perguntava pra minha mãe <strong>qual parte da vaca era o frango</strong>.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Né.</p>
<p>Pra constar: todas as informações desse post foram confirmadas pelos meus pais e eu agradeço a eles por não desistirem de mim apesar de tudo isso.</p>
<p>Mas é aí que vem um porém. No fim das contas, sem mim, a minha <em>irmã-mais-velha-prodígio</em> não ia conseguir: fazer as malas pra viajar, fazer contas, virar à direita, chegar a lugar algum de carro, achar um apartamento, saber as horas em relógio analógico, dormir depois de um filme de terror e, sem mim, ela não ia ser uma pessoa minimamente equilibrada.</p>
<p>Sem contar que se essa lazarenta não parar de tomar diurético eu, provavelmente, vou ter que doar um rim pra ela.</p>
<p>Então, se você tem um filho que parece meio banana e autista, dê tempo a ele pra crescer e se desenvolver no  seu próprio ritmo. É absolutamente normal.</p>
<p>Já se você tem um filho que <strong>foge da creche aos cinco anos, passando pela segurança sem NINGUÉM ver</strong>, como ela fez, jogue no rio, o quanto antes.</p>
<p>Sério, era o que a gente deveria ter feito.</p>
<p>Brincadeira, Tatá. Sem você, quem iria tomar a minha Coca após dizer que não queria refrigerante? Quem iria morar no meu apartamento sem ser convidada, comer minha comida e bagunçar meu quarto? Quem me deveria dinheiro eternamente? Quem quase me mataria do coração ao passar raspando o retrovisor do carro na cabeça de um burro (o animal) no meio da rua?</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Brincadeira de novo! Sabe que tenho vontade de dar na sua cara por essas coisas, mas, sem você, quem me defenderia? Quem me mandaria ser gente quando só tenho vontade de sentar e chorar? Quem me ajudaria a me vestir? Quem faria pipoca pra mim? Quem arrumaria meu notebook? Quem me daria força pra ir pra cidade grande, quando até minha mãe não queria que eu fosse? E continuaria escolhendo as minhas roupas, mesmo em cidades diferentes? Quem me mandaria viver um pouco?</p>
<p>Se sem mim, ela não é uma pessoa minimamente equilibrada, sem ela, não sou uma pessoa minimamente <strong>des</strong>equilibrada. E sem o desequilíbrio, sem arriscar, eu não seria metade do que sou.</p>
<p>Um viva pros extremos!</p>
<p><em>E te amo, vaca véia. <img src="http://substantivolatil.com/wp-includes/images/smilies/icon_razz.gif" alt="P" class="wp-smiley" /> </em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Are we humans or are we players?</title>
		<link>http://substantivolatil.com/archives/are-we-humans-or-are-we-players.php</link>
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		<pubDate>Mon, 04 Jan 2010 02:44:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Você cortou a franja muito curta. Sai perguntando se tá muito ruim. Seus colegas dizem que não. Sua irmã diz que não. Seu namorado diz que não. Seu horóscopo diz que não.
Seu primo de seis anos diz que tá feio.
No fundo, você também achava. Mas só a partir daí você para de achar que se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2010/01/war1.jpg"><img class="size-full wp-image-894 aligncenter" title="war" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2010/01/war1.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a></p>
<p>Você cortou a franja muito curta. Sai perguntando se tá muito ruim. Seus colegas dizem que não. Sua irmã diz que não. Seu namorado diz que não. Seu horóscopo diz que não.</p>
<p>Seu primo de seis anos diz que tá feio.</p>
<p>No fundo, você também achava. Mas só a partir daí você para de achar que se arrumar a franja assim e assado vai ficar bom. Agora, você desencana e prende a franja até crescer.</p>
<p>E por que caralhos todas as outras pessoas da sua vida, que não possuem a inocência de uma criança de seis anos, mentiram pra você, sendo que achavam a mesma coisa?</p>
<p>Seus colegas nem prestaram atenção, sua mãe não queria te magoar, seu namorado quis evitar que você ficasse emburrada e seu horóscopo diria qualquer coisa que você quisesse ouvir. Nenhum deles te ajudou a tomar uma decisão. Mesmo as pessoas que queriam evitar o seu sofrimento, acabaram te atrapalhando.</p>
<p>-&#8221;Eu ainda te amo, penso em você, mas você me machucou e eu decidi desistir.&#8221;</p>
<p>-&#8221;Eu só quero te comer e não ficar sozinho, senão eu desabo.&#8221;</p>
<p>-&#8221;Eu estou bem, mas curto um drama, me faz parecer mais interessante.&#8221;</p>
<p>-&#8221;Cara, se eu quisesse você, eu diria!&#8221;</p>
<p>Acabam virando:</p>
<p>-&#8221;Tá sofrendo? Agora chora.&#8221;</p>
<p>-&#8221;O quê você vai fazer hoje? Queria te chamar pra vir aqui.&#8221;</p>
<p>-Frase de impacto no MSN.</p>
<p>-&#8221;Ai, moço, hoje eu tô de boa, só vim pra dançar, hihi.&#8221;</p>
<p>O quê há de errado com a gente, que não consegue falar a verdade? Na maioria das vezes, nem estamos pensando no outro, então qual o problema em descomplicar a vida das pessoas e evitar sofrimento e perda de tempo? Ou qual o problema em se mostrar desprotegido?</p>
<p>Sabe qual a pior consequência dessa atitude egoísta e tão automática? Ninguém mais acredita nas verdades.</p>
<p>Já tentou virar pra alguém e dizer: &#8220;eu errei, me desculpe, eu realmente te amo&#8221;, depois de dizer um monte de merda pra parecer forte e superior? Não adianta. Vai parecer vazio. Somos tipo aquele Joãozinho mentiroso, resta rezar pro lobo não chegar, nunca.</p>
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		<title>ReveilLOL</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Dec 2009 19:31:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maira Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
E finalmente, o Ano Novo. Uma vez uma amiga me disse que era triste como todo mundo muda e acha que porque virou o ano tudo vai ser diferente e mais lindo. Balancei a cabeça concordando, fui mudando a expressão, meu rosto virou um ponto de interrogação e meti uma cabeçada interrogativa [!] na fuça [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/12/Untitled-11.jpg"><img class="size-full wp-image-889 aligncenter" title="Untitled-1" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/12/Untitled-11.jpg" alt="" width="308" height="366" /></a></p>
<p>E finalmente, o Ano Novo. Uma vez uma amiga me disse que era triste como todo mundo muda e acha que porque virou o ano tudo vai ser diferente e mais lindo. Balancei a cabeça concordando, fui mudando a expressão, meu rosto virou um ponto de interrogação e meti uma cabeçada interrogativa [!] na fuça da rapariga. Triste o caralho, eu acho isso demais!</p>
<p>Não sei vocês, mas eu tenho vontade de dar bom dia e desejar feliz Ano Novo até pro mafioso que mora na frente da minha casa! (será que ele vai ler isso aqui? #medo)</p>
<p>Acho belo todo mundo se preocupando com roupa, presentes de amigo-secreto, minha mãe surtando com a droga do pernil que meu pai trouxe pra ela preparar e mal cabe no forno de tão grande, meu cachorro chegando do pet shop com gravatinha branca brilhante e acho mais belo ainda todas as superstições de Ano Novo.</p>
<p>Na real, sempre falo que não ligo muito pra isso e blablablous, mas quando chega o dia tô lá eu cheia das frescuras.<br />
Superstições são bem simples e se você quer ter muito amor, dinheiro, felicidade, fartura, sorte, saúde, luz, bondade, garantir teu futuro, pensamento positivo, se livrar da depressão e fazer seu intestino funcionar DI-REI-TI-NHO não tem outra opção, você DEVE seguir o que as superstições mandam e cala a boca aí.</p>
<p>Pra começar, compre calcinhas ou cuecas novas, pra &#8216;garantir o futuro&#8217;. Mas dependendo da cor, você roda. Então procura aí no Google a cor certa pra não fazer cagada, afinal, <a href="http://hojecentrosul.com.br/hoje/geral/significado-das-cores-ser-diferente-virada-2009-2010" target="_blank">alguém disse</a> que a regência de Vênus fodeu tudo esse ano e os significados das cores que conhecemos vai mudar geral e você, que sempre usa aquele amarelinho gracinha vai se foder pro resto do ano.</p>
<p>Deve colocar também uma nota de dinheiro dentro do sapato, que é onde a energia entra no nosso corpo. Não esqueça de preparar a lentilha, mas pode comer uma colher só, pq depois dela ainda vem as 7 uvas, a romã, nozes, avelãs, tâmaras, a maldita da castanha que é um pé no saco pra abrir e a carne de porco. E nem pense em peru pro Ano Novo, peru cisca pra trás e pelamordedeus você vai andar pra trás o ano inteiro depois de comer o bichinho!</p>
<p>Tudo preparado, hora da virada. Contagem regressiva e aí você faz tudo do jeitinho que foi ensinado:</p>
<p>Numa mão, um prato de lentilha, carne de porco, castanha, avelã, tâmara, nozes e uvas, mas terá que comer tudo isso sem utilizar a outra mão, porque nela estará a taça de champanhe que você deve estar segurando enquanto pula só com o pé direto, onde deve estar a nota de dinheiro dentro, três vezes. Cuidado pra não derramar nem uma gotinha do champanhe, senão já era. Os pulinhos devem ser dados em cima de um degrau, que é pra começar o ano subindo na vida. Agora saia na rua, jogue moedas pra dentro da casa, atrai riqueza, sacoé. Depois disso, dê um jeito de se teletransportar pra praia, e, no mínimo, acender velas, passar uma mistura de pétalas de rosa branca, arroz cru e essência qualquer no corpo, rezar olhando pro mar, depois entrar até onde a água fique na altura da canela, derramar pipoca ao longo do corpo e pular 7 ondinhas. Tudo isso enquanto alguém se preocupa com os fogos de artifício, sinos e músicas. Vale ressaltar: tudo isso à meia-noite.</p>
<p>Se achar que é pouco, corre pra dentro de casa, dá três chutes no vaso sanitário, fale três palavrões e dê três descargas. Não lembro bem o que acontece mas sei que dá certo!</p>
<p>Dicas dadas, vou ajudar minha mãe a virar o pernil gigante que já tá cheirando bem. Feliz Ano Novo e não se matem na maratona de superstições!</p>
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		<item>
		<title>Corrente do mal</title>
		<link>http://substantivolatil.com/archives/corrente-do-mal.php</link>
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		<pubDate>Wed, 23 Dec 2009 16:54:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Uma vez, eu conheci um cara que estava sempre sorrindo para as pessoas ao seu redor. Claro que ele devia ter seus dias de cu virado, mas me parecia que, ainda nesses dias, ele tentava ser simpático, sempre. E não estou falando de ser simpático com os amigos, família e colegas de trabalho, mas com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/12/poison-flask11.jpg"><img class="size-full wp-image-876 aligncenter" title="poison-flask" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/12/poison-flask11.jpg" alt="" width="350" height="270" /></a></p>
<p>Uma vez, eu conheci um cara que estava sempre sorrindo para as pessoas ao seu redor. Claro que ele devia ter seus dias de cu virado, mas me parecia que, ainda nesses dias, ele tentava ser simpático, sempre. E não estou falando de ser simpático com os amigos, família e colegas de trabalho, mas com o cara do guichê do metrô, a atendente do pedágio e a caixa do supermercado. Aliás, ele sempre perguntava os nomes e os tratava pelos mesmos, perguntando como estavam.</p>
<p>Eu achava aquilo sensacional, porque ele conseguia fazer qualquer uma daquelas pessoas sorrir. Foi nessa época que eu percebi o quão carente de simpatia nós estamos.</p>
<p>Desde então, eu, que mesmo antes tentava ser NO MÍNIMO simpática com as pessoas no meu dia-a-dia, tentei aprimorar a técnica e ficar parecida com ele. Claro que falta muito (principalmente a cara-de-pau necessária), mas eu aprendi que na maioria das vezes que você sorri pra alguém, mesmo alguém que está tendo um dia ruim, a pessoa sorri de volta. E, de repente, o humor dela até melhora.</p>
<p>Parece simples, e é. Desde que você aprenda a lidar com a praga que faz o caminho inverso: a frustração alheia.</p>
<p>Se alguém está triste, chora. Se está com raiva de algo específico, geralmente foca naquilo e não desconta em todo mundo. Mas uma pessoa frustrada é capaz de acinzentar todo o ambiente ao seu redor.</p>
<p>Homens e mulheres frustrados por um casamento insatisfatório ou por ter que trabalhar no que não gostam para sustentar a família podem facilmente foder a vida de quem precisa conviver com eles. Pessoas que empurram a vida com a barriga, sonhando com outras coisas, mas sem coragem ou condições pra dar a volta e tomar um outro rumo, e terminam por achar formas de causar o sofrimento nos outros, talvez pra não se sentirem tão mal. Vai saber.</p>
<p>O que interessa é que, se você se deixa afetar por esse tipo de energia, você acaba descontando a frustração de não poder impedir o ataque em uma terceira pessoa. Que, se não conseguir não se deixar afetar, repassa pra uma quarta e assim por diante. É a corrente do mal.</p>
<p>E o maior problema é que, pra uma pessoa que sorri pra caixa do supermercado, existem CINQUENTA repassando energia negativa. Comofas?</p>
<p>Eu conheço duas mulheres, de mesma idade e estrutura familiar. A primeira tem e faz tudo o que quer, mas casou por falta de alternativas e é extremamente frustrada e infeliz. Já a outra, com o casamento completamente fodido (com um cara que ela ainda ama, mas que não dá a mínima pra ela) e orçamento mais limitado, é extremamente altruísta e faz com que todos ao seu redor se sintam bem e seguros.</p>
<p>O mal não nasce por causa dos problemas. Nasce em quem deixa a terra fértil pra ele.</p>
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		<title>Linguagens</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Dec 2009 21:09:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Existem inúmeras formas de se expor sentimentos e ideias. Particularmente, acho a fala a mais besta delas. É justamente falando, que a maioria das pessoas NÃO consegue se fazer entender. Como se o grau de subjetividade fosse inversamente proporcional à facilidade de exposição.
Assim, a gente acaba com preguiça de concatenar tanta coisa rodando na cabeça [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-867   aligncenter" title="lata" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/12/lata1.jpg" alt="lata" width="300" height="244" /></p>
<p>Existem inúmeras formas de se expor sentimentos e ideias. Particularmente, acho a fala a mais besta delas. É justamente falando, que a maioria das pessoas NÃO consegue se fazer entender. Como se o grau de subjetividade fosse inversamente proporcional à facilidade de exposição.</p>
<p>Assim, a gente acaba com preguiça de concatenar tanta coisa rodando na cabeça e se despede com &#8220;boas férias&#8221;, &#8220;até mais&#8221; e afins ou pergunta a hora, pensando no sentido da vida.</p>
<p>Eu já escrevi um email pra ser lido na minha frente, só pra não correr o risco de perder a linha de raciocínio e não conseguir dizer tudo que precisava. E é assim, eu falo demais sem dizer nada e digo tudo sem abrir a boca.</p>
<p>E tem gente que pinta o que sente, outros dançam, outros presenteiam. Tem quem fere, querendo dizer e tem quem diz, querendo ferir, quase como que fisicamente.</p>
<p>Não é o fim do mundo quando duas pessoas usam linguagens diferentes. Uma sempre pode aprender a linguagem da outra e, quando isso não é possível, sempre há uma forma de tradução. Uma amiga da minha irmã ficou com um cara que só falava inglês. Ela, sabia meia dúzia de palavras, incluindo &#8220;kiss me&#8221;. Depois da resposta, conversaram por mímica a noite toda. Nem tudo podia ser entendido assim, então, eles usaram um tradutor online.</p>
<p>Tem horas que não precisa mais do que olhar, pra mostrar tristeza, desejo ou raiva.</p>
<p>Por isso eu sinto por quem não tenta nenhuma das formas e deixa tudo não-dito, como se não fosse fazer diferença. Esses vão ficando pra trás. Esses matam o amor. E vão morrendo junto, sem que a gente possa fazer nada.</p>
<p>Mas os meus preferidos são os que <strong>cantam</strong>. Que juntam todas as linguagens numa só e fazem você se apaixonar até pela melodia que embrulha um contexto onde você se fode. Tem que ter muita alma, muito sangue correndo.</p>
<p>Aos músicos, o meu respeito.</p>
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		<title>Os opostos se atraem, mas não se entendem</title>
		<link>http://substantivolatil.com/archives/os-opostos-se-atraem-mas-nao-se-entendem.php</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Nov 2009 01:33:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[(Este texto foi originalmente publicado no Olla Blog. Aproveita e confere os da galere!)

Ele gosta de rock e ela de axé. Ele é racional e lida bem com os números, ela, um turbilhão de emoções que conduz através das palavras. Comédia e drama. Pra dentro e pra fora, preto e branco, dia e noite.
E como diabos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(<em>Este texto foi originalmente publicado no </em><em><a href="http://www.ollavip.com.br/wp/">Olla Blog</a></em><em>. Aproveita e confere os da galere!</em>)</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-861 aligncenter" title="opostos" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/11/opostos1.jpg" alt="opostos" width="320" height="373" /></p>
<p>Ele gosta de rock e ela de axé. Ele é racional e lida bem com os números, ela, um turbilhão de emoções que conduz através das palavras. Comédia e drama. Pra dentro e pra fora, preto e branco, dia e noite.</p>
<p>E como diabos eles acabam juntos?</p>
<p>Especialistas dizem por aí que eles querem é se completar, encontrar no outro &#8211; e possuir, através dele &#8211; as características que não encontram em si mesmos. Ok, faz sentido. Mas dá certo?</p>
<p>No começo, talvez. Porque a diferença encanta. Ele, na sua calma, vai ficar abestalhado com toda a vida que ela transmite. Ela, sem parada, vai admirar a incrível capacidade de concentração e traquilidade frente às dificuldades.</p>
<p>Perfeito. Até que, com o passar do tempo &#8211; e da novidade &#8211; a calma se transforme em falta de atitude e a extroversão em vontade de chamar a atenção pra si.</p>
<p>E como frequentar, com o mesmo ânimo, o mesmo lugar ou ter músicas tema quando os gostos são diferentes? Como criar os filhos com ideais que não batem?</p>
<p>Certamente deve ser mais fácil levar a parada quando as experiências são semelhantes e aproximam. Mas quem é que manda no coração?</p>
<p>O bom do amor (quando pega mesmo) é que ele te permite ceder sem se sentir um imbecil. Quando isso acontece <strong>dos dois lados</strong>, talvez a coisa funcione.</p>
<p>Quando uma mocinha, num blockbuster aleatório, disse pro cara que não queria cometer nenhum erro, a resposta deu um roundhouse kick em milhões de telespectadores chorosos:</p>
<p>&#8220;Então você está na espécie errada, amor. Seja um pato.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Como nossos pais?*</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 20:17:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Lá no lar Bottânico, a gente tem mania de papear por horas com os velhos sobre o passado deles e como chegamos até aqui.
Na última dessas, eu fiquei horas refletindo sobre o que eu ouvi e cheguei a algumas conclusões.
Meu pai saiu do sítio e começou a trabalhar por volta dos 8 anos de idade, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Lá no lar Bottânico, a gente tem mania de papear por horas com os velhos sobre o passado deles e como chegamos até aqui.</p>
<p>Na última dessas, eu fiquei horas refletindo sobre o que eu ouvi e cheguei a algumas conclusões.</p>
<p>Meu pai saiu do sítio e começou a trabalhar por volta dos 8 anos de idade, engraxando sapatos. Minha mãe entregava pão de madrugada, também criança. Os dois trabalharam durante toda a adolescência, como muitos de nós, hoje, só que o dinheiro ia todo pra casa. Minha mãe teve que dar até o último mês de salário pro meu avô, antes de se casar.</p>
<p>Mas o que me espanta é a trajetória pós-casamento. Uma sociedade com parentes onde os dois entraram com dinheiro e saíram sem nada; minha mãe vendeu alumínio; os dois montaram barraca na feira; meu pai foi viajar como vendedor e dormiu em hotel com cachorro debaixo da cama; deram quase tudo pra comprar uma mercearia e o antigo dono resolveu comprar uma perua e atender os antigos compradores em suas casas, ferrando o negócio.</p>
<p>Pagaram por anos um apartamento e depois descobriram que, por causa da inflação, a dívida só aumentava e, quando terminassem de pagar, estariam devendo cinco apartamentos. Pararam de pagar. Nesse meio tempo, minha mãe montou uma empresa de fraldas descartáveis, que deu dinheiro suficiente pra erguer a nossa casa antes do despejo do apartamento. Pouco tempo depois, um incêndio destruiu a fábrica toda.</p>
<p>Depois disso, meu pai abriu uma loja de materiais hidráulicos, com dez peças de cada. Foram alguns anos trabalhando pra pagar as contas, sem lucro, mas ele nunca deixou de acreditar. Quinze anos depois, ele vai pra Paris por bater recorde de vendas de um fornecedor.</p>
<p>Apesar de ter dormido nos sacos de arroz enquanto meu pai enchia linguiças, à noite, no açougue da mercearia, eu não tive uma vida dura. Não precisei trabalhar quando criança e sempre tive o que dava pra ter. E eu sempre soube o que dava pra ter e não pedia mais que isso.</p>
<p>Quantas dessas histórias há por aí? A geração dos pais dos quase-adultos de hoje foi a que mais se ferrou, a que passou pelas maiores mudanças. Já nós, nascemos e crescemos num mundo um pouco mais tranquilo, onde não era preciso lutar tanto. Porque eles lutaram por nós.</p>
<p>Só que, sinceramente, eu acho que isso fodeu com alguns de nós. Eu não me sinto digna de ganhar um carro, mas muita gente que eu conheço exige isso, sem ter conquistado porra nenhuma. Muita gente acha normal. Não é. Você tem que conquistar uma coisa pra dizer que é tua. Tem que pagar teu aluguel se quiser morar sozinho. Que trampo, né?</p>
<p>Fui pra São Paulo e vi um cara com as pernas atrofiadas, se arrastando num skate. Quem sou eu pra reclamar e desistir das coisas que eu quero?</p>
<p>Quem é você?</p>
<p>Shame on us, a vida é DEMAIS. É só enfiar a cara.</p>
<p>*Já usei esse título, mas não tinha mais adequado.</p>
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		<title>Risky Business &#8211; parte II</title>
		<link>http://substantivolatil.com/archives/risky-business-parte-ii.php</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Jul 2009 01:46:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maira Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Pode soar meio new age da minha parte, mas tenho cá pra mim que o maior desafio do ser humano é se livrar de suas ideias fixas, pra ser feliz de verdade.
Depois de um tweet sobre o aniversário de 1 ano da minha vida de solteira, de 1 ano sem um namoro que já tinha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center; "><img class="size-full wp-image-809 aligncenter" title="caminho-facil-ou-dificil" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/07/caminho-facil-ou-dificil1.jpg" alt="caminho-facil-ou-dificil" width="435" height="292" /></p>
<p><em>Pode soar meio new age da minha parte, mas tenho cá pra mim que o maior desafio do ser humano é se livrar de suas <strong>ideias fixas</strong>, pra ser feliz de verdade</em>.</p>
<p>Depois de um tweet sobre o aniversário de 1 ano da minha vida de solteira, de 1 ano sem um namoro que já tinha se tornado problemático e de como me sinto mais feliz por isso, recebi um reply que me deixou muito encucada.  O assunto era o mesmo, mas o cara mandou à merda um casamento de 12 anos e diz ser agora o pai solteiro mais feliz do mundo. Até ai, tudo bem. Mas o que me matou foi a forma como terminou:  &#8221;Por que eu demorei tanto?&#8221;</p>
<p>Confesso que essa frase me deu um medo gigantesco. Por que demoramos tanto?</p>
<p>Você continua naquele trabalho porque é natural acordar, trabalhar todo dia, todo o dia, ganhando o mesmo salário.<br />
Você continua com aquela pessoa porque é mais do que normal papear com a familia dela, sua família perguntar por ela, sair com os mesmos amigos, dividir as mesmas situações, o sexo de sempre, as brincadeiras de sempre.<br />
Você continua saindo com aqueles amigos porque se conhecem há décadas e dividem as mesmas coisas que divide com a sua/seu namorado/namorada. Menos o sexo. Ou não.</p>
<p>E não para pra pensar se o que você julga &#8220;natural, normal&#8221; na verdade já se tornou algo chato ou até infeliz, a que você continua agarrado. Seja pelo medo de soltar, seja por não ter pensando nisso ainda.</p>
<p>Não penso que seja só pela <a href="http://substantivolatil.com/archives/risky-business.php" target="_blank">segurança</a>. Há um fator de grande peso que deixamos de lado: <strong>ideia fixa</strong>.</p>
<p>É algo que nunca me desceu pela goela. Pensar em manter qualquer coisa da minha vida sem emoção, sem querer fazer acontecer, sem o gostinho da conquista, sem um algo novo, me sufoca.</p>
<p>Tudo o que começamos, seja um novo trabalho ou um relacionamento, é também uma busca por novas experiências, algo que nos acrescente mais do que temos até então. Uma espécie de troca, sabe? Você ensina e é ensinado. Mas quando chega o comodismo, é porque também chegou o maldito ponto em que nada mais vai te fazer crescer!</p>
<p>É como terminar a escola e querer voltar para o primeiro ano. Não vai mais ter cabeça para as mesmas piadinhas, não vai mais ter graça sem as companhias e não aprenderá mais nada de útil. Porque assim como nos estudos, a vida é feita pra ser vivida em etapas, conforme a sua necessidade de algo maior.</p>
<p>Continuar na mesma é dizer &#8220;te amo&#8221; todo dia, pra alguém que você trocaria por uma mariola.</p>
<p>Não há problema em arriscar novas amizades, um novo trabalho e buscar um novo amor. Mas talvez haja em continuar pra sempre neles achando que já é tarde ou ainda é cedo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Risky Business</title>
		<link>http://substantivolatil.com/archives/risky-business.php</link>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 19:53:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Pode soar meio new age da minha parte, mas tenho cá pra mim que o maior desafio do ser humano é se livrar da necessidade louca de segurança, pra ser feliz de verdade.
Quando eu ouço o bom e conhecido &#8220;o seguro morreu de velho&#8221;, até me ataca um cacoete. Por dois motivos:
O primeiro eu até [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-802 aligncenter" title="cage" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/07/cage1.jpg" alt="cage" width="386" height="283" /></p>
<p>Pode soar meio new age da minha parte, mas tenho cá pra mim que o maior desafio do ser humano é se livrar da necessidade louca de segurança, pra ser feliz de verdade.</p>
<p>Quando eu ouço o bom e conhecido &#8220;o seguro morreu de velho&#8221;, até me ataca um cacoete. Por dois motivos:</p>
<p>O primeiro eu até explico com outro dito, de William Shedd: &#8220;Um barco, no ancoradouro, está seguro. Mas não é para isso que os barcos são feitos&#8221;.</p>
<p>Mas o segundo é o meu preferido: desde quando somente as atitudes do seguro são fator determinante da sua própria segurança?</p>
<p>Atravessar na faixa não impede ninguém de ser atingido por um carro desgovernado.</p>
<p>Veja bem, isso não é um ode à quebra das regras todas, não tô dizendo pra ir dançar frevo no meio do cruzamento. Eu só acho que é uma questão de análise de &#8220;custo-benefício&#8221;. O que é que você perde, pra ganhar o que ganha?</p>
<p>Quanto valia a vida do policial à paisana, assassinado ontem, ao tentar impedir um assalto numa lotérica, aqui perto da minha casa?</p>
<p>Quanto vale a alegria daquela menina que eu vejo no mesmo ponto de ônibus, nos mesmos horários, com o mesmo uniforme da loja de sapatos, há mais de cinco anos? Eu posso estar enganada, mas será que o salário dela vale a expressão mau-humorada com a qual eu até me acostumei?</p>
<p>Quanto vale a sua liberdade?</p>
<p>Quanto vale poder errar e acertar sem se sentir culpado, quanto vale se sentir vivo?</p>
<p>Estar deitada no colo da mãe, o que parece ser o lugar mais seguro do mundo, não impediu a Maira de tomar uma laranjada no nariz. Fui eu quem jogou, foi sem querer e eu já pedi milhares de desculpas, mas o que eu quero dizer é que ela, deitada ali, provavelmente sentia que nada de ruim podia acontecer.</p>
<p>Usando a paçoca como exemplo novamente (coitada, se fode mais que eu): ontem, ela foi caminhar pelo bairro, que é tranquilo e relativamente seguro, e acabou correndo de quatro cães-de-guarda. Quem poderia prever que um dono sem-noção ia deixar os bichos soltos, num horário onde puta galera sai pra caminhar?</p>
<p>Enfim, quando ela chegou, o meu pai disse que ela não devia ter corrido e sim ficado parada, ou ainda, ido na <strong>direção dos cães</strong>! Ele já o fez. Talvez essa minha coragem venha um pouco daí, vai saber.</p>
<p>De qualquer forma, nesses cinco anos, onde parece que eu já fiz tanta doideira, acredito ter aprendido mais do que a menina dos sapatos.</p>
<p>Acordar já é perigoso. Se você pretende nem sair da cama, se mata.</p>
<p>&#8220;No bird is meant to be caged.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sexta-Feira 12</title>
		<link>http://substantivolatil.com/archives/sexta-feira-12.php</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Jun 2009 23:49:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Aí marquei um chopp pra Sexta, com uma galera-gente-boa random. Porque, ah, eu estarei em Sampa pra dois trampos no dia e ninguém ia fazer nada, mesmo. Uma parada durante a manhã, tarde livre e a outra à noite, antes da farra.
-Nossa, na noite de Sexta, wtf?
-É que é uma parada com o d&#8230; dia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-773 aligncenter" title="cupid_dead" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/06/cupid_dead.jpg" alt="cupid_dead" width="320" height="255" /></p>
<p>Aí marquei um chopp pra Sexta, com uma galera-gente-boa random. Porque, ah, eu estarei em Sampa pra dois trampos no dia e ninguém ia fazer nada, mesmo. Uma parada durante a manhã, tarde livre e a outra à noite, antes da farra.</p>
<p>-Nossa, na noite de Sexta, wtf?</p>
<p>-É que é uma parada com o d&#8230; dia dos&#8230; namorados&#8230; que é na&#8230; Sexta? Orra, meu! Esqueci o dia dos namorados!</p>
<p>Né, esqueci. Mesmo com as propagandas todas, não me liguei no dia, não calculei nada, caguei pro dia dos namorados.</p>
<p>Aí hoje, parei cinco minutos pra correr os olhos pelas fofocas twiteiras e pronto:</p>
<blockquote><p>&#8220;Odeio o dia dos namorados.&#8221;</p>
<p>&#8220;Mais um dia dos namorados sozinho(a)&#8221;</p>
<p>&#8220;Sexta é dia de me enfiar embaixo das cobertas e esquecer do mundo.&#8221;</p></blockquote>
<p>Gentem, na boa, <strong>vai todo mundo pra benzedeira</strong>, credo!</p>
<p>Olha só, se liguem-se no que eu vou compartilhar. De todos os anos que eu namorei (os quase oito) eu não me lembro de nenhum dia dos namorados em especial. Sério. Isso porque quando chegava esse dia maldito, TODOS os restaurantes estavam lotados, os motéis lotados, os banco de praça lotados, o bar do Zé lotado, o bar da Loira Drink&#8217;s lotado e nem os véio saíam tempo suficiente pra armar uma em casa (mãe, você optou por acompanhar o blog, mas eu decidi fingir que não).</p>
<p>Ou seja, era mais fácil planejar uma noite especial a dois em qualquer outro dia do ano, a não ser que programasse tudo dois meses antes. Coisa que sempre tem 90% de chance de dar merda, simplesmente por não poder dar (um pouco de imaginação e isso vira um trocadilho).</p>
<p>Isso sem contar a porra da obrigação do presente. Eu sou do tipo que tá indo almoçar, vê uma roupa/perfume/cd que ele vai gostar e compra. Pode ser no dia 10 de Novembro, que é dia do trigo (que é pra não ter espaço pra tesão nenhum), simplesmente pra ver a felicidade do outro. Daí eu não vi nada legal, não faço idéia do que comprar, mas preciso.</p>
<p>Depois de anos de namoro, você ainda corre o risco de comprar pela obrigação e o lazarento esquecer o teu.</p>
<p>Enfim, meus argumentos não são apenas pelo &#8220;capitalismo disfarçado de sentimento, URRA!&#8221;. Porque datas como o Natal e a Páscoa, por exemplo, ainda te mandam pra casa, reúnem a família, vai todo mundo pra casa da vó encher a pança e passar um tempo junto, inclusive parentes que moram fora e você só vê algumas vezes por ano. Tipo, só nessas datas. Enfim, nem essa desculpa o dia dos namorados tem, porque, salvo um ou outro caso, os namorados se encontram e se pegam regularmente.</p>
<p>Pra ser sincera, o ano em que essa data mais me marcou foi o último, por ser o primeiro em que eu não estava oficialmente namorando, mas ao mesmo tempo estava num chove-não-molha, que não me deixava nem esquecer do dia, nem querer lembrar, aí confundiu a mente.</p>
<p>Mano, eu lembro que rolou a tag TPDN, ou &#8220;Tensão Pré Dia dos Namorados&#8221;, no Twitter. Pra quê, né gente, que fim de carreira.</p>
<p>Então assim, o ponto é: se a falta de um namorado te incomoda, eu presumo que te incomode o tempo todo, todos os dias, ou pelo menos no fim das baladas e nos dias frios, e não SÓ nos dias que antecedem a datinha florida. Então para de bancar a rosa da Fera quando tá caindo a última pétala, que é irritante (com a rosa eu ainda choro). Os casais NÃO se multiplicam nessa data, muitos deles voltam pra casa e brigam depois do jantar, muitos outros dão uma trepadinha marromenos no estilo do presente, outros ainda não completaram nem dois meses de namoro, esses estarão super apaixonados e felizes todos os dias, é você que só vai reparar nisso nessa noite em especial.</p>
<p>Comemora a <strong>independência da Rússia</strong>, o <strong>dia do Beagle</strong>, o <strong>aniversário do Maguila</strong> e a <strong>fundação do Figueirense Futebol Clube</strong>, mas não fica aí chafurdando em auto-piedade.</p>
<p>Pega a grana que você não vai gastar com ninguém e marca um chopp com uma galera, enche o saco daquele camarada que tá borocoxô porque terminou com a mina, manda ele tomar no cu e curtir a noite. E curta também.</p>
<p>Lembre-se que, ao menos, caiu na Sexta. Além disso, Sexta-Feira <strong>12</strong> deve ser algum sinal.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p><img class="size-medium wp-image-778 alignright" title="horadobeijo_logotipo" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/06/horadobeijo_logotipo-300x300.jpg" alt="horadobeijo_logotipo" width="300" height="300" />Update: Se você resolveu ficar em casa debaixo das cobertas com um vinhozinho e a sua tampa, se liga nessa: amanhã, <strong>das 22h às 23h</strong>, o <strong>Boticário </strong>traz a <a href="http://internet.boticario.com.br/Internet/staticFiles/Hora_do_Beijo/default.htm " target="_blank">transmissão de um bate-papo</a> com uma galera-blogueira-gente-boa random &#8211; incluindo essa que vos fala! &#8211; sobre o elemento chave de qualquer <span style="text-decoration: line-through;">pegação</span> relação, aquele que entrega logo de cara a química da parada, ou a falta dela:<strong> o beijo</strong>!</p>
<p>Durante essa horinha hot hot, vamos descobrir histórias sobre os primeiros, os últimos, os melhores e os piores beijos da vida desse povo e de quem mais quiser participar do papo, através do <strong>chat</strong>.</p>
<p>E no meio dessa conversinha descolada, <strong>às 22h22</strong>, esteja bem pertinho da sua rapariga ou do seu moço, pra lascar-lhe uma bitoca, porque essa vai ser a <strong>hora oficial do beijo</strong> (ainda tô pensando #comofas// sem namorado, talvez eu beije o garçom)!</p>
<p>Te <span style="text-decoration: line-through;">beijo</span> vejo amanhã?</p>
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