
Aí marquei um chopp pra Sexta, com uma galera-gente-boa random. Porque, ah, eu estarei em Sampa pra dois trampos no dia e ninguém ia fazer nada, mesmo. Uma parada durante a manhã, tarde livre e a outra à noite, antes da farra.
-Nossa, na noite de Sexta, wtf?
-É que é uma parada com o d… dia dos… namorados… que é na… Sexta? Orra, meu! Esqueci o dia dos namorados!
Né, esqueci. Mesmo com as propagandas todas, não me liguei no dia, não calculei nada, caguei pro dia dos namorados.
Aí hoje, parei cinco minutos pra correr os olhos pelas fofocas twiteiras e pronto:
“Odeio o dia dos namorados.”
“Mais um dia dos namorados sozinho(a)”
“Sexta é dia de me enfiar embaixo das cobertas e esquecer do mundo.”
Gentem, na boa, vai todo mundo pra benzedeira, credo!
Olha só, se liguem-se no que eu vou compartilhar. De todos os anos que eu namorei (os quase oito) eu não me lembro de nenhum dia dos namorados em especial. Sério. Isso porque quando chegava esse dia maldito, TODOS os restaurantes estavam lotados, os motéis lotados, os banco de praça lotados, o bar do Zé lotado, o bar da Loira Drink’s lotado e nem os véio saíam tempo suficiente pra armar uma em casa.
Ou seja, era mais fácil planejar uma noite especial a dois em qualquer outro dia do ano, a não ser que programasse tudo dois meses antes.
Isso sem contar a porra da obrigação do presente. Eu sou do tipo que tá indo almoçar, vê uma roupa/perfume/cd que ele vai gostar e compra. Pode ser no dia 10 de Novembro, que é, sei lá, dia do trigo, simplesmente pra ver a felicidade do outro. Daí eu não vi nada legal, não faço idéia do que comprar, mas preciso.
Depois de anos de namoro, você ainda corre o risco de comprar pela obrigação e o lazarento esquecer o teu.
Enfim, meus argumentos não são apenas pelo “capitalismo disfarçado de sentimento, URRA!”. Porque datas como o Natal e a Páscoa, por exemplo, ainda te mandam pra casa, reúnem a família, vai todo mundo pra casa da vó encher a pança e passar um tempo junto, inclusive parentes que moram fora e você só vê algumas vezes por ano. Tipo, só nessas datas. Enfim, nem essa desculpa o dia dos namorados tem, porque, salvo um ou outro caso, os namorados se encontram e se pegam regularmente.
Pra ser sincera, o ano em que essa data mais me marcou foi o último, por ser o primeiro em que eu não estava oficialmente namorando, mas ao mesmo tempo estava num chove-não-molha, que não me deixava nem esquecer do dia, nem querer lembrar, aí confundiu a mente.
Mano, eu lembro que rolou a tag TPDN, ou “Tensão Pré Dia dos Namorados”, no Twitter. Pra quê, né gente, que fim de carreira.
Então assim, o ponto é: se a falta de um namorado te incomoda, eu presumo que te incomode o tempo todo, todos os dias, ou pelo menos no fim das baladas e nos dias frios, e não SÓ nos dias que antecedem a datinha florida. Então para de bancar a rosa da Fera quando tá caindo a última pétala, que é irritante. Os casais NÃO se multiplicam nessa data, muitos deles voltam pra casa e brigam depois do jantar, muitos outros dão uma trepadinha marromenos no estilo do presente, outros ainda não completaram nem dois meses de namoro, esses estarão super apaixonados e felizes todos os dias, é você que só vai reparar nisso nessa noite em especial.
Comemora a independência da Rússia, o dia do Beagle, o aniversário do Maguila e a fundação do Figueirense Futebol Clube, mas não fica aí chafurdando em auto-piedade.
Pega a grana que você não vai gastar com ninguém e marca um chopp com uma galera, enche o saco daquele camarada que tá borocoxô porque terminou com a mina, manda ele tomar no cu e curtir a noite. E curta também.
Lembre-se que, ao menos, caiu na Sexta. Além disso, Sexta-Feira 12 deve ser algum sinal.