9
Oct
  Tenha Paciência, Meu!

tpm

E, de repente, eu chamei o pano, que estava dentro do balde que eu queria usar, de IMBECIL. Derrubei uma caneta e a bicudei pro cu do mundo. Chorei porque tinha que lavar louça.

Pronto, fudeu. TPM feelings.

Legal é que duas horas antes de xingar objetos inanimados, depois de uma visita inesperada, pensei em tuitar que, “às vezes, a vida é tão fácil de ser vivida” e desisti porque me soou deveras gay. Mas estava assim, de buenas, felizona.

E aí que eu resolvi escrever esse texto pros moços. Aqueles que sofrem junto, mas não conseguem entender whatafuck is going on com a moça.

Porque falando assim, posso não conseguir expressar com a devida importância a MERDA MORFÉTICA que é não conseguir parar de chorar sem nem saber o porquê ou querer morrer porque acabou o papel higiênico, mas preciso informá-los da importância que os senhores têm, nesses dias de caos.

Talvez existam donzelas que, como eu disse hoje, digam: “se quiser ficar no teu canto, fique à vontade, que eu tô chorona”, numa tentativa racional de evitar atritos maiores e tentando ignorar que, tratando-se de hormônios DESCONTROLADOS, isso não adianta porra nenhuma, porque:

1- Se você concordar com ela, ela vai se sentir abandonada e te odiar.

2- Se você insistir e ignorar o conselho, vai acontecer o que já se sabia desde o começo. Round 1, FIGHT!

Agora, antes de surtar com a sua mina porque ela tá chata, irritante ou chorona, saiba que, se quiser se livrar disso, vai ter que passar a dar ré. Porque até ALOCA da galera, aquela que tá sempre rindo e zoando, tem “em cada dia do mês, uma concentração de hormônios sexuais diferente da do dia anterior e diferente da do dia seguinte”, que fazem com que ela te mande um caminhão de pétalas de rosas num dia e um de bosta no outro. Quer resmungar, reza e xinga o cara lá de cima </JEITINHO>, que foi ele quem fez.

Mas uma solução muito mais esperta é aceitar que, a menos que você siga a sugestão do parágrafo acima, isso vai acontecer pelo resto da sua vida e é muito mais fácil se preparar com um pote de sorvete e boa vontade pra vinte minutos de cafuné.

Caso isso seja muito cansativo para a vossa senhoria, sempre se pode conversar e dar a explanação. Evitar se encontrar nesses dias, sei lá. Apesar de, na verdade, a vontade de agradar a rapariga que você ama, ser esperada independente de você saber que ela está precisando disso. E se essa vontade não existir, talvez os seus hormônios é que sejam o problema – a única coisa impulsionando a relação. Se esse for o caso e você quiser se livrar da carga, tente fazê-lo antes do final daquela quinzenazinha de paz.

Afinal, TPM é atenuante de pena por homicídio e alguém teve que provar.







29
Sep
  Exatamente fodidos

duvida

Dia desses, quando me mandaram virar à direita, prar variar, deu tela azul e eu fiquei dançando com o volante, sem saber pra onde ir. Isso porque, dirigindo, me falta agilidade pra fazer um air-writing e lembrar qual é a mão direita. Só assim eu sei qual lado é qual.

Vai, pode rir, eu fui piada por anos (e ainda sou) por conta disso. E antes fosse só por isso.

Relógio, pra mim, só digital e nos esquema AM PM da vida. Porque, se eu estiver desatenta e o relógio mostrar 16h30, eu vou falar “seis e meia”.

Quinhentos metros e um quilômetro, pra mim, é a mema merda. Também não me pergunte o tamanho de nada, que eu só fiz questão de decorar o meu pra afirmar que não sou anã. Por três centímetros E MEIO.

Se um dia você começar a calcular algo em voz alta na minha frente e eu estiver prestando atenção, é encenação. Eu já parei de ouvir no primeiro número e tô pensando no queijo que tá na geladeira.

Eu dou a volta no quarteirão e já acho que tô no outro bairro.

Eu dou a volta em mim mesma e já não sei de que lado eu vim.

Se eu disser que tá vindo um ventinho noroeste, seja legal e não me peça pra apontar.

Eu, que sempre fui a melhor aluna da sala, vacilei no segundo ano do colegial e reprovei. Detalhe: Reprovei em todas as matérias de exatas e passei com nota máxima em todas as outras.

O diretor disse que não podia me ajudar porque eu não era burra, era folgada.

Daí que, num belo dia, eu resolvi descobrir se isso era normal, ou se tinha algo por trás de eu ser tão mula, matematicamente falando. Procurei por “falta de senso de direção” e RÁ! Olha o que eu achei na Wikipédia:

Discalculia (não confundir com acalculia) é definido como uma desordem neurológica específica que afeta a habilidade de uma pessoa de compreender e manipular números.

Entre os sintomas, estão:

Problemas de diferenciar entre esquerdo e direito.

Falta de senso de direção (para o norte, sul, leste, e oeste) e pode também ter dificuldade com um compasso.

Dificuldade com tabelas de tempo, aritmética mental, etc.

Melhor nos assuntos tais como a ciência e a geometria, que requerem a lógica mais que as fórmulas, até que um nível mais elevado que requer cálculos seja necessário.

Dificuldade com tarefas diárias como verificar a mudança e ler relógios analógicos.

A inabilidade de compreender o planejamento financeiro ou incluir no orçamento, nivelar às vezes em um nível básico, por exemplo, estimar o custo dos artigos em uma cesta de compras.

Tendo a dificuldade mental de estimar a medida de um objeto ou de uma distância (por exemplo, se algo está afastado 10 ou 20 metros).

Inabilidade de apreender e recordar conceitos matemáticos, régras, fórmulas, e seqüências matemáticas.

Dificuldade nas atividades que requerem processamento de seqüências, do exame (tal como etapas de dança) ao sumário (leitura, escrita e coisas sinalizar na ordem direita). Pode ter o problema mesmo com uma calculadora devido às dificuldades no processo da alimentação nas variáveis.

A circunstância pode conduzir em casos extremos a uma fobia da matemática e de dispositivos matemáticos (por exemplo números).

E tem mais, num outro artigo:

A discalculia é um distúrbio que dificulta a aprendizagem, pois impede que o indivíduo compreenda os processos matemáticos, mesmo que ela tenha um QI normal ou acima do normal.

As crianças que apresentam esse tipo de dificuldade realmente não conseguem entender o que está sendo pedido nos problemas propostos pela professora. Não conseguem descobrir a operação pedida no problema: somar, diminuir, multiplicar ou dividir. Além disso, é muito difícil para elas entenderem as relações de quantidade, ordem, espaço, distância e tamanho. E isso algumas vezes é entendido pelos pais e professores como preguiça.

Então, amigo, se você apresenta essas dificuldades, você tem discalculia. Seus problemas não acabaram, você vai continuar sem entender porra nenhuma na aula de Física e usando a calculadora só pra escrever SEIOS e OLHOS. Então faça como eu, vá pra uma área onde você só use números escritos por extenso. E o mais importante, use essa bagaça a seu favor:

Mãe, é por isso que eu não controlo meus gastos.

Amigos, é por isso que eu sou uma merda no bilhar.

Pai, é por isso que eu arranquei o retrovisor do carro, aquela vez.

Maira, tá fudida, vai me ajudar a estudar exatas pro vestibular.

E last, but not least: querido diretor, folgada é a senhora sua mãe. Um beijo.







28
Oct
  Put it behind you

Nem sempre é revolta, sabe? Nem sempre é recado, nem sempre é experiência, nem sempre é justo que vocês não entendam do que eu estou falando. Mas, às vezes, tudo isso acontece ao mesmo tempo, como no último texto.

Engraçado é que é legal que ele esteja lá, e é lá que ele vai ficar. Porque algum recado foi passado, de alguma forma, mesmo que não seja o quê e pra quem eu fazia questão. Mais engraçado ainda, é que este texto aqui, logo depois do outro, vai ser bem bonito.

Quando a minha irmã começou a namorar, a gente se distanciou bem. Eu não gostei daquilo, porque ela era a minha pequena, e de repente, não estava mais lá, nunca. Então, durante uma discussão, eu disse pra ela que aquele namoro não ia durar pra sempre, e ela emputeceu level 10, estrelinha. Faz pouco mais de um mês, ela veio me dizer que eu estava certa. O namoro acabou, ninguém morreu, a vida indo.

O que eu queria que ela entendesse naquela época, é que eu não estava dizendo por mal, que não era triste, nem desesperador, nem macumba pra ter a minha irmã de volta. Era só a realidade, e a realidade não é triste, é bonita!

Porque antes disso, eu havia namorado três anos, e acabou. Cada um seguiu a sua vida, as coisas mudaram. Hoje ele tem um filho, e eu, namorei mais uns muitos anos, e acabou outra vez. E exatamente aí, quando não podia, parece que eu mesma esqueci a minha lição. E senti o baque, bem feio.

Seria muito mais prático se as fases da vida fossem como as da lua, que mudam, independente de a gente querer ou não. Eu não gosto da lua minguante, mas de tempos em tempos, ela está lá. E eu tenho a opção de não olhar pro céu se eu quiser, mas aí, eu perderia também as estrelas todas. De qualquer forma, se as nossas fases mudassem por conta, quanta coisa a gente não ia deixar de entender. Eu acho bonito assim, mesmo chorando mais.

Enfim, eu tentei retardar a mudança que estava invadindo a minha vida, eu fechei todas as portas por onde a realidade e a novidade pudessem entrar. E sabe o que acontece quando você faz isso? Não entra nada, nem luz. Às vezes falta ar, também.

Enquanto eu escrevo, tá rolando Keane, no repeat:

O tempo corre em um ritmo rápido
É engraçado como é fácil esquecer o rosto dela
Você esconde as rachaduras, os fatos vão te encontrar
Vire-se e deixe os dias solitários para trás agora

Todas as coisas que você achava que estavam garantidas
Te atingiram como uma bala na barriga
Você não consegue se levantar
Mas você vai ao menos tentar?
Porque se você nem ao menos tentar
O tempo vai te deixar pra trás

Você não suporta mais aquele trabalho, apesar de ganhar muy bien, e estar lá há trocentos anos. Você não suporta mais o relacionamento que não faz mais bem pra nenhum dos lados, mas está quase noivo. Você descobre que quer a arte, no penúltimo semestre de direito.

E aí?

Mais uma vez, não é triste, apenas “é”. Mas às vezes, a única coisa que faz com que a gente encare os fatos, ainda a contragosto, e comece a cogitar a mudança, é o cansaço. Porque cansaço dói, e quando chega a hora que dói demais, também chega a hora onde o mínimo descanso da dor vai te fazer entender tudo, e querer se livrar dela, de vez.

Não adianta eu dizer que você deve tentar, se você mesmo não estiver preparado. Eu ignorei o meu próprio conselho, por não estar. Eu sabia, mas não queria mudar de fase.

Não significa mudar de mundo, de cabelo, de gosto. Mas pode significar até aceitar de volta partes de outras fases que já se foram. Eu criei uma conta nova no fotolog, mas mantive a franja.

E a esperança. Só que voltada pro lado certo, dessa vez.

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E quem vai?

E quem gosta?







3
Mar
  Oompa Loompa Style

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Eu tenho uma teoria: tudo, absolutamente TUDO que acontece comigo tem um propósito positivo. Comecei a pensar assim depois que uma sucessão de merdas resultou em uma porrada de coisa boa nos últimos meses. A última delas foi me perder, descendo pro lado errado da Av. Paulista, e encontrar um apartamento foda, por um valor mais foda ainda.

Por conta disso não fico mais com raiva quando perco o ônibus, esqueço alguma coisa, ou quando qualquer coisa parece ter dado errado. Vivo mais feliz assim.

E só assim eu consigo explicar o fato de o meu pai ser o mais baixo dos sete irmãos dele e ter casado com a minha mãe, que era a mais baixa da ninhada alemã.

Porque tem que ter uma razão divina pra essa minha estatura de banquinho de cozinha.

E se não estava irônico o suficiente, infomação adicional: minha ÚNICA irmã, MAIS NOVA, é mais alta que todo mundo em casa. O alvo dessa maldade era eu. Única e exclusivamente. E como se não bastasse, aos 21, tenho fuça de 15.

Mas eis que, analisando minha tosca situação sob essa nova ótica, descobri que sim, mais uma vez , eu me ferrei mas me dei bem:

- Eu passei por baixo da roleta no ônibus por muito mais tempo do que você e o todos os seus irmãos juntos.

- Quando eu quero, eu faço as coisas sozinha, tipo hoje, quando enfiei o rack que eu havia comprado num carrinho de supermercado e levei (ladeira abaixo) até a minha casa, só pra não pagar entrega. Mas quando eu não tô afim, eu faço cara de chorinho e as pessoas me ajudam.

- Eu NUNCA bato a cabeça nos lugares, porque não chego lá. E fico em pé dentro de um carro. Não que isso seja muito útil, anyway.

- Eu nunca fico pra trás com caronas. “A Mirian cabe, ocupa pouco espaço”.

- Se eu torcer o pé, sou fácil de carregar. Se eu estiver com preguiça de andar também, aí combino com a cara de chorinho e não fico com remorso, pois sei que não incomodo muito.

- Eu posso comprar roupas de criança. MUITO mais barato que roupa de gente. E se eu for comprar tecido pra mandar fazer alguma peça, também gasto menos.

- As pessoas me dão lugar no ônibus quando percebem que estou prestes a morrer esmagada.

- Eu consigo dormir deitada numa poltrona. Mas dá um pouco de trabalho.

- Posso usar o salto que eu quiser. Meninas mais altas tem limite de salto. Quando quero ficar malvada, posso mandar uma botona dominatrix com um salto que poderia entrar pela sua barriga e sair nas costas. Fuck, yeah!

- Eu consigo dar voltas nadando numa piscina de lona. Tá, essa é completamente useless, mas eu queria mais ítens.

E se tudo isso não for suficiente, saiba que eu era MUITO mais ágil que a maioria das pessoas no Kung Fu, por conta do tamanho. Chega aí que a gente bate um papo. Rápido e indolor.







20
Feb
  Sobre pés: os vermelhos e os ausentes

Por Maira Bottan

Não sei se é praxe cidade pequena ser no meio do mato. Ou ter muito mato.  Mas deve ser, afinal, ela não cresceu o bastante pra deixar apenas um pedacinho de mata no meio de um grande pedaço de terra asfaltada.

Amigos, digo que é bem pior quando você mora no fim de uma cidade pequena. Ali, na divisa do canavial.

Não sejamos ingratos, o bairro tem uma beleza. Verde. Pra todo lado.
Se você olhar ao leste, vê o sol nascer no meio do nada. Se olhar a Oeste vê um bairro que não tem…nada. Se olhar ao sul, vê a área rural. Que nem deve mais ser do meu município. E por último, se olhar ao norte, verá uma avenida que só tem comércio de um lado. Do outro é mato.

Não entendam como reclamação. O bairro tá bom agora. Sim, quem morava por aqui era chamado de pé vermeio. Quando chovia a gente amarrava sacola de supermercado no pé pra não sujar de barro. Foda.

De qualquer forma, barro não falta. E o que vem junto do barro? João-de-barro!

                                periquito curioso 
                                                    Epa! Esse não é o Jão!

Apesar de gostar de passarinhos, não conheço tudo sobre todos. Mas posso dizer sobre ele o que sei.

Ele constrói casinhas de barro. Oh!

Quase sempre em cima dos postes. É uma verdadeira obra. Considero esse passarinho o mais pedreiro dos passarinhos.
Tem todo um esquema a casinha. Montar o alicerce, parede e coisa e tal. E sabe como fazem isso? Óbvio. Preparam o barro e levam com o bico. E sabe como preparam o barro? Pezinhos. E como colocam na casinha? Pezinhos. E bico.

Eis que há algumas semanas, saio eu pra ir pegar ônibus. Não tenho motorista. Meus pais fazem muito de me dar o passe do busão.
Dado uns cinco passos na calçada, vi um João-de-barro em cima do muro. Pensei: "Nossa, que legal! Faz tempo que não vejo um!!"

Fui chegando mais perto e vi que ele estava escondendo um pezinho!

– Igualzinho a um flamingo! – parei, num momento de reflexão – engraçado, nunca vi passarinho escondendo o pé.

Confesso agora que eu tenho um sério problema. Se eu vejo um botão, nao sossego até apertar. Logo, se eu vejo um passarinho com o pé escondido, não sossego até ver o pezinho.

Andei até o Jão, e ele continuou lá. Parado.

– Passarinho folgado! Era pra voar! Só pomba não voa quando a gente chega perto.

Pomba não voa quando você chega de mansinho. E como você faz pra ela voar? EXATO! Dei um pulo em direção do coitado. Coitado mesmo.  O passarinho não voou, tudo que ele fez foi rodopiar. Num pé só.

Pensamento: MAIRAIDIOTADEUMAFIGAAA! Coitado do passarinho, não tinha um pé! Saí andando rápido pro coitado se acalmar e parar de rodar..

Depois me veio o pensamento profundo: certa vez ouvi dizer que o João-de-barro constrói a casinha e a fêmea passa e vê se gosta. Se gostar fica com ele.
Como uma Maria-de-barro vai gostar de uma casinha feita por um passarinho que se tentar preparar o barro, cai? Pobre Joãozinho.

Será que já inventaram mini pernas mecânicas?