25
Jun
  Não bimbarás

missbimbo

Sempre ri muito de quem acredita nos famosos jogos considerados do capeta, mas, nessa última semana, reconsiderei.

Há exatos 34 dias, estava eu na minha humilde residência sentada à mesa com a senhorita Mirian, cada uma em seu pequeno mundo virtual, como é de costume nos fins de semana, quando escutei uma platéia aplaudindo, som vindo do note da Paçoca. Não me contive e perguntei o que diabos era aquilo.

Ai começou a merda, ela me apresentou um jogo: Miss Bimbo. Que ela, por sua vez, conheceu através de um tweet/post  da Lia.

O objetivo resumido é: ter as roupas mais caras,  ser a mais magra, inteligente e estilosa. Como a Lia disse, entre as metas “politicamente incorretas” também consta arrumar um namorado rico, mesmo que ele seja velho e feio. Eu ri. Achei ridículo. Mas fui lá e fiz minha querida Bimbo Makyyta, pela boa e velha curiosidade. E desde então, caro leitores, eu bimbo (do bottanês BIMBAR) todos os dias.

Tentei parar, mas quando não bimbei, recebi o e-mail de assunto “Your Bimbo is sick”, resolvi dar uma checadinha e minha Bimbo, uma quase mini-me, estava morrendo de FOME!

Como não pude deixá-la morrer, voltei a bimbar.

Mas essa semana, algo me assustou. Durante esses 34 dias (fora o episódio da fome) tratei minha Bimbo muito bem. Dei legumes, água, chocolate quando ela estava triste, botei a Bimbo pra dançar, mandei pra academia, coloquei roupa bonita e fiz uma maquiagem animal.

Um dos objetivos, como eu disse, era arrumar um namorado. Acontece que minha Bimbo mesmo com alto Q.I., super atitude, bonita e bem vestida não arrumava um mancebo! O que já me pareceu meio familiar…

Quando finalmente conseguiu arrumar um namoradinho feio e pobre (na visão Bimbo de ser, pelo menos), subi novamente de level e a nova meta era: terminar com o namorado.

Fiquei TRÊS dias tentando pagar TREZENTOS bimbos dólares por causar danos emocionais ao meu bimbonamoradovirtual e mesmo assim ele não queria terminar comigo!

Ai já não me era mais familiar. Era minha vida real. Eu tenho um karma lazarento de arrumar nego que não aceita fim de relacionamento nem pagando!

Fui então comentar o fato com a Paçoca, já que, sendo quem me apresentou o jogo, poderia estar mais sabida do que eu e me dar umas dicas. Mas o que ela me disse sobre a sua Bimbo foi:

“Gasto todo o meu dinheiro em roupas, terminei com o meu Bimbo-namorado, entrei em compulsão alimentar e agora tenho que frequentar o psicólogo.”

Duas vezes não pode ser coincidência. Isso não pode ser do bem.







13
Mar
  Literalmente literal

ChutandoBalde_Final

Realiza:

A classe conversa alto e ri descontroladamente. Aquela zona maldita de primeiro ano do ensino médio. Eis que o professor de matemática mais temido num raio de 900km, um bigodudo encanado, chega.

Ele pára, olha em volta, a classe engole os gritos, temendo pela vida. O professor caminha até a própria mesa, abaixa, procurando algo. Ao levantar, tem o algo nas mãos: um balde.

Caminha tranquilamente até o meio da sala de aula, colocando o balde no chão. Dá uns passinhos de ré. De repente, engata a primeira, e após uma corridinha, mete um chutão no balde.

Foi a porcaria de cena que uma acéfala me fez imaginar quando parou atrás de mim na fila da cantina e disse: "Nossa, hoje a classe estava fazendo tanta bagunça, que o Mauro chutou o balde, literalmente!"

Porque, às vezes, é necessário fazer bonito, bem. E depois de mandar a bela palavra que enfeitou feito cereja a sua frase, o sujeito empina o nariz e suspira, com aquele ar de missão cumprida. Sem saber a merda que acabou de falar.

Fiquei (figurativamente) chocada, ao checar o assunto uébafora:

Sendo mais que breve, afinal os vossos sacos, tanto figurativamente quanto literalmente, já devem estar para lá de Badgá.

Só espero que o infeliz esteja ainda ligado ao dito, apenas numa viagem a negócios, ou algo que o valha.

O mundo está literalmente perdido.

Também, nesse universo tão grande, com essas estrelas atrapalhando a visão, pô.

O fato de poder navegar em literalmente qualquer lugar, e melhor ainda, com uma conexão estável, não tem preço.

Não mesmo. Na Paulista, por exemplo, já pensou? E nem precisa navio, só uma lanchinha já bastava.

As três próximas, inacreditavelmente, estão no mesmo texto:

Terminei a prova, literalmente voando.

Ao menos conseguiu entregar, antes de sair pela janela?

Então fui checar a fila, que literalmente dobrava quarteirões.

Putaquepariu, então eu perdi a porra da passeata de mutantes do Smallville?

Terminou o show e saí literalmente MORTO (…)

Devia ter escutado a tua mãe quando ela disse que ficar no meio da muvuca era perigoso. E viva a psicografia, que nos permite bater um papo contigo depois do ocorrido, né, mancebo?

Agora eu quero ver o texto com o maior número de comentários da história. Está oficialmente ( e figurativamente²) lançada a campanha "Pelo bom uso do literalmente" (sim, como no Orkut – e eu participo dessa comunidade desde SEMPRE). Postem a pérola mais maldita envolvendo o pobre literalmente que seus ouvidinhos já puderam presenciar, seguidas de um adjetivo criativo (ou não) para a ameba azul do mato que a proferiu.

Vamos salvar o português do assassinato. E terminar com um literalmente aqui seria emocionante, mas errado.







12
Dec
  O desafio de ser 100% natural

Quando eu nasci, minha mãe adotou uma mania que virou coisa de família depois: com um radinho (Meu primeiro Gradiente, lembram?) ela gravava tudo que eu dizia.

Gravou por alguns anos, coisinhas pequenas.

Em um certo ponto eu comecei a ter opinião. Aí fodeu:

-Mirian?
-Queee?
-Onde você está?
-Não vem aqui, não! Tô fazendo arte!

Ou:

-Hoje, a Mirian e eu fomos ao parque e tomamos sorvete, não é Mi?
-É.
-E estava bom?
-Não.

Ou ainda:

-Hoje a Mirian foi passear com a turminha da creche e comeu cachorro-quente, certo?
-É, mas não tava quente.

E por aí vai.

Criança é um bicho desgraçado pra ser natural. Eu, por exemplo, além de falar muita verdade, não precisava me preocupar em fazer escova no cabelo, nem fazer dieta, nem em me ligar se alguém ia gostar do que eu ia dizer ou não.

Aos cinco anos eu citei o nome do Presidente da Rússia na época, o Gorbachov, no meio de uma conversa de adultos. Quase matei todo mundo de espanto. Mas eu não estava querendo fazer moral. Eu sabia, porra. Falei mesmo.

Não ligava pra refrigerantes e doces, passei a ingerir essas porcarias na pré adolescência. Antes disso, adorava uma água, e parava de comer quando matava a fome, não socava comida por dó das crianças da Nigéria. Porque elas não iam comer o que eu jogasse no lixo mesmo.

Hoje acordo no meio da noite pra comer bolacha recheada, e fico me xingando no outro dia. Sonâmbula maldita.

Enfim, naturalidade na fase adulta é uma coisa um pouco mais complicada.

Imagina só, você e a sua respectva, naquele clima, rolando uma musiquinha toda envolvente, um vinhozinho e tal. Aí ela vai até a mesa reabastecer a taça, e você solta:

-Nossa, amor, tá precisando queimar essa celulitezinha, hein?

Certamente você vai levar uma garrafada na fuça. E com razão. Eu jogaria.







16
Oct
  Cabelo bandido? Se não tá preso tá armado? Chega, liberte-se do elástico!

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Vou contar uma história pra vocês. Era uma vez uma menina com belos cachos loiros. Com treze anos de idade a menina encucou que queria pintar os cabelos de vermelho. A menina pintou os cabelos de vermelho por quase dois anos. Parecia um tomatão. Ou tomatinho, pois ela era pequenininha. Óbvio que o cabelo ficou uma bosta. Então ela resolveu deixar os cabelos crescerem e voltarem ao normal naturalmente. Isso demorou um ano e meio.

Eis que, um belo dia, a menina e a sua banda iam tocar numa festa. De tão empolgada, a AMEBA AZUL foi lá e pintou tudo de vermelho de novo. Mais um ano e meio pra desfazer a cagada. Nesse meio tempo, ela ainda fez “luzes”, pra disfarçar o degradê do loiro pro ruivo. Era uma coisa divina aquilo.

Depois disso, a menina sossegou o picuá, e resolveu não fuçar mais nas madeixas… por um tempo. No começo do ano passado a MACACA AZEDA DO MATO foi lá e pintou o cabelo de novo. De loiro. Mas de tão MACACA AZEDA que ela era, errou a tonalidade e ficou igualzinha à Leona da novela. Vocês se lembram? A Carolina Dieckman com aquele cabelo branco. Pois é, foi assim que a MACACA AZUL DO MATO AMEBA (ai, me perdi…) ficou.

Claro que a anta era eu. Depois disso, pra tentar voltar a ter cor de cabelo de gente, pintei ele de escuro umas quinze vezes no mesmo ano. Dessa vez, ficou uma bosta inexplicável, que me levou a alisar os cabelos, pra não parecer a bruxa Keka. Sem contar a franja, que eu vivo cortando sozinha, e sempre fica curta demais. Ou torta. Ou as duas coisas, como da última vez. Por conta disso, nas últimas semanas meu humor tá uma paçoca.

Mas eu duvido que milhares de outras mulheres não tenham uma história parecida com a minha, ou pior. A gente vive desfazendo as próprias cagadas, e reclamando que o cabelo não presta quando a culpa disso é mesmo nossa. E vivemos em busca de algum milagre que permita sair no vento, ou deixar a janela do carro aberta. O Mobilon me odeia por isso, não abro nem quando tá o inferno na terra de tanto calor. Eu hein! Keka mode-off!! Sair no vento SÓ com o cabelo preso, o que é um saco. Ainda mais quando você acaba de fazer aquela escova/chapinha e tá linda maravilhosa, vai tacar um elástico? Nã-nã-não.

Tomando as dores das descabeladas do meu Brasil, a L’oréal lançou a nova linha Volume Control, da Elsève, que promete hidratar e diminuir o volume das madeixas. E junto, veio o movimento Liberte-se do elástico, que vai te dar um celular Prada novinho, para combinar com a chiqueza dos seus cabelos domados, benhê. São duas formas de ganhar: a primeira é fazer o cadastro, e a partir daí, recrutar todas as suas amigas e amigos, para lutar conosco contra os cabelos rebeldes. Quem recrutar o maior número de pessoas, leva o celular, mais um puta kit de produtos Elsève. A outra forma é criar uma frase dizendo o que a liberdade dos seus cabelos significa para você, a frase mais criativa também leva o celular, mais kit Elsève. Lembrando que nas duas categorias, os vencedores do 2º ao 5º lugar também levam kits Elsève Volume Control.

Tá esperando o que, leãozinho? Corre lá salvar essa juba! E se livra desse elástico!







10
Sep
  Eu nunca vou me conformar com a humanidade

Quem lê o Substantivolátil há algum tempo já deve ter percebido que eu cultivo um certo desgosto pelos seres humanos. Não todos, claro. Inclusive porque apesar das tentativas, não conseguiram ainda me convencer que sou um macaco.

Mas vamos por partes. Durante o ensino primário, você acredita quando sua professora diz que o ser humano difere dos demais animais por que raciocina, não é? É. Mas isso só acontece porque você, ainda exalando a mais pura inocência, não faz a mínima idéia da mente medonha de certos adultos. Ou pior, da mente medonha que você pode desenvolver com o passar dos anos.

Existem os que pensam que pensam. São os que não fazem jus à “superioridade” de sua raça, desprezando toda e qualquer capacidade que os caracterizem como Homo Sapiens. São os que Deus devia olhar de canto e dizer: “Tu num vai pensar muito não, fio. Só vai pensar merda mesmo, melhor ficar macaco.”. Talvez se certos estrupícios fossem privados de suas faculdades mentais, eu nunca precisasse tomar conhecimento das seguintes buscas: 1, 2, 3

Por quê diabos o cérebro humano tem essa tendência a pegar a saída mais rápida pra baboseiras? Por que será que o Orkut, na forma mais miguxesca possível e os blogs prostitutas “bombam”, enquanto é difícil encontrar um blog interessante e inteligente?

Parece que todo mundo fica dez vezes mais criativo quando se trata de inventar algo que não sirva pra porcaria nenhuma. Quem foi, minha virgimaria, que inventou o diabo de “air guitar“!? Meia dúzia de tontos resolvem fingir que estão tocando guitarra, e quando a gente percebe, a coisa já tem campeonato! E então vêm os japoneses e inventam uma guitarra pra tocar enquanto não se toca guitarra!

Isso sem contar coisas tipo os caras do Jackass, o povo que se deforma e acha lindo, a tal da suspensão (porque não enfia aquele gancho no cu?) e outras intermináveis bizarrices mais, que fazem a gente querer logo a era dos robôs.