Primeiro semestre do curso de Jornalismo. Sonho de anos, e a cada aula a certeza não poderia ser maior. Almejando o meu primeiro estágio como assistente de redação num jornal local, visualizando uma carreira deliciosa pela frente, aquele tão falado “compromisso com a verdade”.
Ai, ai. Mágico.
Eis que hoje me deparo com a seguinte notícia:
Um ano depois, a tragédia da ETE de SB deixa rastro
Um ano após o incidente que transformou a vida da família Máximo Leão, ainda sobram lembranças, expectativas sobre o ressarcimento de prejuízos e lamentos. O agricultor Raimundo, sua esposa Almerinda e a cunhada Josefa Gonçalves de Souza trazem na mente e no corpo as marcas daquela sexta-feira, 3 de março de 2006.
Vizinhos da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) Toledos 1, no Jardim Conceição, a maior estação de tratamento de detritos de Santa Bárbara d´Oeste, a família foi surpreendida naquela noite com uma avalanche de esgoto sem tratamento. A onda de dejetos destruiu a casa de nove cômodos, dizimou a criação de galinhas formada por 180 cabeças de aves, matou dois cães e três gatos e prensou o Fusca do filho do casal entre as árvores localizadas no extremo da propriedade de 26 mil metros quadrados.
E de repente eu me pergunto se seria capaz de falar com sincera seriedade sobre o drama de uma família que teve sua casa destruída por uma enxurrada de BOSTA.
(…)
Eu sou uma pessoa horrível.




