24
Jun
  Rala o coco, mexe a canjica

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Pra mim, Dezembro tem cheiro próprio. Já me disseram que é por conta de uma tal árvere árvoro árvore que floresce só na época, mas eu me recuso a engolir. Dezembro cheira diferente por conta do natal. Assim como os meses de Junho e Julho tem seu cheirinho particular por conta das festanças caipirescas. É realmente uma pena que, assim como o natal e os aniversários, as festas juninas/julinas percam a graça conforme a gente vai acumulando velas no bolo.

Aqui na capital, o mais perto que eu cheguei das tradições interioranas até o presente momento, foi no almoço de hoje, com bandeirinhas decorando o restaurante e os garçons vestidos com camisas de flanela, servindo um quentão digrátis. Ainda assim, num miserê…

Enfim, eu tenho saudade das festas juninas, ainda que nunca tenham sido, exatamente, dias de glória. Porque analisando bem, eu sempre me fodi nos pseudo-relacionamentos-quadrilhísticos:

Fui noivinha na dança por uns anos. Minha mãe me fez um vestido lindo, a partir do vestido de noiva dela. No primeiro ano, me escolhem um capeta alado de noivo. No outro, o menino era lindinho, mas eu estava banguela. Mas tipo, MUITO banguela.

Num outro ano, o meu par empaca. Na gravação, a ameba do moleque parado, com cara de coruja, e eu empurrando: “Daaaança, Thiaaaago!”. Num outro ainda, a pomba caga na camisa do meu par minutos antes da dança e ele quase desiste, ao invés de simplesmente limpar a merda.

Mas teve o pior, o mais traumatizante da minha infância, que foi quando o menininho por quem eu nutria um amorzinho platônicozinho, disse que preferia dançar com um cachorro do que comigo. Aquilo doeu. Renan era o nome do maldito.

Anos depois, eu disse isso pra ele de volta. Mas o trauma ficou.

Apesar dos pesares, não dá pra negar a delícia que era. Escolher a roupa (ou fazer um exchange com as primas), cortar bandeirinhas, ensaiar a quadrilha, numa expectativa só. E no dia, virar a estrela da festa, com maquiagem e tudo (mesmo odiando aquelas pintas estúpidas). Aquela criançada enfileirada desenfileirando, a professora louca com aquela massa colorida de crianças enchapeladas, pisoteando no “olha a chuva!”, e incapaz de fazer aquela ciranda maldita de meninos pra fora, meninas pra dentro, e cruza a mão, e roda, e volta, e cruza, e putaquepariu, que foda!

Tudo devidamente documentado em empoeiradas fitas VHS, que precisam, urgentemente, virar DVD.

E no interior a coisa não pára em festinhas de escola. Nessa época do ano, é só ter saco e gasolina, que rodando pela cidade você pode encontrar as festinhas de bairro. Essas sim, com a vizinhança cheia de quentão e vinho quente, e aquela gorda da casa da esquina com chapéu de trancinhas loiras achando que consegue, bêbada, pular a fogueira do terreno baldio, essas são sensação.

E pelo amor de Santo Antonho, Rodeio não é equivalente à festa Junina. A sigla FDP, definitivamente, não é mera coincidência. Festa do Peão é o lado negro, feio e gordo da coisa, onde todo mundo se entope de pinga com mel pra ver um touro com o saco apertado, pulando com uma anta em cima, uma tradição que nem nossa é, ao som de Bruno e Marrone.

Que infelizmente, são nossos.







21
May
  Mi casa es mi casa

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E eis que o grande dia chegou. Eles vieram me visitar. Sabe né, ELES.

Porque botar a mochila nas costas e chegar forrest gumpemente desbravadora em Americana, sendo paparicada pela família toda como a neta/sobrinha/filha/prima foda que foi morar sozinha na cidade grande é uma coisa.

Provar que eu lavopassocozinho e limpo atrás da orelha direitinho, com pai, mãe, irmã, namorado da irmã, gato, cachorro e macaco observando é outra. Mas eu estava relativamente pronta.

A rempa ia chegar no sábado e pra noite de sexta planejei um show do Skank e depois A FAXINA no apê. Mudança de planos, cineminha com o povo da agência, depois faxina no apê. Mudança de planos, cinema sozinha, depois faxina no apê. No fim, ficar até mais tarde na agência pra postar alguma coisa aqui, depois faxina no apê.

Acabou que saí quase duas da manhã e nem fodendo que eu ia faxinar. Além do mais, tudo estava limpinho, a moçoila que mora comigo estaria na sala vendo TV com o namorado, com umas latas de cerveja por perto, uns dois ou três copos pra lavar. Cinco minutos e eu arrumava tudo no outro dia.

Mas, ao sair do elevador, a música alta dos diabos vinha… da minha casa? Whatahell?!

Cumassim que a moça e o namorado se transformaram em um bando bêbado, faladero e fumero, a cerveja que eu esperava estava lá, mas FORA da lata, no chão e a louça AHPAPUTAQUEPARIU?

Não era feriado, não saquei a visita fora de época do Murphy. Só sei que a imagem de uma anã estressada andando pra lá e cá limpando bagunça afastou o povo e sua alegria. E no outro dia, depois do lerê lerê, tudo estava lindo, esperando um mundo de elogios.

Mas o primeiro comentário do Zé foi: “Não tem nada na geladeira. E eu doido pra tomar uma gelada.”

Não por isso, pai, já pro mercado, gastar o SEU dinheiro.

E foi o lucro máximo que consegui. Porque manceba que sou, devia saber que ela viria preparada após ler o final desse texto. Só não imaginava que envolveria muletas e eu de garçonete o final de semana todo.

Perdi.







17
May
  Vai subir?

elevador

Os prédios lá em Americana são pingados. Um aqui, outro acolá, e nem de longe alcançam 6465436 andares como aqui, na capitar. Por isso, era difícil, assim, no dia a dia, a gente elevadorar.

Sim, é um verbo. Porque não é só subir ou descer. Elevadorar é uma arte.

E começa antes mesmo de começar. O sujeito atrasado, catando as coisas pelo caminho, trupicando em tudo, tentando comer uma bolacha e trancar a porta ao mesmo tempo. E antes de conseguir, já dá tempo de lembrar que vai ter que chamar a bagaça e esperar subir 95 andares.

Lição número um: o elevador NUNCA está lá quando você mais precisa dele. E quanto mais raiva você tiver do fato, mais pessoas vão chamar ele pelo caminho. Mantenha a compostura, engula o choro e chame o dito antes de tentar trancar a porta.

Saindo de casa, você corre o risco de encontrar um vizinho. Eu me apavoro. Sempre fico imaginando se aquele é o cara que bateu no teto na noite em que eu tive insônia e resolvi faxinar de madrugada, arrastando as coisas pra lá e cá, ou se todo mundo comenta que eu sou a desgraçada da menina que ouve o som nas alturas.

Mas eu tenho mais pânico mesmo de gente que puxa papo. As pessoas deviam aceitar que não se cria nenhum tipo de relacionamento num elevador.

- Bom dia!

-Bom dia.

-Nossa, menina, mas que virada, esse tempo, né?

-Pois é, esfriou bastante.

-Nossa, nem me diz, e eu que ia pegar uma piscininha nesse feriado, porque tô com umas amigas aqui, e a gente ia pra um hotel fazenda, a coisa já estava marcada faz um tempão, e agora eu não sei o que eu faço, vou ter que tentar aproveitar ass..

-Hm.. é.. eu fico aqui, até mais!

-Opa, até!

Santo Deus.

Lição número dois: não puxe papo com desconhecidos. Foda-se o terremoto. Não o faça.

Em casa, você vai cruzar com, no máximo, duas ou três pessoas num elevador. O foda é no trabalho. De longe, você vê a fila. Óbvio que você tem a opção de esperar o próximo. Todos tem, mas ninguém faz. Eu não faço.

Aí você fica ali, espremida no meio de 15 nego, uns gordos, outros magros, outros baixos, outros altos e todas as combinações possíveis, como na vida, né, gente?

Só que num elevador, isso significa:

-Ficar bem embaixo de um sovaco fedido.

-Ficar de cara com a pança do véio.

-Ficar com o sovaco na cabeça de alguém.

-Ter alguém com a fuça na sua pança.

E assim por diante.

Lição número três: tente se esmagar numa das paredes. Mas certifique-se de que não está apertando todos os botões. E se for vítima do sovaco, faça cara de paisagem. Vai durar pouco, principalmente por conta daquela velha maldita que dá duas de você e contribui para a lotação do elevador pra subir um andar. UM ANDAR.

Lição número quatro. Avise a véia que é por isso que ela está gorda. Vai fazer um favor pra ela e aliviar o elevador.

E a quinta e última lição. Condicione a sua cabeça a achar que TODO elevador está sendo filmado. Não tente se lembrar qual realmente está e qual não. SEMPRE aja como se estivesse sendo filmado, principalmente quando tiver um espelho na história.

Vai por mim, a consciência agradece.







2
May
  Oops, I did it again

Já começo pedindo desculpas pela ausência! Mas tenho uma boa razão e explicarei a seguir:

Meu pai tem uma loja. E como todo filho de pai que tem loja, nas horas de perrengue acabo sempre socorrendo. Acontece que dessa vez o negócio foi além: a guria da administração ficou prenha. E como toda prenha, uma hora tem que parir. E ela pariu. E aí vem a frase ambígua que mais tenho falado (sorry, Veridiana): Puta que pariu!

Então tá aí o motivo do sumiço. Escola, trabalho. Sabe cumé.

“Ah, beleza. Pelo menos você deve estar ganhando uns dinheiros.”

Não. Ser filha do dono pode ser pior do que ser um simples funcionário.

1°: Você não tem horário. “Oh, que ótimo!” Ótimo merda nenhuma. Eu faço um “Pacote Almoço”, que é o tempo de engolir a comida, escovar os dentes se achar necessário, se esconder no banheiro para que parem de correr atrás de você com um turbilhão de coisas pra fazer e de brinde ter o tempo de tomar uma aguinha.

2°: Esse é um problema “extra”. É brinde também. Imagine você que sua mãe também trabalhe na loja. Imaginou? Agora imagine a comida que sua mãe te mandaria se tivesse pouco tempo pra prepará-la. Imaginou? Mãe, se você estiver lendo isso e sei que está, não me entenda mal e nem me chame de ingrata, mas, poxa… Nuggets frito/murcho/engordurado com queijo! E… pára de me mandar ovos crus. Sério. Eu não frito, não como, não dá! Pior que isso só miojo em potinho, que quando ‘desenforma’ fica parecendo um Flan nojento. Ugh.

3°: Salário. Por mais que eu faça, EU NÃO SOU A VERIDIANA (a prenha)! Ganharei menos da metade do salário dela e quando eu pedi pra ganhar comissão o assunto se tornou uma masterblaster briga.
Então pessoar, vou ter que pedir desculpas novamente, dizer que tentarei escrever com mais freqüência, nem que seja pra levar uma máquina de datilografar no busão, visto que faço uma viagem de 40 minutos de manhã, e dizer também que não é por má vontade, espero que entendam.. mas o que importa é que a coisa aqui tá preeeta, já diria o Chiquinho.

Agora vem o meu apelo: Tatá, você sabe que tô sofrendo, pára de fazer chantagem emocional porque eu não estou mandando os textos.

Como diria uma amiga, você quer que eu cague tempo, mas eu não tenho nem tempo pra cagar.







10
Apr
  Revendo Conceitos

Meu nariz torceu 360 graus quando eu peguei nas mãos o livro “Uma vida inventada“,  pra ler e dar uma palavrinha sobre.  O que diabos eu ia querer com a biografia da Maitê Proença? Botei na mesa e ficou alí, com os depois-eu-vejo-faço-arrumo-termino.

Eis que, na mesma tarde, como que propositalmente, meu computador na agência resolveu ter um piriri. Faltou bater o pézinho: “Não ligo, não ligo e não ligo! Boba!”

Botei o bicho pra consertar e fiquei no aguardo. Olhei pro lado, e a Maitê me esperando. Peguei, com aquela má vontade de doméstica que trabalha há 30 anos na mesma casa, sabe? Não? Bom pra você.

Depois de devorar 50 páginas num tapa, Fiquei com vergonha. Eu tinha feito com ela exatamente o que eu mesma detesto que façam comigo:

- Pô, você é bonitinha e AINDA POR CIMA manda bem nos textos! LOL

E fiquei matutando a história. Porque diabos a gente tem mania de querer diminuir algum aspecto do outro, quando um em especial se destaca? É o velho papo do nerd feio e tosco, da gostosona burra, ou da modelo tapada.

Na verdade, desde criança você se acostuma com o fato de os malvados serem feios, e as mocinhas lindas e inocentes.

Mas enquanto a bruxa é capaz de inventar toda uma estratégia maléfica pra acabar com as donzelas, as antas não conseguem sequer notar o perigo. Branca de Neve vai que vai na maçã oferecida por uma velha mendiga toda torta, e Bela Adormecida enfia o dedo na agulha na maior fanfarronice. Lôra, linda e burra. Bah.

O livro da Maitê é ótimo. Bem escrito, interessante, engraçado e profundo. Assim como a história de vida dela, que me surpreendeu. Mais uma vez como acontece comigo, por exemplo, ao falar da época em que sofria de bulimia:

– Nossa, sério!? Mas você!? Nem dá pra imaginar.

E se eu tivesse uma verruga na ponta do nariz, daria?

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Pra terminar, uma promoção relâmpago, pra quem ficou curioso: tenho um exemplar do livro,  pra presentear um leitor ou uma leitora aqui do Subs. Eu mesma peguei a maldita fila de uma hora e meia pra conseguir um autógrafo no bichinho, como vocês podem ver nas fotos abaixo (clique para ampliar):

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Pra ganhar, basta completar, nos comentários mesmo,  o trecho que eu vou transcrever aqui. A continuação mais criativa leva!

A frente da casa estava impressionantemente igual. Estranho, pensou a menina. Como é que a vida podia ter virado do avesso, e justamente naquela casa, onde tudo havia acontecido, nada ter se alterado? Permanecia solidamente em pé, como se fosse um lugar seguro, como se tivesse esse direito depois de ter deixado que tudo se desarrumasse na existência de seus moradores. Casa de merda. Servira de palco para “aquilo” e agora estava alí, impávida, invulnerável.

Boa sorte! )