15
Feb
  Vivendo só, consigo mesmo

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Aviso: Recomendo aos senhores meus pais que não prossigam com a leitura deste texto. Confiem em mim, ou estarão por sua conta e risco.

Janeiro de 2006. Eu, 19 aninhos e bochechas rosadas, me encontrava numa recém solteirice enlouquecida e enxergava um alvo festa em cada segundo do meu dia. Só queria saber de sair, dançar, beber e rever os amigos.

SÓ QUE, apesar de trabalhar e pagar com a minha própria alma a bagaça toda, meu pai insistia em me botar uns limites surreais:

– Volta às 2.
– Mas, pai, a festa começa 11!

Depois de uma sessão descarrego eu conseguia permissão para voltar às 2 e meia. ÓBVIO que isso nunca aconteceu. Parece que quanto mais torta eu voltava da balada, menos barulho eu fazia. Coisa de mestre.

Mas chegou uma hora que aquilo começou a me incomodar, eu não queria e nem precisava ficar passando por aquele perrengue. E um belo dia, no meio do marasmo de uma viagem de férias, eu peguei o telefone e chamei um táxi para a rodoviária.

Desci com as malas, já dando tchau:

– Tchau mãe! Tchau pai!
– Como assim!? Cancela, esse táxi, cancela!

Cancelar o escambau, já tava pagando. Algumas latas de cerveja na mochila e fugi da viagem. Voltei pra casa, peguei as minhas roupas e fui direto pro meu novo lar, o apartamento de uma amiga. Assim, do nada.

Po-rém, coleguinhas, eu aviso: para sair de casa, há de se ter um belo propósito e muita responsabilidade. Caso contrário, você vai viver a época mais louca da sua vida e não vai ser no bom sentido.

Como eu, no meio daquele êxtase todo e endoidecida como estava, não tinha nem um, nem o outro, já podemos imaginar: fodeu.

Hoje, novamente morando sozinha e em outra cidade, tive que repassar todo o insucesso da última tentativa, pra evitar entrar em depressão, ficar desnutrida e infeliz, sem ninguém pra chamar de meu bem muita merda.

Então vamos conversar.

1. Se você mora sozinho, MORE SOZINHO e NA SUA CASA – Isso mesmo. Morar sozinho te dá uma liberdade que parece sem fim. E você fica a um pulo de dormir cada dia na casa de um amigo/affair ou de trazer tooodo mundo pra morar contigo. Mula, só vai se ferrar. No segundo caso, vão quebrar seus copos, comer sua comida e não vão te ajudar lavar a louça, não se iluda. Até porque a tendência é você trazer as pessoas pra sua casa quando quem tá no comando é o teu “alter-ébrio”. Nesse caso ainda podem vomitar no teu tapete, se você tiver um. E por favor, tenha. O que nos leva ao próximo ponto.

2. Tenha uma casa decente – Eu ainda estou morando num república, mas me mudo em poucos dias e já tenho a lista de tudo que preciso ter no meu novo apartamento. E isso inclui tapetes, cortinas, abridor de garrafa, espremedor de alho, baldes, potes e várias outras coisas que você vai achar toscas e dispensáveis, simplesmente por nunca ter se preocupado com elas, que eram responsabilidade de seus pais.

Quando você sair do banho e escorregar no chão molhado, eu espero que você não tenha um traumatismo craniano. E também espero que você não engula nenhum pedaço de vidro depois de quebrar a boca da garrafa de cerveja tentando abrir numa quina qualquer.

3. Nem só de Texas Burger vive o homem – Tome vergonha na fuça e aprenda a cozinhar. Senão vai ficar gordo e desnutrido (sim, é possível). E frutas e legumes são muito mais baratos que uma caixa de nuggets.

4. Limpe a casa – Fazer amizade com as baratas NÃO É NORMAL, aquilo era só um filme e elas não sabem dançar.

5. A sua cama não serve só pra fazer sexo – Durma nela, às vezes. De preferência algumas horas por noite.

6. Last but not least – Controle o seu dinheiro. Ligar pro seu pai pra pedir vai ser MUITO feio.

Pai, caso você tenha lido até o final, eu juro que te pago no próximo mês.







1
Feb
  Mirian Bottan Facts por Maira Bottan. Ou quase isso.

                 paçoca

                                          Bottans mandando um fusqueta                              

Tentei um outro começo, mas o melhor mesmo é começar me apresentando.
Meu nome é Maira, e carrego o sobrenome Bottan. Sou bastante citada aqui como "irmã".

Mas me diga, Maira, o que faz aqui?

Simples. Após um comentário no texto "Astrologices à parte" sobre sonhos com abacates, ou melhor, um monte deles, em meio a macarrão sendo preparado e faxina sendo feita, recebi um telefonema do senhor meu pai dizendo que a senhorita minha irmã me mandou estar online. Direto assim.

Fui logo pensando "Lá vem, lá vem. Olha o favor! O que será dessa vez? Vai  papear pelo mundo afora e eu vou ter que cobrir o sumiço!"

Mas não! O assunto era um convite pra escrever aqui no Substantivolátil!

Então cá estou eu, pegando o bonde andando, sentando na janelinha e dando tchau!
A justificativa é que eu e minha querida irmã Bottan sempre fomos uma dupla e tanto. Uma sempre diferente da outra. Com 5 anos ela jogou sal no permanente da minha tia. Com 5 anos eu falava com ervilhas. Acho que gera um estranho tipo de equilíbrio…

Enfim, ela sempre foi a espertona, e eu sempre a mais boba. Acho que a coisa vem dos pais. Minha mãe era a certinha que não tem histórias pra contar pros netos e meu pai era o malvadão que só aprontava. Depois vem dizer que não sabe pra quem minha irmã puxou..

De todas as pessoas, a que foi mais afetada pelas mudanças de humor e pelas fases de Mirian Bottan, obviamente, fui eu. Passo então a vocês, caros leitores do Substantivolátil, as mais variadas Mirians, simplesmente para conhecerem as positivas e as negativas dessa baixinha.

 "Ah! Pegadinha do Malandro" – Sempre me aprontava alguma. Como quando me fez chorar dizendo que eu havia comido farofa vencida, seguido de um ‘Ma! Você vai morrer!!’

Protetora da Maira fraca e oprimida – Pra me defender, ela virava uma barraqueira de primeira.

Imaginem a cena: eu com 7 pontos no pé quis ficar no meio do vuco-vuco num show de Ska. Porém a rodinha punk na minha frente não estava prevista. Começaram a me empurrar de lá pra cá daqui pra lá e minha irmã tomou a frente, deu um puta de um empurrão em um menino que achou que ela queria participar da rodinha punk. Ela mandou o segundo empurrão seguido de um "TEM MENINA AQUI CARALHO!" A rodinha punk mudou de lugar e eu continuei procurando a menina a quem ela se referia….

Irmã mais velha – Essa era a pior. Tinha direito a tudo. Até à Diddy roxa no Donkey Kong. Aliás, quando o assunto era roxo x rosa eu nunca podia escolher.

Irmã mais nova – Cheguei a acolher muitas vezes essa peça na minha cama no meio da madrugada porque tinha assistido filme de terror. Ainda tinha q ir buscar o travesseiro dela e doar o lado da cama encostado na parede.Terrível.

Aproveitadora – Acabava com a mesada dela, pedia a minha emprestada, não pagava e ainda me chamava de mercenária quando eu cobrava de volta.

Malvada – Me batia e se eu ainda estivesse chorando quando minha mãe chegasse falava "ENGOLE O CHORO!" e eu engolia.

"Ow, foi mal" – Só me dava os canos. "Não janta não que a gente vai sair pra jantar!" "Não assiste o filme ainda que a gente assiste junto!" "Vou só dar uma saidinha e volto pra te ajudar a pintar o quarto." "Dá um pulo lá no apê hoje que a gente conversa um pouco!"

Pré-adolescente – O que não faltou na fase mais irritante de um ser foram gritos, batidas de porta, "por que você nasceu?! eu era mais feliz sem você!". Além disso, ai de mim se chamasse de "Tatá" na frente dos amigos..Se saísse só o "Tá" já me lançava um olhar "você tá morta"

Bottan Style – Um tio certa vez disse que os Bottans não bebem socialmente.. bebem pra acabar. Tenho que concordar com ele. E todos os Bottans também. Esse lado "Bem Bottan" apareceu na minha festa de 15 anos. Todos juntos, cantando parabéns. Acabado a música, alguém grita "Mi, corta o bolo com a sua irmã!".. "Miii…." "Cadê a Tatá?".. Ai aparece a flor. Com uma cara impagável.
  – Oh, já foi o parabéns? Eu tava no banheiro…

Missão cumprida! Agora vou voltar à faxina que me foi interrompida, porque pior que a Mirian Malvada é a Mãe Bottan descendente de alemão que não vai gostar nada nada da casa nesse estado!

Abraços, sigam lendo os textos da Bottan II que prometo um dia escrever igual a minha Tatá!

[Nota: Então é isso,  Maira Bottan também pintará por aqui from now on. E já chegou queimando o meu filme. Tatá não, porra.]







27
Jan
  Astrologices à parte

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Hoje, mais cedo, estava eu checando uns correios eletrônicos da vida, e como numa boa manhã de domingo, não tinha porra nenhuma de interessante, apenas uns iscrépis no Orkut. Aí fui lá conferir um provável desabafo de algum amigo bêbado, proveniente da última madrugada.

Qual não foi a minha surpresa quando, na página inicial, li a minha sorte de hoje que dizia: “Se seus desejos não forem extravagantes, eles serão realizados”.

Pô, fiquei chateada. Ontem mesmo eu havia decidido que depois da cobertura e de uma casa na praia, eu ia querer um fazedor de suco particular. Humano.

E esse meu chateamento me levou a refletir sobre me incomodar com uma frase cuspida por um estagiário do Google. Caros leitores, perdoem a farofice, mas em tempos remotos, astrologices muito me agradavam.

Poooode falar que é coisa de gente tosca, pouco instruída, coisa de pobre, whatever. Mas por mais que eu me esforçasse pra me convencer que aquela porcaria não valia um palito, eu sempre acabava com uma pulguinha atrás da orelha. Feito mulher quando diz que não tá nem aí se o cara não ligar. Por trás da expressão blasé, há um descabelo master.

É.

Digo mais: quando bem nova, costumava comprar revistinhas do João Bidu TODO MÊS. Prontofalei. Uma fase negra repleta de previsões, significados de sonhos, livros de Wicca, runas, incensos e o diabo a quatro. Depois dos Backstreet Boys, foi essa porra toda que levou a minha grana adolescente por um bom tempo.

Acontecia de eu ficar meio frustrada quando nenhum livrinho sabia me dizer o que significava sonhar que tinha um aparelho de som automotivo instalado no estômago, ou um primo do tamanho duma lata de cerveja que ficava roxo quando eu não o alimentava, mas no fim das contas era um prazer quase sexual ler sobre como eu era uma escorpiana poderosa, fatal e fodidamente foda.

-Oh, imagine! Cê acha mesmo?!

De qualquer forma, um dia enjoei e queimei tudo numa carriola (irrelevante), mas ainda continuei a correr os olhos pelo horóscopo quando abria um jornal. Também não vivia em função, não ia deixar de sair se me dissessem que um piano cairia sobre a minha cabeça, mas certamente prestaria mais atenção ao que viesse de cima. Ou de baixo, ou de trás, enfim, de onde pudesse doer.

Noite passada mesmo, sonhei que estava voando, e depois encontrei por aí que sonhar que estou voando significa concretização de meus sonhos mais elevados. Diz se não é estimulante!

Só que hoje funciona assim: ainda a-do-ro uma bela astrologizada, mãss veja bem: se vier me falar que vai dar merda ou que vai dar morte, eu apelo pra lei da atração, faço melhor de três ou até de quatro (epa). Eu poderia usar a senha da minha irmã e decidir que a sorte dela agora é a minha. O que interessa é me favorecer, mano. Felizmente, depois de tanto acreditar em baboseira, eu descobri que o meu caminho só pode ser construído por mim.

E se precisar, as estrelas que mudem de lugar.







24
Jan
  Infância em páginas

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Já comentei várias vezes que aprendi a ler aos quatro anos de idade. Segundo a excelentíssima senhora minha mãe, um belo dia, ao voltar da creche, eu parecia puta da vida com alguma coisa, entrei e me tranquei no quarto.

O motivo da apurrinhação era que a minha melhor amiga sabia ler, e eu não. Saí do quarto lendo.

Daí pra frente, virei uma devoradora de livros, gibis, vidros de shampoo, embalagens de massa de tomate, e faixas na rua. Essas eu lia até ao contrário. E era fucking master, aliás.

Apesar de moleca, estava sempre com um livro na mão. Lia em cima de árvore, ia nadar na represa, andar de skate (!) ou carrinho de rolemã (!!) e levava o livro na mochila.

Costumava me sentir numa outra dimensão, me desligando totalmente do universo ao meu redor. O que, inclusive, me rendeu vários momentos contrangedores, como o dia em que, no meio de uma aula de literatura, mas perdida em algum romance, ouço a voz da professora, beeem lá no fundo:

- “Ardendo”, “arder”, o que o autor quis dizer com isso, pessoal?

Por algum motivo sobrenatural e mais forte do que a minha vontade, mesmo sem fazer a mínima idéia do que ela estava falando, decidi responder, não sem antes vislumbrar a expressão apavorada da minha amiga que me dizia com os olhos um “Abortar! Abortar!”, que eu também ignorei, soltando em alto e bom tom:

- QUEIMAR?

Acontece que a resposta era DESEJO, e o troço todo sobre o qual ela falava era praticamente um conto erótico, que havia deixado a classe toda boquiaberta. Depois dos três segundos mortais de silêncio, todos rolaram de rir da minha “inocência”, e obviamente, virou a graça do ano olhar pra minha cara do nada e mandar um “QUEIMÁÁR”.

Mas esse era o MEU elemento chave para fantasiar. Dependendo do que eu lia no momento, eu olhava pras pessoas e levantava teorias a respeito delas, ou fingia que elas me perseguiam e vice-versa. Eu vivia com um pé dentro e o outro fora da história da vez.

O mundo de uma criança é feito dessa fantasia, de coisas que somente você consegue ver. Um universo paralelo, sem ninguém pra atrapalhar.

Minha irmã, por exemplo, fazia amizade com ervilhas e pequenos insetos. No mundo dela, naquele universo só dela, isso cabia perfeitamente.







16
Jan
  Inventando história

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Você já parou pra pensar que, a cada minuto do seu dia, desde a hora em que acorda, você está diretamente em contato com alguma coisa besta, pra qual ninguém nunca dá bola, mas que não estando lá, faz uma falta dos diabos?

Precisa sair da cama, não. Ela mesma. Aliás, cama, colchão, travesseiro e até o lençol. Algum dia alguém pensou que seria mais fácil envolver o colchão numa capa mais fácil de tirar e lavar. Fantástico! Se você não acha fantástico é porque não lava roupa.

Bote os pés pra fora da cama. Seus chinelos. Outra coisa sem importância. Mas você fica puto quando somem.

Vamos sair do quarto. Antes disso, fechadura. Um troço tão simples, mas que está presente em pelo menos 4 portas em cada casa desse mundo. E ninguém se liga na fechadura. Porquê será? Não que alguém devesse fazer um ode à fechadura, mas pô, sei lá. Deixa emperrar pra ver se não faz falta. E junto com a fechadura vem de brinde a chave.

O banheiro então, é um festival. Vaso sanitário, sistema de descarga, pia, torneira, ralo, chuveiro. Puta merda. O banheiro me fascina. Cada uma dessas coisas foi pensada por alguém, planejada, aperfeiçoada. E a gente nem tchum. Tem gente que idolatra o bidê, mas isso não vem ao caso.

Como será que alguém pensou na escova de dentes? E na escova de cabelos? E no secador!? Nesse último eu daria um beijo, por sinal.

Tudo bem, eu amo o meu computador, o celular, e todas as facilidades do mundo moderno. Mas e o zíper? O que seria da gente sem zíper e botão pra fechar as roupas? Sem prego pra botar algo na parede? Sem as tomadas?

Chapéu, óculos, liquidificador, isqueiro, cinto, sabonete! Quando foi que alguém decidiu que só água não era o suficiente pra limpar as partes? Falando em limpar as partes, ainda tem ele, todo branco, todo rolo, por vezes fofo e com cheiro de pêssego: o papel higiênico. Oh!

Às vezes a humanidade me emociona. Mas em seguida, esse sentimento me faz lembrar que eu sou uma frouxa. E você também. Nós todos, uns frouxos. Porque as pessoas não querem mais inventar besteirinhas indispensáveis. Parece que todo mundo agora só quer saber de inventar robô. De preferência que fale, lave, passe, cozinhe, seja conselheiro, amigo, fuck buddy e ainda troque a lâmpada e dance o tchan.

Cientistas são cientistas, mas devemos admitir que pessoas comuns costumam ter idéias brilhantes, provenientes de situações comuns. O meu pai é uma dessas pessoas. Já inventou uma centrífuga na época que a minha mãe fabricava fraldas descartáveis, um sistema de irrigação prum pomar, um troço pra dosar a comida e água do cachorro e recarregar o pote automaticamente, e um outro troço de pegar corrupto na praia.

Não, meu pai não sai agarrando político, tô falando do bicho, ô anôma anêma anêmona do mar.

Enfim, é por isso que projetos como o concurso de inventores, que está sendo realizado pela 3M são admiráveis! Nada mais interessante do que dar chance à mentes brilhantes que não têm condição de tirar do papel idéias que podem mudar a vida de alguém.

Eu, como não saco nada de física, literatura ou gramáticaaa dessas coisas, continuo aqui, inventando história, mas se você tem algo pra mostrar, corre lá e faz a inscrição! Quem sabe você não faz a diferença?

Aliás, acho que eu vou inscrever o meu pai e fazer uma grana em cima das idéias do véio (inserir risada maligna aqui).

Não?

Update: pra decepção dos xerifes de plantão, NÃO, este NÃO É um post patrocinado. Desculpe desapontar. )