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	<title>Substantivolátil &#187; Sociedade</title>
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	<description>O primeiro rascunho de qualquer texto é uma m#$&#38;@.</description>
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		<title>Are we humans or are we players?</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jan 2010 02:44:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Você cortou a franja muito curta. Sai perguntando se tá muito ruim. Seus colegas dizem que não. Sua irmã diz que não. Seu namorado diz que não. Seu horóscopo diz que não.
Seu primo de seis anos diz que tá feio.
No fundo, você também achava. Mas só a partir daí você para de achar que se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2010/01/war1.jpg"><img class="size-full wp-image-894 aligncenter" title="war" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2010/01/war1.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a></p>
<p>Você cortou a franja muito curta. Sai perguntando se tá muito ruim. Seus colegas dizem que não. Sua irmã diz que não. Seu namorado diz que não. Seu horóscopo diz que não.</p>
<p>Seu primo de seis anos diz que tá feio.</p>
<p>No fundo, você também achava. Mas só a partir daí você para de achar que se arrumar a franja assim e assado vai ficar bom. Agora, você desencana e prende a franja até crescer.</p>
<p>E por que caralhos todas as outras pessoas da sua vida, que não possuem a inocência de uma criança de seis anos, mentiram pra você, sendo que achavam a mesma coisa?</p>
<p>Seus colegas nem prestaram atenção, sua mãe não queria te magoar, seu namorado quis evitar que você ficasse emburrada e seu horóscopo diria qualquer coisa que você quisesse ouvir. Nenhum deles te ajudou a tomar uma decisão. Mesmo as pessoas que queriam evitar o seu sofrimento, acabaram te atrapalhando.</p>
<p>-&#8221;Eu ainda te amo, penso em você, mas você me machucou e eu decidi desistir.&#8221;</p>
<p>-&#8221;Eu só quero te comer e não ficar sozinho, senão eu desabo.&#8221;</p>
<p>-&#8221;Eu estou bem, mas curto um drama, me faz parecer mais interessante.&#8221;</p>
<p>-&#8221;Cara, se eu quisesse você, eu diria!&#8221;</p>
<p>Acabam virando:</p>
<p>-&#8221;Tá sofrendo? Agora chora.&#8221;</p>
<p>-&#8221;O quê você vai fazer hoje? Queria te chamar pra vir aqui.&#8221;</p>
<p>-Frase de impacto no MSN.</p>
<p>-&#8221;Ai, moço, hoje eu tô de boa, só vim pra dançar, hihi.&#8221;</p>
<p>O quê há de errado com a gente, que não consegue falar a verdade? Na maioria das vezes, nem estamos pensando no outro, então qual o problema em descomplicar a vida das pessoas e evitar sofrimento e perda de tempo? Ou qual o problema em se mostrar desprotegido?</p>
<p>Sabe qual a pior consequência dessa atitude egoísta e tão automática? Ninguém mais acredita nas verdades.</p>
<p>Já tentou virar pra alguém e dizer: &#8220;eu errei, me desculpe, eu realmente te amo&#8221;, depois de dizer um monte de merda pra parecer forte e superior? Não adianta. Vai parecer vazio. Somos tipo aquele Joãozinho mentiroso, resta rezar pro lobo não chegar, nunca.</p>
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		<title>Corrente do mal</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Dec 2009 16:54:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Uma vez, eu conheci um cara que estava sempre sorrindo para as pessoas ao seu redor. Claro que ele devia ter seus dias de cu virado, mas me parecia que, ainda nesses dias, ele tentava ser simpático, sempre. E não estou falando de ser simpático com os amigos, família e colegas de trabalho, mas com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/12/poison-flask11.jpg"><img class="size-full wp-image-876 aligncenter" title="poison-flask" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/12/poison-flask11.jpg" alt="" width="350" height="270" /></a></p>
<p>Uma vez, eu conheci um cara que estava sempre sorrindo para as pessoas ao seu redor. Claro que ele devia ter seus dias de cu virado, mas me parecia que, ainda nesses dias, ele tentava ser simpático, sempre. E não estou falando de ser simpático com os amigos, família e colegas de trabalho, mas com o cara do guichê do metrô, a atendente do pedágio e a caixa do supermercado. Aliás, ele sempre perguntava os nomes e os tratava pelos mesmos, perguntando como estavam.</p>
<p>Eu achava aquilo sensacional, porque ele conseguia fazer qualquer uma daquelas pessoas sorrir. Foi nessa época que eu percebi o quão carente de simpatia nós estamos.</p>
<p>Desde então, eu, que mesmo antes tentava ser NO MÍNIMO simpática com as pessoas no meu dia-a-dia, tentei aprimorar a técnica e ficar parecida com ele. Claro que falta muito (principalmente a cara-de-pau necessária), mas eu aprendi que na maioria das vezes que você sorri pra alguém, mesmo alguém que está tendo um dia ruim, a pessoa sorri de volta. E, de repente, o humor dela até melhora.</p>
<p>Parece simples, e é. Desde que você aprenda a lidar com a praga que faz o caminho inverso: a frustração alheia.</p>
<p>Se alguém está triste, chora. Se está com raiva de algo específico, geralmente foca naquilo e não desconta em todo mundo. Mas uma pessoa frustrada é capaz de acinzentar todo o ambiente ao seu redor.</p>
<p>Homens e mulheres frustrados por um casamento insatisfatório ou por ter que trabalhar no que não gostam para sustentar a família podem facilmente foder a vida de quem precisa conviver com eles. Pessoas que empurram a vida com a barriga, sonhando com outras coisas, mas sem coragem ou condições pra dar a volta e tomar um outro rumo, e terminam por achar formas de causar o sofrimento nos outros, talvez pra não se sentirem tão mal. Vai saber.</p>
<p>O que interessa é que, se você se deixa afetar por esse tipo de energia, você acaba descontando a frustração de não poder impedir o ataque em uma terceira pessoa. Que, se não conseguir não se deixar afetar, repassa pra uma quarta e assim por diante. É a corrente do mal.</p>
<p>E o maior problema é que, pra uma pessoa que sorri pra caixa do supermercado, existem CINQUENTA repassando energia negativa. Comofas?</p>
<p>Eu conheço duas mulheres, de mesma idade e estrutura familiar. A primeira tem e faz tudo o que quer, mas casou por falta de alternativas e é extremamente frustrada e infeliz. Já a outra, com o casamento completamente fodido (com um cara que ela ainda ama, mas que não dá a mínima pra ela) e orçamento mais limitado, é extremamente altruísta e faz com que todos ao seu redor se sintam bem e seguros.</p>
<p>O mal não nasce por causa dos problemas. Nasce em quem deixa a terra fértil pra ele.</p>
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		<title>Quadrilha Estendida</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 17:29:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Eu costumava achar que a Quadrilha, de Drummond, era uma puta verdade irritante:
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-781 aligncenter" title="cirandaMista" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/06/cirandamista.jpg" alt="cirandaMista" width="350" height="277" /></p>
<p>Eu costumava achar que a Quadrilha, de Drummond, era uma puta verdade irritante:</p>
<p>João amava Teresa que amava Raimundo<br />
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili<br />
que não amava ninguém.<br />
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,<br />
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,<br />
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes<br />
que não tinha entrado na história.</p>
<p>Mas pensando melhor, antes fosse simples assim. Porque fora dos livros, o João é amigo do Raimundo e a Teresa, se pudesse controlar, escolheria gostar do primeiro ao invés do segundo!</p>
<p>Ou a história pula o Joaquim e a Maria quer mesmo é pegar a Lili.</p>
<p>Às vezes, outra quadrilha passa perto e um dos mancebos se torna o J. Pinto da outra história, forçando desiludidas Marias ou Teresas a dar uma chance por despeito e viver uma vida vazia. Ou descobrir o tempo perdido.</p>
<p>E vai ver o J. é de um João mais velho que acaba de voltar dos Estados Unidos, onde se deu bem. Nesse caso, quem melhor pra ficar com o cara do que a Lili, que nessa bagunça toda, certamente era a única que conseguia focar nos estudos e no trampo.</p>
<p>Faz sentido.</p>
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		<title>Pegue na minha e balance</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Apr 2009 20:16:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Eu sou cheia das técnicas e teorias pra facilitar a minha própria vida. Algumas são pra me convencer e/ou condicionar a fazer coisas que não são fáceis, porém certas, como a Teoria do Playmobil. Já outras, pra tentar explicar e/ou não me deixar abater pelas que estão fora do meu alcance. O nome precisa vir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-741 aligncenter" title="whiteflag" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/04/whiteflag.jpg" alt="whiteflag" width="308" height="342" /></p>
<p>Eu sou cheia das técnicas e teorias pra facilitar a minha própria vida. Algumas são pra me convencer e/ou condicionar a fazer coisas que não são fáceis, porém certas, como a Teoria do Playmobil. Já outras, pra tentar explicar e/ou não me deixar abater pelas que estão fora do meu alcance. O nome precisa vir de algum lugar imbecil, esse veio <a href="http://www.youtube.com/watch?v=COmVVQLJRs8" target="_blank">daqui</a>.</p>
<p>Quem não gosta de mim, pegue na minha e balance. <strong>Pegue na mão e balance</strong>.</p>
<p>Ninguém é obrigado a adorar profunda e sinceramente cada cabolo desse mundo. Mas na minha visão paz e amor, é preciso ter ao menos UM motivo concreto pra <strong>não </strong>gostar de alguém. </p>
<p>Mas olha só, esses dias eu falei qualquer coisa no <a href="http://twitter.com/mbottan" target="_blank">Twitter</a> sobre uma frase que eu curto, de uma música random. Aí, um cara me deu um reply meio grosseiro e desnecessário. Depois de algumas tentativas frustradas de conversa, eu desisti e disse pra ele que não ia insistir contra grosseria gratuita. A resposta fez a minha ficha cair:</p>
<p>&#8220;Não é gratuita.&#8221;</p>
<p>Não sei se o que ele quis dizer foi o que eu teorizei depois, mas, de qualquer forma, ele não poderia estar mais certo. Eu posso achar que não dei motivo, mas na cabeça dele, há um. O motivo pode não ser seu, mas do outro, projetado em você. E aí, nada do que você faça vai mudar essa situação. Ao contrário, qualquer tentativa pode se tornar mais um motivo.</p>
<p>Como aconteceu num outro episódio, quando falaram de mim em uma comunidade e eu resolvi ir lá falar pra galera &#8220;pegar na minha e balançar&#8221;. Fiquei na boa com quase todo mundo e dalí saíram algumas das pessoas com quem eu mais identifiquei nesse mundão virtual de <a href="http://google.com" target="_blank">Deus</a>. Mas pra uma meia dúzia, nada mudou. Uma das meninas insistia que a minha atitude era apenas falsa e exagerada simpatia. Pra mim, era &#8211;  e continua sendo  -  educação e boa vontade, como meus pais me ensinaram a agir.</p>
<p>Na época eu fiquei bem incomodada, eu não conseguia entender como ela podia ser tão amarga e cética diante da minha abertura, mas hoje eu sei que fazê-la mudar de opinião não cabia a mim e  tudo que eu podia e posso fazer é me afastar desse tipo de energia ruim e de todo o climão que ela causa.</p>
<p>Sabe, durante o colegial, o prefeito inventou que era obrigatório estudar na escola mais próxima de casa e toda a minha turma foi obrigada a mudar da antiga pra uma outra, no bairro vizinho, que fica perto de uma favela. As meninas da escola ficaram putas com a &#8220;invasão&#8221; das patricinhas e começaram a inventar uma história por dia, pra dar uma coça em cada uma das meninas. </p>
<p>Talvez eu tenha sido a única que não estufou o peito e disse: &#8220;então vem&#8221;. E aconteceu que uma delas chegou a me mandar ficar longe daquilo tudo, porque eu &#8220;era muito bonitinha e alí só tinha gente feia&#8221;.</p>
<p>O que eu sei, é que se chamar pra briga ou aceitar a provocação for sinal de coragem e superioridade, eu faço questão de continuar sendo a maior das covardes.</p>
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		<title>Desracionalizando pra entender</title>
		<link>http://substantivolatil.com/archives/desracionalizando-pra-entender.php</link>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 20:26:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Eu ia chacoalhando distraída no ônibus, camisetinha com estampa de koala, tatuagem aparecendo, os pés apoiados num ferro daqueles onde as pessoas deveriam segurar, isso quando não se trata do interior, onde sobram bancos vazios. Um indie qualquer nos fones de ouvido, volume máximo, óculos enormes,  escondendo metade do rosto.
De repente, uma mulher vem, tímida, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-684 aligncenter" title="37796" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/03/377961.jpg" alt="37796" width="361" height="397" /></p>
<p>Eu ia chacoalhando distraída no ônibus, camisetinha com estampa de koala, tatuagem aparecendo, os pés apoiados num ferro daqueles onde as pessoas deveriam segurar, isso quando não se trata do interior, onde sobram bancos vazios. Um indie qualquer nos fones de ouvido, volume máximo, óculos enormes,  escondendo metade do rosto.</p>
<p>De repente, uma mulher vem, tímida, andando de forma insegura, apertando a pasta contra o peito, vestindo uniforme de um colégio da região, e senta ao meu lado. Observadora que sou, botei a arte em ação.</p>
<p>A mulher, uma japonesa de meia idade, não tinha sequer um fio de cabelo fora do lugar. Material impecável, camisa com vincos perfeitos. Aquele calor dos diabos e nem suar a japa suava.</p>
<p>Fiquei encucada. Olhava pra mim, olhava pra ela, outra vez pra mim, outra vez pra ela, e me sentia estranha. A calma, a perfeição, a postura, versus&#8230; sei lá, eu. Ali, com os pés pra cima e uma tatuagem colorida.</p>
<p>Tive vontade de ser ela por um minuto, e comecei a imaginar. Mas não me vi em nenhum show de rock, nem falando alto, nem rindo alto, nem fazendo nada com toda a alma, e muito menos me apaixonando por um roqueiro descabelado.</p>
<p>Eu só conseguia encaixar a figura da mulher numa casinha perfeitinha, com um maridinho perfeitinho e filhinhos perfeitinhos, como ela. E nesse ambiente, quem eu não conseguia encaixar era a menina tatuada, mas por quê? Não que o cenário seja ruim, porque não é, mas a inexistência de expressão dela me assustava. Era como olhar uma pintura impecável porém sem vida.</p>
<p>Claro, eu posso ter viajado grandão, afinal, eu me baseava em 5 minutos de investigação de uma figura calada, que podia estar apenas com sono. Mas na verdade, eu estava pensando era em mim mesma, ou em porque diabos algumas pessoas são mais intensas e vivas do que outras. Ou se o segundo grupo, ao qual a japa me remetia, sofre menos do que os que gritam mais. Porque esses últimos geralmente erram mais também.</p>
<p>E dizem por aí que a matemática é sempre a melhor saída. Combinar elementos, escolher racionalmente, com base num conjunto de pontos positivos e circunstâncias seguras. Dá pra forçar o amor com o tempo, e com base na serenidade, na prestatividade, na boa vontade, ade ade ade ade ade.</p>
<p>Pra isso, só é necessário abrir mão de suar frio, de ter medo, de chorar, de esperar, de ver o estômago, a cabeça e a vida virando do avesso e de ponta cabeça. E gente racional e ponderada pode dispensar isso, tranquilamente.</p>
<p>Felizmente eu não sou um deles.</p>
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		<title>Presente-mais-que-perfeito</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Jan 2009 07:11:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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Fala, galerinha tchubaruba (foi mal, tô altamente influenciada pela vergonha alheia que a Mallu Camela me causou hoje, com saporra aqui), como foi a folia de fim de ano? Peço desculpas pelas teias de aranha, mas cá estou, nem mais alta, nem mais obesa, mas com uns anos a menos pra viver, talvez, depois de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-643 aligncenter" title="past-present-future" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/01/past-present-future1.jpg" alt="" width="309" height="324" /></p>
<p>Fala, galerinha <em>tchubaruba</em> (foi mal, tô altamente influenciada pela vergonha alheia que a Mallu Camela me causou hoje, com saporra <a href="http://www.youtube.com/watch?v=DzUUOPxdvH0" target="_blank">aqui</a>), como foi a folia de fim de ano? Peço desculpas pelas teias de aranha, mas cá estou, nem mais alta, nem mais obesa, mas com uns anos a menos pra viver, talvez, depois de tanta maratona de tequila, cerveja e saquê, nessas últimas semanas.</p>
<p>Enfim, antes de começar, eu sei que o tempo verbal no título <em>non ecziste</em>, foi só um trocadilho amador, já chego lá.</p>
<p>Tudo começou com uma simples passada de olho nas novas regras do nosso bom e velho portuga (mais velho que bom, agora) e fui dar uma espiada em regras antigas, e de uma coisa fui pra qualquer outra coisa que me fez trupicar e dar de fuça num artigo sobre <strong>modo e tempo verbal</strong>.</p>
<p>Em algum lugar entre o <em>pretérito imperfeito</em> dos que teriam feito algo, se tivessem tido colhões ou um pouco mais de vontade e o <em>futuro do presente composto</em> de muitos que farão até o fim do próximo ano, se não estiverem deveras atarefados, eu me lembrei que não escrevi sobre <strong>resoluções</strong>.</p>
<p>Por coincidência, nesse meio tempo, eu ouvia uma música que me arremessou alguns anitos pra trás, e somou ao raciocínio que se formava, a idéia de como cheiros e músicas nos fazem lembrar do passado de uma forma distorcida, tanto pra melhor, como pra pior, whatéva.</p>
<p>Meu ponto é: enquanto estamos preocupados com a merda que foi, ou com a glória que <em>vem que vem</em>, ou vice-versa, o presente passa batido. Clichê? Sim. Já ouviu sobre? Eu também. Ainda assim, uma música me fez ir (em menos de dois minutos) do normal pro nostalgia mode ON, pensando cá com os meus botões que &#8220;naquela época é que eu era feliz&#8221;.</p>
<p>Só que naquela época eu achava tudo uma grande e bela bosta.</p>
<p>Agora, voltando às resoluções: não as tenho. Claro que a gente precisa de um otimismo maroto, né garotada, uma base de como seguir, tipo desenhar o traço com o lápis antes de passar o delineador (meninas, fica a dica, meninos, ignorem o exemplo medíocre). Mas aquelas de sempre, de emagrecer, parar de fumar, de beber, e deixar de ser frouxa, não cultivo mais.</p>
<p>Mas é porque eu adotei esse lance do presente, então tipo, não dá pra prometer a dieta pra segunda com a boca cheia de pipoca, às 23h49 do domingo. COSPE a pipoca e começa JÁ. Se falhar na terça, vai fazer o quê, cristão? Se acabar na caca cola até a PRÓXIMA segunda, só pela poesia da coisa?</p>
<p>Fazer o contrário ninguém quer, né? Tipo, &#8220;vou ficar uma semana sem fumar e na segunda compro uma caixa e fumo até o cu fazer bico&#8221;.</p>
<p>Agora é a minha irmã quem tá se mudando pra Sampa, mês que vem. Eu passei um mês mandando ela enfiar a contagem regressiva no toba, porque não queria lembrar que estava perto. De repente eu me toquei que ao invés de perder tempo com raiva por ela ir, eu preciso é pegar a menina e fazer farra TODA A VIDA enquanto ela estiver aqui, levar ela comigo pra tudo que é canto, até pro puteiro, se ela quiser.</p>
<p><span style="font-size: x-large;">Brincadeira, mãe!</span></p>
<p>Assim como, sendo quase 5 da manhã, eu posso lamentar o fato de ser uma mula alada e não ter ido dormir 5 horas antes, tendo que acordar cedo amanhã e ainda fazer lição de alemão antes da aula, ou fazer a dita agora e ir dormir com a missão cumprida, independente de precisar engolir uma combinação de energético com pó de guaraná e café pra parar em pé amanhã, correndo sério risco de ter um treco bem bonito.</p>
<p>Aí eu percebo que já perdi mais dois minutos escrevendo o último parágrafo, e assim a coisa vai, sucessivamente, me levando a questionar se tequila de manhã vai mal. Tipo, agora.</p>
<p>Tschüs!</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p>Mancebada, vamos dar uma agitada na <a href="http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=41999949" target="_blank">comunidade do Subs</a> no orkutz!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Auto Afirmation Tabajara</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 18:03:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[E por quê aquele cara que tem uma namorada linda, que ele ama, acaba saindo com outra?
Pulando a óbvia primeira opção (ele não ama), e a improvável segunda (ele se apaixonou perdidamente quando viu a outra ali parada, esquecendo até da fuça da respectiva) vamos pra terceira, essa sim digna de uma divagaçãozinha de leve: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E por quê aquele cara que tem uma namorada linda, que ele ama, acaba saindo com outra?</p>
<p>Pulando a óbvia primeira opção (ele não ama), e a improvável segunda (ele se apaixonou perdidamente quando viu a outra ali parada, esquecendo até da fuça da respectiva) vamos pra terceira, essa sim digna de uma divagaçãozinha de leve: <strong>auto afirmação</strong>.</p>
<p>- Eu sou gato, eu posso, eu vou. Quer ver?</p>
<p>Mas auto afirmação é uma coisa engraçada, porque, ao mesmo tempo que o sujeito se sente mais gostoso e supersônico, provando pra si e pros outros <em>carquécoisa</em>, ele deixa escancarada a falta de confiança em si mesmo. Se o fulano (ou fulana) é bonito e cobiçado, a coisa é óbvia, não precisa de confirmação.</p>
<p>Mas vamos de exemplo mais simples, e mais ridículo.</p>
<p>Planeta Terra, Brasil, <strong>Orkuts</strong>. Enquanto a comunidade &#8220;<a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=2823357" target="_blank">Pelo bom uso do &#8216;literalmente</a>&#8216;&#8221;, que eu não canso de divulgar, tem pouco mais de 8 mil membros, comunidades como &#8220;<a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=1729804" target="_blank">Vc tem peito, + eu tenho BUNDA</a>&#8221; tem mais de 50 mil despeitadas.</p>
<p>Gente, minha avó também tem bunda, mas nem por isso ela declama isso no almoço de domingo.</p>
<p>Aliás, falando em comunidades orkutescas, aquilo sim é um bom território pra analisar a negada auto afirmando tudo até a última ponta. Tipo, a manceba toma um pé na bunda, e no outro dia adiciona &#8220;<strong>Ex bom é ex morto</strong>&#8220;, ou &#8220;<strong>Tô com outro, mais gostoso que você!</strong>&#8220;. Na boa, se estivesse mesmo, ia ter coisa mais importante pra fazer do que fuçar no Orkuts.</p>
<p><img class="size-full wp-image-559 alignright" title="pimp1" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/10/pimp11.jpg" alt="" width="300" height="362" /></p>
<p>Os exemplos que melhor definem o tipo mais baixo de auto afirmação de cada sexo são as <strong>mina-balada</strong> e os <strong>mano-tunado</strong>. Ambos extremamente previsíveis e facilmente indentificáveis.</p>
<p>A mina-balada é a aquela rapariga bela, badalada, que vive sozinha. Obviamente, segundo ela, ficar sozinha é uma opção, porque homem só atrapalha a vida. Se fica com alguém e o dito não liga no dia seguinte, diz que tá de buenas, que &#8220;Deus me livre ficar feito a fulana, com o cicrano pegando no pé!&#8221;.</p>
<p>No meu toba, guria. Todos os exemplos dessa raça que eu pude conhecer melhor, choravam escondidinhas, e admiravam de longe os casais apaixonados com seus apelidinhos e agradinhos.</p>
<p>Eu namorei trezentos anos e três dias, e talvez por causa disso, tenha perdido o treinamento <em>tô nem aí</em>. Se ontem o cara era uma coisa, e hoje nem responde mensagem, eu vou ficar puta, e assumir que comprei gato por lebre. Ou homem por qualquer coisa que não merece a minha admiração. Mas <strong>admito </strong>o incômodo.</p>
<p>Já os mano-tunado tem subdivisões: os <em>acéfalos</em> e os <em>latin lovers</em>. Os acéfalos eu nem faço questão de triturar, porque muitos sequer se dão conta do que tão fazendo. Aí a coisa vai muito além da minha humilde divagação, se envereda pelos caminhos da psicologia, dos lares conturbados, e do pinto pequeno. Como podemos nós discutir a complexidade do caso do cara que sente um prazer quase sexual ao exibir os novos bancos de couro do golfão socado no chão?</p>
<p>Os latin lovers sabem muito bem o que estão fazendo, e a coisa é mais triste quando o cara não é tão mau sujeito assim, mas é altamente influênciável, e vai na onda dos outros latin lovers do bando, exibindo músculos e gostosas como troféus. Podemos também abrir uma brechinha pra ex-namorados e ex-namoradas revolts, que saem pegando geral por vingança e não conseguem se ligar a ninguém, ficando chorandinho em casa feito as mina balada.</p>
<p>E é por essas e outras que eu assino embaixo quando o <a href="http://www.givememyremote.com/remote/fall-preview-the-big-bang-theory/simon-helberg-as-howard-wolowitz-in-the-big-bang-theory/" target="_blank">Wollowitz</a> diz que &#8220;smart is the new sexy&#8221;.</p>
<p>Mas se juntar o smart com um poquito de rock &#8216;n roll, eu não vou reclamar.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Na boca do povão!</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Sep 2008 03:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[u]]></category>

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		<description><![CDATA[
Tudo começou quando eu dormia o justo sono dos recém desprovidos do título de assalariado. Eis que me toca a bagaça do telefone. Eu, achando que era a senhora minha mãe querendo saber se eu já estava isaurando no fogão, saio capotando, batendo cabeça, canela, num auto massacre sem fim para chegar até o dito. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-520 aligncenter" title="bush" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/09/bush1.jpg" alt="" width="323" height="353" /></p>
<p>Tudo começou quando eu dormia o justo sono dos recém desprovidos do título de assalariado. Eis que me toca a bagaça do telefone. Eu, achando que era a senhora minha mãe querendo saber se eu já estava <em>isaurando</em> no fogão, saio capotando, batendo cabeça, canela, num auto massacre sem fim para chegar até o dito. Exagero <em>mode off</em>, foi só pra vocês entenderem o porquê da minha raiva quando eu atendo o bicho gritante e ouço:</p>
<p>&#8220;Olá! Aqui é o Fulano de tal!&#8221;</p>
<p>-Ahn?! &#8211; Ainda no mundo dos sonhos, não consigo compreender muito bem o fato de um candidato à prefeitura da cidade estar me ligando. Enigma devidamente resolvido no segundo seguinte:</p>
<p>&#8220;Queria agradecer ao povo de Americana por blablablabla..&#8221;</p>
<p>-FÉLADAPUTS, mano!</p>
<p>Fui acordada por uma gravação maldita, de um candidato querendo ganhar a minha simpatia forjando uma pseudo intimidade telefonal! Achei tosco, e por perder o sono, ainda cultivei uma raivinha de leve.</p>
<p>No mesmo dia, mais tarde, fui ao centro da cidade resolver uns trololós, e olhem só! Se não era o dito da ligação acima, num outdoor num dos pontos mais movimentados da cidade. Normal né, o cara se promovendo e tal. É, seria normal, se ele não estivesse com uma puta cara de babaca, e com aquela mãozinha de miss estendidinha (pro povo, né, gente, que lindo). Parecia um manequim de loja, argh, feio.</p>
<p>Daí tô lá, batendo perna pra cima e pra baixo, e me passa um <span style="text-decoration: line-through;">carro</span> chevete com auto falantes que diziam, numa melodia ridícula, que pra sorte de vocês eu não consigo reproduzir aqui:</p>
<p>&#8220;Cicranooo, cicranooo, tá na boca do povão!&#8221;</p>
<p>Parei, naquele momento da minha vida, e fiz um exercício simples: imaginei o meu pai no lugar do tal cicrano. E concluí que se ele se submetesse àquilo, eu abriria mão da herança, juro.</p>
<p>Minha gente, época de eleição é overdose de <em>marketing pessoal FAIL</em>.</p>
<p>É um festival de sorrisinho maroto na foto, quando todo mundo (incluindo os sorridentes) sabe que todo mundo sabe que aquela lá saía com o cara casado, o outro dá ré no kibe, o outro tenta ser candidato desde que o homem inventou a roda, o outro vende até a mãe, e o outro fecha o poço artesiano que fica no terreno dele, quando não vence. O brinquedo é dele, só brinca se ele brincar.</p>
<p>E quando o cara <em>talvez, quem sabe, pode ser que seja</em> uma pessoa de índole aceitável, não tem o suporte necessário pra ter uma faixa com sorrisinho maroto, e aí sai essas merdas todas.</p>
<p>Tipo o Théo. Nesses nossos tempos modernos, tentem adivinhar qual música o capiau escolheu pra chamar de sua, e gravar na cabeça do povo o seu belo nome de homem <strong>sério</strong>, <strong>competente </strong>e <strong>confiável</strong>.</p>
<p>Uma dica: <strong>rima</strong>.</p>
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		<title>Procurando não procurar</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2008 21:27:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Quem nunca teve aquele momento completamente irrelevante na vida, sentado num ponto de ônibus, fazendo figas pro cachorro não conseguir mijar, ou percebendo que faz meia hora que está assistindo Dr. 90210 no E! e sentindo vergonha alheia própria, ou ainda olhando as placas dos carros e tentando lembrar o significado das combinações dos números, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://None"><img class="alignnone size-full wp-image-509" title="binóculos" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/09/binoculars1.jpg" alt="" width="315" height="460" /></a></p>
<p>Quem nunca teve aquele momento completamente irrelevante na vida, sentado num ponto de ônibus, fazendo figas pro cachorro não conseguir mijar, ou percebendo que faz meia hora que está assistindo <strong>Dr. 90210</strong> no <strong>E!</strong> e sentindo <em>vergonha alheia própria</em>, ou ainda olhando as placas dos carros e tentando lembrar o significado das combinações dos números, daquele joguinho que você aprendeu com 11 anos, e que você só lembra que 11= ele te ama, 22= ele está pensando em você e 77= ele está te traindo. Vergonha alheia própria de novo ao ver o tal 77 e ficar puta com isso.</p>
<p>Enfim, vamos dizer que esses não são exemplos do meu acervo pessoal, e tocar o texto, que eu perdi completamente o foco. O que eu ia dizer era: quem, num momento besta qualquer da vida, não parou e pensou um &#8220;tá faltando&#8221;?</p>
<p>Quando você vê um casal, e descobre que tá faltando a tua tampa, quando olha ao seu redor no trabalho e tá faltando algo que você realmente goste de fazer, quando se sente entediado, e tá faltando movimento. Sabe?</p>
<p>Então, é exatamente nesse momento que dá merda. Porque o ser humano não sabe ter paciência e lidar com o &#8220;tá faltando&#8221; até que algo aconteça naturalmente, ou como fruto de seu prórprio esforço. Ele bota o chapéu, empunha a carabina, e vai caçar.</p>
<p>Teoricamente, está tudo correto, lindo e brilhando, porque todo mundo, a vida toda, te manda ir atrás dos seus sonhos, e não esperar sentado. Dinheiro não dá em árvore, o homem faz o seu próprio destino e blablabla whiskas sachê, né.</p>
<p>Na prática, o problema é simples: quem procura, acha&#8230; até o que não queria achar. Por exemplo, quando você tá com fome, e não sabe o que quer comer. Você abre a geladeira, e fuça, e fuça, e nada te agrada. Você quer tudo, e não quer nada. Isso acontece simplesmente porque você <strong>não está com fome</strong>, e sim com <strong>vontade de comer</strong>. Qualquer coisa que você coma só porque pareceu bonito, vai te deixar estufado, e com mal estar.</p>
<p>Vamos transferir esse raciocínio pra uma coisa maior, então.</p>
<p>Amor. E disse a Aimee Allen: &#8220;<em>All my stripper friends, all my ex-boyfriends, they all want the same thing</em>&#8220;. Issaê, todo mundo quer uma história, tipo a do Dr. com a cabocla, dos livrinhos da Sabrina, das músicas do The Calling, dos.. sei lá, whatever.</p>
<p>Quando, por algum motivo, a coisa começa a apertar, seja porque todos os seus amigos estão namorando, ou porque a história que você queria viver não está mais sendo vivida e não há nada que você possa fazer, ou simplesmente porque é muito frio pra pouco cobertor, você arrebenta com a paciência que antes estava no piloto automático, e vai procurar alguém. Pronto, você deu start no modo catástrofe.</p>
<p>Certamente, existe um conjunto de características que você admira, tudo aquilo que você responderia se te perguntassem sobre homem/mulher ideal. Alto, baixo, magrelo, forte, gordinho, cabeludo, careca, nerd, rato de academia, e vai.</p>
<p>Só que em bilhões de pessoas nesse mundo, pelo menos umas TROCENTAS vão reunir duas ou mais dessas características. <img src="http://substantivolatil.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif" alt=")" class="wp-smiley" /> </p>
<p>Aí você olha o cara/menina com o cabelo verde limão, que curte escalar o himalaia tomando suco de uva e pensa: &#8220;pronto, mano, é isso. Paixonei.&#8221; Só que o indivíduo em questão é deveras promíscuo, intelectualmente inferior e tosco. E aí? E aí que você vai se descabelar, sofrer, chorar, e pronto, voltar pro menos 10, quando podia estar no zero. Sacou?</p>
<p>E isso pode se encaixar em deixar um trabalho por uma <strong>oferta</strong> melhor, que pode se mostrar não tão melhor assim, ou ainda, mudar até de <strong>cidade</strong> em busca de dias e oportunidades melhores.</p>
<p>Não que você não deva tentar. Se não tentar, pode nunca saber o que daria certo ou não. Mas faça com cuidado, com calma, com <strong>alma</strong>. A procura desenfreada sempre tem um motivo, alguma coisa que talvez nem você mesmo saiba o que é, mas que com certeza, te incomoda <strong>muito</strong> lá no fundinho (uahuahua), e por isso exige resultados imediatos, que acabam sendo moldados por nós, e nem sempre são a melhor saída pro desconforto inicial.</p>
<p>Depois de 9 meses, quase pra nascer (ouch), eu tô voltando pra casa. São Paulo podia ter cabelos verdes e escalar o himalaia tomando suco de uva, mas tinha pés mais frios que os meus, e não sabia discutir a relação.</p>
<p>A parte boa é que, lembrando tudo o que eu passei e aprendi, mas agora aqui do meu bom e velho quarto, respirando um ar gostoso e ouvindo a gritaria Bottânica na cozinha, eu sei que não tô nem no 0, nem no menos 10.</p>
<p>Eu fiz 5 combos seguidos, e bati todos os recordes. Game is not over. Game is mine again.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p><em>Update: Self jabá pode? Bóra pra </em><a href="http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=41999949" target="_blank"><em>comunidade do Substantivolátil</em></a><em>, povo! <img src="http://substantivolatil.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif" alt=")" class="wp-smiley" /> </em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>The end of the world as we know it</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 18:42:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[E o Doni disse que o mundo pode acabar. Ele acabou de reafirmar no Twitter, e não faz o mínimo sentido eu vir correndo escrever esse texto pra dar tempo de alguém ler, se o mundo for acabar mesmo.
Então, na verdade, eu não estou escrevendo pra vocês, e sim pra mim mesma, pra tentar entender [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E o <a href="http://www.interney.net/blogs/hedonismos" target="_blank">Doni</a> disse que <a href="http://www.interney.net/blogs/hedonismos/2008/08/06/o_mundo_acabara_amanha" target="_blank">o mundo pode acabar</a>. Ele acabou de <a href="http://twitter.com/marcdoni/statuses/880582246" target="_blank">reafirmar</a> no Twitter, e não faz o mínimo sentido eu vir correndo escrever esse texto pra dar tempo de alguém ler, se o mundo for acabar mesmo.</p>
<p>Então, na verdade, eu não estou escrevendo pra vocês, e sim pra mim mesma, pra tentar entender o porquê de não conseguir saber o que eu quero fazer agora se o mundo for acabar daqui a pouco.</p>
<p>Eu estou na agência, com os fones de ouvido, e <em>fucking</em> ironicamente está tocando &#8220;Keep The Faith&#8221; do <strong>Bon Jovi</strong>. Meu maxilar dói, como sempre dói, e eu já tomei dois comprimidos de Dorflex, e não ia tomar mais porque faz mal. Mas se o mundo for acabar mesmo, não quero passar as últimas horas com dor na merda do maxilar.</p>
<p>Péraê. Passei a manhã toda com vontade de comer uma trufa e não o fiz por que estou de dieta. Mas se o mundo for acabar isso não faz diferença, então aguardem um minuto que eu vou comprar uma.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Pronto.</p>
<p>E nesse exato momento, essa trufa, esse pedaço de coisa doce me confirmou que eu sou uma panaca. Porque ela é tradicional. De novo. Nem perto do fim do mundo eu consegui experimentar um sabor novo de trufa.</p>
<p>Aliás, eu não queria uma. Eu queria cinco, DEZ trufas. Queria me entupir de trufa até vomitar. Mas não tenho coragem. Como também não tive coragem de xingar o cara que me esmagou no elevador na volta, pra subir apenas um andar. E isso apesar de o tempo lá fora estar cinza, colaborando com o clima de fim do mundo.</p>
<p>Sentada aqui, eu fico pensando nas coisas que eu faria. Quando na verdade, tudo o que eu faria seria pensar no que eu faria. Porque se eu fosse mulher, pegaria esse telefone e ligaria pra falar um &#8220;If I give up on you, I give up on me&#8221;, ou uma frase cafona do Bon Jovi pra dizer que eu não aguento mais não ter ele aqui, ou pra mandar pra puta que o pariu, porque ele tá fodendo com a minha vida e com a minha sanidade.</p>
<p>Entraria no Orkut daquela lambisgóia e diria pra ela que ela parece o Costinha. Porque ela parece mesmo e eu odeio ela! Sairia dessa cadeira AGORA e pegaria o ônibus pra Americana porque é onde eu queria estar, com a minha familia. Mas antes disso, passaria na lanchonete e diria pro carinha de lá que é RIDÍCULO quando ele me chama de anjo azul e que ele não vai conseguir nada comigo me dando chocolates, NUNCA.</p>
<p>Mandaria pro inferno todo mundo que está me interrompendo enquanto eu tento raciocinar e escrever esse texto.</p>
<p>Tiraria os fones de ouvido, e cantaria pra todo mundo aqui ouvir, como eu estava cantando ontem à noite, só porque estava sozinha. Eu canto bem, e nunca deixo ninguém ouvir. Pintaria meu cabelo de novo, porque eu queria ter nascido morena. Falaria pro menino que senta do meu lado que eu NÃO SUPORTO ele fazendo aquele barulho com o nariz, e que é nojento!</p>
<p>Se eu fosse mulher, eu desabaria a chorar aqui mesmo, agora, porque é o que eu tô com vontade de fazer. E jogaria uma garrafa na cabeça daquela menina que me encara com aquela fuça esnobe no banheiro.</p>
<p>Mas eu não vou fazer nada disso. Simplesmente porque eu já devia ter feito. Não deveria ser a proximidade do fim a única coisa que iria me convencer a fazer todas as coisas que eu quero fazer. Todos os dias da minha vida, ao acordar, poderia ter sido meu último dia. Eu sempre pensei que podia cair, bater a cabeça no meio fio e morrer. Eu tentei dizer isso tantas vezes, e ninguém nunca me entendeu.</p>
<p>É por isso que eu jogo cadeiras quando brigo, bato e peço desculpas num intervalo de cinco minutos, xingo e digo que amo, por isso que eu já saí da minha casa às duas da manhã pra bater naquele portão, e nunca quis deixar pra terminar uma discussão no outro dia. É por isso que  pego o ônibus e viajo depois do expediente pra voltar na manhã seguinte e nunca tenho paciência. É por isso que eu errei tanto a minha vida toda, e me arrependi em seguida. É por isso que eu acertei tanto também.</p>
<p>Se o mundo acabasse amanhã mesmo, eu teria certeza absoluta que tentei de todas as formas, com todas as pessoas. Todos eles sabem o que devem saber. O quanto eu sou descontrolada, nervosa e briguenta, o quanto eu os amo com todas as minhas forças, e que se eu tivesse sete vidas, daria todas por cada um deles, sem pensar uma vez sequer.</p>
<p>Eu não quero, e não vou comprar um sabor novo de trufa. Porque é a tradicional que eu amo.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Uma Aprendizagem</title>
		<link>http://substantivolatil.com/archives/uma-aprendizagem.php</link>
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		<pubDate>Thu, 29 May 2008 15:45:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Deitada com os pés voltados pra cabeceira e a cabeça para o pé da cama, de modo que pudesse ver as estrelas pela janela sem ter que me levantar, imaginava se já passava das dez. Tive ímpeto de checar, mas me contive. Depois de um banho quente e um pouco de vinho, já não sabia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deitada com os pés voltados pra cabeceira e a cabeça para o pé da cama, de modo que pudesse ver as estrelas pela janela sem ter que me levantar, imaginava se já passava das dez. Tive ímpeto de checar, mas me contive. Depois de um banho quente e um pouco de vinho, já não sabia se esperava o alívio de todas as minhas dores ou uma pizza de mussarela. Tampouco sabia se tinha 15 ou 70 anos, a mente perdida naquele misto de euforia e nostalgia.</p>
<p>-Merda, vou beber mais.</p>
<p>Peguei a taça vazia e fui atrás do resto do vinho. A garrafa parecia torcer o nariz:</p>
<blockquote><p>-Fraca.</p>
<p>-Cala a boca, sua garrafa.</p></blockquote>
<p>Nem era uma garrafa. Era uma garrafinha. Não tinha vidro pra nem meia garrafa. Tinha mais é que ficar na dela.</p>
<p>Voltei pro quarto e sentei na cama. Pensei em beber aos poucos, pra condizer com o clima calmo e equilibrado do quarto, mas queria deitar logo. Tomei tudo num gole e fui espiar a rua, dando tempo pro liquido se acomodar no estômago. E então eu o vi.</p>
<p>Não podia desenhar detalhes alí da janela do oitavo andar, mas me parecia alto, magro e vestia camisa e calças escuras. E ajeitava duas caixas de papelão, numa distância suficiente para que acomodasse os pés dentro de uma e a cabeça dentro da outra, se cobrindo com uma terceira.</p>
<p>Fiquei zonza. Olhei pro lado, para a cama de casal, que acomodava uma só mulher. Que nem era uma mulher. Era uma mulherzinha. Não tinha tamanho para nem meia mulher. Mas tinha aquele quilômetro de cama, mais coberta e fronhas com estampa de zebra que tinham custado os olhos da cara.</p>
<p>Parecia que eu ainda olhava da janela, mas quando notei, estava parada na portaria com uma coberta nas mãos.</p>
<p>Era mais velho do que me parecia lá de cima, e tinha apenas dois dentes que se pudesse ver. Mas fui eu quem não deu conta de absorver a enxurrada de informações que ele despejou em menos de 15 minutos, discorrendo de forma brilhante sobre fé, vida e esperança, e deixando fluir um conhecimento escancarado sobre história, biologia e matemática, enquanto eu não conseguia dizer palavra.</p>
<p>Não quis me contar o que diabos nessa vida o fizera acabar alí, na minha calçada. Mas nem precisava.</p>
<p>E eu, tinha trocado um cobertor por uma boa dose de vergonha na cara.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>E pra complementar, vai um texto de Clarisse Lispector, que encaixa muy bien com a minha reflexão. Com trilha de Lenine, pelo mesmo motivo.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="350" height="288" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/klP8cJvAByg&amp;feature" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="350" height="288" src="http://www.youtube.com/v/klP8cJvAByg&amp;feature"></embed></object></p>
<p>“Mas olhe para todos ao seu redor e veja o q temos feito de nós e a isso considerado vitória de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende <strong>porque não queremos passar por tolos</strong>. Temos <strong>amontoado coisas e seguranças</strong> por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficando do lado de fora pois <strong>as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas</strong>. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e <strong>nós a tememos</strong>. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. <strong>Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios</strong>. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, <strong>sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada</strong>. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso <strong>nunca falamos do que realmente importa</strong>. Falar no que realmente importa é considerado uma <strong>gafe</strong>. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “<strong>pelo menos não fui tolo</strong>” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. <strong>Temos chamado de fraqueza a nossa candura</strong>. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.</p>
<p>E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.&#8221;
</p>
<p style="text-align: right;"><tt>(Lispector</tt><tt><strong>, </strong>Clarice. Uma Aprendizagem ou o </tt><tt>Livro dos Prazeres. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.</tt><tt>)</tt></p>
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		<title>Vai subir?</title>
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		<pubDate>Sat, 17 May 2008 03:19:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Os prédios lá em Americana são pingados. Um aqui, outro acolá, e nem de longe alcançam 6465436 andares como aqui, na capitar. Por isso, era difícil, assim, no dia a dia, a gente elevadorar.
Sim, é um verbo. Porque não é só subir ou descer. Elevadorar é uma arte.
E começa antes mesmo de começar. O sujeito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="border-right: 0px; border-top: 0px; margin: 0px 5px 0px 100px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/05/elevador1.jpg" border="0" alt="elevador" width="260" height="382" /></p>
<p>Os prédios lá em Americana são pingados. Um aqui, outro acolá, e nem de longe alcançam 6465436 andares como aqui, na capitar. Por isso, era difícil, assim, no dia a dia, a gente <strong><em>elevadorar.</em></strong></p>
<p>Sim, é um verbo. Porque não é só subir ou descer. Elevadorar é uma arte.</p>
<p>E começa antes mesmo de começar. O sujeito atrasado, catando as coisas pelo caminho, trupicando em tudo, tentando comer uma bolacha e trancar a porta ao mesmo tempo. E antes de conseguir, já dá tempo de lembrar que vai ter que chamar a bagaça e esperar subir 95 andares.</p>
<p><strong>Lição número um</strong>: o elevador NUNCA está lá quando você mais precisa dele. E quanto mais raiva você tiver do fato, mais pessoas vão chamar ele pelo caminho. Mantenha a compostura, engula o choro e chame o dito antes de tentar trancar a porta. Noob.</p>
<p>Saindo de casa, você corre o risco de encontrar um vizinho. Eu me apavoro. Sempre fico imaginando se aquele é o cara que bateu no teto na noite em que eu tive insônia e resolvi faxinar de madrugada, arrastando as coisas pra lá e cá, ou se todo mundo comenta que eu sou a <em>putaquepariu </em>de menina que ouve o som nas alturas.</p>
<p>Mas eu tenho mais pânico mesmo de gente que puxa papo. As pessoas deviam aceitar que não se cria nenhum tipo de relacionamento num elevador.</p>
<blockquote><p>- Bom dia!</p>
<p>-Bom dia.</p>
<p>-Nossa, menina, mas que virada, esse tempo, né?</p>
<p>-Pois é, esfriou bastante.</p>
<p>-Nossa, nem me diz, e eu que ia pegar uma piscininha nesse feriado, porque tô com umas amigas aqui, e a gente ia pra um hotel fazenda, a coisa já estava marcada faz um tempão, e agora eu não sei o que eu faço, vou ter que tentar aproveitar ass..</p>
<p>-Hm.. é.. eu fico aqui, até mais!</p>
<p>-Opa, até!</p></blockquote>
<p>Santo Deus.</p>
<p><strong>Lição número dois</strong>: não puxe papo com desconhecidos. Foda-se o terremoto. Não o faça.</p>
<p>Em casa, você vai cruzar com, no máximo, duas ou três pessoas num elevador. O foda, é no trabalho. De longe, você vê a fila. Óbvio que você tem a opção de esperar o próximo. Todos tem, mas ninguém faz. Eu não faço.</p>
<p>Aí você fica alí, espremida no meio de 15 nego, uns gordos, outros magros, outros baixos, outros altos, e todas as combinações possíveis, como na vida, né, gente?</p>
<p>Só que num elevador, isso significa:</p>
<p>-Ficar bem embaixo de um sovaco fedido.</p>
<p>-Ficar de cara com a pança do véio.</p>
<p>-Ficar com o sovaco na cabeça de alguém.</p>
<p>-Ter alguém com a fuça na sua pança.</p>
<p>E assim por diante.</p>
<p><strong>Lição número três</strong>: tente se esmagar numa das paredes. Mas certifique-se de que não está apertando todos os botões.  E se for vítima do sovaco, faça cara de paisagem. Vai durar pouco. Principalmente, por conta daquela véia maldita que dá duas de você e contribui para a lotação do elevador pra subir um andar. <strong>UM ANDAR</strong>.</p>
<p><strong>Lição número quatro</strong>. Avise a véia que é por isso que ela está gorda. Vai fazer um favor pra ela e aliviar o elevador.</p>
<p>E a quinta e última lição. Condicione a sua cabeça a achar que TODO elevador está sendo filmado. Não tente se lembrar qual realmente está e qual não. SEMPRE aja como se estivesse sendo filmado, principalmente quando tiver um <strong>espelho</strong> na história.</p>
<p>Vai por mim, a consciência agradece.</p>
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