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	<title>Substantivolátil &#187; Sociedade</title>
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	<description>O primeiro rascunho de qualquer texto é uma m#$&#38;@.</description>
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		<title>Are we humans or are we players?</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jan 2010 02:44:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Você cortou a franja muito curta. Sai perguntando se tá muito ruim. Seus colegas dizem que não. Sua irmã diz que não. Seu namorado diz que não. Seu horóscopo diz que não. Seu primo de seis anos diz que tá feio. No fundo, você também achava. Mas só a partir daí você para de achar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2010/01/war1.jpg"><img class="size-full wp-image-894 aligncenter" title="war" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2010/01/war1.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a></p>
<p>Você cortou a franja muito curta. Sai perguntando se tá muito ruim. Seus colegas dizem que não. Sua irmã diz que não. Seu namorado diz que não. Seu horóscopo diz que não.</p>
<p>Seu primo de seis anos diz que tá feio.</p>
<p>No fundo, você também achava. Mas só a partir daí você para de achar que se arrumar a franja assim e assado vai ficar bom. Agora, você desencana e prende a franja até crescer.</p>
<p>E por que caralhos todas as outras pessoas da sua vida, que não possuem a inocência de uma criança de seis anos, mentiram pra você, sendo que achavam a mesma coisa?</p>
<p>Seus colegas nem prestaram atenção, sua mãe não queria te magoar, seu namorado quis evitar que você ficasse emburrada e seu horóscopo diria qualquer coisa que você quisesse ouvir. Nenhum deles te ajudou a tomar uma decisão. Mesmo as pessoas que queriam evitar o seu sofrimento, acabaram te atrapalhando.</p>
<p>-&#8221;Eu ainda te amo, penso em você, mas você me machucou e eu decidi desistir.&#8221;</p>
<p>-&#8221;Eu só quero te comer e não ficar sozinho, senão eu desabo.&#8221;</p>
<p>-&#8221;Eu estou bem, mas curto um drama, me faz parecer mais interessante.&#8221;</p>
<p>-&#8221;Cara, se eu quisesse você, eu diria!&#8221;</p>
<p>Acabam virando:</p>
<p>-&#8221;Tá sofrendo? Agora chora.&#8221;</p>
<p>-&#8221;O quê você vai fazer hoje? Queria te chamar pra vir aqui.&#8221;</p>
<p>-Frase de impacto no MSN.</p>
<p>-&#8221;Ai, moço, hoje eu tô de boa, só vim pra dançar, hihi.&#8221;</p>
<p>O quê há de errado com a gente, que não consegue falar a verdade? Na maioria das vezes, nem estamos pensando no outro, então qual o problema em descomplicar a vida das pessoas e evitar sofrimento e perda de tempo? Ou qual o problema em se mostrar desprotegido?</p>
<p>Sabe qual a pior consequência dessa atitude egoísta e tão automática? Ninguém mais acredita nas verdades.</p>
<p>Já tentou virar pra alguém e dizer: &#8220;eu errei, me desculpe, eu realmente te amo&#8221;, depois de dizer um monte de merda pra parecer forte e superior? Não adianta. Vai parecer vazio. Somos tipo aquele Joãozinho mentiroso, resta rezar pro lobo não chegar, nunca.</p>
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		<title>Quadrilha Estendida</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 17:29:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>
		<category><![CDATA[Poemas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu costumava achar que a Quadrilha, de Drummond, era uma puta verdade irritante: João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-781 aligncenter" title="cirandaMista" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2009/06/cirandamista.jpg" alt="cirandaMista" width="350" height="277" /></p>
<p>Eu costumava achar que a Quadrilha, de Drummond, era uma puta verdade irritante:</p>
<p>João amava Teresa que amava Raimundo<br />
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili<br />
que não amava ninguém.<br />
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,<br />
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,<br />
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes<br />
que não tinha entrado na história.</p>
<p>Mas pensando melhor, antes fosse simples assim. Porque fora dos livros, o João é amigo do Raimundo e a Teresa, se pudesse controlar, escolheria gostar do primeiro ao invés do segundo!</p>
<p>Ou a história pula o Joaquim e a Maria quer mesmo é pegar a Lili.</p>
<p>Às vezes, outra quadrilha passa perto e um dos mancebos se torna o J. Pinto da outra história, forçando desiludidas Marias ou Teresas a dar uma chance por despeito e viver uma vida vazia. Ou descobrir o tempo perdido.</p>
<p>E vai ver o J. é de um João mais velho que acaba de voltar dos Estados Unidos, onde se deu bem. Nesse caso, quem melhor pra ficar com o cara do que a Lili, que nessa bagunça toda, certamente era a única que conseguia focar nos estudos e no trampo.</p>
<p>Faz sentido.</p>
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		<title>Auto Afirmation Tabajara</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 18:03:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[E por quê aquele cara que tem uma namorada linda, que ele ama, acaba saindo com outra? Pulando a óbvia primeira opção (ele não ama), e a improvável segunda (ele se apaixonou perdidamente quando viu a outra ali parada, esquecendo instantaneamente da fuça da respectiva) vamos pra terceira, essa sim digna de uma divagaçãozinha de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E por quê aquele cara que tem uma namorada linda, que ele ama, acaba saindo com outra?</p>
<p>Pulando a óbvia primeira opção (ele não ama), e a improvável segunda (ele se apaixonou perdidamente quando viu a outra ali parada, esquecendo instantaneamente da fuça da respectiva) vamos pra terceira, essa sim digna de uma divagaçãozinha de leve: <strong>auto-afirmação</strong>.</p>
<p>- Eu sou gato, eu posso, eu vou. Quer ver?</p>
<p>Mas auto afirmação é uma coisa engraçada, porque, ao mesmo tempo que o sujeito se sente mais gostoso e supersônico, provando carquécoisa pra si e pros outros, ele deixa escancarada a falta de confiança em si mesmo. Se o fulano (ou fulana) é bonito e cobiçado, a coisa é óbvia, não precisa de confirmação.</p>
<p>Mas vamos de exemplo mais simples, e mais ridículo.</p>
<p>Planeta Terra, Brasil, <strong>Orkuts</strong>. Enquanto a comunidade &#8220;<a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=2823357" target="_blank">Pelo bom uso do &#8216;literalmente</a>&#8216;&#8221;, que eu não canso de divulgar, tem pouco mais de 8 mil membros, comunidades como &#8220;<a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=1729804" target="_blank">Vc tem peito, + eu tenho BUNDA</a>&#8221; tem mais de 50 mil despeitadas.</p>
<p>Gente, minha avó também tem bunda, mas nem por isso ela declama isso no almoço de domingo.</p>
<p>Aliás, falando em comunidades orkutescas, aquilo sim é um bom território pra analisar a negada auto afirmando tudo até a última ponta. Tipo, a manceba toma um pé na bunda, e no outro dia adiciona &#8220;<strong>Ex bom é ex morto</strong>&#8220;, ou &#8220;<strong>Tô com outro, mais gostoso que você!</strong>&#8220;. Na boa, se estivesse mesmo, ia ter coisa mais importante pra fazer do que fuçar no Orkuts.</p>
<p><center><img class="size-full wp-image-559 alignright" title="pimp1" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/10/pimp11.jpg" alt="" width="300" height="362" /></center></p>
<p>Os exemplos que melhor definem o tipo mais baixo de auto afirmação de cada sexo são as <strong>mina-balada</strong> e os <strong>mano-tunado</strong>. Ambos extremamente previsíveis e facilmente identificáveis.</p>
<p>A mina-balada é a aquela rapariga bela, badalada, que vive sozinha. Obviamente, segundo ela, ficar sozinha é uma opção, porque homem só atrapalha a vida. Se fica com alguém e o dito não liga no dia seguinte, diz que tá de buenas, que &#8220;Deus me livre ficar feito a fulana, com o cicrano pegando no pé!&#8221;.</p>
<p>No meu toba, guria. Todos os exemplos dessa raça que eu pude conhecer melhor choravam escondidinhas e admiravam de longe os casais apaixonados com seus apelidinhos e agradinhos.</p>
<p>Eu namorei trezentos anos e três dias e talvez por isso tenha perdido o treinamento <em>tô nem aí</em>. Se ontem o cara era uma coisa e hoje nem responde mensagem, eu vou ficar puta e assumir que comprei gato por lebre. Ou homem por qualquer coisa que valha uma lebre. Mas <strong>admito </strong>o incômodo.</p>
<p>Já os mano-tunado tem subdivisões: os <em>acéfalos</em> e os <em>latin lovers</em>. Os acéfalos eu nem faço questão de triturar, porque muitos sequer se dão conta do que tão fazendo. Aí a coisa vai muito além da minha humilde divagação, se envereda pelos caminhos da psicologia, dos lares conturbados e do pau pequeno. Como podemos nós discutir a complexidade do caso do cara que sente um prazer quase sexual ao exibir os novos bancos de couro do golfão socado no chão?</p>
<p>Já os latin lovers sabem muito bem o que estão fazendo e a coisa é mais triste quando o cara não é tão mau sujeito assim mas é altamente influênciável e vai na onda dos outros latin lovers do bando, exibindo músculos e gostosas como troféus. Podemos também abrir uma brechinha pra ex-namorados e ex-namoradas revolts, que saem pegando geral por vingança e não conseguem se ligar a ninguém, ficando chorandinho em casa feito as mina balada.</p>
<p>E é por essas e outras que eu assino embaixo quando o <a href="http://www.givememyremote.com/remote/fall-preview-the-big-bang-theory/simon-helberg-as-howard-wolowitz-in-the-big-bang-theory/" target="_blank">Wollowitz</a> diz que &#8220;smart is the new sexy&#8221;.</p>
<p>Mas se juntar o smart com um poquito de rock &#8216;n roll, eu não vou reclamar.</p>
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		<title>Na boca do povão!</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Sep 2008 03:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Causos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[u]]></category>

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		<description><![CDATA[Tudo começou quando eu dormia o justo sono dos recém desprovidos do título de assalariado. Eis que me toca a bagaça do telefone. Eu, achando que era a senhora minha mãe querendo saber se eu já estava isaurando no fogão, saio capotando, batendo cabeça, canela, num auto massacre sem fim para chegar até o dito. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-520 aligncenter" title="bush" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/09/bush1.jpg" alt="" width="323" height="353" /></p>
<p>Tudo começou quando eu dormia o justo sono dos recém desprovidos do título de assalariado. Eis que me toca a bagaça do telefone. Eu, achando que era a senhora minha mãe querendo saber se eu já estava <em>isaurando</em> no fogão, saio capotando, batendo cabeça, canela, num auto massacre sem fim para chegar até o dito. Exagero <em>mode off</em>, foi só pra vocês entenderem o porquê da minha raiva quando eu atendo o bicho gritante e ouço:</p>
<p>&#8220;Olá! Aqui é o Fulano de tal!&#8221;</p>
<p>-Ahn?! &#8211; Ainda no mundo dos sonhos, não consigo compreender muito bem o fato de um candidato à prefeitura da cidade estar me ligando. Enigma devidamente resolvido no segundo seguinte:</p>
<p>&#8220;Queria agradecer ao povo de Americana por blablablabla..&#8221;</p>
<p>-FÉLADAPUTS, mano!</p>
<p>Fui acordada por uma gravação maldita, de um candidato querendo ganhar a minha simpatia forjando uma pseudo intimidade telefonal! Achei tosco, e por perder o sono, ainda cultivei uma raivinha de leve.</p>
<p>No mesmo dia, mais tarde, fui ao centro da cidade resolver uns trololós, e olhem só! Se não era o dito da ligação acima, num outdoor num dos pontos mais movimentados da cidade. Normal né, o cara se promovendo e tal. É, seria normal, se ele não estivesse com uma puta cara de babaca, e com aquela mãozinha de miss estendidinha (pro povo, né, gente, que lindo). Parecia um manequim de loja, argh, feio.</p>
<p>Daí tô lá, batendo perna pra cima e pra baixo, e me passa um <span style="text-decoration: line-through;">carro</span> chevete com auto falantes que diziam, numa melodia ridícula, que pra sorte de vocês eu não consigo reproduzir aqui:</p>
<p>&#8220;Cicranooo, cicranooo, tá na boca do povão!&#8221;</p>
<p>Parei, naquele momento da minha vida, e fiz um exercício simples: imaginei o meu pai no lugar do tal cicrano. E concluí que se ele se submetesse àquilo, eu abriria mão da herança, juro.</p>
<p>Minha gente, época de eleição é overdose de <em>marketing pessoal FAIL</em>.</p>
<p>É um festival de sorrisinho maroto na foto, quando todo mundo (incluindo os sorridentes) sabe que todo mundo sabe que aquela lá saía com o cara casado, o outro dá ré no kibe, o outro tenta ser candidato desde que o homem inventou a roda, o outro vende até a mãe, e o outro fecha o poço artesiano que fica no terreno dele, quando não vence. O brinquedo é dele, só brinca se ele brincar.</p>
<p>E quando o cara <em>talvez, quem sabe, pode ser que seja</em> uma pessoa de índole aceitável, não tem o suporte necessário pra ter uma faixa com sorrisinho maroto, e aí sai essas merdas todas.</p>
<p>Tipo o Théo. Nesses nossos tempos modernos, tentem adivinhar qual música o capiau escolheu pra chamar de sua, e gravar na cabeça do povo o seu belo nome de homem <strong>sério</strong>, <strong>competente </strong>e <strong>confiável</strong>.</p>
<p>Uma dica: <strong>rima</strong>.</p>
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		<title>Procurando não procurar</title>
		<link>http://substantivolatil.com/archives/procurando-nao-procurar.php</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2008 21:27:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Quem nunca teve aquele momento completamente irrelevante na vida, sentado num ponto de ônibus, fazendo figas pro cachorro não conseguir mijar, ou percebendo que faz meia hora que está assistindo Dr. 90210 no E! e sentindo vergonha alheia própria, ou ainda olhando as placas dos carros e tentando lembrar o significado das combinações dos números, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://None"><img class="alignnone size-full wp-image-509" title="binóculos" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/09/binoculars1.jpg" alt="" width="315" height="460" /></a></p>
<p>Quem nunca teve aquele momento completamente irrelevante na vida, sentado num ponto de ônibus, fazendo figas pro cachorro não conseguir mijar, ou percebendo que faz meia hora que está assistindo <strong>Dr. 90210</strong> no <strong>E!</strong> e sentindo <em>vergonha alheia própria</em>, ou ainda olhando as placas dos carros e tentando lembrar o significado das combinações dos números, daquele joguinho que você aprendeu com 11 anos, e que você só lembra que 11= ele te ama, 22= ele está pensando em você e 77= ele está te traindo. Vergonha alheia própria de novo ao ver o tal 77 e ficar puta com isso.</p>
<p>Enfim, vamos dizer que esses não são exemplos do meu acervo pessoal, e tocar o texto, que eu perdi completamente o foco. O que eu ia dizer era: quem, num momento besta qualquer da vida, não parou e pensou um &#8220;tá faltando&#8221;?</p>
<p>Quando você vê um casal, e descobre que tá faltando a tua tampa, quando olha ao seu redor no trabalho e tá faltando algo que você realmente goste de fazer, quando se sente entediado, e tá faltando movimento. Sabe?</p>
<p>Então, é exatamente nesse momento que dá merda. Porque o ser humano não sabe ter paciência e lidar com o &#8220;tá faltando&#8221; até que algo aconteça naturalmente, ou como fruto de seu prórprio esforço. Ele bota o chapéu, empunha a carabina, e vai caçar.</p>
<p>Teoricamente, está tudo correto, lindo e brilhando, porque todo mundo, a vida toda, te manda ir atrás dos seus sonhos, e não esperar sentado. Dinheiro não dá em árvore, o homem faz o seu próprio destino e blablabla whiskas sachê, né.</p>
<p>Na prática, o problema é simples: quem procura, acha&#8230; até o que não queria achar. Por exemplo, quando você tá com fome, e não sabe o que quer comer. Você abre a geladeira, e fuça, e fuça, e nada te agrada. Você quer tudo, e não quer nada. Isso acontece simplesmente porque você <strong>não está com fome</strong>, e sim com <strong>vontade de comer</strong>. Qualquer coisa que você coma só porque pareceu bonito, vai te deixar estufado, e com mal estar.</p>
<p>Vamos transferir esse raciocínio pra uma coisa maior, então.</p>
<p>Amor. E disse a Aimee Allen: &#8220;<em>All my stripper friends, all my ex-boyfriends, they all want the same thing</em>&#8220;. Issaê, todo mundo quer uma história, tipo a do Dr. com a cabocla, dos livrinhos da Sabrina, das músicas do The Calling, dos.. sei lá, whatever.</p>
<p>Quando, por algum motivo, a coisa começa a apertar, seja porque todos os seus amigos estão namorando, ou porque a história que você queria viver não está mais sendo vivida e não há nada que você possa fazer, ou simplesmente porque é muito frio pra pouco cobertor, você arrebenta com a paciência que antes estava no piloto automático, e vai procurar alguém. Pronto, você deu start no modo catástrofe.</p>
<p>Certamente, existe um conjunto de características que você admira, tudo aquilo que você responderia se te perguntassem sobre homem/mulher ideal. Alto, baixo, magrelo, forte, gordinho, cabeludo, careca, nerd, rato de academia, e vai.</p>
<p>Só que em bilhões de pessoas nesse mundo, pelo menos umas TROCENTAS vão reunir duas ou mais dessas características. <img src="http://substantivolatil.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif" alt=")" class="wp-smiley" /> </p>
<p>Aí você olha o cara/menina com o cabelo verde limão, que curte escalar o himalaia tomando suco de uva e pensa: &#8220;pronto, mano, é isso. Paixonei.&#8221; Só que o indivíduo em questão é deveras promíscuo, intelectualmente inferior e tosco. E aí? E aí que você vai se descabelar, sofrer, chorar, e pronto, voltar pro menos 10, quando podia estar no zero. Sacou?</p>
<p>E isso pode se encaixar em deixar um trabalho por uma <strong>oferta</strong> melhor, que pode se mostrar não tão melhor assim, ou ainda, mudar até de <strong>cidade</strong> em busca de dias e oportunidades melhores.</p>
<p>Não que você não deva tentar. Se não tentar, pode nunca saber o que daria certo ou não. Mas faça com cuidado, com calma, com <strong>alma</strong>. A procura desenfreada sempre tem um motivo, alguma coisa que talvez nem você mesmo saiba o que é, mas que com certeza, te incomoda <strong>muito</strong> lá no fundinho (uahuahua), e por isso exige resultados imediatos, que acabam sendo moldados por nós, e nem sempre são a melhor saída pro desconforto inicial.</p>
<p>Depois de 9 meses, quase pra nascer (ouch), eu tô voltando pra casa. São Paulo podia ter cabelos verdes e escalar o himalaia tomando suco de uva, mas tinha pés mais frios que os meus, e não sabia discutir a relação.</p>
<p>A parte boa é que, lembrando tudo o que eu passei e aprendi, mas agora aqui do meu bom e velho quarto, respirando um ar gostoso e ouvindo a gritaria Bottânica na cozinha, eu sei que não tô nem no 0, nem no menos 10.</p>
<p>Eu fiz 5 combos seguidos, e bati todos os recordes. Game is not over. Game is mine again.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p><em>Update: Self jabá pode? Bóra pra </em><a href="http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=41999949" target="_blank"><em>comunidade do Substantivolátil</em></a><em>, povo! <img src="http://substantivolatil.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif" alt=")" class="wp-smiley" /> </em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>The end of the world as we know it</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 18:42:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[E o Doni disse que o mundo pode acabar. Ele acabou de reafirmar no Twitter, e não faz o mínimo sentido eu vir correndo escrever esse texto pra dar tempo de alguém ler, se o mundo for acabar mesmo. Então, na verdade, eu não estou escrevendo pra vocês, e sim pra mim mesma, pra tentar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E o <a href="http://www.interney.net/blogs/hedonismos" target="_blank">Doni</a> disse que <a href="http://www.interney.net/blogs/hedonismos/2008/08/06/o_mundo_acabara_amanha" target="_blank">o mundo pode acabar</a>. Ele acabou de <a href="http://twitter.com/marcdoni/statuses/880582246" target="_blank">reafirmar</a> no Twitter, e não faz o mínimo sentido eu vir correndo escrever esse texto pra dar tempo de alguém ler, se o mundo for acabar mesmo.</p>
<p>Então, na verdade, eu não estou escrevendo pra vocês, e sim pra mim mesma, pra tentar entender o porquê de não conseguir saber o que eu quero fazer agora se o mundo for acabar daqui a pouco.</p>
<p>Eu estou na agência, com os fones de ouvido, e <em>fucking</em> ironicamente está tocando &#8220;Keep The Faith&#8221; do <strong>Bon Jovi</strong>. Meu maxilar dói, como sempre dói, e eu já tomei dois comprimidos de Dorflex, e não ia tomar mais porque faz mal. Mas se o mundo for acabar mesmo, não quero passar as últimas horas com dor na merda do maxilar.</p>
<p>Péraê. Passei a manhã toda com vontade de comer uma trufa e não o fiz por que estou de dieta. Mas se o mundo for acabar isso não faz diferença, então aguardem um minuto que eu vou comprar uma.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Pronto.</p>
<p>E nesse exato momento, essa trufa, esse pedaço de coisa doce me confirmou que eu sou uma panaca. Porque ela é tradicional. De novo. Nem perto do fim do mundo eu consegui experimentar um sabor novo de trufa.</p>
<p>Aliás, eu não queria uma. Eu queria cinco, DEZ trufas. Queria me entupir de trufa até vomitar. Mas não tenho coragem. Como também não tive coragem de xingar o cara que me esmagou no elevador na volta, pra subir apenas um andar. E isso apesar de o tempo lá fora estar cinza, colaborando com o clima de fim do mundo.</p>
<p>Sentada aqui, eu fico pensando nas coisas que eu faria. Quando na verdade, tudo o que eu faria seria pensar no que eu faria. Porque se eu fosse mulher, pegaria esse telefone e ligaria pra falar um &#8220;If I give up on you, I give up on me&#8221;, ou uma frase cafona do Bon Jovi pra dizer que eu não aguento mais não ter ele aqui, ou pra mandar pra puta que o pariu, porque ele tá fodendo com a minha vida e com a minha sanidade.</p>
<p>Entraria no Orkut daquela lambisgóia e diria pra ela que ela parece o Costinha. Porque ela parece mesmo e eu odeio ela! Sairia dessa cadeira AGORA e pegaria o ônibus pra Americana porque é onde eu queria estar, com a minha familia. Mas antes disso, passaria na lanchonete e diria pro carinha de lá que é RIDÍCULO quando ele me chama de anjo azul e que ele não vai conseguir nada comigo me dando chocolates, NUNCA.</p>
<p>Mandaria pro inferno todo mundo que está me interrompendo enquanto eu tento raciocinar e escrever esse texto.</p>
<p>Tiraria os fones de ouvido, e cantaria pra todo mundo aqui ouvir, como eu estava cantando ontem à noite, só porque estava sozinha. Eu canto bem, e nunca deixo ninguém ouvir. Pintaria meu cabelo de novo, porque eu queria ter nascido morena. Falaria pro menino que senta do meu lado que eu NÃO SUPORTO ele fazendo aquele barulho com o nariz, e que é nojento!</p>
<p>Se eu fosse mulher, eu desabaria a chorar aqui mesmo, agora, porque é o que eu tô com vontade de fazer. E jogaria uma garrafa na cabeça daquela menina que me encara com aquela fuça esnobe no banheiro.</p>
<p>Mas eu não vou fazer nada disso. Simplesmente porque eu já devia ter feito. Não deveria ser a proximidade do fim a única coisa que iria me convencer a fazer todas as coisas que eu quero fazer. Todos os dias da minha vida, ao acordar, poderia ter sido meu último dia. Eu sempre pensei que podia cair, bater a cabeça no meio fio e morrer. Eu tentei dizer isso tantas vezes, e ninguém nunca me entendeu.</p>
<p>É por isso que eu jogo cadeiras quando brigo, bato e peço desculpas num intervalo de cinco minutos, xingo e digo que amo, por isso que eu já saí da minha casa às duas da manhã pra bater naquele portão, e nunca quis deixar pra terminar uma discussão no outro dia. É por isso que  pego o ônibus e viajo depois do expediente pra voltar na manhã seguinte e nunca tenho paciência. É por isso que eu errei tanto a minha vida toda, e me arrependi em seguida. É por isso que eu acertei tanto também.</p>
<p>Se o mundo acabasse amanhã mesmo, eu teria certeza absoluta que tentei de todas as formas, com todas as pessoas. Todos eles sabem o que devem saber. O quanto eu sou descontrolada, nervosa e briguenta, o quanto eu os amo com todas as minhas forças, e que se eu tivesse sete vidas, daria todas por cada um deles, sem pensar uma vez sequer.</p>
<p>Eu não quero, e não vou comprar um sabor novo de trufa. Porque é a tradicional que eu amo.</p>
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		<title>Uma Aprendizagem</title>
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		<pubDate>Thu, 29 May 2008 15:45:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Deitada com os pés voltados pra cabeceira e a cabeça para o pé da cama, de modo que pudesse ver as estrelas pela janela sem ter que me levantar, imaginava se já passava das dez. Tive ímpeto de checar, mas me contive. Depois de um banho quente e um pouco de vinho, já não sabia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Deitada com os pés voltados pra cabeceira e a cabeça para o pé da cama, de modo que pudesse ver as estrelas pela janela sem ter que me levantar, imaginava se já passava das dez. Tive ímpeto de checar, mas me contive. Depois de um banho quente e um pouco de vinho, já não sabia se esperava o alívio de todas as minhas dores ou uma pizza de mussarela. Tampouco sabia se tinha 15 ou 70 anos, a mente perdida naquele misto de euforia e nostalgia.</p>
<p>-Merda, vou beber mais.</p>
<p>Peguei a taça vazia e fui atrás do resto do vinho. A garrafa parecia torcer o nariz:</p>
<blockquote><p>-Fraca.</p>
<p>-Cala a boca, sua garrafa.</p></blockquote>
<p>Nem era uma garrafa. Era uma garrafinha. Não tinha vidro pra nem meia garrafa. Tinha mais é que ficar na dela.</p>
<p>Voltei pro quarto e sentei na cama. Pensei em beber aos poucos, pra condizer com o clima calmo e equilibrado do quarto, mas queria deitar logo. Tomei tudo num gole e fui espiar a rua, dando tempo pro liquido se acomodar no estômago. E então eu o vi.</p>
<p>Não podia desenhar detalhes alí da janela do oitavo andar, mas me parecia alto, magro e vestia camisa e calças escuras. E ajeitava duas caixas de papelão, numa distância suficiente para que acomodasse os pés dentro de uma e a cabeça dentro da outra, se cobrindo com uma terceira.</p>
<p>Fiquei zonza. Olhei pro lado, para a cama de casal, que acomodava uma só mulher. Que nem era uma mulher. Era uma mulherzinha. Não tinha tamanho para nem meia mulher. Mas tinha aquele quilômetro de cama, mais coberta e fronhas com estampa de zebra que tinham custado os olhos da cara.</p>
<p>Parecia que eu ainda olhava da janela, mas quando notei, estava parada na portaria com uma coberta nas mãos.</p>
<p>Era mais velho do que me parecia lá de cima, e tinha apenas dois dentes que se pudesse ver. Mas fui eu quem não deu conta de absorver a enxurrada de informações que ele despejou em menos de 15 minutos, discorrendo de forma brilhante sobre fé, vida e esperança, e deixando fluir um conhecimento escancarado sobre história, biologia e matemática, enquanto eu não conseguia dizer palavra.</p>
<p>Não quis me contar o que diabos nessa vida o fizera acabar alí, na minha calçada. Mas nem precisava.</p>
<p>E eu, tinha trocado um cobertor por uma boa dose de vergonha na cara.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>E pra complementar, vai um texto de Clarisse Lispector, que encaixa muy bien com a minha reflexão. Com trilha de Lenine, pelo mesmo motivo.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="350" height="288" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/klP8cJvAByg&amp;feature" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="350" height="288" src="http://www.youtube.com/v/klP8cJvAByg&amp;feature"></embed></object></p>
<p>“Mas olhe para todos ao seu redor e veja o q temos feito de nós e a isso considerado vitória de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende <strong>porque não queremos passar por tolos</strong>. Temos <strong>amontoado coisas e seguranças</strong> por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficando do lado de fora pois <strong>as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas</strong>. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e <strong>nós a tememos</strong>. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. <strong>Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios</strong>. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, <strong>sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada</strong>. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso <strong>nunca falamos do que realmente importa</strong>. Falar no que realmente importa é considerado uma <strong>gafe</strong>. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “<strong>pelo menos não fui tolo</strong>” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. <strong>Temos chamado de fraqueza a nossa candura</strong>. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.</p>
<p>E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.&#8221;
</p>
<p style="text-align: right;"><tt>(Lispector</tt><tt><strong>, </strong>Clarice. Uma Aprendizagem ou o </tt><tt>Livro dos Prazeres. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.</tt><tt>)</tt></p>
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		<title>Vai subir?</title>
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		<pubDate>Sat, 17 May 2008 03:19:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Os prédios lá em Americana são pingados. Um aqui, outro acolá, e nem de longe alcançam 6465436 andares como aqui, na capitar. Por isso, era difícil, assim, no dia a dia, a gente elevadorar. Sim, é um verbo. Porque não é só subir ou descer. Elevadorar é uma arte. E começa antes mesmo de começar. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="border-right: 0px; border-top: 0px; margin: 0px 5px 0px 100px; border-left: 0px; border-bottom: 0px" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/05/elevador1.jpg" border="0" alt="elevador" width="260" height="382" /></p>
<p>Os prédios lá em Americana são pingados. Um aqui, outro acolá, e nem de longe alcançam 6465436 andares como aqui, na capitar. Por isso, era difícil, assim, no dia a dia, a gente <strong><em>elevadorar.</em></strong></p>
<p>Sim, é um verbo. Porque não é só subir ou descer. Elevadorar é uma arte.</p>
<p>E começa antes mesmo de começar. O sujeito atrasado, catando as coisas pelo caminho, trupicando em tudo, tentando comer uma bolacha e trancar a porta ao mesmo tempo. E antes de conseguir, já dá tempo de lembrar que vai ter que chamar a bagaça e esperar subir 95 andares.</p>
<p><strong>Lição número um</strong>: o elevador NUNCA está lá quando você mais precisa dele. E quanto mais raiva você tiver do fato, mais pessoas vão chamar ele pelo caminho. Mantenha a compostura, engula o choro e chame o dito antes de tentar trancar a porta.</p>
<p>Saindo de casa, você corre o risco de encontrar um vizinho. Eu me apavoro. Sempre fico imaginando se aquele é o cara que bateu no teto na noite em que eu tive insônia e resolvi faxinar de madrugada, arrastando as coisas pra lá e cá, ou se todo mundo comenta que eu sou a desgraçada da menina que ouve o som nas alturas.</p>
<p>Mas eu tenho mais pânico mesmo de gente que puxa papo. As pessoas deviam aceitar que não se cria nenhum tipo de relacionamento num elevador.</p>
<blockquote><p>- Bom dia!</p>
<p>-Bom dia.</p>
<p>-Nossa, menina, mas que virada, esse tempo, né?</p>
<p>-Pois é, esfriou bastante.</p>
<p>-Nossa, nem me diz, e eu que ia pegar uma piscininha nesse feriado, porque tô com umas amigas aqui, e a gente ia pra um hotel fazenda, a coisa já estava marcada faz um tempão, e agora eu não sei o que eu faço, vou ter que tentar aproveitar ass..</p>
<p>-Hm.. é.. eu fico aqui, até mais!</p>
<p>-Opa, até!</p></blockquote>
<p>Santo Deus.</p>
<p><strong>Lição número dois</strong>: não puxe papo com desconhecidos. Foda-se o terremoto. Não o faça.</p>
<p>Em casa, você vai cruzar com, no máximo, duas ou três pessoas num elevador. O foda é no trabalho. De longe, você vê a fila. Óbvio que você tem a opção de esperar o próximo. Todos tem, mas ninguém faz. Eu não faço.</p>
<p>Aí você fica ali, espremida no meio de 15 nego, uns gordos, outros magros, outros baixos, outros altos e todas as combinações possíveis, como na vida, né, gente?</p>
<p>Só que num elevador, isso significa:</p>
<p>-Ficar bem embaixo de um sovaco fedido.</p>
<p>-Ficar de cara com a pança do véio.</p>
<p>-Ficar com o sovaco na cabeça de alguém.</p>
<p>-Ter alguém com a fuça na sua pança.</p>
<p>E assim por diante.</p>
<p><strong>Lição número três</strong>: tente se esmagar numa das paredes. Mas certifique-se de que não está apertando todos os botões. E se for vítima do sovaco, faça cara de paisagem. Vai durar pouco, principalmente por conta daquela velha maldita que dá duas de você e contribui para a lotação do elevador pra subir um andar. <strong>UM ANDAR</strong>.</p>
<p><strong>Lição número quatro</strong>. Avise a véia que é por isso que ela está gorda. Vai fazer um favor pra ela e aliviar o elevador.</p>
<p>E a quinta e última lição. Condicione a sua cabeça a achar que TODO elevador está sendo filmado. Não tente se lembrar qual realmente está e qual não. SEMPRE aja como se estivesse sendo filmado, principalmente quando tiver um <strong>espelho</strong> na história.</p>
<p>Vai por mim, a consciência agradece.</p>
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		<title>Revendo Conceitos</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Apr 2008 19:42:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Meu nariz torceu 360 graus quando eu peguei nas mãos o livro &#8220;Uma vida inventada&#8220;,  pra ler e dar uma palavrinha sobre.  O que diabos eu ia querer com a biografia da Maitê Proença? Botei na mesa e ficou alí, com os depois-eu-vejo-faço-arrumo-termino. Eis que, na mesma tarde, como que propositalmente, meu computador na agência [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Meu nariz torceu 360 graus quando eu peguei nas mãos o livro &#8220;<a href="http://www.ediouro.com.br/templates/agir/catalogo/catalogo.asp?codigo=13757&amp;AreaSite=1" target="_blank"><em>Uma vida inventada</em></a>&#8220;,  pra ler e dar uma palavrinha sobre.  O que diabos eu ia querer com a biografia da <strong>Maitê Proença</strong>? Botei na mesa e ficou alí, com os depois-eu-vejo-faço-arrumo-termino.</p>
<p>Eis que, na mesma tarde, como que propositalmente, meu computador na agência resolveu ter um <em>piriri</em>. Faltou bater o pézinho: &#8220;Não ligo, não ligo e não ligo! Boba!&#8221;</p>
<p>Botei o bicho pra consertar e fiquei no aguardo. Olhei pro lado, e a Maitê me esperando. Peguei, com aquela má vontade de doméstica que trabalha há 30 anos na mesma casa, sabe? Não? Bom pra você.</p>
<p>Depois de devorar 50 páginas num tapa, Fiquei com vergonha. Eu tinha feito com ela exatamente o que eu mesma detesto que façam comigo:</p>
<p><em>- Pô, você é bonitinha e AINDA POR CIMA manda bem nos textos! LOL</em></p>
<p>E fiquei matutando a história. Porque diabos a gente tem mania de querer diminuir algum aspecto do outro, quando um em especial se destaca? É o velho papo do nerd feio e tosco, da gostosona burra, ou da modelo tapada.</p>
<p>Na verdade, desde criança você se acostuma com o fato de os malvados serem feios, e as mocinhas lindas e inocentes.</p>
<p>Mas enquanto a bruxa é capaz de inventar toda uma estratégia maléfica pra acabar com as donzelas, as antas não conseguem sequer notar o perigo. <strong>Branca de Neve</strong> vai que vai na maçã oferecida por uma velha mendiga toda torta, e <strong>Bela Adormecida</strong> enfia o dedo na agulha na maior fanfarronice. Lôra, linda e burra. Bah.</p>
<p>O livro da Maitê é ótimo. Bem escrito, interessante, engraçado e profundo. Assim como a história de vida dela, que me surpreendeu. Mais uma vez como acontece comigo, por exemplo, ao falar da época em que sofria de bulimia:</p>
<p>– Nossa, sério!? Mas você!? Nem dá pra imaginar.</p>
<p>E se eu tivesse uma verruga na ponta do nariz, daria?</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>Pra terminar, uma promoção relâmpago, pra quem ficou curioso: tenho um exemplar do livro,  pra presentear um leitor ou uma leitora aqui do Subs. Eu mesma peguei a maldita fila de <strong>uma hora e meia</strong> pra conseguir um autógrafo no bichinho, como vocês podem ver nas fotos abaixo (clique para ampliar):</p>
<p><a href="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/04/mait21.jpg"><img style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/04/mait2-thumb1.jpg" border="0" alt="maitê2" width="262" height="190" /></a> <a href="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/04/maite1.jpg"><img style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-right-width: 0px" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/04/maite-thumb1.jpg" border="0" alt="maite" width="165" height="209" /></a></p>
<p>Pra ganhar, basta completar, nos comentários mesmo,  o trecho que eu vou transcrever aqui. A continuação mais criativa leva!</p>
<blockquote><p>A frente da casa estava impressionantemente igual. Estranho, pensou a menina. Como é que a vida podia ter virado do avesso, e justamente naquela casa, onde tudo havia acontecido, nada ter se alterado? Permanecia solidamente em pé, como se fosse um lugar seguro, como se tivesse esse direito depois de ter deixado que tudo se desarrumasse na existência de seus moradores. Casa de merda. Servira de palco para &#8220;aquilo&#8221; e agora estava alí, impávida, invulnerável.</p></blockquote>
<p>Boa sorte! <img src="http://substantivolatil.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif" alt=")" class="wp-smiley" /> </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Literalmente literal</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Mar 2008 15:54:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internet]]></category>
		<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Realiza: A classe conversa alto e ri descontroladamente. Aquela zona maldita de primeiro ano do ensino m&#233;dio. Eis que o professor de matem&#225;tica mais temido num raio de 900km, um bigodudo encanado, chega. Ele p&#225;ra, olha em volta, a classe engole os gritos, temendo pela vida. O professor caminha at&#233; a pr&#243;pria mesa, abaixa, procurando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/03/chutandobalde-final1.jpg"><img style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px 15px 10px 80px; border-right-width: 0px" height="260" alt="ChutandoBalde_Final" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/03/chutandobalde-final-thumb1.jpg" width="304" border="0" /></a> </p>
<p>Realiza:</p>
<p>A classe conversa alto e ri descontroladamente. Aquela zona maldita de primeiro ano do ensino m&#233;dio. Eis que o professor de matem&#225;tica mais temido num raio de 900km, um bigodudo encanado, chega.</p>
<p>Ele p&#225;ra, olha em volta, a classe engole os gritos, temendo pela vida. O professor caminha at&#233; a pr&#243;pria mesa, abaixa, procurando algo. Ao levantar, tem o algo nas m&#227;os: um balde.</p>
<p>Caminha tranquilamente at&#233; o meio da sala de aula, colocando o balde no ch&#227;o. D&#225; uns passinhos <em>de r&#233;</em>. De repente, engata a primeira, e ap&#243;s uma corridinha, mete um chut&#227;o no balde. </p>
<p>Foi a porcaria de cena que uma ac&#233;fala me fez imaginar quando parou atr&#225;s de mim na fila da cantina e disse: &quot;Nossa, hoje a classe estava fazendo tanta bagun&#231;a, que o Mauro chutou o balde, <strong>literalmente</strong>!&quot;</p>
<p>Porque, &#224;s vezes, &#233; necess&#225;rio fazer bonito, bem. E depois de mandar a bela palavra que enfeitou feito cereja a sua frase, o sujeito empina o nariz e suspira, com aquele ar de miss&#227;o cumprida. Sem saber a merda que acabou de falar.</p>
<p>Fiquei (figurativamente) chocada, ao checar o assunto u&#233;bafora:</p>
<blockquote><p>Sendo mais que breve, afinal os vossos sacos, tanto figurativamente quanto literalmente, j&#225; devem estar para l&#225; de Badg&#225;.</p>
</blockquote>
<p>S&#243; espero que o infeliz esteja ainda ligado ao dito, apenas numa viagem a neg&#243;cios, ou algo que o valha.</p>
<blockquote><p>O mundo est&#225; literalmente perdido.</p>
</blockquote>
<p>Tamb&#233;m, nesse universo t&#227;o grande, com essas estrelas atrapalhando a vis&#227;o, p&#244;.</p>
<blockquote><p>O fato de poder navegar em literalmente qualquer lugar, e melhor ainda, com uma conex&#227;o est&#225;vel, n&#227;o tem pre&#231;o.</p>
</blockquote>
<p>N&#227;o mesmo. Na Paulista, por exemplo, j&#225; pensou? E nem precisa navio, s&#243; uma lanchinha j&#225; bastava.</p>
<p>As tr&#234;s pr&#243;ximas, inacreditavelmente, est&#227;o no <strong>mesmo</strong> texto:</p>
<blockquote><p>Terminei a prova, literalmente voando.</p>
</blockquote>
<p>Ao menos conseguiu entregar, antes de sair pela janela?</p>
<blockquote><p>Ent&#227;o fui checar a fila, que literalmente dobrava quarteir&#245;es.</p>
</blockquote>
<p>Putaquepariu, ent&#227;o eu perdi a porra da passeata de mutantes do <em>Smallville</em>?</p>
<blockquote><p>Terminou o show e sa&#237; literalmente MORTO (&#8230;)</p>
</blockquote>
<p>Devia ter escutado a tua m&#227;e quando ela disse que ficar no meio da muvuca era perigoso. E viva a psicografia, que nos permite bater um papo contigo depois do ocorrido, n&#233;, mancebo?</p>
<p>Agora eu quero ver o texto com o maior n&#250;mero de coment&#225;rios da hist&#243;ria. Est&#225; oficialmente ( e figurativamente&#178;) lan&#231;ada a campanha <strong>&quot;Pelo bom uso do literalmente&quot;</strong> (sim, como no Orkut &#8211; e eu participo dessa comunidade desde SEMPRE). Postem a p&#233;rola mais maldita envolvendo o pobre <em>literalmente</em> que seus ouvidinhos j&#225; puderam presenciar, seguidas de um adjetivo criativo (ou n&#227;o) para a ameba azul do mato que a proferiu.</p>
<p>Vamos salvar o portugu&#234;s do assassinato. E terminar com um literalmente aqui seria emocionante, mas errado.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Inventando história</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Jan 2008 02:47:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Você já parou pra pensar que, a cada minuto do seu dia, desde a hora em que acorda, você está diretamente em contato com alguma coisa besta, pra qual ninguém nunca dá bola, mas que não estando lá, faz uma falta dos diabos? Precisa sair da cama, não. Ela mesma. Aliás, cama, colchão, travesseiro e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><img src='http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/01/lampadabmp1.jpg' alt='lampadabmp.jpg' /></center></p>
<p>Você já parou pra pensar que, a cada minuto do seu dia, desde a hora em que acorda, você está diretamente em contato com alguma coisa besta, pra qual ninguém nunca dá bola, mas que não estando lá, faz uma falta dos diabos?</p>
<p>Precisa sair da cama, não. Ela mesma. Aliás, cama, colchão, travesseiro e até o lençol. Algum dia alguém pensou que seria mais fácil envolver o colchão numa capa mais fácil de tirar e lavar. Fantástico! Se você não acha fantástico é porque não lava roupa.</p>
<p>Bote os pés pra fora da cama. Seus chinelos. Outra coisa sem importância. Mas você fica puto quando somem.</p>
<p>Vamos sair do quarto. Antes disso, fechadura. Um troço tão simples, mas que está presente em pelo menos 4 portas em cada casa desse mundo. E ninguém se liga na fechadura. Porquê será? Não que alguém devesse fazer um ode à fechadura, mas pô, sei lá. Deixa emperrar pra ver se não faz falta. E junto com a fechadura vem de brinde a chave.</p>
<p>O banheiro então, é um festival. Vaso sanitário, sistema de descarga, pia, torneira, ralo, chuveiro. Puta merda. O banheiro me fascina. Cada uma dessas coisas foi pensada por alguém, planejada, aperfeiçoada. E a gente nem tchum. Tem gente que idolatra o bidê, mas isso não vem ao caso.</p>
<p>Como será que alguém pensou na escova de dentes? E na escova de cabelos? E no secador!? Nesse último eu daria um beijo, por sinal.</p>
<p>Tudo bem, eu amo o meu computador, o celular, e todas as facilidades do mundo moderno. Mas e o zíper? O que seria da gente sem zíper e botão pra fechar as roupas? Sem prego pra botar algo na parede? Sem as tomadas?</p>
<p>Chapéu, óculos, liquidificador, isqueiro, cinto, sabonete! Quando foi que alguém decidiu que só água não era o suficiente pra limpar as partes? Falando em limpar as partes, ainda tem ele, todo branco, todo rolo, por vezes fofo e com cheiro de pêssego: o papel higiênico. Oh!</p>
<p>Às vezes a humanidade me emociona. Mas em seguida, esse sentimento me faz lembrar que eu sou uma frouxa. E você também. Nós todos, uns frouxos. Porque as pessoas não querem mais inventar besteirinhas indispensáveis. Parece que todo mundo agora só quer saber de inventar robô. De preferência que fale, lave, passe, cozinhe, seja conselheiro, amigo, <em>fuck buddy</em> e ainda troque a lâmpada e dance o tchan.</p>
<p>Cientistas são cientistas, mas devemos admitir que pessoas comuns costumam ter idéias brilhantes, provenientes de situações comuns. O meu pai é uma dessas pessoas. Já inventou uma centrífuga na época que a minha mãe fabricava fraldas descartáveis, um sistema de irrigação prum pomar, um troço pra dosar a comida e água do cachorro e recarregar o pote automaticamente, e um outro troço de pegar corrupto na praia.</p>
<p>Não, meu pai não sai agarrando político, tô falando do bicho, ô <strike>anôma</strike> <strike>anêma</strike> anêmona do mar.</p>
<p>Enfim, é por isso que projetos como o <a target="_blank" href="http://www.inventormmm.com.br/inventorMMM_inscricao.php">concurso de inventores</a>, que está sendo realizado pela <strong>3M</strong> são admiráveis! Nada mais interessante do que dar chance à mentes brilhantes que não têm condição de tirar do papel idéias que podem mudar a vida de alguém.</p>
<p>Eu, como não saco nada <strike>de física, literatura ou gramáticaaa</strike> dessas coisas, continuo aqui, inventando história, mas se você tem algo pra mostrar, corre lá e faz a <a target="_blank" href="http://www.3m.com/intl/br/mmm/?WT.mc_id=MMM">inscrição</a>! Quem sabe você não faz a diferença?</p>
<p>Aliás, acho que eu vou inscrever o meu pai e fazer uma grana em cima das idéias do véio (inserir risada maligna aqui).</p>
<p>Não?</p>
<p><em>Update: pra decepção dos xerifes de plantão, NÃO, este NÃO É um post patrocinado. Desculpe desapontar. <img src="http://substantivolatil.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif" alt=")" class="wp-smiley" /> </em></p>
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		<title>O primeiro aniversário</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Dec 2007 23:09:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[Substantivolátil.com]]></category>

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		<description><![CDATA[Tá achando engraçado? Vem aqui rir comigo então. Pra mim, pouca coisa nesse mundo faz sentido. Primeiro aniversário é uma delas. Primeiro aniversário de criança, por exemplo. Eu não me lembro muito bem do meu, afinal, eu estava completando um ano de vida (duh). Aliás, primeiro equívoco. Um ano e nove meses, que não podem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><img src='http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2007/12/bloganiversario11.jpg' alt='bloganiversario1.jpg' /></center><br/><center><em>Tá achando engraçado? Vem aqui rir comigo então.</em></center><br/></p>
<p>Pra mim, pouca coisa nesse mundo faz sentido. Primeiro aniversário é uma delas.</p>
<p>Primeiro aniversário de criança, por exemplo. Eu não me lembro muito bem do meu, afinal, eu estava completando um ano de vida (duh). Aliás, primeiro equívoco. Um ano <strong>e nove meses</strong>, que não podem nem ser calculados exatamente. Um ano fazia que eu havia sido cuspida no mundo.</p>
<p>Se a minha mãe parasse pra pensar, ia se dar conta que há um ano ela havia passado pelo pior dia da vida dela até então: contrações, anestesia, cirurgia. Dor, muita dor. Não creio que ela comemoraria isso.</p>
<p>Durante o período em que trabalhei no estúdio, desenvolvi uma certa compaixão por crianças que estão completando um ano de idade. O processo todo é assaz traumatizante. Demais.</p>
<p>A mãe chegava no estúdio, geralmente bem cedo, toda empolgada. Queria porque queria enfiar o rebento numa fantasia de moranguinho, com aquele chapéu <strong>esdrúxulo</strong>, enforcando a criança, que berrava (na minha orelha) até não aguentar mais.</p>
<p>Isso quando não queria encher de flor, de plumas, de tecido, botar numa concha gigantesca RIDÍCULA a pérola da sua vida. A criança quase morria pra atender o capricho da doida da mãe.</p>
<p>E depois havia os recadinhos de convite. Sabem né? Aqueles versinhos prontos com umas riminhas geniais que alguém decide que tem a tua cara. No meu convite de um ano:<br />
<em><br />
&#8220;Vejam bem minha carinha<br />
Todos querem me beijar<br />
Já pensou quando eu crescer<br />
O trabalho que vou dar?&#8221;</em></p>
<p>Pá.</p>
<p>Durante a festa, os pais se embebedam, os tios se embebedam, os primos correm feito doidos, todo mundo se entope de comida, e você que se foda. Seu papel na festa é quase o mesmo dos enfeites da mesa. Só que além disso você é adereço pra foto. Você está em todas elas, de alguma forma. Se parecer que não, pode procurar, em algum canto você encontra. Tipo onde está Wally.</p>
<p>Mas tem outros exemplos. Tem também <strong>primeiro aníversário de namoro</strong>. Vocês comemoram num restaurante chique, com vinho e luz de velas. Ou em algum lugar mais aconchegante, todo preparado, rosas, perfumes. Lindo.</p>
<p>Um mês depois ela/ele te mete um galho e dá um pé na tua bunda fácil.</p>
<p>Eu, particularmente, acho que um ano é muito pouco pra comemorar num namoro. Certamente, nessa época, ele ainda não arrota na tua frente, e nem você desconta o ódio causado pela TPM em ofensas dirigidas à ele e qualquer coisa que você achar (no momento) que seja mais importante que você. Quando esse tipo de coisa começar a acontecer, aí sim você tem base pra saber se vale a pena comemorar qualquer porcaria.</p>
<p>Quer comemorar antes disso? Uma semana tá valendo. Ou &#8220;faz uma hora e trinta e oito segundos que você derrubou cerveja no meu sapato. Vamos comemorar?&#8221;. E boa.</p>
<p><strong>Primeiro aniversário de casamento.</strong> Nos dias de hoje, o lance do namoro vale aqui. Ainda mais se você casou bêbado em Las Vegas. Já quem namorou oitocentos anos antes de casar, deve comemorar o primeiro minuto. Que a força esteja com vocês.</p>
<p>Depois disso tudo, ia parecer controverso eu dizer que este post é pra comemorar um ano de <strong>Substantivolátil?</strong></p>
<p>Então que tal comemorar a marca dos 100 posts, 1000 comentários, 600 assinantes RSS, e aquela barrinha lá em cima, que significa que o nosso querido bebê tá no <strong>Vírgula</strong>?</p>
<p>Mais especificamente, fazendo parte do <a href="http://blogamos.com/">Blogamos</a>, &#8220;<em>uma blogfarm que junta sob o mesmo portal, diversos blogs com temas e conteúdos selecionados tecendo uma rede repleta de entretenimento, conteúdo pertinente e diversão</em>&#8220;. Cool, huh?</p>
<p>E pra fechar a semana agitada, a <strong>Playba</strong> tá nas bancas, coleguinhas. E o making/história/wallpapers tão <a href="http://www.visionando.axe.com.br/?p=677">aqui</a>.</p>
<p>Abraço, macacada! Em breve, ALTAS novidades por aqui!</p>
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