Infância em páginas

menina-lendo.jpg

Já comentei várias vezes que aprendi a ler aos quatro anos de idade. Segundo a excelentíssima senhora minha mãe, um belo dia, ao voltar da creche, eu parecia puta da vida com alguma coisa, entrei e me tranquei no quarto.

O motivo da apurrinhação era que a minha melhor amiga sabia ler, e eu não. Saí do quarto lendo.

Daí pra frente, virei uma devoradora de livros, gibis, vidros de shampoo, embalagens de massa de tomate, e faixas na rua. Essas eu lia até ao contrário. E era fucking master, aliás.

Apesar de moleca, estava sempre com um livro na mão. Lia em cima de árvore, ia nadar na represa, andar de skate (!) ou carrinho de rolemã (!!) e levava o livro na mochila.

Costumava me sentir numa outra dimensão, me desligando totalmente do universo ao meu redor. O que, inclusive, me rendeu vários momentos contrangedores, como o dia em que, no meio de uma aula de literatura, mas perdida em algum romance, ouço a voz da professora, beeem lá no fundo:

- “Ardendo”, “arder”, o que o autor quis dizer com isso, pessoal?

Por algum motivo sobrenatural e mais forte do que a minha vontade, mesmo sem fazer a mínima idéia do que ela estava falando, decidi responder, não sem antes vislumbrar a expressão apavorada da minha amiga que me dizia com os olhos um “Abortar! Abortar!”, que eu também ignorei, soltando em alto e bom tom:

- QUEIMAR?

Acontece que a resposta era DESEJO, e o troço todo sobre o qual ela falava era praticamente um conto erótico, que havia deixado a classe toda boquiaberta. Depois dos três segundos mortais de silêncio, todos rolaram de rir da minha “inocência”, e obviamente, virou a graça do ano olhar pra minha cara do nada e mandar um “QUEIMÁÁR”.

Mas esse era o MEU elemento chave para fantasiar. Dependendo do que eu lia no momento, eu olhava pras pessoas e levantava teorias a respeito delas, ou fingia que elas me perseguiam e vice-versa. Eu vivia com um pé dentro e o outro fora da história da vez.

O mundo de uma criança é feito dessa fantasia, de coisas que somente você consegue ver. Um universo paralelo, sem ninguém pra atrapalhar.

Minha irmã, por exemplo, fazia amizade com ervilhas e pequenos insetos. No mundo dela, naquele universo só dela, isso cabia perfeitamente.

9788560302109.jpgE é justamente dentro de um universo paralelo todo seu que George, um garoto inglês de 12 anos, se perde – e se encontra – em meio a monstros e muita fantasia, num dia inteiro de perseguição pela bela Londres, no livro Coração de Pedra, de Charlie Fletcher.

Após quebrar a cabeça de um dragão de pedra no Museu de História Natural, George precisa correr contra o tempo – e de um pterodáctilo – para encontrar o Coração de Pedra e reparar a situação.

De leitura rápida e cativante, Coração de Pedra é recomendado para crianças de 8 a 80 anos, e para todos aqueles que buscarem ingresso para um mundo novo e misterioso, de tirar o fôlego!

24 Comentários para “Infância em páginas”


  1. PRIMEIRÃO!!!!


  2. julgando o livro pela capa, deve ser excelente.

    aos quatro anos eu só sabia ler nomes de bancos e de marcas como pomarola, lacta e sadia, mesmo que não estivessem em seus respectivos logos. e escrever meu nome.

    ah, como eu gostava da letra i… parecia um pirulito. sempre que eu escrevia Thiago me dava fome. no jardim I e II eu sempre levava um pirulito na lancheira.. pra matar a fome que a letra i me dava.

    coisas de criança.

    excelente texto, parabéns -denovo.


  3. Poxa, Mirian, que dica legal. Vou procurar saber mais sobre esse livro!
    Eu comecei a ler com seis anos mesmo, mas também fui daquelas crianças que sempre tavam com algum livro na mão e que todo mundo olhava meio estranho por estar lendo “A Bolsa Amarela” na praia. Até um “mas você gosta de ler mesmo?” eu já ouvi da minha prima, acredita?


  4. Que inveja, só consegui começar a ler com 5 anos…. mas depois disso não parei mais. Eu tinha mania de ficar contando as letras repetidas das legendas daquele programa do SBT “Aqui, Agora”, passava horas viajando na frente da tv e nem me ligava que na verdade eu estava assistindo violência pura…

    PS: Isso NÃO me transformou em uma pessoa violenta :)


  5. Passei por momentos muito parecidos. Sempre com algum livro pra ler escondido durante a aula.

    Apesar que começar com leitura muito cedo causa problema. Enquanto em frente a classe o professor ou professora mostram o alfabeto alguns já sabem ler e isso causa um tremendo distress.


  6. Eu entrei na 1ª série com 6 anos (minha mae conhecia uma professora da escola que colocou minha data de nascimento como sendo 1 ano mais velha) pq eu queria pq queria aprender a ler. Minha mãe teve que me ensinar e lá pelo terceiro mês de aula eu já sabia ler enquanto a turma só aprenderia lá pro final do ano. Foi um novo mundo. Eu pegava os livros que o meu irmão tinha pra ler, lia tudo que era gibi.

    Vou procurar esse livro pra ler, obrigada pela recomendação ;)


  7. [...]esse post eu não podia deixar de comentar!

    Na biblioteca pública da minha cidade natal, as atendentes pediam pros alunos me procurarem:

    “_ Pede aquele rapaz de óculos lá, que ele acha rapidinho pra você!”

    Costumo dizer, que meus BARES prediletos são a LIVRARIA e a LOCADORA!

    abraço Mirian, bom fim de semana, de mochila nas costas!

    Vaz [...]


  8. também adoro ler. adorei a dica.
    vou incluir na minha lista.
    beijo.


  9. Tenho certeza que tua irmã não bate bem. Fazer amizade com ervilhas não é normal. Olha que meu irmão desenhava naves no chão e controles, coisa e tals… mas amizade com ervilha já é demais!

    hehehee

    Eu prendi a ler por aí .. 4 ou 5 .. sei que com 5 eu jogava xadrez!

    Bjins.


  10. Pagar mico na sala do colégio é coisa que 99% da população mundial faz. Eu ja paguei cada kong que se começasse a contar não parava mais, cada um mais meticulosamente impensado(whatahell?) que o outro.
    Esse livro parece interessante. Vou dar uma olhada nele numa livraria aqui perto. Valeu a sugestão, gosto muito dessas histórias fantasiosas.

  11. Marone M. Moraes

    Eu acho que comecei a ler com 5 anos.

    Mas já estou ensinando meu sobrinho de 4 aninhos a ler! :D


  12. Oi, Bottan!
    Aqui é o Marcelo (aquele do “exótica”), blz?

    Eu gosto tanto dos seus papos que vou oferecer minhas fotos caso queira postar algum dia.

    Só isso. Ah, e aprendi a ler com 4 tbm, com minha mãe professora, que não aguentava mais alguém perguntando “O que tá escrito ali? E ali?” rs

    Até,
    Marcelo.

    http://www.flickr.com/photos/marcelopimenta

    http://www.sitedomarcelo.com.br


  13. Aos 5 anos eu aprendi a ler. Lia para os meus amiguinhos no jardim
    haha

    Tempo bom aquele. Minha mae tinha tempo pra me ensinar.


  14. Ah, eu lembro que minha mãe me ensinou a ler antes de eu entrar no pré. Com aquela cartinha “Caminho Suave” já ouviu falar? Daí no pré a professora me colocava pra ler livro pra classe… eu ficava me achando! Hahauhauahuah…

    Adorei seu blog. Tenho uma amiga com o mesmo sobrenome que vc. Beijos!


  15. *cartilha!

  16. Felipe Galatti

    É que inveja, so fui aprender a ler com 5 ou 6 anos, agora não tenho certeza, e realmente depois disso não larguei mais os livros e gibis.
    Com 6 anos eu sozinho liguei na editora e fiz a assinatura da Turma da Monica, meus pais não ficaram muito felizes, mas pelo menos manteram a assinatura.
    E quem ficou mais feliz do que eu quando aprendi a ler foi minha mãe, pq eu não precisava mas encher o saco dela pedindo para ela ler livros para mim.
    E interessante dica de leitura Mirian, pena que vc deu pouca informação sobre o livro, se tivesse falado mais dele teria dado mais vontade de ler.


  17. Engraçado, o meu último post Willow, fala de como as crianças criam espaços só delas…
    Infância em páginas. Gostei do título do post. Aliás, gosto muito da maneira como escreve. Tem tempos que não venho aqui e tenho sempre uma boa surpresa.


  18. Mirian sou apaixonado por livros também,
    são como grandes tesouros pra min.
    Queria te indicar um livro: A menina que roubava livros de Markus Zusak.

    Bjão!

  19. Olga

    Queimáááá!!!


  20. Eu só começei a ‘falar’ com 4 anos! Antes eu não emitia som algum… Vá entender a natureza dos vampiros! Acabei de destruir um Playstation II de 900 reais por que não conseguia derrotar um oponente em um jogo de luta, o Soul Calibur III… a Namco e seus amigos devem pensar que eu sou um ‘vampiro biônico’ para conseguir fazer três mil movimentos diferentes com os dedos e nem o meu ‘reflexo de vampiro’ conseguiu me ajudar! Malditos programadores de jogos, todo jogo já deveria vir com ‘invencibilidade’ e etc… É… Acho que você tem razão, vou é mandar o Igor comprar mais livros do Marquês de Sade e me divertir um pouco… Beijos no pescoço… Voei…


  21. @ Natalya: Puta merda! Eu adorava essa cartilha, usei muito!! Depois dei ela pra minha avó, junto com uns gibis, numa época em que dei uma força pra ela aprender a ler.

    @ Olga: UAHUhauHAUhauhAUHuahUAHUhauHAUhauHAUhau


  22. Só não concordo com uma coisa… Como você classifica um artigo sobre livros, leitura… Como “papo furado”?

    Minha infância foi tomada mesmo pelos gibis - tive a sorte de estudar numa escola com gibiteca, que me deu acesso aos clássicos dos “Novos Titãs” e revistas Disney. Também adorada o Tintin. Livro mesmo, me encantei - e continuo até hoje - pelo Menino Maluquinho, do Ziraldo.

  23. Azinho

    o texto me lembrou um filme que eu vi a pouco tempo. Labirinto do Fauno.

    E sobre fugas da realidade: sou sujeito a elas até hoje..


  24. Fuçando seus textos [que eu adoouro], eis que me deparo com esse… e não é que eu me identifiquei demais? Também aprendi a ler aos 4 e pra arrumar meu quarto, era preciso tirar tudo que fosse leitura, senão eu me distraia e não fazia nada. Quer sabe? Vantagem nossa de ser as desligadas do mundo com um livro na mão, se mais pessoas lessem assim, talvez o créu não fosse sucesso ¬¬

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