Realiza:
A classe conversa alto e ri descontroladamente. Aquela zona maldita de primeiro ano do ensino médio. Eis que o professor de matemática mais temido num raio de 900km, um bigodudo encanado, chega.
Ele pára, olha em volta, a classe engole os gritos, temendo pela vida. O professor caminha até a própria mesa, abaixa, procurando algo. Ao levantar, tem o algo nas mãos: um balde.
Caminha tranquilamente até o meio da sala de aula, colocando o balde no chão. Dá uns passinhos de ré. De repente, engata a primeira, e após uma corridinha, mete um chutão no balde.
Foi a porcaria de cena que uma acéfala me fez imaginar quando parou atrás de mim na fila da cantina e disse: "Nossa, hoje a classe estava fazendo tanta bagunça, que o Mauro chutou o balde, literalmente!"
Porque, às vezes, é necessário fazer bonito, bem. E depois de mandar a bela palavra que enfeitou feito cereja a sua frase, o sujeito empina o nariz e suspira, com aquele ar de missão cumprida. Sem saber a merda que acabou de falar.
Fiquei (figurativamente) chocada, ao checar o assunto uébafora:
Sendo mais que breve, afinal os vossos sacos, tanto figurativamente quanto literalmente, já devem estar para lá de Badgá.
Só espero que o infeliz esteja ainda ligado ao dito, apenas numa viagem a negócios, ou algo que o valha.
O mundo está literalmente perdido.
Também, nesse universo tão grande, com essas estrelas atrapalhando a visão, pô.
O fato de poder navegar em literalmente qualquer lugar, e melhor ainda, com uma conexão estável, não tem preço.
Não mesmo. Na Paulista, por exemplo, já pensou? E nem precisa navio, só uma lanchinha já bastava.
As três próximas, inacreditavelmente, estão no mesmo texto:
Terminei a prova, literalmente voando.
Ao menos conseguiu entregar, antes de sair pela janela?
Então fui checar a fila, que literalmente dobrava quarteirões.
Putaquepariu, então eu perdi a porra da passeata de mutantes do Smallville?
Terminou o show e saí literalmente MORTO (…)
Devia ter escutado a tua mãe quando ela disse que ficar no meio da muvuca era perigoso. E viva a psicografia, que nos permite bater um papo contigo depois do ocorrido, né, mancebo?
Agora eu quero ver o texto com o maior número de comentários da história. Está oficialmente ( e figurativamente²) lançada a campanha "Pelo bom uso do literalmente" (sim, como no Orkut – e eu participo dessa comunidade desde SEMPRE). Postem a pérola mais maldita envolvendo o pobre literalmente que seus ouvidinhos já puderam presenciar, seguidas de um adjetivo criativo (ou não) para a ameba azul do mato que a proferiu.
Vamos salvar o português do assassinato. E terminar com um literalmente aqui seria emocionante, mas errado.




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