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Aug
  Nós não seremos bons avós

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Desde já, peço desculpas aos meus futuros netos: eu não serei uma boa avó. E desde já, peça também desculpas aos seus, pois você também não será. Cheguei a esta conclusão há uns dois dias atrás quando levei uma mala de roupas para que a minha avó fizesse uns ajustes.

Sentada ao lado dela enquanto ela costurava as roupas, comendo um pedaço de pão doce, eu me toquei. Eu não sei costurar e não sei fazer pão doce. Jamais terei uma neta sentada ao meu lado comendo o pão doce que eu fiz enquanto eu costuro as roupas dela.

Tô parecendo piegas? Então vamos lá. Minha avó cuidou de mim por um bom tempo durante minha infância, pois morávamos numa casinha no quintal da casa dela, e meus pais trabalhavam fora. Bolos, bolachinhas, sopa de bolacha, café da tarde, mamão picado, e mais mil coisas de avó foram responsáveis pela minha engorda. Eu, como avó, no máximo vou indicar as prateleiras – “Pega lá o que você quiser, eu preciso trabalhar”. Tá aí, outra coisa: avós não trabalham. Eles estão sempre na casa deles esperando a gente com as bolachinhas prontas. Me diga se você se imagina parando de trabalhar pra ficar sentada num banquinho na frente de casa fofocando com a vizinha?

E depois de aposentado, quando seus filhos forem casados, é a sua grande oportunidade de tentar ser um problogger, olha que beleza! Você já vai ter a sua graninha garantida sem ter que sair pra trabalhar, e vai poder se dedicar integralmente à causa (vamos fingir que não rolaram uns 40 anos aqui). E aí, vai cuidar do jardinzinho? Nah.

A minha avó odeia a mensagem telefônica que diz “este número está ocupado, tente mais tarde”, ela diz que “essa moça” não tem nada que meter o bedelho, é só colocar o pi pi pi que ela já sabe que tá ocupado, diacho! Mas nós vamos saber que a moça é uma mensagem, e que os personagens que morrem nas novelas não morrem de verdade. Seremos avós modernos, entendidos. E talvez entediantes, pois não se esqueça: um dia eles estarão à sua frente quanto às novidades tecnológicas, e você não vai ter nada nem de novo e nem de inocentemente engraçado a dizer. É, cumpadre.

Talvez eu me torne uma avó doidona que faz kung-fu. Mas as bolachinhas… não rola.

Sem saber costurar ou fazer guloseimas e sem vontade de cuidar de jardinzinho, nos resta contar histórias. Ao menos isto companheiros (principalmente os blogueiros), nós faremos muito bem.



27 comments to “Nós não seremos bons avós”

Cazakin

August 9th, 2007 at 3:08 pm

Na side bar diz que você tem 20 anos, já tem filho ?

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Veridiana Serpa

August 9th, 2007 at 3:12 pm

eu tb não sei costurar, mas qualquer coisa faz um bolo de caixa ou compra na confeitaria… D

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Rafael Slonik

August 9th, 2007 at 3:16 pm

Que saudosismo é esse com apenas 20 anos? Nossos tempos são outros, e como a Veridiana disse, compremos o bolo na confeitaria!

E vem cá: você sempre está comendo quando pensa em postagens?
“…comendo um pedaço de pão doce, eu me toquei…”

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Glacial

August 9th, 2007 at 3:27 pm

“E depois de aposentado, quando seus filhos forem casados, é a sua grande oportunidade de tentar ser um problogger”

Kakakaka! Kakakaka!

Pelo menos poderemos ser bons parceiros de videogame, coisas que nossos avós nunca foram )

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Mirian Bottan

August 9th, 2007 at 3:37 pm

Cazakin: Namoro há 4 anos, mas ainda não tenho filhos, não.

Veri: é isso ou nada! uAHUahuAHUa

Rafael: é, acho que sim! uAHUahuAHau Pra confirmar, leia o post-meme “Como eu blogo” lá do começo de Março.

Glacial: Acho que teremos perdido a manha até lá! UAHUahuAHUah

Abraço!

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Luis Santos

August 9th, 2007 at 4:25 pm

Permita-me discordar. Sou, modéstia à parte, e com as dificuldades contemporâneas que você discorre, um excelente pai. Estou sempre muito próximo e passo muito tempo com minha filha. Invisto boa parte do meu salário em um aluguel de um excelente apartamento, que fica próximo ao trabalho e à creche dela. Todo o dia à levo, a pé, de carrinho para a creche. E de lá sigo para o trabalho. Chego em casa no máximo às 18:00 e curto o fim do dia com ela, vendo Pocoyo e Backyardigans… -)

Ao ser avô (espero que não muito cedo, senão mato o safado!), salvo qualquer contra-tempo de saúde (preciso diminuir as comilanças de picanha…), me parece que terei tempo, experiência e paciência para ser um avô ainda melhor. E é o que pretendo ser.

Daí considere, pelo menos para mim, nulo o seu alerta/aviso/sugestão de pedir antecipadamente desculpas aos meus netos. Por melhor que tenha sido sua intenção, nesta você não foi muito feliz. (O que é raro, mas até Pelé perdia gol fácil…)

Abraços,
Luis

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Mirian Bottan

August 9th, 2007 at 4:48 pm

Luis, foi apenas uma brincadeirinha sobre como eu não me vejo tendo uma vida pacata e caseira como a minha avó e como isso pode fazer com que os meus netos não tenham todo o agrado que eu tive.

E pegando por exemplo várias das pessoas que convivem comigo, eu diria que fui feliz pra uns 40 porcento, ao menos! hahaaha

Abraço!

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melo

August 9th, 2007 at 4:51 pm

Eu também não vou ser um bom avô. Por dois motivos:

1) Não vou ter filhos
2) Vou morrer cedo

Muito bom o texto )

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melo

August 9th, 2007 at 4:53 pm

Em tempo: mona, este comentário rosa é um LU-XO!

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David

August 9th, 2007 at 7:26 pm

Sempre dou uma passadinha aqui pelo seu site, mt bacana, parabéns,

vc tem q pensar que, como vc falou, “ser avó” acontecerá somente daqui a algum tempo, para quem aprendeu a ler sozinha, o que é aprender a costurar, fazer biscoito(a internet ta cheia de receitas)?

Além do que, tenho certeza que vc pode até não saber cozinhar nem costurar, mas como uma futura ancôra de algum jornal P , Ao menos es(his)tórias você saberá contar, e criança adora isso, vai dizer q você até hoje(ou seja, nem precisa ser criança) não gosta de escutar aquelas histórias de seus pais/tios/avós sobre “como era a vida deles”, sem tanta violência, as calças boca de sino, “os embalos de sábado a noite…

Sabe, uma coisa que sempre me deixa encucado é….
“será que nossos filhos/netos acharão nossas músicas chatas, como achamos a que nossos pais/tios/avós escutam?”

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Fred Banionis

August 10th, 2007 at 8:32 am

Olha, eu boto fé que daqui uns 30 a 40 anos mais ou menos, o neto de alguém aqui vai escrever um texto super parecido com esse, dizendo o quanto seu avô(ó) era bom e o quanto será péssimo nisso?

Porquê? Sabe-se lá o que acontecerá nos próximos 40 anos, como serão as coisas e o que será “coisa de avó” depois de todo esse tempo passado.

A tecnologia muda, os costumes mudam, mas avós, sempre serão as pessoas mais bacanas da família, independente de fazerem pão doce, ou acompanhar no video-game )

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Enio Luiz Vedovello

August 10th, 2007 at 11:56 am

Miriam, eu gostei do seu texto, mas sou obrigado a discordar de você. Você pode vir a ser uma boa avó, sim. E não vai nem precisar aprender a costurar, ou fazer pão doce, para conseguir isto.
Eu estou mais ou menos na metade do caminho, meus filhos estão na mesma faixa etária que você, então acho que estou falando meio por experiência própria.
Mais importante do que fazer comidinhas, cuidar das roupas, o que a sua avó sempre fez por você (e se você reler seu próprio texto verá que não estou dizendo nenhum absurdo), foi dar atenção. Este é o segredo. Ela “aprendeu” a dar atenção para os netos porque antes, foi “treinada” para dar atenção para os filhos. E agora tem muito mais tempo para os pequenos mimos do que tinha quando seu pai, ou sua mãe era criança. Da mesma forma, você poderá ser uma boa avó para seus netos, fazendo como o Luis, e garantindo um tempo na sua agenda para dar atenção aos filhos (coisa que, infelizmente, muita gente não faz mais). E com certeza, quando tiver seus netos, também saberá dar atenção a eles. Pode até ser jogando videogame ou lutando kung-fu contra eles, mas definitivamente, será a avó que eles esperarão ter.

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Thiago Mobilon

August 10th, 2007 at 8:30 pm

Só toma cuidado “prá num matá u lazarentchô” na hora de brincar de kung fu!

HAUHauHAUHuahUAHAU

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Cab

August 10th, 2007 at 10:43 pm

É, vamos fingir MESMO que 40 anos não passaram e um montão de coisas ocorreram na tua vida que transformaram a senhora naquela avó clichê que costurar coisas e fazer bolachinhas pros netinhos… =P

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Enio Luiz Vedovello

August 11th, 2007 at 4:38 pm

Cab
É, vamos fingir MESMO que 40 anos não passaram e um montão de coisas ocorreram na tua vida que transformaram a senhora naquela avó clichê que costurar coisas e fazer bolachinhas pros netinhos… =P

Só para constar, eu tenho 44, meu caçula tem 18 e, às vezes, por pedido deles, eu e minha esposa os acompanhamos à balada.

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Maysa

August 22nd, 2007 at 4:36 pm

Noohhhh… nao farei os paes de doce e mal sei curturar tb ( lascou.
Ensinar coisas de Internet, muito menos, eles nascerão com o mouse na mãe, nossos conhecimentos serão pouco válidos.

Mas teremos histórias… ahh teremos.

Maysa
Obs: seus textos são muito bons de se ler )

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Luiz

August 25th, 2007 at 5:38 pm

amiga você não tem vontade de aprender com a sua avô fazer umas bolacinhas hihihihi desculpa princadeira passa la belo meu blog que a gente conversar.

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Guilherme

February 26th, 2009 at 3:45 pm

Entendi, como uma comparação entre os tempos em que se podia dedicar muito mais tempo a família, contrariamente agora com a vida moderna.
Espero que esse pouco tempo hoje disponível seja melhor aproveitado com nossos entes queridos.
Parabens pelo Blog

Guilherme

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Heny

February 26th, 2009 at 3:46 pm

Miriam:

Sou aluna do professor Vaz.

Considero-me uma pessoa feliz porque tive uma avó encantadora,foi e é ponto de referência para mim,tento seguir seu exemplo de vida.Até hoje sinto o sabor delicioso de seus biscoitos e pães de queijo.

Serei uma pessoa abençoada se fizer para qualquer criança o que ela fez para mim.

Parab´ns pelo seu blog

Heny.
Parab´ns pelo seu blog.

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holanda luz

February 26th, 2009 at 3:50 pm

dona Holanda que que aconteceu que eu tô recebendo deu emeio sem texto

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holanda luz

February 26th, 2009 at 3:51 pm

Olá Mirian

Eu conheci seu Blog através do professor Vaz, dando aula no curso de informática do Senac.

Eu ainda peguei a era de costura e de fazer os lanchinhos da tarde. Só fiquei no aprendizado porque ainda não tenho netos. Os jovens de hoje não tem paciência de ficar do lado da vovó,lanchando. Eles preferem ir no Bob’s lancharem.
Parabéns pelo Blog.

Abraços.

Celeste

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maria

February 26th, 2009 at 3:53 pm

ola gostei muito do seu texto foi atraves dele que me vi cuidando dos meus netos parabens e muito obrigado um grande abraço

Maria

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vera magalhaes

February 26th, 2009 at 4:02 pm

Oi Mirian, gostei muito do seu texto, espero que vc seja sim uma boa avó, pois se vocé tem boms costumes terá.Avos serão sempre pessoas mais bacanas das familias indepentes de saber ou não fazerem bolos e etc……

Abraços.

Vera

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Cotta

February 26th, 2009 at 4:08 pm

olá Mirian, bem articulados os seus textos, trazidos pelo blog inteligente que o professor Vaz recomendou. Quando lia, por exemplo, a alternativa do bolo de caixa ou comprado na confeitaria, admiro o talento de que sabe se resolver pela experiência, pela sabedoria dos outros, afinal ainda quando eu não saiba fazer, que eu me lembre de bater palmas para quem sabe, e faz.

Parabéns, você sabe e faz muito bem feito.

Um abraço do Cotta.

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holanda luz

February 26th, 2009 at 4:13 pm

´Mirian, eu, novamente em aula com o prof. Vaz, me deliciando com seus textos!
Você, pensando como serão seus tempos de avó. Luis, sendo pai bem participativo,na convicção de acertar e eu, aos 63 anos, avó de dois lindos garotões! Acho que aprendemos sempre: ora voltando no tempo, ora avançando nele. Ainda trabalho (e muito) e, com meus netos, aprendi a fazer brigadeiro,pizza, a usar computador e até fazer bainha em calças!Também conto muitas histórias…

Parabéns, é uma delícia ler você ! E não se preocupe : a vida é sábia !

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prof.vaz

February 26th, 2009 at 4:27 pm

[...] falaram as vozes da experiência, esse foi um dos primeiros textos que li aqui no Subs e enquanto separava alguns textos em blogs pra trabalhar com meus “aluninhos da maioridade” me lembrei de ter lido esse texto aqui e queria ver a reação deles …

Em comentários offline elogiaram muito os seus textos!

abraço

Vaz

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