Ontem, num papo sobre os tempos do colégio, alguém disse: fulano era gente boa. Breve pausa e a Mairoca replicou: gente boa? Vocês estão falando da quinta série, porra!
O ponto era: quem não é gente boa na quinta série? Tirando o cdf que te entrega se perceber que você tá colando e o cara que rouba teu lanche, não tem muito como ser cuzão com 11 anos. E, veja bem, até os exemplos acima são, provavelmente, fruto de um lar-não-tão-doce-lar.
Mas o que me deixou matutante foi uma possível continuação do pensamento inicial: o fulano que era gente boa e não o é anymore. Lembrei de amigos, lembrei de supostos melhores amigos e efetivos. Quantos deles, quantas mudanças. O que acontece quando pessoas que a gente conhecia tão bem parecem se tornar outras pessoas?
De uma forma geral, os bambambans dos tempos áureos eram as meninas que tinham peitos e os meninos que não tinham medo do perigo. Digo, era o que bastava pra chamar a atenção e categorizar o sujeito como popular. Fosse de forma boa ou ruim, por admiração ou temor alheio, tava bão.
Menos de 15 anos depois, ainda longe dos 30, o cidadão precisa, no mínimo, estar com mais de meio caminho andado para: ser um profissional reconhecido, ter uma linda e unida família, estar em forma e saudável, ficar milionário e deixar um belo legado para a humanidade.
E aí que, no meio do caminho: relacionamentos falham (entenda-se: vc não pega ninguém, toma um galho, toma um pé na bunda etc), a correria te acrescenta cinquenta digitos em quilos, você trabalha feito uma mula e ninguém te dá valor (ou é demitido), seu cachorro morre, sua casa pega fogo, você tem hemorróidas, fica careca, seus pais se separam ou rola uma maldição de ondina e se você não prestar atenção, esquece de respirar e morre sufocado.
Nem todo mundo é gente boa quando se sente pobre, feio e fodido. Só que esse não é o problema, afinal, a maioria dessas coisas são superáveis, tipo mudar o foco na procura de emprego, voltar a estudar, cuidar da alimentação, frequentar lugares diferentes, arrumar um novo cachorro ou aceitar que não se pode mudar certas coisas e não focar mais a sua atenção nelas. O bom é que hoje a vida é mais difícil, mas também te dá mais alternativas. O antigo nós só se preocupava em não mijar na calça, mas não podia comprar um carro novo.
O que fode é sentar e esperar as coisas voltarem a ser como antes nos quesitos tranquilidade e complexidade, quando é óbvio que tudo ao redor mudou demais pra que isso seja sequer possível.
Quer um jeito de descobrir se tá na hora de se mexer? Tenta vestir a sua fantasia do Jaspion.
Ps. Caso você consiga, se não for um anão (tocaê), não foi aqui que você aprendeu a falar palavrão, ok?




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