O que eu desenharia para ganhar vida?

Eu poderia deixar um comentário, mas essa pergunta lançada pelo Rev. Ibrahim merece mais do que uma rápida e chula resposta. Merece uma ida mais a fundo (calma).
Se você pudesse desenhar algo que se tornaria real, o que seria? Será que é tão fácil responder? Depois de pensar por uns vinte minutos, e fuçar em alguns desenhos de quando eu era mais nova, cheguei a uma conclusão: o ser humano é incapaz de escolher ou manter uma escolha quando se trata de desejos. Mesmo que você decidisse hoje, amanhã se culparia ao lembrar de algo melhor/mais importante.
Quando pequena, provavelmente eu desenharia algo relacionado a brinquedos gigantes. Se um brinquedo é legal, gigante então deve ser super! Assim que os mesmos aparecessem na minha frente, eu ia abrir o berreiro e sair correndo com medo. Meu primo tinha um Macaco Murfy, e eu adorava. Agora imagina um bicho desse em tamanho real e fazendo aquele barulho. Cruz credo.
Quando eu fiquei mais “mocinha” (coisa linda da mãe!) eu era apaixonada por um dos integrantes do grupo Backstreet Boys (passado negro existe e EU SEI que você também tem o seu). Certeza que naquela época eu desenharia o amor da minha vida pra viver feliz pra sempre comigo. Me fala o que eu ia fazer com um mala cantando “Quit Playing Games With My Heart” o dia inteiro e com aquele sorrisinho estúpido nas fuças até hoje? Nah.
Quando podemos realizar um desejo, costumamos pensar nas coisas mais impossíveis de se ter, pelo menos naquele momento. É aí que está o grande erro. Um garoto dos seus 15 anos, com os hormônios fervilhando, poderia desenhar a gostosona do momento. E mesmo que fosse dar (!) em algo, depois o quê? Ia guardar no guarda-roupa? Uma vez a professora de artes passou uma lição chamada “Sonho Meu” que era, basicamente, desenhar um sonho meu (é memo!?). Na época eu estava aprendendo a tocar violão e pensava muito em ter uma bandinha, só que guitarras estavam fora de cogitação pra uma adolescente desempregada. Adivinha o que eu desenhei? Um mundo onde todo mundo tocava e guitarras nasciam em árveres árvoros árvores e notas musicais flutuavam sobre as nossas cabeças. Se guitarras nascessem em árvores, O QUE DIABOS EU IA COMER!? Se guitarras nascessem em árvores, Newton teria morrido com uma guitarrada! Isso não seria legal. Mas naquela época a idéia me parecia boa. Nem sempre a gente realmente quer o que pensa que quer. Quando desejamos algo, desejamos apenas a parte boa, anulando qualquer possibilidade de algo dar errado.
Enfim, isso foi pra explicar o porque meu desejo seria algo como carro/ casa/ computador fodão, e porque eu não trocaria o Mobilon pelo Johnny Depp (apesar de essa ser cruel.. brincadeira!)
E eu deixo uma pergunta: O que o próprio Reverendo desenharia para ganhar vida?












É como eu sempre costumo ver o ser humano, nunca está satisfeito com o que quer, e quando se impõe um desafio e este é cumprido, além de perder a graça, precisa de um desafio novo, ou seja, não adianta, sempre vamos querer alguma coisa.
Agora uma nota interessante, porque ao invés de desenhar algo pra ganhar vida, não desenhar algo pra ganhar a vida? Já tentei fazer isso, mas desisti de desenhar quando completei o colegial =)
“…o ser humano é incapaz de escolher ou manter uma escolha quando se trata de desejos. Mesmo que você decidisse hoje, amanhã se culparia ao lembrar de algo melhor/mais importante.”
Acho que essa parte diz tudo sobre a aventura humana: Basta chegarmos em uma “nova fase”, queremos passá-la e ir adiante. Terminado o jogo queremos a continuação ou simplesmente passamos a outro. Mas para desenhar algo e ganhar vida? Depois de pensar muito cheguei a conclusão de que eu desenharia Cthulhu.
A propósito, adoro seu blog
Mundo de criança é isso ai imaginar que um brinquedo 10 vezes maior vai ser 10 vezes mais legal, bem interessante você brincando de Pigmalião na adolescência querendo trazer a vida o desenho do seu Backstreet Boy favorito, as considerações sobre o que um goroto faria com a gostosona depois de traze-la a vida, bom o Pigmalião casou se com Galatéia mas isso não seria tão fácil pra um garoto, e o que nós iríamos comer se as guitarras dessem em arvores, tudo isso só mostra que os desejos mágicos tem que ficar no nosso imaginário, na pratica não funcionariam tão bem ou poderiam até ser perigosos.
O comentário acima acabou inda parar num post lá no blog passa pra ler.
Apenas uma observação, pra quem boiar como eu:
Cthulhu surgiu no conto The Call of Cthulhu na forma de uma estatueta de argila, representando um híbrido de octópode com ser alado. Ele está ligado ao mito dos Grandes Antigos, que surgem constantemente em diversas obras de Lovecraft, como “Nas Montanhas da Loucura”, “A Sombra Fora do Tempo”, “Um Sussurro nas Trevas” entre outros. Segundo os Mitos, a Terra teria sido habitada, há bilhões de anos, por criaturas que aqui teriam chegado antes que nosso planeta fosse capaz de gerar ou sustentar vida por si próprio. Eles, e não Deus, teriam criado a vida: o próprio Homem seria uma criação deles, surgida unicamente por pilhéria. Isso foi suficiente para que Lovecraft fosse considerado pelas igrejas fundamentalistas do mundo inteiro, aquelas que acreditam no mito da criação bíblica, como blasfemo. Os Grandes Antigos teriam Chtulhu como um de seus líderes, embora existam outros monstros na literatura lovecraftiana ainda mais bizarros e cruéis. Os Mitos são uma metáfora para insignificancia humana diante da magnitude do Universo: mais do que malevolentes, os monstros dos Mitos são, na verdade, friamente indiferentes à existência e sofrimento humanos, encarnando verdadeiras forças da Natureza.
Obrigada pela resposta, Ibrahim!