Quarter life crisis

Quando eu tinha 15 anos, era aquele devaneio: aos 25, eu, uma pessoa equilibrada, organizada, com um diploma, um plano definido pra vida, uma relação estável e uma vida tranqüila. Correu tudo certo, só que não. De tudo isso, a única certeza é que eu sou uma pessoa. 

Aí, como se eu não tivesse uma vida inteira pra construir, nos últimos tempos eu andei dedicando o meu tempo a questionar essa única certeza. Porque né, pra que me contentar com o fato de me reconhecer como indivíduo se eu posso enlouquecer me perguntando pra quê eu sou um?

A maior prova do desequilíbrio emocional/psicológico que permeia os 25 anos é isso de se orgulhar do fato de completar um quarto de século vivido. Porque, né, quem, em pleno domínio de suas faculdades mentais, acha interessante o fato de estar ficando mais velho, SETE ANOS DEPOIS DOS 18? Apenasmente não há mais vantagem nessa brincadeira, posto que munida do meu rg eu já posso fazer absolutamente tudo que a maioridade permite, inclusive ser presa.

Eu só sei que eu fico aí fazendo contas. Nem acabei de comprar meu jogo de panelas e tenho cinco míseros anos, que vão voar como os últimos (ou mais), pra ter trinta e provar pro mundo que é nóis, fi. Daí eu também lembro que o tempo dos quinze, com banda e cabelos vermelhos, que parece ontem, já não é ontem há dez anos, que é o dobro do que falta pra eu fazer aqueles trinta. Que fezes.

E sei lá, eu me pego olhando o nada e pensando em mudar de cidade, mudar o guarda-roupa, querer velhos amores, querer novos, querer continuar querendo aquele que apareceu do nada, comprar prateleiras, adotar um cachorro, comer mais frutas, voltar a estudar, cair no mundo, ouvir mais o caetano, ouvir menos o caetano, sair mais, sair menos e ver mais filmes, ficar nesse caminho e tentar aquele outro.

Ando achando que tenho problema no coração, na tireóide, na circulação, nos rins, na cabeça, rugas, e na verdade eu tenho mais de 20 anos e mais de mil perguntas sem respostas, só que eu nem posso cantar essa loucura, porque eu também tenho calos nas cordas vocais.

Eu quero a minha mãe.

20 comentários em “Quarter life crisis

  1. Ila Fox

    Menina, e eu que vou fazer trintinha ano que vem? jisuis… mas não tenho nada contra não, até gosto de ficar “mais velha”, só acho que a vida é curta demais para tantos caminhos, tantos filmes, tantos livros, tantas atualizações do reader… aiai.

  2. Vinicius Cordeiro

    Como já falaram antes, estes questionamentos nos acompanharão pelo resto da vida. E eu já te falei uma vez para você operar suas pregas vocais – é, nome certo é esse; não que seja bonito, para falar a verdade… :mrgreen:

  3. Elô

    É Miriam.. eu já estou na casa dos 3.0 e digo o negócio é viver feliz e sempre jovem de coração! Aproveitar tudo, dar início sempre a algo que esteja a fim, nunca perca o pique para os estudos, fazer novas amizades e continuar a conquistar os antigos amigos e rir e fazer rir! O tempo é pequeno demais e tem que ser aproveitado, as crisis? É só um detalhe!

  4. Jacqueline Lafloufa

    Welcome to the club!
    Não fica mais fácil nem difícil com o tempo, fica é diferente.

    Mas o fato é que meu querido Guima (Guimarães Rosa, para os não-tão íntimos) é que tinha razão: A vida é travessia Estamos sempre mudando. A gente afina e desafina. Torcendo, é claro, pra passar mais tempo afinada, ou aprendendo o suficiente com os desafinos.

    Keep calm and carry on.

  5. Diego

    Bom, eu li o texto no dia que saiu, mas como não tenho nenhum comentário que acrescente algo, tinha ficado quieto. Mas resolvi comentar agora só pra marcar presença. hehe

    Aproveitando o espaço, você é foda! <3

  6. Maíra Luna

    Te entendo DEMAIS. Com os 24 feitos em outubro dei uma surtada, pensando nos planos feitos de quando estava no colegial. Consegui cumprir quase nada deles e ai bate aquele desespero de acabar velha, triste sem deixado nenhuma marquinha por aqui ou de não ter feito nada de importante. Aquele “faniquito” de querer fazer TUDO e tudo AGORA. Complicado.

  7. Carol

    Muito bom Mirian! Acredito que seja o questionamento de todos! Tenho 22 e já estou em crise existencial com o tempo. É mta coisa, pra pouca vida.

  8. Larissa Lowchinovscy

    Excelente…
    É ai que a gente aprende a viver o momento, já que nada (ou a maioria das coisas) deu certo até então… vai por mim, já vou fazer 27…rs

  9. Thais Helena

    O problema não é só comigo! Eu não vejo diferença em ter 15 ou 25. Com quinze eu era tranquila e construía meus planos de certezas. Agora sou a mesma mais com desespero de incertezas.

  10. Lucas Miguel

    Vá com Bukowski:
    “Age is no crime
    but the shame
    of a deliberately
    wasted
    life
    among so many
    deliberately
    wasted
    lives
    is. ”

    Na dúvida, adote um cachorro.

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