Meu nariz torceu 360 graus quando eu peguei nas mãos o livro “Uma vida inventada“, pra ler e dar uma palavrinha sobre. O que diabos eu ia querer com a biografia da Maitê Proença? Botei na mesa e ficou alí, com os depois-eu-vejo-faço-arrumo-termino.
Eis que, na mesma tarde, como que propositalmente, meu computador na agência resolveu ter um piriri. Faltou bater o pézinho: “Não ligo, não ligo e não ligo! Boba!”
Botei o bicho pra consertar e fiquei no aguardo. Olhei pro lado, e a Maitê me esperando. Peguei, com aquela má vontade de doméstica que trabalha há 30 anos na mesma casa, sabe? Não? Bom pra você.
Depois de devorar 50 páginas num tapa, Fiquei com vergonha. Eu tinha feito com ela exatamente o que eu mesma detesto que façam comigo:
- Pô, você é bonitinha e AINDA POR CIMA manda bem nos textos! LOL
E fiquei matutando a história. Porque diabos a gente tem mania de querer diminuir algum aspecto do outro, quando um em especial se destaca? É o velho papo do nerd feio e tosco, da gostosona burra, ou da modelo tapada.
Na verdade, desde criança você se acostuma com o fato de os malvados serem feios, e as mocinhas lindas e inocentes.
Mas enquanto a bruxa é capaz de inventar toda uma estratégia maléfica pra acabar com as donzelas, as antas não conseguem sequer notar o perigo. Branca de Neve vai que vai na maçã oferecida por uma velha mendiga toda torta, e Bela Adormecida enfia o dedo na agulha na maior fanfarronice. Lôra, linda e burra. Bah.
O livro da Maitê é ótimo. Bem escrito, interessante, engraçado e profundo. Assim como a história de vida dela, que me surpreendeu. Mais uma vez como acontece comigo, por exemplo, ao falar da época em que sofria de bulimia:
– Nossa, sério!? Mas você!? Nem dá pra imaginar.
E se eu tivesse uma verruga na ponta do nariz, daria?
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Pra terminar, uma promoção relâmpago, pra quem ficou curioso: tenho um exemplar do livro, pra presentear um leitor ou uma leitora aqui do Subs. Eu mesma peguei a maldita fila de uma hora e meia pra conseguir um autógrafo no bichinho, como vocês podem ver nas fotos abaixo (clique para ampliar):
Pra ganhar, basta completar, nos comentários mesmo, o trecho que eu vou transcrever aqui. A continuação mais criativa leva!
A frente da casa estava impressionantemente igual. Estranho, pensou a menina. Como é que a vida podia ter virado do avesso, e justamente naquela casa, onde tudo havia acontecido, nada ter se alterado? Permanecia solidamente em pé, como se fosse um lugar seguro, como se tivesse esse direito depois de ter deixado que tudo se desarrumasse na existência de seus moradores. Casa de merda. Servira de palco para “aquilo” e agora estava alí, impávida, invulnerável.
Boa sorte!




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