
Um belo dia nas últimas semanas, ao chegar em casa, vi bolas em cima da mesa. Eram bolas douradas, reluzentes, bolas trabalhadas, tão belas, tão bolas, tão… sei lá, redondas. Tá, eram bolas de árvore de natal.
Quase entrei em depressão na mesma hora.
Como assim!? Quis guardar tudo aquilo, ainda não era hora de árvore de natal! Em vão. Além das bolas, já estava a árvore, daquele verde meleca, montada no canto da sala. E aquela estrela esdrúxula de pôr no telhado. Mais, tinha também um papai noel na janela, que até agora eu me assusto quando olho, achando que aquela barba branca é o meu poodle escalando a grade. Cruzes.
Enfim, deixei a árvore pra lá. Não dava mais pra negar mesmo, final de ano tá por aí. Não que eu não goste das festas e tal, mas é que exatamente nessa época tudo começa a ficar muito esquisito. Muito mesmo.
Todo mundo querendo mostrar que se ama mais, desde fingir que é gostoso levar o filho pra caçar aqueles papais noéis medonhos que ficam dando balinhas no centro da cidade, até brincar de “amigo secreto” com aquela cretina da outra sessão, que você o-de-ia! Sem contar dar presente até pra sogra.
E mais ou menos por agora começam as promessas. Ai, as promessas. Parar de beber, de fumar, de gastar, emagrecer, estudar. Mas tudo, obviamente, só depois que eu beber, comer e fumar feito porco nas festas, gastar toda a grana com roupa e presentes e matar todas as últimas aulas do fim do semestre. Afinal, é fim de ano.
Época de pensar em novos projetos, na realização pessoal, e em novos horizontes! Mas só depois que passar o carnaval, porque até lá, eu pretendo me manter bêbado.
Hora de gastar milhões em creme, fechar a boca e malhar feito doida pra queimar toda aquela banha que juntei no inverno e ficar gostosona pro verão! Porque meu bem, é fim de ano! E eu não vou lembrar de murchar a barriga na praia porque estarei muito bêbada. E eu já disse que é fim de ano, né?
Hoje mesmo, quando eu voltava do trabalho, São Pedro resolveu caprichar e fez cair o céu em Americana. Eis que, no meio daquela chuva torrencial, me vinha um rechonchudinho com um mp3 na mão (wtf!?), num cooper todo tranqüilo. Comentário pertinente de uma companheira de trabalho que se encontrava no carro: “Ah, mas agora o pessoal tá todo doido pra se cuidar, sabe cumé, é que fim de ano tá aí, né?”
É.
E eu já falei que vou ficar muito bêbada? Mas dia primeiro eu paro. De vez. Sério.




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