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May
  Uma Aprendizagem

Deitada com os pés voltados pra cabeceira e a cabeça para o pé da cama, de modo que pudesse ver as estrelas pela janela sem ter que me levantar, imaginava se já passava das dez. Tive ímpeto de checar, mas me contive. Depois de um banho quente e um pouco de vinho, já não sabia se esperava o alívio de todas as minhas dores ou uma pizza de mussarela. Tampouco sabia se tinha 15 ou 70 anos, a mente perdida naquele misto de euforia e nostalgia.

-Merda, vou beber mais.

Peguei a taça vazia e fui atrás do resto do vinho. A garrafa parecia torcer o nariz:

-Fraca.

-Cala a boca, sua garrafa.

Nem era uma garrafa. Era uma garrafinha. Não tinha vidro pra nem meia garrafa. Tinha mais é que ficar na dela.

Voltei pro quarto e sentei na cama. Pensei em beber aos poucos, pra condizer com o clima calmo e equilibrado do quarto, mas queria deitar logo. Tomei tudo num gole e fui espiar a rua, dando tempo pro liquido se acomodar no estômago. E então eu o vi.

Não podia desenhar detalhes alí da janela do oitavo andar, mas me parecia alto, magro e vestia camisa e calças escuras. E ajeitava duas caixas de papelão, numa distância suficiente para que acomodasse os pés dentro de uma e a cabeça dentro da outra, se cobrindo com uma terceira.

Fiquei zonza. Olhei pro lado, para a cama de casal, que acomodava uma só mulher. Que nem era uma mulher. Era uma mulherzinha. Não tinha tamanho para nem meia mulher. Mas tinha aquele quilômetro de cama, mais coberta e fronhas com estampa de zebra que tinham custado os olhos da cara.

Parecia que eu ainda olhava da janela, mas quando notei, estava parada na portaria com uma coberta nas mãos.

Era mais velho do que me parecia lá de cima, e tinha apenas dois dentes que se pudesse ver. Mas fui eu quem não deu conta de absorver a enxurrada de informações que ele despejou em menos de 15 minutos, discorrendo de forma brilhante sobre fé, vida e esperança, e deixando fluir um conhecimento escancarado sobre história, biologia e matemática, enquanto eu não conseguia dizer palavra.

Não quis me contar o que diabos nessa vida o fizera acabar alí, na minha calçada. Mas nem precisava.

E eu, tinha trocado um cobertor por uma boa dose de vergonha na cara.

———————————————————-

E pra complementar, vai um texto de Clarisse Lispector, que encaixa muy bien com a minha reflexão. Com trilha de Lenine, pelo mesmo motivo.

“Mas olhe para todos ao seu redor e veja o q temos feito de nós e a isso considerado vitória de cada dia. Não temos amado, acima de todas as coisas. Não temos aceito o que não se entende porque não queremos passar por tolos. Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro. Não temos nenhuma alegria que já não tenha sido catalogada. Temos construído catedrais, e ficando do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas. Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos. Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo. Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda. Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios. Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa. Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos do que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe. Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses. Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz. Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.

E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.”

(Lispector, Clarice. Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.)



75 comments to “Uma Aprendizagem”

Fenak

May 29th, 2008 at 1:10 pm

Uma bela reflexão! Ótima, na verdade!

Eu tive uma experiência dessas a um tempinho atrás. Deu que deu que eu acabei parando e trocando uma idéia com um desses caras de rua. Infelizmente, reparei que não peguei o nome do fidalgo, mas fiquei impressionado com o tanto de cultura e conhecimento que o cara tinha. A gente conversando, e ele falando de cultura, sociedade, economia, vida, e também na minha cabeça me perguntava como que aquele cara tinha parado ali.

Descobri que, mesmo que estivesse naquela situação, pra ele era mais do que “se vender pro sistema”, viver escravo de uma sociedade em que o mais forte engole os mais fracos. Sempre achei que isso era uma desculpa de vagabundo, mas pra ele, realmente fazia sentido.

E a gente chega na mesma indagação: Como um cara desse reclama bem menos da vida do que eu?!

Parabéns pelas publicações, venho acompanhando a um tempinho ; )

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Ítalo Leonardo

May 29th, 2008 at 1:16 pm

Olá Mirian!

Aproveitando-me desta sua deixa, vou postar aqui um texto de Euzyr Cunha, que é assim:

“Vocês já viram o grande número de pessoas que lhes abordam nos sinais luminosos, nas conduções, nos bares, tentando lhes vender algumas quinquilharias?
É a turba-malta que se agita, é o rebotalho humano tentando sobreviver pelos caminhos da honestidade.
Ajude-os se puder. Somente quando tudo falha é que enveredam pelas sendas do crime. Aí, não há mais retorno. Explode a violência em toda a sua plenitude. Cessa o seu direito de ir e vir.
É a sociedade ”fabricando” seus próprios marginais!
Eles não têm consciência de sua própria destida.
Não sabem que a má administração do país forjam esta situação caótica: “Pega Ladrão!”

Grande abraço garota!!!

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Vinny

May 29th, 2008 at 1:57 pm

Obviamente há casos e casos. Como o de um mendigo que perambula pela região onde moro que sempre vende no morro os cobertores que recebe para poder comprar pinga…

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Homem Aleatorio

May 29th, 2008 at 2:01 pm

“Vivendo e aprendendo”. Ou… “Aprenda com seus erros”.

o/

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Daniel

May 29th, 2008 at 2:07 pm

Bem, uma garrafa de pinga esquenta mais do que um cobertor!
Belo texto Mirian, mas se você não tivesse bebido o vinho teria dado a ele o corbertor?

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Pedro Chaves

May 29th, 2008 at 2:08 pm

Sensacional o texto, Mirian, e o blog também.

Essas expêriencias sempre fazem bem pra quem as vive, e realmente liga pra sua vida e ajuda os outros.

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Alexander Bastos (Piratas!)

May 29th, 2008 at 2:08 pm

Clap³ [2]

“…parabéns pelo texto que consegue surpreender!”

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Felipe

May 29th, 2008 at 2:15 pm

Sem elogios para rasgar
apenas
Clap³ [3]

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Alexander Bastos (Piratas!)

May 29th, 2008 at 2:17 pm

.
.
[Daniel]

- Achei que isso foi o mais interessante do texto… Se ela não tivesse bebido vinho “TERIA DADO O COBERTOR AO HOMEM NA RUA??”
O que é preciso pra nos fazer acordar?
.
.

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Carlos

May 29th, 2008 at 2:17 pm

Muito bom, parabéns! Como é gostoso de ler seus textos, menina!

Lembrei de um vídeo que vi um dia desses no Saindo da Matrix (www.saindodamatrix.com.br), no post “A Verdadeira Mudança”. Vale a pena, também.

Inté.

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Rafael Slonik

May 29th, 2008 at 2:22 pm

Moral da História: nunca beba sozinho em casa.

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Marcelo

May 29th, 2008 at 2:25 pm

Clap³ [4]

muito bem citado Alexander, talvez nem a própria Miriam tenha se dado conta ou não tenha sido intenção, mas esse lance da pessoa “sair de seu estado comum e perceber o mundo diferente” ao tomar o vinho, ver o mendingo ali na sua calçada e ir ajudá-lo foi genial!

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Ester Beatriz

May 29th, 2008 at 2:52 pm

Caramba… deu pra sentir tudo o que tu sentiu através do teu texto.
Também já aconteceram comigo várias paradas como essa… ou porque não dizer, vários “socos na boca do estômago” como esse…
A gente acaba se inflando de uma vontade, uma força que não sei de onde vem, pra querer fazer algo pra mudar… aí acaba se dando conta que a impotência é maior do que a vontade…
Que mundo é esse em que temos que sentir vergonha ou pedir desculpas por ter o que outro não tem?
É de lascar…
Ahhhh que vontade de sacudir o planeta!!!

Parabéns pelo artigo. E eu amo essa música do Lenine.
Beijooo!

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Felds

May 29th, 2008 at 3:16 pm

Acho que um “parabéns pelo que você fez” não cabe aqui.
Talvez um “parabéns pelo que você aprendeu”.

:)

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andrezinho

May 29th, 2008 at 4:30 pm

Clap³ [6] – O Malcomtux errou a conta huhuahuauh

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Marcos Rezende

May 29th, 2008 at 4:31 pm

Poha! PQP! (só palavrão pra exlicar) Texto show de bola! Parabéns!

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Daniel Seigo

May 29th, 2008 at 4:56 pm

Uma boa dose de vergonha na cara é o que todos nós precisamos…
Um dia eu conheci um morador de rua que falava Inglês, mas com o típico sotaque britânico, se eu não tive-se ficado abobado olhando para ele eu tentaria falar com ele ( apesar que ele parecia estar meio fora de si…) e teve uma outra vez que eu estava perto da casa da minha ex-namorada e lá tinha um morador de rua que ja tinha sido advogado, mas que estava nakela condição pq ele queria( parece que ele meio que escolhera viver assim depois de uma super desilusão amorosa… ou algo assim)
Nesse mundo se vê de tudo…

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Pitanga

May 29th, 2008 at 5:12 pm

Vergonha na cara é que todos nós precisamos – hoje e sempre!
Pois não é que, alguns meses atrás, ajudei um morador de rua que era Mestre em Economia, falava inglês e francês e tinha uma mansão??!
Ele mora na rua por ter “nojo” das coisas que o dinheiro trás (segundo ele mesmo)…e vive com uma garrafinha de água mineral, lavando aos mãos de minuto em minuto (porque se sente “sujo”).

História verídica! Conheci até mesmo o filho dele, que confirmou tudo (e o visita na rua)!

Beijos Doces,

Pitanga

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Mirian Bottan

May 29th, 2008 at 5:16 pm

Gente, é incrível mesmo quanta história de nego rico e superdotado que endoida com a sociedade e manda tudo às favas.

Minha mãe sempre me disse que pessoas que pensam demais não aguentam o tranco. Fato.

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prof.vaz

May 29th, 2008 at 5:53 pm

Clap³ [7]
[...] apesar de conhecer a “fama” de Clarice Lispector, só a partir dos seus textos escolhidos é que estou me interessando em conhecer mais de sua obra, bela reflexão!

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Caio, The Eldar

May 29th, 2008 at 6:28 pm

Uau….

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Thiago

May 29th, 2008 at 7:04 pm

É o capitalismo selvagem. Justo para uns, injusto para outros.

Parabéns pela sua atitude, confesso que não sei se teria coragem de tomá-la.

Beijo!

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Nenah

May 29th, 2008 at 7:16 pm

Sem dúvida foi a melhor postagem q vc ja fez aqui.E olha q já li o blog inteiro hein?

Amoo Clarice Lispector e esse texto serviu direitinho pro seu post.
Parabéns, vc escreve muuito!!

beijão

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VI!!

May 29th, 2008 at 8:00 pm

Já passei por isso.
Fiquei mto amigo do cara que dormia na praça perto da minha casa, ele fazia poemas e o pior, todos bons.
Eu cheguei a passar horas conversando com ele, fiz até pipoca.
Sempre bom perceber o que não temos para dar valor ao que temos.
bjs

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Jairo Jair

May 29th, 2008 at 8:12 pm

Como sempre você me chama a atenção com textos relativamente simples, só que não consigo parar de ler, parabéns…

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Léuzito

May 29th, 2008 at 8:40 pm

muito bom o texto…
Lispector rules geral.

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Filipe Arcanjo

May 29th, 2008 at 10:48 pm

Simplesmente foda!

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Emilio

May 29th, 2008 at 10:52 pm

Acho que vc devia ter levado um vinhozinho pra ele tb.

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Marco De Toni

May 30th, 2008 at 12:01 am

Bom seria uma tag que representa-se satisfação total ao ler um texto.

Parabéns, porém, não pelo texto já que de praxe são sempre ótimos.

Parabéns sim,… Por ver mais além. É ótimo saber que ainda existem pessoas que vem pessoas.

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Caloã

May 30th, 2008 at 1:41 am

Pequena,
acho que eu teria feito o mesmo.

Mas confesso que aqui na minha terra, não precisa de coberta. Frio é lenda.

Mas isso foi só um parênteses.

Dizem que quem é muito avançado para o seu tempo pira. Talvez seja o caso. Ele deve ter pensado: pra quê jogar minha vida fora trabalhando se eu posso vivê-la plenamente sem as imposições da sociedade.

Esquece política, economia e todas as convenções. Esqueça tudo e simplesmente viva P

Bjos pra vc.

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Enio Luiz Vedovello

May 30th, 2008 at 9:26 am

Muitas vezes a vida nos surpreende, Mi. As pessoas de quem menos esperamos nos ensinam grandes lições de vida. Tenho certeza de que esta foi uma situação que você vai se lembrar para sempre.

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Gizelle

May 30th, 2008 at 11:20 am

Isso é questão de ATITUDE!
Com vinho ou sem vinho, Parabéns!

Clap³ [8]

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Leandro Carrasco

May 30th, 2008 at 11:22 am

Mirian vc é demais

Otimo texto, serio mesmo.

Eu tb escrevo em um blog, da uma olha e me diz o que acha.

ps: esta no campo de website

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tiago

May 30th, 2008 at 12:05 pm

Gosto mais quando escreve sobre amenidades !
;*

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Roger Lima

May 30th, 2008 at 12:06 pm

Nossa….

menina.. é tão empolgante a forma como você descreve a vida, daria uma bela história de cinema, toda vez que leio algum texto, do tipo um tanto “noir”, me lembro do filme “Encontros e Desencontros”, um filme que me fez apaixonar pela vida adulta e sem graça, é estranho me pegar às vezes dando valor à meras coisas, insignificantes, mas que emoção vê-las com prazer!

bom.. adoro seu textos…sempre ^.^

e mto apaixonante esse texto da Clarice também =]

Um beijo pekena!

;***

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Su

May 30th, 2008 at 12:56 pm

Mirian,

Simplesmente perfeita a sua reflexão! E o da Clarice também, claro.
Conseguiu expressar com muita clareza e riqueza de detalhes o fato, me imaginei na cena e me deu até frio na barriga.
;)

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Bárbara Dainese

May 30th, 2008 at 9:37 pm

Mirianzita, vc esta cada dia se tornando uma escritora de mão cheia! Leio todos os posts embora não os comente sempre. Jah pensou em algum projeto maior? Tipo um livro? Acho q não faltariam patrocinadores…Sei lá, pode ser que eu estaja viajando longe tbm. Mas acho que vc ta no caminho certinho, não perde o foco mujer!!

Bjão!

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Elton Alexandrino

May 30th, 2008 at 9:49 pm

uau.. =D

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Alexandre

May 30th, 2008 at 10:56 pm

As vezes alguém precisa se simplesmente bom para que nós, que já nos tornamos insensíveis, possamos ter esperança.

Obrigado Miriam, obrigado mesmo.

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guilherme

May 31st, 2008 at 2:40 am

oi, eu adoro o seu blog, eu to começando com um blog e gostaria de saber se vocês não querem fazer uma troca de banner cumigo, agradeço desde já..

abraços

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Helen Fernanda

May 31st, 2008 at 4:51 pm

Eu conheci esse blog hoje e de cara encontrei um monte de coincidência, porque também sou comunicadora-precoce-baixinha e também tenho uma irmã mais nova artista-plástica-alta. D

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Luiz Lailo

May 31st, 2008 at 5:16 pm

Eu estou embasbacado e não posso dizer porque.
E não proponho uma troca de banner porque nem banner tenho. Além de tudo, detesto banner.
Eu fasso o que eu póço.

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Viviane

June 1st, 2008 at 11:48 am

Olá! Mirian hoje devo dar-lhes meus parabéns.
Parabéns! o texto está ótimo!

E a lição magnífica!!!!

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Tiago

June 1st, 2008 at 8:04 pm

Mirian fico feliz por você ter conseguido fazer o que
Fernando Pessoa já dizia com tamanha sabedoria.
“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos!”
E mais feliz ainda por você ter feito isso com uma mente jovem com plena conciência
de que as pessoas por mais “distantes” que estejam de nós, elas sempre nos completam de alguma forma.
Parabéns!
Um beijo

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Mario Nery

June 1st, 2008 at 8:46 pm

O vinho que você bebia e que eu tanto gosto também, a cerveja, o whisky ou para muitos a cachaça são apenas alguns dos motivos que fazem uma pessoa com conhecimento ir parar na sua calçada. Infelizmente o mundo é assim – o que parece uma simples diversão ou passatempo para alguns pode ser o vício de outros e leva esses outros até o cimento frio da calçada…

Fico muito feliz pela sua atitude. Sinceramente, parabéns Mirian – até por que eu me pergunto se eu seria capaz de fazer o que você fez e quantas pessoas fariam o mesmo…

Bjs

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GiL

June 2nd, 2008 at 12:53 pm

nuss quanta gent auhahuahauh

mais legal sua atitude ^^ .. xD … com esse friu (pelomenos ak – Londrina, Paraná – tava friu esses dais) deve ser f*** durmi na rua cober apenas por papelaum =/

e pior q essas pessoas as vezes tem uns papos mto massa q vc nem espera ouvir uhauahuhaha

e meuuu descriça de um cena massa tbem,,, noite, estrelas e vinhu combinação perfeita auhuahahuauahuahuahaha

beiju

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Fester

June 3rd, 2008 at 2:10 am

Olá! Aceita parceria com o Fester Blog? Para saber mais leia a política de parcerias no menu. Grande abraço!

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ana carolina gomes franca

June 3rd, 2008 at 12:23 pm

Puta merdaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Vc escreve muito bem, menina
parabens pelos textos
teu blog é otimo

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Thalita M

June 4th, 2008 at 6:52 pm

“O interessante é perceber que por mais que você mude,muita coisa fica igual.”

Mto bom o blog de vocês.
Encontrei,procurando algo sobre campanha do Dove,e encontrei um post de uma de vcs,não me recordo agora de quem foi.

Mas enfim,parabéns!

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andreas

June 5th, 2008 at 12:50 am

hey, te encontrei hj naquela palestra sobre internet… resolvi ler alguma coisinha do seu blog, e gostei viu… os textos com esse humor sarcástico peculiar de alguns, e o estilo de escrita, que dão o tom dos textos… é isso rs, bjs!

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Erickson

June 5th, 2008 at 1:10 pm

Sabe acho que tenho de agradecer você dona Mirian, eu estava reclamando da vida a algumas horas e vejo que nem tudo esta perdido, olhe esse homem a quem você deu o cobertor ele pode paracer ter perdido tudo mas não perdeu a esperança, a fé e principalmente a dignidade. Logo eu não vou perder a minha.
Mais um ótimo texto seu (para variar né).

Obrigado!

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Layla

June 5th, 2008 at 7:18 pm

Como meu amigo diz, arregaçou! Demorei para comentar nesse post porque queria um dia tranquilo pra ler com calma.

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Alice Désirée

June 6th, 2008 at 5:54 am

Olha, não conheço bem Clarice Lispector, mas minha mãe adora ela e creio que tenha todos os livros! Mas confesso que gostei do trecho que você escreveu. E quanto ao texto anterior à esse, foi vc que escreveu? Muito bonito! É verídica essa história? Quase nunca olho pela minha janela até porque minha janela dá de frente para a janela da minha tia. Nisso que dá construir quartos extras numa casa que já é grande sem eles. rsrs..Tô com blog novo e gostaria q vc fosse lá!
Bjs!!
=1

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“Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo” « Disseminando informação [in]útil…

June 6th, 2008 at 9:33 am

[...] 6, 2008 at 12:33 pm (Uncategorized) Lendo o blog da Mirian Bottan resolvi novamente postar por aqui. Na verdade muito tem acontecido para que eu não sinta vontade [...]


Rafa Ela

June 6th, 2008 at 10:12 am

É incrível como Clarice que escreveu há tanto tempo pode, ainda hoje, traduzir sentimentos de pessoas como nós, vivendo em tempos tão diferentes… As vezes a sensação é de que nada muda e que sempre vamos nos deparar com um mendigo na calçada, que sabe muito mais do que a gente…

E o que realmente importa??

Pensar demais nisso pode me deixar louca!!

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João Pedro

June 7th, 2008 at 1:20 am

Mirian, cadê aquele posta da capa do CD?

Vi no seu feed e não tá aqui.. :\

Postei e acabei colhendo os frutos da boa idéia às suas custas.. Hehe

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João Pedro

June 7th, 2008 at 1:22 am

Ops, acabo de ver que está ali do lado, em B-Sides…

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Bahdicu

June 7th, 2008 at 9:59 pm

Perfeito, é assim que posso descrever o seu texto, de dona clarice, nem preciso de comentar, ja tinha passado aqui antes, mais não tinha parado para ler, e ao mesmo tempo, entrar na linha de raciocinio de sua pessoa, parabens, esta em meu bookmark a partir deste momento.
Grato

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Rafael

June 9th, 2008 at 5:59 pm

Olá Mirian, eu sou o Rafa que participou do Tutorial Cast, do blog Tutorial Pop. Eu vi o seu comentário e tenho que admitir que houve exageros em algumas partes do podcast. Mas gostaria de deixar claro, que em grande parte do podcast, falávamos em tom de gozação. Grande parte das pessoas que convivem no meio dos blogs, sabem que uma das maiores críticas da blogosfera é a tal panelinha e preconceito que os blogs grandes têm em relação aos menores.

Se desmereci o seu trabalho, peço desculpas. Realmente a intenção não foi diminuir ou insultar ninguém, tirando a Marimoon =).

Quanto a questão da Playboy, eu tentei, pelo visto não consegui, ser irônico ao falar que seriam reconhecidas pela “bunda”. Aquela velha história “eu tenho cérebro, não bunda”. Se você escutou e creio eu, escutou, eu disse que o seu blog é o que eu mais gosto em relação aos outros. Um trata de um tema que eu não me interesso muito e o outro, assim como a grande maioria dos blogs, inclusive o meu, não nego, é apenas um agregador de conteúdo.

Não quero ser o tipo que fica reconhecido por procurar encrenca com outras pessoas. Isso sempre dá em merda, é fato. A pessoa já começa queimada. Essa não é a minha intenção.
Para ser sincero, eu NUNCA imaginaria que você escutaria esse podcast e muito menos comentaria, até porque são poucas as pessoas que cedem um pouco do seu tempo para escutar ou ler material produzido por um blog pequeno.

Eu sou relativamente novo nessa tal de blogosfera, agora que estou com um domínio .COM e posso dizer, em partes é para utilizar como material de estudo para a minha monografia (o tema é publicidade em Blogs), e em parte por ser mais fácil administrar. Mas o meu blog não começou agora. Está prestes a fazer dois anos, mas era, e ainda é hospedado no Blogspot. Porém, nunca fui de divulgar e correr atrás de parcerias. Tanto é que a maioria dos links que eu possuo, são de amigos que fiz em comunidades sobre blogs no Orkut.

Só queria mesmo pedir desculpas caso eu a tenha ofendido, e como disse, o “falar mal” no podcast, foi justamente para ser contrário a tudo que vem sendo feito atualmente.

Quanto ao meu post de 4 parágrafos para simplesmente dizer que não tenho tempo para assistir filmes, é justamente um daqueles posts em que você senta na frente do monitor e não tem nenhuma outra idéia interessante, digita e posta o que sair.

Bom, espero que eu não leve uma cacetada em resposta.

=)

Até mais!

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Rafael

June 9th, 2008 at 6:07 pm

Ah, só postei isso aqui porque não coube no seu formulário de contato. =/

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André Solomon

June 9th, 2008 at 10:04 pm

Mirian, também ‘escrevendo’ em nome do Tutorial Pop, queria me desculpar por qualquer comentário que tenha lhe ofendido. A intenção (minha, ao menos) quando fiz a escolha do tema, não foi a de denegrir a imagem de ninguém (só da Mari Moon… P ), mas de expressar diferentes opiniões por diferentes blogueiros.

O blog, ‘Tutorial Pop’, já teve seus dias de ‘merda’ quando resolvi convidar ‘blogueiros amigos’ para compor a equipe de redação e quase me lasquei com alguns ’semi’-processos nas costas. A idéia inicial era a de ‘tirar um sarro com o mundo pop’, mas num dado momento, estava atingindo os mais altos níveis de baixaria digna de um Leão Lobo com dua mais línguas.

Enfim, não quero que este erro se repita e, para isto, tento apenas servir, a quem acessa, como um tutorial sobre a cultura pop (com uma certa ’sátira enrustida’, bem verdade…). Me desculpe, mais uma vez.

Abraços,
André

ReplyReply

Renato

June 9th, 2008 at 10:36 pm

É dificil termos palavras que traduzam tão bem o sentimento, mesmo sendo um sentimento tão puro, único e particular.

Salve os Imortais, salve Clarice!

Renato
[superatrativo]

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Rafael

June 10th, 2008 at 11:00 am

Olá Mirian, que bom que entendeu o meu ponto de vista. E fico mais satisfeito ainda por ter respondido.

Eu realmente esperei tomar uma sapatada hehehehe.

Enfim, espero e farei o possível para que situações como essa não se repitam.

Até mais!
=)

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Olga

June 11th, 2008 at 12:25 am

só porque comecei a acompanhar isso aqui de verdade
não postou mais.

tô de castigo?

mas eu até fiz sua irmã gritar comigo porque queria ‘ir na casa do pedrinho’
só porque você disse que gostava de voltinhas de carro! ¬¬

tsc tsc.

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Sitião

June 13th, 2008 at 8:22 am

Olá gatinhas, gostei muito do que vi no blog e quero propor uma parceria.

O Frango Albino é relativamente novo, mas já temos alguns parceiros…

Acessem o Frango.

bjo

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Ítalo Leonardo

June 14th, 2008 at 12:43 am

Não quero nem saber se ta phoda preparar essa monografia aí;
Se vc está sendo vitima de trabalho escravo ou coisa do tipo;
Exijo post novo……………….

Senão paro de te pagar a mensalidade deste blog……… kkkkkkkkk

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Olga

June 14th, 2008 at 8:34 am

ué, faiô? =P

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Lomyne

June 16th, 2008 at 2:17 pm

Mas é que no final das contas os porquês importam muito menos do que as lições… Não?

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Thiago

June 16th, 2008 at 11:26 pm

Já assistiu Across the Universe? quando assisti, me deu uma vontade de.. VIVER.

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febox

July 18th, 2008 at 10:07 am

Ótimo texto moça, adorei, sei que estou comentando em um post antigo e que provavelmente você nem verá, mas eu realmente gostei bastante. Quando der visita o meu blog, postei uma história estou procurando opiniões! Até mais, beijos.

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Gil

July 21st, 2008 at 2:29 am

Só pra constar….perdi 1 hr no seu blog……. TriLegal….
Tu escreve Mucho bien…
Primeira vez que acesso…..so tira esse negocio ai do Batman……que ta em cima….da uma tontura isso………rs

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ViNi Castro

August 6th, 2008 at 1:01 am

sabe, ultimamente tenho visitado blogs, e isso se deve a grandes textos como esse!
impressionante a maneira como a sociedade vai andando neh?
muitas vezes nos sentimo não responsáveis e mas coniventes com essas situações, afinal, passamos por elas fingindo que não percebemos!
muitas pessoas jamais teriam essa atitude, pq ainda não sentiram aquele “baque” no estômago…
alguns passam uma vida de ambição e busca da felicidade esquecendo desses detalhes…
uma dica pra quem quiser, tem um pouco disso exposto no texto e mais algumas coisas a respeito de atitudes humanas: o futuro da humanidade… eh um livro interessante, eu gostei

mais uma vez, parabenizo o seu texto e o blog, sempre que possível dou uma lida

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