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	<title>Substantivolátil</title>
	
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	<description>O primeiro rascunho de qualquer texto é uma m#$&amp;@.</description>
	<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 05:25:36 +0000</pubDate>
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		<title>Desapego</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2008 03:43:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Causos]]></category>

		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[
Já fazia um tempo que eu andava torcendo o nariz pro meu computador. Grande, gordo e velho, ocupava 80% da minha escrivaninha, entre aquela cabeçona e o corpo barulhento feito um avião, que juntava uma poeira do capeta.
Aí começou a faltar espaço, faltar rapidez, faltar silêncio durante a madrugada, quando eu não queria ser descoberta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/11/letting.jpg" alt="" width="300" height="314" /></p>
<p>Já fazia um tempo que eu andava torcendo o nariz pro meu computador. Grande, gordo e velho, ocupava 80% da minha escrivaninha, entre aquela cabeçona e o corpo barulhento feito um avião, que juntava uma poeira do capeta.</p>
<p>Aí começou a faltar espaço, faltar rapidez, faltar silêncio durante a madrugada, quando eu não queria ser descoberta por um pai bêbado de sono, possesso com a cria que nunca dorme. E pior, começou a sobrar oportunidade onde eu precisava enfiar aquela tralha numa mochila e levar comigo.</p>
<p>Não fiz isso, né, gente. Fui lá e comprei um notebook. Com o dobro de HD, o dobro de memória, o dobro de velocidade, uns 20% do tamanho, e nenhum barulho. Demoréds. Peguei o bichinho quase ouvindo aquele coro gospel do comercial do cream cheese.</p>
<p>Configurei, instalei programas, testei daqui, de lá, reiniciei, fucei mais, tirei foto, desliguei. Fui tomar banho, e quando voltei, tendo mexido no treco de tudo que era jeito possível, na sétima hora, Mirian viu que aquilo era bom, transferiu os arquivos do monstrengo antigo pro brotinho prateado, e foi dormir.</p>
<p>Não sem antes deletar os arquivos do idoso jamantador. Porque o lance é que eu sou uma maldita de uma hiperativa e curto as coisas aqui, agora e assim, e eu queria tudo limpo alí, um lance assim meio neurótico.</p>
<p>Quem não me viu <a href="http://twitter.com/mbottan/status/1002108978" target="_blank">comentando o fato</a> no <a href="http://twitter.com/mbottan" target="_blank">Twitter</a>, já deve estar soltando um &#8216;que é que vem&#8217;, então, sem mais delongas, na manhã seguinte o note não ligava. Não vou desenrolar o problema aqui, mas fiz o que pude, tentei o que deu, e foi inevitável: perdi TUDO.</p>
<p>Por isso eu não tive forças pra discutir na loja, por isso eu chorei o caminho todo pra casa, por isso eu cheguei em casa, sentei na cama e pensei: &#8220;fudeu, mano. Vou virar hippie.&#8221;</p>
<p>Fotos, textos, logs, lembranças de anos, Gigafuckingbytes de música. Plóf. Ou uma onomatopéia qualquer que represente merda na água. Sblóft cai bem.</p>
<p>Depois de algumas horas de choro, fiquei anestesiada e voltei a raciocinar. <strong>Primeiro</strong> que muitas das coisas eu tenho em CD. <strong>Segundo</strong> que muitas das coisas eu tenho online. <strong>Terceiro</strong>, e mais importante: muitas das coisas, eu não queria mais, e só não havia me desfeito por dó.</p>
<p>Fotos que eu escondi de mim mesma pra não ver, músicas que eu pulava sempre que o shuffle resolvia me lembrar que elas ainda existiam, programas que eu nunca mais ia usar, mas deixava lá porque demorou um século pra baixar, filmes que eu não ia mais ver, mas não ia deletar pelo mesmo motivo dos programas.</p>
<p>Pensando um pouco mais (o processo foi longo), também concluí que eu não sou a pessoa mais adequada pra chorar os dados derramados (Oo). Eu nunca pensei duas vezes antes de digitar um nome na busca do Gmail, selecionar tudo, excluir e limpar lixeira. Rasgar fotos. Queimar coisas (pela poesia do ato, confesso). Destruir diários. Às vezes nem era por mim, mas por outra pessoa ou um outro motivo qualquer, eu logo me desfazia do que poderia me atrapalhar naquele momento. Se um tempo depois, a pessoa ou o motivo não existissem mais, as lembranças não voltariam, mas prazer, inconsequência soy yo.</p>
<p>Ao mesmo tempo, tenho uma caixinha de coisas não-tão-relevantes, que existe há séculos, e de lá, as coisas não saem. Porque não doem, não incomodam, são pedaços aleatórios de fases que me permitem lembrar como eu virei esse meio metro de paçoca escrivinhante.</p>
<p>Eis que logo após o ocorrido, empolgada com o raciocínio da vida hippie e das coisas que eu não preciso mais, peguei uma caixa de fotos velhas e resolvi fazer a busca, selecionar tudo, excluir e limpar a lixeira.</p>
<p>Parei no segundo seguinte.</p>
<p>Eu não sou um novo namorado com ciúme do antigo. Nem um bando de amigos novos de uma galerinha <em>über cool, man</em>, que achariam estranho o meu antigo cabelo vermelho-fogo, e as roupas coloridas. Eu não sou alguém que me admira hoje, e não conseguiria ligar o nome à pessoa quando se trata do período em que a bulimia me estragou legal. Eu não preciso me desfazer de mim. Também não sou um Windows Vista zoado, pra me apagar.</p>
<p>Peguei todas as lembranças, principalmente as frescas e que ainda doem, e coloquei na caixinha. Fechei, lacrei, e escrevi: purgatório.</p>
<p>Em seguida tirei fotos novas. E muito provavelmente, foram as mais lindas que eu já fiz.</p>
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		<title>Aí eu choro</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2008 19:25:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Causos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Uma amiga da minha mãe, que mora nos EUA há 10 anos, tá por aqui. Por aqui mesmo, ali no outro quarto, roubando a cama da paçoca (liga não, Leiloca, a gente te ama!). Daí que, depois de ela contar como o básico pra uma vida decente é garantido por lá, a gente estava discutindo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-602 aligncenter" title="cry" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/11/cry.jpg" alt="" width="350" height="440" /></p>
<p>Uma amiga da minha mãe, que mora nos EUA há 10 anos, tá por aqui. Por aqui mesmo, ali no outro quarto, roubando a cama da paçoca (liga não, Leiloca, a gente te ama!). Daí que, depois de ela contar como o básico pra uma vida decente é garantido por lá, a gente estava discutindo sobre como aqui no Brasil o negócio é armar um barraco pra fazer valer os seus próprios direitos.</p>
<p>Quando eu era criança, costumava ter vergonha de quando a minha mãe erguia a voz. Eu não entendia por que ela não podia simplesmente esperar, quieta, como todos, sem chamar atenção de todo mundo pra gente (logo eu, que dançava em cima da mesa da professora, mas ok).</p>
<p>Fui entender quando tinha uns 14 anos. Não tínhamos convênio, e aguardávamos na fila do SUS, pra falar com o psiquiatra (eu, Mirian Bottan, 14 anos, bulímica - dava filme). Esperávamos por volta de duas horas, quando uma senhorinha de uns 70 anos levanta e vai até o atendente perguntar se ia demorar pra chegar a sua vez. O cara simplesmente gritou com ela, mandando sentar e esperar, enquanto a pobrezinha já chorava de dor.</p>
<p>Eu teria repetido sílaba por sílaba tudo o que a minha mãe disse, indignada, praquele pedaço de bosta que era o cara.</p>
<p>Ou uma outra vez, num hospital infantil, onde uma menininha andava pra lá e pra cá com parte do intestino pra fora (!), e quando as enfermeiras disseram que não podiam dar prioridade à menina, pois os outros pacientes poderiam se irritar, ela levantou e perguntou se alguém ali se incomodaria em ceder a vez. Óbvio que não.</p>
<p>Enfim, eu admiro muito quem, como ela, tem essa coragem de cobrar os seus direitos, e até os dos outros. Porque eu, apesar de ter muita força de vontade pra coisa, não aguento pressão. E depois de uns cinco minutos de pose e fala firme, eu geralmente&#8230; choro.</p>
<p>Sério, é patético.</p>
<p>Numa briga, eu começo falando alto e parecendo um poodle raivoso. Se eu não começar a chorar no meio, assim que acaba, eu procuro o canto isolado mais próximo.</p>
<p>Essa semana, comprei um notebook. Fiquei a noite toda configurando o bicho, instalando todos os programinhas e transferindo arquivos. No outro dia, pela manhã, o treco não ligava. Levei de volta pra loja, sangue <em>nozóio</em>, praguejando contra Deus e o mundo, dizendo que não voltava pra casa sem ele. Pois voltei.</p>
<p>No outro dia, quando fui buscar o pepino que deveria estar resolvido, o mesmo discurso: &#8220;Não quero saber, mano!&#8221;. Quando o cara me disse que eu teria que esperar até o outro dia (longa história), eu me preparava pra pular o balcão e estrangular o mancebo, mas não deu tempo, no segundo seguinte tive que respirar fundo pras lágrimas voltarem. Saí correndo da loja e fui chorar no banheiro. Depois no estacionamento. Depois até chegar em casa.</p>
<p>Mas o mais bonito foi no dia da festa do meu aniversário, que aconteceu em sampa. Todos os hotéis estavam lotados por causa da corrida, e eu já estava desistindo, quando surge uma vaga, de última hora, e num hotel meia boca. Fizemos a reserva, eu e a paçoca, e partimos, no sábado à tarde.</p>
<p>Chegando no hotel, de mala e cuia, e empolgadinhas:</p>
<blockquote><p>-Oi moço, a gente tem reserva.</p>
<p>-?</p></blockquote>
<p>Medo.</p>
<blockquote><p>-Não moça, não tem nenhuma reserva nesse nome.</p></blockquote>
<p>Faltava menos de três horas pra festa, e não havia possibilidade de hotel na região. Eu virei um monstro. Eu não queria saber, não ia sair dali até me arrumarem um quarto, porque aquilo era um absurdo, uma falta de respeito, de profissionalismo, blablablablous.</p>
<p>Meia hora nessa, e nada. O tempo passando.</p>
<p>E bla bla bla whiskas sachê, eu vou processar isso aqui, onde está o gerente, e eu não quero saber, e qual é  seu nome, e vai.</p>
<p>E nada.</p>
<p>Eu já estava no meu limite, ok. Desabei a chorar. Expliquei a história pra camareira, pro porteiro, pro atendente, era a minha festa de aniversário, oh, me socorram.</p>
<p>Aí rolou uma comoção. A mulher começou a ligar pra tudo que era hotel, tentando achar vaga. Em vão, eu havia feito aquilo a semana toda.</p>
<p>No fim, acabou surgindo um quarto, de uns africanos que não queriam dormir juntinhos numa cama de casal. Aí pegamos o bicho. Chegando lá, não tinha água. Voltou vinte minutos depois, gelada, trincando. Ao entrar no banho, a Maira soltou três palavras que descreveram perfeitamente a sensação:</p>
<blockquote><p>-AI MINHA ALMA!</p></blockquote>
<p>Conseguimos ir pra festa, voltar e ter um teto, e <strong>uma </strong>cama (dura) pra dormir. No outro dia, pela manhã, encontramos com uma hóspede que havia presenciado o drama na recepção:</p>
<blockquote><p>-Deu tudo certo, não é? Que bom! Porque ontem eu fiquei com dó e acabei saindo daqui e indo procurar um quarto pra vocês.</p>
<p>-Caramba, não precisava! Mas aposto que não encontrou, estava tudo lotado.</p>
<p>-Que é isso menina, precisava sim! E eu até acabei encontrando, mas quando voltei, vocês já haviam subido.</p>
<p>-Encontrou!?</p>
<p>-Sim, no <strong>Ibis</strong>. Mas felizmente já estava tudo certo por aqui.</p></blockquote>
<p>Eu parei, fazendo uma retrospectiva mental da noite anterior. Na verdade eu só precisava lembrar do banho. Fingi uma satisfação, de leve.</p>
<blockquote><p>-Pois é. Felizmente.</p></blockquote>
<p>É, mãe, reivindicar não é pra todos. Eu vou é entrar num curso de teatro.</p>
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		<title>Put it behind you</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Oct 2008 03:45:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

		<category><![CDATA[Curiosidades]]></category>

		<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>

		<category><![CDATA[Vídeos]]></category>

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		<description><![CDATA[
Nem sempre é revolta, sabe? Nem sempre é recado, nem sempre é experiência, nem sempre é justo que vocês não entendam do que eu estou falando. Mas, às vezes, tudo isso acontece ao mesmo tempo, como no último texto.
Engraçado é que é legal que ele esteja lá, e é lá que ele vai ficar. Porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-medium wp-image-571 aligncenter" title="mi" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/10/mi-300x267.jpg" alt="" width="300" height="267" /></p>
<p>Nem sempre é revolta, sabe? Nem sempre é recado, nem sempre é experiência, nem sempre é justo que vocês não entendam do que eu estou falando. Mas, às vezes, tudo isso acontece ao mesmo tempo, como no último texto.</p>
<p>Engraçado é que é legal que ele esteja lá, e é lá que ele vai ficar. Porque algum recado foi passado, de alguma forma, mesmo que não seja o quê e pra quem eu fazia questão. Mais engraçado ainda, é que este texto aqui, logo depois do outro, vai ser bem bonito.</p>
<p>Quando a minha irmã começou a namorar, a gente se distanciou bem. Eu não gostei daquilo, porque ela era a minha pequena, e de repente, não estava mais lá, nunca. Então, durante uma discussão, eu disse pra ela que aquele namoro não ia durar pra sempre, e ela emputeceu level 10, estrelinha. Faz pouco mais de um mês, ela veio me dizer que eu estava certa. O namoro acabou, ninguém morreu, a vida indo.</p>
<p>O que eu queria que ela entendesse naquela época, é que eu não estava dizendo por mal, que não era triste, nem desesperador, nem macumba pra ter a minha irmã de volta. Era só a realidade, e a realidade não é triste, é bonita!</p>
<p>Porque antes disso, eu havia namorado três anos, e acabou. Cada um seguiu a sua vida, as coisas mudaram. Hoje ele tem um filho, e eu, namorei mais uns muitos anos, e acabou outra vez. E exatamente aí, quando não podia, parece que eu mesma esqueci a minha lição. E senti o baque, bem feio.</p>
<p>Seria muito mais prático se as fases da vida fossem como as da lua, que mudam, independente de a gente querer ou não. Eu não gosto da lua minguante, mas de tempos em tempos, ela está lá. E eu tenho a opção de não olhar pro céu se eu quiser, mas aí, eu perderia também as estrelas todas. De qualquer forma, se as nossas fases mudassem por conta, quanta coisa a gente não ia deixar de entender. Eu acho bonito assim, mesmo chorando mais.</p>
<p>Enfim, eu tentei retardar a mudança que estava invadindo a minha vida, eu fechei todas as portas por onde a realidade e a novidade pudessem entrar. E sabe o que acontece quando você faz isso? Não entra nada, nem luz. Às vezes falta ar, também.</p>
<p>Enquanto eu escrevo, tá rolando <strong>Keane</strong>, no repeat:<br />
<em><br />
O tempo corre em um ritmo rápido<br />
É engraçado como é fácil esquecer o rosto dela<br />
Você esconde as rachaduras, os <strong>fatos vão te encontrar</strong><br />
Vire-se e deixe os dias solitários para trás agora</em></p>
<p><em> Todas as coisas que você achava que estavam garantidas<br />
Te atingiram como uma bala na barriga<br />
Você não consegue se levantar<br />
<strong> Mas você vai ao menos tentar?</strong><br />
Porque se você nem ao menos tentar<br />
O tempo vai te deixar pra trás</em></p>
<p>Você não suporta mais aquele trabalho, apesar de ganhar muy bien, e estar lá há trocentos anos. Você não suporta mais o relacionamento que não faz mais bem pra nenhum dos lados, mas está quase noivo. Você descobre que quer a arte, no penúltimo semestre de direito.</p>
<p>E aí?</p>
<p>Mais uma vez, não é triste, apenas &#8220;é&#8221;. Mas às vezes, a única coisa que faz com que a gente encare os fatos, ainda a contragosto, e comece a cogitar a mudança, é o cansaço. Porque cansaço dói, e quando chega a hora que dói demais, também chega a hora onde o mínimo descanso da dor vai te fazer entender tudo, e querer se livrar dela, de vez.</p>
<p>Não adianta eu dizer que você deve tentar, se você mesmo não estiver preparado. Eu ignorei o meu próprio conselho, por não estar. Eu sabia, mas não queria mudar de fase.</p>
<p>Não significa mudar de mundo, de cabelo, de gosto. Mas pode significar até aceitar de volta partes de outras fases que já se foram. Eu criei uma conta nova no <a href="http://www.fotolog.com/missbottan" target="_blank">fotolog</a>, mas mantive a franja.</p>
<p>E a esperança. Só que voltada pro lado certo, dessa vez.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p><a href="http://substantivolatil.com/BFC/BottanFC_fechado2.jpg" target="_blank" onclick="return enlarge('http://substantivolatil.com/wp-content/plugins/zap_imgpop/','http://substantivolatil.com/BFC/BottanFC_fechado2.jpg','',event,300,75)">E quem vai?</a></p>
<p><a href="http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=41999949" target="_blank">E quem gosta?</a></p>
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		<title>Auto Afirmation Tabajara</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 18:03:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[E por quê aquele cara que tem uma namorada linda, que ele ama, acaba saindo com outra?
Pulando a óbvia primeira opção (ele não ama), e a improvável segunda (ele se apaixonou perdidamente quando viu a outra ali parada, esquecendo até da fuça da respectiva) vamos pra terceira, essa sim digna de uma divagaçãozinha de leve: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E por quê aquele cara que tem uma namorada linda, que ele ama, acaba saindo com outra?</p>
<p>Pulando a óbvia primeira opção (ele não ama), e a improvável segunda (ele se apaixonou perdidamente quando viu a outra ali parada, esquecendo até da fuça da respectiva) vamos pra terceira, essa sim digna de uma divagaçãozinha de leve: <strong>auto afirmação</strong>.</p>
<p>- Eu sou gato, eu posso, eu vou. Quer ver?</p>
<p>Mas auto afirmação é uma coisa engraçada, porque, ao mesmo tempo que o sujeito se sente mais gostoso e supersônico, provando pra si e pros outros <em>carquécoisa</em>, ele deixa escancarada a falta de confiança em si mesmo. Se o fulano (ou fulana) é bonito e cobiçado, a coisa é óbvia, não precisa de confirmação.</p>
<p>Mas vamos de exemplo mais simples, e mais ridículo.</p>
<p>Planeta Terra, Brasil, <strong>Orkuts</strong>. Enquanto a comunidade &#8220;<a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=2823357" target="_blank">Pelo bom uso do &#8216;literalmente</a>&#8216;&#8221;, que eu não canso de divulgar, tem pouco mais de 8 mil membros, comunidades como &#8220;<a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=1729804" target="_blank">Vc tem peito, + eu tenho BUNDA</a>&#8221; tem mais de 50 mil despeitadas.</p>
<p>Gente, minha avó também tem bunda, mas nem por isso ela declama isso no almoço de domingo.</p>
<p>Aliás, falando em comunidades orkutescas, aquilo sim é um bom território pra analisar a negada auto afirmando tudo até a última ponta. Tipo, a manceba toma um pé na bunda, e no outro dia adiciona &#8220;<strong>Ex bom é ex morto</strong>&#8220;, ou &#8220;<strong>Tô com outro, mais gostoso que você!</strong>&#8220;. Na boa, se estivesse mesmo, ia ter coisa mais importante pra fazer do que fuçar no Orkuts.</p>
<p><img class="size-full wp-image-559 alignright" title="pimp1" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/10/pimp1.jpg" alt="" width="300" height="362" /></p>
<p>Os exemplos que melhor definem o tipo mais baixo de auto afirmação de cada sexo são as <strong>mina-balada</strong> e os <strong>mano-tunado</strong>. Ambos extremamente previsíveis e facilmente indentificáveis.</p>
<p>A mina-balada é a aquela rapariga bela, badalada, que vive sozinha. Obviamente, segundo ela, ficar sozinha é uma opção, porque homem só atrapalha a vida. Se fica com alguém e o dito não liga no dia seguinte, diz que tá de buenas, que &#8220;Deus me livre ficar feito a fulana, com o cicrano pegando no pé!&#8221;.</p>
<p>No meu toba, guria. Todos os exemplos dessa raça que eu pude conhecer melhor, choravam escondidinhas, e admiravam de longe os casais apaixonados com seus apelidinhos e agradinhos.</p>
<p>Eu namorei trezentos anos e três dias, e talvez por causa disso, tenha perdido o treinamento <em>tô nem aí</em>. Se ontem o cara era uma coisa, e hoje nem responde mensagem, eu vou ficar puta, e assumir que comprei gato por lebre. Ou homem por qualquer coisa que não merece a minha admiração. Mas <strong>admito </strong>o incômodo.</p>
<p>Já os mano-tunado tem subdivisões: os <em>acéfalos</em> e os <em>latin lovers</em>. Os acéfalos eu nem faço questão de triturar, porque muitos sequer se dão conta do que tão fazendo. Aí a coisa vai muito além da minha humilde divagação, se envereda pelos caminhos da psicologia, dos lares conturbados, e do pinto pequeno. Como podemos nós discutir a complexidade do caso do cara que sente um prazer quase sexual ao exibir os novos bancos de couro do golfão socado no chão?</p>
<p>Os latin lovers sabem muito bem o que estão fazendo, e a coisa é mais triste quando o cara não é tão mau sujeito assim, mas é altamente influênciável, e vai na onda dos outros latin lovers do bando, exibindo músculos e gostosas como troféus. Podemos também abrir uma brechinha pra ex-namorados e ex-namoradas revolts, que saem pegando geral por vingança e não conseguem se ligar a ninguém, ficando chorandinho em casa feito as mina balada.</p>
<p>E é por essas e outras que eu assino embaixo quando o <a href="http://www.givememyremote.com/remote/fall-preview-the-big-bang-theory/simon-helberg-as-howard-wolowitz-in-the-big-bang-theory/" target="_blank">Wollowitz</a> diz que &#8220;smart is the new sexy&#8221;.</p>
<p>Mas se juntar o smart com um poquito de rock &#8216;n roll, eu não vou reclamar.</p>
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		<item>
		<title>Upside Down!</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Oct 2008 07:13:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Causos]]></category>

		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

		<category><![CDATA[Substantivolátil.com]]></category>

		<category><![CDATA[publieditorial]]></category>

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		<description><![CDATA[
Faltando menos de um mês para o meu 22º aniversário, parei, sentei, respirei, e minha mente sagaz começou a produzir uma bela retrospectiva Bottânica.
Não que eu sempre tenha tido uma vidinha normal, insossa e tal, porque eu meio que nasci rock &#8216;n rolleando o mundo, né, fazendo tudo cedo, meio torto, aprendendo as lições por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-539 aligncenter" title="upside_down_house" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/10/upside_down_house.jpg" alt="" width="399" height="309" /></p>
<p>Faltando menos de um mês para o meu 22º aniversário, parei, sentei, respirei, e minha mente sagaz começou a produzir uma bela retrospectiva Bottânica.</p>
<p>Não que eu sempre tenha tido uma vidinha normal, insossa e tal, porque eu meio que nasci rock &#8216;n rolleando o mundo, né, fazendo tudo cedo, meio torto, aprendendo as lições por meios empíricos sempre, enfiando o dedo no fogo pra ver que queima. E dá-lhe <em>Paraqueimol </em>até parar de arder.</p>
<p>Mas, felizmente, fiz tudo dentro do limite de cagadas necessárias pra me tornar um ser humano de 20 anos equilibrado e possuidor das faculdades mentais e de todos os membros, não me faltando nenhuma orelha sequer. A vidinha acalmou, tudo tranquilo, namoro com planos de casamento, faculdade, uma partezinha da massa proletária que vai ao mercado na quarta, porque é dia de oferta.</p>
<p>Mas aí fiz um blog.</p>
<p>Um blogzinho inocente, um <em>pontocomzinho</em> meio rosa, meio tosco, de nome esquisito, pra escrever tudo que rolava em caderninhos há tanto tempo.</p>
<p>Exatamente um ano depois, saí num encarte da Playboy e me mudei pra capital. Né.</p>
<p>De repente, não tinha mais namorado, muito menos planos de casamento, da faculdadezinha de jornalismo interiorana pra selva selvagem da publicidade na cidade enorme, com números e tendências, e veneno, e aluguel, e falta de tempo, muito blog, muito blogueiro, muito bar, quilos a mais, oitavo andar com vista ampla e solitária, aprendendo a não precisar dos outros, descobrindo que todo mundo precisa de alguém, descobrindo que menos é mais, descobrindo que <strong>PUTAQUEOPARIU, que que eu tô fazendo aqui, cadê a minha vida!?</strong></p>
<p>E quando eu disse em voz alta, um amigo me respondeu: &#8220;ei, ESSA É a sua vida&#8221;. Né.²</p>
<p>Como eu não estava contente com aquilo, juntei a tralha toda em um dia e vazei de volta pro meu aconchego. Pra recuperar o fôlego, a paz de espírito, o tempo, e me livrar dos quilos, do aluguel, e da solidão.</p>
<p>Mission accomplished, zero meia, caveira. Mas pra quem acha que nessa parte é que eu digo que recuperei os planos de casamento e voltei pra faculdadezinha interiorana, eu dou um um duplo mortal carpado na fuça e digo que há dois dias eu fotografei pra uma marca famosa e conheci um ator da <em>Grobo</em>. Há!</p>
<p>- <em>Vai fazer a goshhtosa pra cima dinói, então?</em></p>
<p>Nem, leitor amigo. Só estava aqui matutando que todas as loucuras que eu já fiz na minha vidinha, ainda iam me levando pra vida dos meus pais (nada contra ela, pais, aqui estou eu, o seu <span style="text-decoration: line-through;">menor</span> melhor legado, que vai comprar uma casa na praia e um jatinho pra vosmecês <span style="text-decoration: line-through;">NOT</span>). E com a coisa mais (inicialmente) insignificante, um passatempo, a minha vida virou de cabeça pra baixo, descobri quem vai estar sempre lá, me livrei de coisas e pessoas que eu pensava serem garantidas e eternas, cresci, descobri <em>quemsô</em>, <em>oncotô</em> e <em>doncovim</em>.</p>
<p>Agora me resta saber <em>proncovô</em>.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>Observações gerais:</p>
<p>1 - Já deu pra ter uma noção da pilha que eu tô, e por que aindei sumida?</p>
<p>2 - Não, eu não posso dar mais detalhes ainda.</p>
<p>3 - Façam pressão, entrem na <a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=41999949" target="_blank">comunidade do Subs</a> e me enviem pautas!</p>
<p>4 - Meu aniversário é dia 05/11.  CINCO DO ONZE, TÁ?</p>
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		<title>Sai da minha aba!</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Sep 2008 15:34:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maira Bottan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>

		<category><![CDATA[Promoções]]></category>

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		<description><![CDATA[Atenção, leitor incauto, o texto abaixo é de autoria da Bottan II, a Maira Mairoca Makyta Paçoca, visse?
O chato é aquele que faz questão de ignorar o seu estado OCUPADO num tom berrante de vermelho, pra perguntar qualquer chatice aleatória e fazer a janela pular bem no meio da sua leitura de uma análise profunda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Atenção, leitor incauto, o texto abaixo é de autoria da Bottan II, a Maira Mairoca Makyta Paçoca, visse?</em></p>
<p>O chato é aquele que faz questão de ignorar o seu estado OCUPADO num tom berrante de vermelho, pra perguntar qualquer chatice aleatória e fazer a janela pular bem no meio da sua leitura de uma análise profunda de <strong>Vidas Secas</strong>.</p>
<p>Todo mundo tem seus minutinhos de chatice no dia, ou seus diazinhos no mês, como as mulheres, mas tem gente que extrapola, a ponto de te fazer querer defenestrá-la. Às vezes eu cogito a possibilidade da existência de uma seita onde, apenas alguns escolhidos, aprendam técnicas secretas para alcançar os mais altos graus de <em>pé-no-saquice</em>, e fazer com que o resto da humanidade desenvolva a sua paciência e tolerância.</p>
<p>Não?</p>
<p>Ser chato e conseguir aturar a si mesmo necessita treinamento avançado de D.O.M.: Domain Of Mind. Se não houver um auto-controle, a coisa pode é sair do controle. Imagine se VOCÊ resolve SE defenestrar! D.O.M. se adquire com o tempo.. ou nas bancas mais perto de você!</p>
<p>Mas o problema é que a coisa tá no gene. Você não pede pra ter tendência à calvície, não pede pra nascer pintor de sarjeta, não pede pra ter facilidade de virar uma paçoca-rolha e também não pede pra ser um chato de galocha. Isso, uma pequena sequência de nucleotídeos te dá de graça. E não é só você que vai sacar essa hereditariedade. Sempre vai rolar o comentário: &#8220;Chato igual o pai!&#8221;.</p>
<p>Conheço uma família onde a mãe, o filho e a filha são tão chatos que qualquer um dos três sozinho bate todos os outros chatos da minha vida. A forma como os conheci foi a mais chata possível: levando meu poodle pra cruzar com a insuportável da cadela deles. A <span style="text-decoration: line-through;">vaca</span> cadela simplesmente rodopiava, pulava, corria, quase saiu voando pra não chegar perto do meu pobre <em>poodle monobola</em> (o que, por si só, já é uma situação muito chata pro coitado do mini cão).</p>
<p>Enfim, tenho vontade de chorar quando encontro um deles em um lugar qualquer. A mulher consegue me fazer as mesmas perguntas dos últimos CINCO anos, tipo &#8220;Tá estudando aonde?&#8221;. Enquanto meu exterior responde calma e educadamente o nome da minha escola pela trigésima vez, por dentro, um ser raivoso grita &#8220;NO MESMO LUGAR DE SEMPRE, VÉIA CAQUÉTICA!&#8221;.</p>
<p>O único membro da família que não é chato é o pai. Mas isso porque não o conheço, então vamos deixar assim. Tipo papai noel, que teria sido o seu ídolo pro resto da vida, se você não tivesse espiado atrás da porta e descoberto que era só o seu tio gordo, meio bêbado.</p>
<p>Chato, né?</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Me pediram pra eleger a pessoa mais chata dessa galáxia, pra dedicar um <a href="http://www.tachato.com.br" target="_blank">kit da Puket</a>, e eu decidi pelo mais óbvio, mas pelos motivos não tão usuais.</p>
<p>A gente sabe que ele é chato, insuportável, dá vontade de mandar uma na fuça pra parar de interromper os outros. Mas eu dedico pro <strong>Faustão</strong> só pela graça de imaginar ele se virando nos trinta pra enfiar uma calcinha. <img src='http://substantivolatil.com/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':D' class='wp-smiley' /> </p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-529 aligncenter" title="Puket" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/09/9.jpg" alt="" width="467" height="311" /></p>
<p>E pra quem me indicar um outro chato, com a explicação mais criativa, eu vou mandar um <strong>kit Puket</strong> <strong>de presente</strong>. O resultado sai dia 15/10, então tem tempo pra pensar! Só não se esqueçam de colocar o email certinho, pra que eu possa entrar em contato, ok?</p>
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		<title>Na boca do povão!</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Sep 2008 03:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Causos]]></category>

		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

		<category><![CDATA[u]]></category>

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		<description><![CDATA[
Tudo começou quando eu dormia o justo sono dos recém desprovidos do título de assalariado. Eis que me toca a bagaça do telefone. Eu, achando que era a senhora minha mãe querendo saber se eu já estava isaurando no fogão, saio capotando, batendo cabeça, canela, num auto massacre sem fim para chegar até o dito. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-520 aligncenter" title="bush" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/09/bush.jpg" alt="" width="323" height="353" /></p>
<p>Tudo começou quando eu dormia o justo sono dos recém desprovidos do título de assalariado. Eis que me toca a bagaça do telefone. Eu, achando que era a senhora minha mãe querendo saber se eu já estava <em>isaurando</em> no fogão, saio capotando, batendo cabeça, canela, num auto massacre sem fim para chegar até o dito. Exagero <em>mode off</em>, foi só pra vocês entenderem o porquê da minha raiva quando eu atendo o bicho gritante e ouço:</p>
<p>&#8220;Olá! Aqui é o Fulano de tal!&#8221;</p>
<p>-Ahn?! - Ainda no mundo dos sonhos, não consigo compreender muito bem o fato de um candidato à prefeitura da cidade estar me ligando. Enigma devidamente resolvido no segundo seguinte:</p>
<p>&#8220;Queria agradecer ao povo de Americana por blablablabla..&#8221;</p>
<p>-FÉLADAPUTS, mano!</p>
<p>Fui acordada por uma gravação maldita, de um candidato querendo ganhar a minha simpatia forjando uma pseudo intimidade telefonal! Achei tosco, e por perder o sono, ainda cultivei uma raivinha de leve.</p>
<p>No mesmo dia, mais tarde, fui ao centro da cidade resolver uns trololós, e olhem só! Se não era o dito da ligação acima, num outdoor num dos pontos mais movimentados da cidade. Normal né, o cara se promovendo e tal. É, seria normal, se ele não estivesse com uma puta cara de babaca, e com aquela mãozinha de miss estendidinha (pro povo, né, gente, que lindo). Parecia um manequim de loja, argh, feio.</p>
<p>Daí tô lá, batendo perna pra cima e pra baixo, e me passa um <span style="text-decoration: line-through;">carro</span> chevete com auto falantes que diziam, numa melodia ridícula, que pra sorte de vocês eu não consigo reproduzir aqui:</p>
<p>&#8220;Cicranooo, cicranooo, tá na boca do povão!&#8221;</p>
<p>Parei, naquele momento da minha vida, e fiz um exercício simples: imaginei o meu pai no lugar do tal cicrano. E concluí que se ele se submetesse àquilo, eu abriria mão da herança, juro.</p>
<p>Minha gente, época de eleição é overdose de <em>marketing pessoal FAIL</em>.</p>
<p>É um festival de sorrisinho maroto na foto, quando todo mundo (incluindo os sorridentes) sabe que todo mundo sabe que aquela lá saía com o cara casado, o outro dá ré no kibe, o outro tenta ser candidato desde que o homem inventou a roda, o outro vende até a mãe, e o outro fecha o poço artesiano que fica no terreno dele, quando não vence. O brinquedo é dele, só brinca se ele brincar.</p>
<p>E quando o cara <em>talvez, quem sabe, pode ser que seja</em> uma pessoa de índole aceitável, não tem o suporte necessário pra ter uma faixa com sorrisinho maroto, e aí sai essas merdas todas.</p>
<p>Tipo o Théo. Nesses nossos tempos modernos, tentem adivinhar qual música o capiau escolheu pra chamar de sua, e gravar na cabeça do povo o seu belo nome de homem <strong>sério</strong>, <strong>competente </strong>e <strong>confiável</strong>.</p>
<p>Uma dica: <strong>rima</strong>.</p>
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		<title>Procurando não procurar</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Sep 2008 21:27:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Quem nunca teve aquele momento completamente irrelevante na vida, sentado num ponto de ônibus, fazendo figas pro cachorro não conseguir mijar, ou percebendo que faz meia hora que está assistindo Dr. 90210 no E! e sentindo vergonha alheia própria, ou ainda olhando as placas dos carros e tentando lembrar o significado das combinações dos números, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://None"><img class="alignnone size-full wp-image-509" title="binóculos" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/09/binoculars.jpg" alt="" width="315" height="460" /></a></p>
<p>Quem nunca teve aquele momento completamente irrelevante na vida, sentado num ponto de ônibus, fazendo figas pro cachorro não conseguir mijar, ou percebendo que faz meia hora que está assistindo <strong>Dr. 90210</strong> no <strong>E!</strong> e sentindo <em>vergonha alheia própria</em>, ou ainda olhando as placas dos carros e tentando lembrar o significado das combinações dos números, daquele joguinho que você aprendeu com 11 anos, e que você só lembra que 11= ele te ama, 22= ele está pensando em você e 77= ele está te traindo. Vergonha alheia própria de novo ao ver o tal 77 e ficar puta com isso.</p>
<p>Enfim, vamos dizer que esses não são exemplos do meu acervo pessoal, e tocar o texto, que eu perdi completamente o foco. O que eu ia dizer era: quem, num momento besta qualquer da vida, não parou e pensou um &#8220;tá faltando&#8221;?</p>
<p>Quando você vê um casal, e descobre que tá faltando a tua tampa, quando olha ao seu redor no trabalho e tá faltando algo que você realmente goste de fazer, quando se sente entediado, e tá faltando movimento. Sabe?</p>
<p>Então, é exatamente nesse momento que dá merda. Porque o ser humano não sabe ter paciência e lidar com o &#8220;tá faltando&#8221; até que algo aconteça naturalmente, ou como fruto de seu prórprio esforço. Ele bota o chapéu, empunha a carabina, e vai caçar.</p>
<p>Teoricamente, está tudo correto, lindo e brilhando, porque todo mundo, a vida toda, te manda ir atrás dos seus sonhos, e não esperar sentado. Dinheiro não dá em árvore, o homem faz o seu próprio destino e blablabla whiskas sachê, né.</p>
<p>Na prática, o problema é simples: quem procura, acha&#8230; até o que não queria achar. Por exemplo, quando você tá com fome, e não sabe o que quer comer. Você abre a geladeira, e fuça, e fuça, e nada te agrada. Você quer tudo, e não quer nada. Isso acontece simplesmente porque você <strong>não está com fome</strong>, e sim com <strong>vontade de comer</strong>. Qualquer coisa que você coma só porque pareceu bonito, vai te deixar estufado, e com mal estar.</p>
<p>Vamos transferir esse raciocínio pra uma coisa maior, então.</p>
<p>Amor. E disse a Aimee Allen: &#8220;<em>All my stripper friends, all my ex-boyfriends, they all want the same thing</em>&#8220;. Issaê, todo mundo quer uma história, tipo a do Dr. com a cabocla, dos livrinhos da Sabrina, das músicas do The Calling, dos.. sei lá, whatever.</p>
<p>Quando, por algum motivo, a coisa começa a apertar, seja porque todos os seus amigos estão namorando, ou porque a história que você queria viver não está mais sendo vivida e não há nada que você possa fazer, ou simplesmente porque é muito frio pra pouco cobertor, você arrebenta com a paciência que antes estava no piloto automático, e vai procurar alguém. Pronto, você deu start no modo catástrofe.</p>
<p>Certamente, existe um conjunto de características que você admira, tudo aquilo que você responderia se te perguntassem sobre homem/mulher ideal. Alto, baixo, magrelo, forte, gordinho, cabeludo, careca, nerd, rato de academia, e vai.</p>
<p>Só que em bilhões de pessoas nesse mundo, pelo menos umas TROCENTAS vão reunir duas ou mais dessas características. <img src='http://substantivolatil.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Aí você olha o cara/menina com o cabelo verde limão, que curte escalar o himalaia tomando suco de uva e pensa: &#8220;pronto, mano, é isso. Paixonei.&#8221; Só que o indivíduo em questão é deveras promíscuo, intelectualmente inferior e tosco. E aí? E aí que você vai se descabelar, sofrer, chorar, e pronto, voltar pro menos 10, quando podia estar no zero. Sacou?</p>
<p>E isso pode se encaixar em deixar um trabalho por uma <strong>oferta</strong> melhor, que pode se mostrar não tão melhor assim, ou ainda, mudar até de <strong>cidade</strong> em busca de dias e oportunidades melhores.</p>
<p>Não que você não deva tentar. Se não tentar, pode nunca saber o que daria certo ou não. Mas faça com cuidado, com calma, com <strong>alma</strong>. A procura desenfreada sempre tem um motivo, alguma coisa que talvez nem você mesmo saiba o que é, mas que com certeza, te incomoda <strong>muito</strong> lá no fundinho (uahuahua), e por isso exige resultados imediatos, que acabam sendo moldados por nós, e nem sempre são a melhor saída pro desconforto inicial.</p>
<p>Depois de 9 meses, quase pra nascer (ouch), eu tô voltando pra casa. São Paulo podia ter cabelos verdes e escalar o himalaia tomando suco de uva, mas tinha pés mais frios que os meus, e não sabia discutir a relação.</p>
<p>A parte boa é que, lembrando tudo o que eu passei e aprendi, mas agora aqui do meu bom e velho quarto, respirando um ar gostoso e ouvindo a gritaria Bottânica na cozinha, eu sei que não tô nem no 0, nem no menos 10.</p>
<p>Eu fiz 5 combos seguidos, e bati todos os recordes. Game is not over. Game is mine again.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p><em>Update: Self jabá pode? Bóra pra </em><a href="http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=41999949" target="_blank"><em>comunidade do Substantivolátil</em></a><em>, povo! <img src='http://substantivolatil.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </em></p>
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		<title>Rockstar</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Aug 2008 16:31:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Causos]]></category>

		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[E todo adolescente, no auge da acne e da rebeldia sem causa, já pensou em ter uma banda.
O meu fogo no rabicó com isso começou muito antes, desde pirralha, quando eu imitava as coreografias dos Backstreet Boys e sabia que cantava bonitinho. No chuveiro, óbvio. Lá, eu ganhava até troféu, logo depois de ir pra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E todo adolescente, no auge da acne e da rebeldia sem causa, já pensou em ter uma <strong>banda</strong>.</p>
<p>O meu fogo no rabicó com isso começou muito antes, desde pirralha, quando eu imitava as coreografias dos Backstreet Boys e sabia que cantava bonitinho. No chuveiro, óbvio. Lá, eu ganhava até troféu, logo depois de ir pra outro planeta toda vez que mudava a temperatura da água pro frio, ou depois de surfar radicalmente na banheirinha da boneca que fazia xixi, a Pipizinha.</p>
<p>No karaokê, eu e a minha prima éramos duas Tollers mandando Casinha de Sapê, definitivamente.</p>
<p>Lá pelos 14, com cabelo vermelho, unhas cor de laranja, bolsa de acrílico do Mickey e saias de prega das mais variadas cores, fui me enfiar numa aula de violão. Foi lindo quando comecei a ouvir música saindo daquilo, mesmo que demorasse dois anos pra mudar o acorde.</p>
<p>Eis que comecei a pegar um pouquinhozinho de prática, e quando consegui parir o dedilhado de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=VOymZu9hCac&amp;feature=related" target="_blank">Love in the Afternoon</a>, rapaz, <em>só dava eu</em>.</p>
<p>Até que ela surgiu no meu caminho. Suja, trapaceira, evil, evil, evil, destruindo meus sonhos de rockstar: a <strong>pestana</strong>. No dia que uma criança de cinco anos (com a mão do tamanho da minha) conseguir fazer isso, eu também conseguirei.</p>
<p>Eu sei que tem criança de cinco anos que faz isso, mas meu dedo torto complica tudo.</p>
<p>Tá, eu que sou uma imprestável.</p>
<p>Anyway, joguei a <span style="text-decoration: line-through;">palheta</span> toalha, e esqueci a história. Até o dia em que, no meio da tarde, recebo uma ligação, do ex-professor das artes cordísticas, dizendo que havia umas meninas querendo começar uma banda, e que ele havia me indicado pra cantar.</p>
<p>Cuma!?</p>
<p>E fui. Me botaram pra fazer a Avril, e foi ridículo, que eu não aguento o tom da lombriga. Cantei tudo em falsete (que na época, eu te diria que é uma menina falsa, no máximo), mas as meninas, que também não sabiam budega nenhuma, acharam lindo, maravilhoso, <em>uow, mano</em>! E assim, viramos uma banda.</p>
<p>Nunca ganhamos dinheiro nenhum, mas aquela foi uma das épocas mais divertidas da minha vida. A banda &#8220;nasceu&#8221; no dia 8 de março, e era formada por 5 mulheres. Lindo, né, gente? Todo um contexto e tal. O nome inicial era &#8220;Feministheory&#8221;, que ninguém sabia falar, daí foi traduzido e traduzam vocês, que eu vou me calar por questões de vergonha alheia. Enfim, era a TF.</p>
<p>A gente meio que sabia que aquilo não ia vingar como cada uma sonhava. Mas se é pra sonhar, então sonha direito, com pseudo gravações, pseudo músicas próprias, e pseudo showzinhos em festa de amigos, concurso de escola de inglês (segundo lugar, truta) e&#8230; festa de halloween do clube da cidade, onde eu tinha que interromper o auê do <em>putz putz</em>, e conquistar a galera em 3 segundos pra não ser odiada.</p>
<p>A meia listrada até o joelho e o cabelo de água de salsicha devem ter despertado curiosidade, no mínimo.</p>
<p>Com as cinco raparigas no palco, o povo concentrou. E a gente se fodeu de todas as formas. Cabo do baixo deu problema, corda da guitarra estourou, eu com uma vontade incontrolável de chutar a cabeça do puto tentando ver a minha calcinha.</p>
<p>No fim das contas, há uma grande possibilidade de ter sido uma bela merda, e a galera ter gritado apenas por conhecer a gente, ou por sermos um grupo de meninas. Nunca vou saber, pois ninguém lembrou de registrar o momento. Uma pena, né?</p>
<p>Não.</p>
<p>Foi a melhor coisa que fizemos. Pra nós, foi animal e ponto. A empolgação era tanta, que eu aguentei o tom de uma parte de uma música que eu só fazia em falsete, e é só disso que eu quero me lembrar. Lembrar que os meus amigos ficaram orgulhosos da gente lá em cima. Lembrar que uma puta amiga minha que nunca saía praquele tipo de lugar, tava lá na frente do palco, pulando. Isso tudo tá muito bem registrado na cachola, onde não dá pra perder, nem rasgar, nem estragar, nem apagar.</p>
<p>Se eu ainda penso nisso? Mais do que deveria. A música me trouxe muito mais do que eu esperava dela. Daquele monte de cabos, cordas e ensaios atrapalhados, surgiram as pessoas que eu mais confiei na vida. A maior delas (literalmente?), me ensinou ainda como entrar no ritmo da vida, e parar de desafinar por aí.</p>
<p>Enfim, venho matutando há algum tempo aqui em São Paulo, e cheguei a uma conclusão:</p>
<p>Lápis e papel no camarim, por favor.</p>
<p>[ E já diria Silvão: "Aguarrdemm" ]</p>
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		<title>The end of the world as we know it</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 18:42:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[E o Doni disse que o mundo pode acabar. Ele acabou de reafirmar no Twitter, e não faz o mínimo sentido eu vir correndo escrever esse texto pra dar tempo de alguém ler, se o mundo for acabar mesmo.
Então, na verdade, eu não estou escrevendo pra vocês, e sim pra mim mesma, pra tentar entender [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E o <a href="http://www.interney.net/blogs/hedonismos" target="_blank">Doni</a> disse que <a href="http://www.interney.net/blogs/hedonismos/2008/08/06/o_mundo_acabara_amanha" target="_blank">o mundo pode acabar</a>. Ele acabou de <a href="http://twitter.com/marcdoni/statuses/880582246" target="_blank">reafirmar</a> no Twitter, e não faz o mínimo sentido eu vir correndo escrever esse texto pra dar tempo de alguém ler, se o mundo for acabar mesmo.</p>
<p>Então, na verdade, eu não estou escrevendo pra vocês, e sim pra mim mesma, pra tentar entender o porquê de não conseguir saber o que eu quero fazer agora se o mundo for acabar daqui a pouco.</p>
<p>Eu estou na agência, com os fones de ouvido, e <em>fucking</em> ironicamente está tocando &#8220;Keep The Faith&#8221; do <strong>Bon Jovi</strong>. Meu maxilar dói, como sempre dói, e eu já tomei dois comprimidos de Dorflex, e não ia tomar mais porque faz mal. Mas se o mundo for acabar mesmo, não quero passar as últimas horas com dor na merda do maxilar.</p>
<p>Péraê. Passei a manhã toda com vontade de comer uma trufa e não o fiz por que estou de dieta. Mas se o mundo for acabar isso não faz diferença, então aguardem um minuto que eu vou comprar uma.</p>
<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p>Pronto.</p>
<p>E nesse exato momento, essa trufa, esse pedaço de coisa doce me confirmou que eu sou uma panaca. Porque ela é tradicional. De novo. Nem perto do fim do mundo eu consegui experimentar um sabor novo de trufa.</p>
<p>Aliás, eu não queria uma. Eu queria cinco, DEZ trufas. Queria me entupir de trufa até vomitar. Mas não tenho coragem. Como também não tive coragem de xingar o cara que me esmagou no elevador na volta, pra subir apenas um andar. E isso apesar de o tempo lá fora estar cinza, colaborando com o clima de fim do mundo.</p>
<p>Sentada aqui, eu fico pensando nas coisas que eu faria. Quando na verdade, tudo o que eu faria seria pensar no que eu faria. Porque se eu fosse mulher, pegaria esse telefone e ligaria pra falar um &#8220;If I give up on you, I give up on me&#8221;, ou uma frase cafona do Bon Jovi pra dizer que eu não aguento mais não ter ele aqui, ou pra mandar pra puta que o pariu, porque ele tá fodendo com a minha vida e com a minha sanidade.</p>
<p>Entraria no Orkut daquela lambisgóia e diria pra ela que ela parece o Costinha. Porque ela parece mesmo e eu odeio ela! Sairia dessa cadeira AGORA e pegaria o ônibus pra Americana porque é onde eu queria estar, com a minha familia. Mas antes disso, passaria na lanchonete e diria pro carinha de lá que é RIDÍCULO quando ele me chama de anjo azul e que ele não vai conseguir nada comigo me dando chocolates, NUNCA.</p>
<p>Mandaria pro inferno todo mundo que está me interrompendo enquanto eu tento raciocinar e escrever esse texto.</p>
<p>Tiraria os fones de ouvido, e cantaria pra todo mundo aqui ouvir, como eu estava cantando ontem à noite, só porque estava sozinha. Eu canto bem, e nunca deixo ninguém ouvir. Pintaria meu cabelo de novo, porque eu queria ter nascido morena. Falaria pro menino que senta do meu lado que eu NÃO SUPORTO ele fazendo aquele barulho com o nariz, e que é nojento!</p>
<p>Se eu fosse mulher, eu desabaria a chorar aqui mesmo, agora, porque é o que eu tô com vontade de fazer. E jogaria uma garrafa na cabeça daquela menina que me encara com aquela fuça esnobe no banheiro.</p>
<p>Mas eu não vou fazer nada disso. Simplesmente porque eu já devia ter feito. Não deveria ser a proximidade do fim a única coisa que iria me convencer a fazer todas as coisas que eu quero fazer. Todos os dias da minha vida, ao acordar, poderia ter sido meu último dia. Eu sempre pensei que podia cair, bater a cabeça no meio fio e morrer. Eu tentei dizer isso tantas vezes, e ninguém nunca me entendeu.</p>
<p>É por isso que eu jogo cadeiras quando brigo, bato e peço desculpas num intervalo de cinco minutos, xingo e digo que amo, por isso que eu já saí da minha casa às duas da manhã pra bater naquele portão, e nunca quis deixar pra terminar uma discussão no outro dia. É por isso que  pego o ônibus e viajo depois do expediente pra voltar na manhã seguinte e nunca tenho paciência. É por isso que eu errei tanto a minha vida toda, e me arrependi em seguida. É por isso que eu acertei tanto também.</p>
<p>Se o mundo acabasse amanhã mesmo, eu teria certeza absoluta que tentei de todas as formas, com todas as pessoas. Todos eles sabem o que devem saber. O quanto eu sou descontrolada, nervosa e briguenta, o quanto eu os amo com todas as minhas forças, e que se eu tivesse sete vidas, daria todas por cada um deles, sem pensar uma vez sequer.</p>
<p>Eu não quero, e não vou comprar um sabor novo de trufa. Porque é a tradicional que eu amo.</p>
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		<title>Who says you can’t go home?</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jul 2008 19:16:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Causos]]></category>

		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[E roubaram minha carteira. Não foi hoje, não foi ontem, faz quase dois meses. Eu, como a mula relapsa que sou, demorei 2 semanas pra fazer o boletim de ocorrência. Achou feio? Então vou te dizer que fui pra Americana e peguei minha permissão pra dirigir (vencida) pra usar como documento e nunca mais lembrei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E roubaram minha carteira. Não foi hoje, não foi ontem, faz quase dois meses. Eu, como a mula relapsa que sou, demorei 2 semanas pra fazer o boletim de ocorrência. Achou feio? Então vou te dizer que fui pra Americana e peguei minha permissão pra dirigir (vencida) pra usar como documento e nunca mais lembrei de ir atrás da segunda via de RG, CPF, CNH, <span style="text-decoration: line-through;">PT, RPG, IPTU, CPMF,TPM,</span> etc.</p>
<p>E foi aí que eu descobri que eu não sou ninguém sem aqueles pedacinhos de papel e plástico. Diacho.</p>
<p>Tipo quando minha garganta inflamou, depois de dois dias sem dormir e sem comer, chegou o meu cartão do convênio. &#8220;Uau, que sorte!&#8221;</p>
<p>Mas sem um documento com foto, eu não podia provar que eu era eu, e não iam me atender. Como eu estava num estado deplorável, a atendente ficou com dó e deixou passar. Talvez seja por eu chorado. Não, foi depois que eu implorei pela benzetacil, certeza. Um ser humano implorando por benzetacil só pode estar passando um puta perrengue.</p>
<p>Mas no banco, não teve choro, nem vela, nem fita amarela, como diria a mãe Bottan. Sem o cartão, fora da sua agência, você não faz porra nenhuma. Só saca uma quantia ridícula, e se o documento é uma permissão vencida, todo mundo te olha torto. Não interessa se vc depositou mil e tá sacando cem, nem se você tem um metro e meio, olhos azuis e bochechas rosadas. Aquela japa é arisca.</p>
<p>Daí que pra pagar o aluguel, eu ia ter que sacar o dinheiro na agência onde abri a conta&#8230; em Americana. Isso significava tirar um dia de folga e passar o bendito por lá. Estiquei o fim de semana, e acordei no interior, numa segunda feira ensolarada, com o telefone tocando e eu trombando com as paredes pra chegar até a cozinha e ouvir a minha mãe me mandando não voltar pra cama. Agora sim, home. <img src='http://substantivolatil.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Tomei um banho, e fui pro ponto de ônibus. O ponto de ônibus de toda a minha vida. Ponto de partida pra ir pra escola, pra aula de violão, pra ir pro ensaio da banda, pra ir pro trabalho, pra terapia, pra faculdade, pra ir encontrar o amor da minha vida, e pra fugir dele.</p>
<p>Sentada antes da roleta, espiando os velhinhos faladores que batiam papo com o motorista, eu ria sozinha. Eu não sabia que sentia falta daquilo. Me perguntaram da família e da vida.</p>
<p>Ao passar pela roleta, entreguei o dinheiro, e o cobrador me empurrou de volta a moeda de cinqüenta centavos. &#8220;Aqui são dois reais! E pra mim tá caro menina, você se lembra de quando era um e pouco?&#8221;.</p>
<p>Passava um pouco da hora do almoço, e algumas pessoas descansavam na praça, resmugando por ter que sair do solzinho bom e voltar ao trabalho. Como eu costumava sentar na praça. Como a gente costumava sentar na praça. A praça que tem uma barraca com o melhor sorvete de doce de leite do mundo. A senhorinha da barraca me perguntou por que eu sumi.</p>
<p>Entrei numa loja pra fazer compras. O cadastro não existia mais, mais de um ano que eu não aparecia por lá. Mas a moça disse: &#8220;Você é a amiga da Marcela, eu lembro de você! Sem problemas!&#8221;.</p>
<p>Cheguei ao banco com preguiça do tanto que eu ia ter que me explicar, e com medo de dar rolo com o documento vencido x quantia grande que eu precisava sacar.</p>
<p>Mas quando fui ao balcão de informações, a menina disse: &#8220;Ei, você não é a filha da Eliana?&#8221;. Sim, eu sou. E a menina era minha prima de segundo grau. E tudo se resolveu. Na fila, encontrei um amigo, e falei sobre pessoas conhecidas e lugares conhecidos, ao invés de comentar o clima.</p>
<p>É incrível como quanto mais paulistana eu me torno, mais eu me aproximo do interior. Morar numa cidade enorme, cheia de números e estatísticas, onde é tudo tão impessoal, te faz pensar que não dá pra viver sem pertencer a um lugar onde você seja a amiga da Marcela, a filha da Eliana, a menina que sempre compra sorvete de doce de leite, ou que senta antes da roleta até perto do destino. Todas aquelas pessoas me conhecem, conhecem a minha história, e eu sempre achei isso um pé no saco. Odiava que me julgassem, ou achassem que sabiam da minha vida.</p>
<p>Hoje, eu só consigo pensar no quão indispensável é ter um lugar onde eu seja mais que um pedaço de papel plastificado. Até porque, <strong>eu</strong> não tenho segunda via.</p>
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		<title>Rala o coco, mexe a canjica</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Jun 2008 01:12:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mirian Bottan</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

		<category><![CDATA[Papo Furado]]></category>

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Pra mim, Dezembro tem cheiro próprio. Já me disseram que é por conta de uma tal árvere árvoro árvore que floresce só na época, mas eu me recuso a engolir. Dezembro cheira diferente por conta do natal. Assim como os meses de Junho e Julho tem seu cheirinho particular por conta das festanças caipirescas. É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="border-top-width: 0px; border-left-width: 0px; border-bottom-width: 0px; margin: 0px 0px 0px 100px; border-right-width: 0px" src="http://substantivolatil.com/wp-content/uploads/2008/06/558165019-966b06045a.jpg" border="0" alt="558165019_966b06045a" width="235" height="337" /></p>
<p>Pra mim, Dezembro tem cheiro próprio. Já me disseram que é por conta de uma tal <span style="text-decoration: line-through;">árvere</span> <span style="text-decoration: line-through;">árvoro</span> árvore que floresce só na época, mas eu me recuso a engolir. Dezembro cheira diferente por conta do <strong>natal</strong>. Assim como os meses de Junho e Julho tem seu cheirinho particular por conta das <strong>festanças caipirescas</strong>. É realmente uma pena que, assim como o natal e os aniversários,  as festas juninas/julinas percam a graça conforme a gente vai acumulando velas no bolo.</p>
<p>Aqui na capital, o mais perto que eu cheguei das tradições interioranas até o presente momento,  foi no almoço de hoje, com bandeirinhas decorando o restaurante e os garçons vestidos com camisas de flanela, servindo um quentão <em>digrátis</em>. Ainda assim, num miserê&#8230;</p>
<p>Enfim, eu tenho saudade das festas juninas, ainda que nunca tenham sido, exatamente,  dias de glória. Porque analisando bem, eu sempre me fodi nos pseudo-relacionamentos-quadrilhísticos:</p>
<p>Fui noivinha na dança por uns anos. Minha mãe mandou fez um vestido lindo, <strong>a partir do vestido de noiva</strong> <strong>dela</strong>. No primeiro ano, me escolhem um capeta alado de noivo. No outro, o menino era lindinho, mas eu estava banguela. Mas tipo, MUITO banguela.</p>
<p>Num outro ano, o meu par empaca. Na gravação, a ameba do moleque parado, com cara de coruja, e eu empurrando: &#8220;Daaaança, Thiaaaago!&#8221;. Num outro ainda, a pomba caga na camisa do meu par minutos antes da dança e ele quase desiste, ao invés de simplesmente limpar a merda.</p>
<p>Mas teve o pior, o mais traumatizante da minha infância, que foi quando o menininho por quem eu nutria um amorzinho platônicozinho, disse que preferia dançar com um cachorro do que comigo. Aquilo doeu. Renan era o nome do maldito.</p>
<p>Anos depois, eu disse isso pra ele de volta. Mas o trauma ficou.</p>
<p>Apesar dos pesares, não dá pra negar a delícia que era. Escolher a roupa (ou fazer um exchange com as primas), cortar bandeirinhas, ensaiar a quadrilha, numa expectativa só. E no dia, virar a estrela da festa, com maquiagem e tudo (mesmo odiando aquelas pintas estúpidas). Aquela criançada enfileirada desenfileirando, a professora louca com aquela massa colorida de crianças enchapeladas, pisoteando no &#8220;olha a chuva!&#8221;, e incapaz de fazer aquela ciranda maldita de meninos pra fora, meninas pra dentro, e cruza a mão, e roda, e volta, e cruza, e <em>putaquepariu</em>, que foda!</p>
<p>Tudo devidamente documentado em empoeiradas fitas VHS, que precisam, urgentemente, virar DVD.</p>
<p>E no interior a coisa não pára em festinhas de escola. Nessa época do ano, é só ter saco e gasolina, que rodando pela cidade você pode encontrar as festinhas de bairro. Essas sim, com a vizinhança cheia de quentão e vinho quente, e aquela gorda da casa da esquina com chapéu de trancinhas loiras achando que consegue, bêbada,  pular a fogueira do terreno baldio, <strong>essas</strong> são sensação.</p>
<p>E pelo amor de Santo Antonho, <strong>Rodeio</strong> <strong>não é</strong> equivalente à festa Junina. A sigla FDP, definitivamente, não é mera coincidência. Festa do Peão é o lado negro, feio e gordo da coisa, onde todo mundo se entope de pinga com mel pra ver um  touro com o saco apertado, pulando com uma anta em cima, uma tradição que nem nossa é, ao som de Bruno e Marrone.</p>
<p>Que infelizmente, são nossos.</p>
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