Se é pra ser Miss Cangaíba, que seja com estilo

Por que motivo, razão ou circunstância eu viria a me acabar de estudar na faculdade ou cuidar sempre de escrever textos no mínimo interessantes para a alegria geral da torcida, pra no final, acabar sem roupa numa revista?

Sinto pelas campanhas, por quem se submete e por quem espera e pede que eu participe. Em puro e bom português: talento também se mostra com roupa. E comigo, SÓ assim.

Então, se é que isso é uma campanha, é aquela que nada contra a maré blogosférica. Playboy my ass, eu quero sair é na Rolling Stone! E tenho dito.

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Composição em parceria com o Cardoso, quaisquer reclamações deverão ser, pelo menos em 50%, dirigidas a ele. :lol:

Rexona Teens Fun Spirit e sobre como eu vou deixar de ser loser

Aos sábados, depois de fechar a loja, meu pai costuma passar no bar de um amigo pra tomar a tão esperada cervejinha que dá início ao final de semana. Bem, virou e mexeu, o dono do bar resolve fazer uma rifa por lá. Geralmente de algo comível”, mesmo, mais pela brincadeira que pelo prêmio. E é inacreditável a freqüência com que a sorte favorece o meu “velho”. Frango, pernil, marreco, cavalo, macaco, ele ganha seja lá o que for rifado! Tá, ele nunca ganhou um cavalo. Nem um macaco. Enfim.

O que interessa aqui, é que a minha sorte é inversamente proporcional à de meu pai. Niente, neca de pitibiribas, nadinha mesmo. Uma vez eu ganhei uma bicicleta, num sorteio de dia das crianças. Mas como eu tinha por volta de 13 anos e não admitia que me chamassem de criança, não quis nem preencher o cupom, e quem o fez foi a minha mãe. Aí eu ganhei. Só por isso.

De qualquer forma, sendo assim como sou, nunca me meto a besta de participar de promoções. Nem daquelas de enviar embalagem de bala. Morro de dor de barriga, acabo diabética e não ganho.

Agora, coisa totalmente diferente são os concursos, competições, games e afins. Nesses, você pode se empenhar e ganhar por seu próprio mérito. Aí sim. A não ser que o Murphy dê as caras e me atrapalhe, aquele maldito.

E é disso que se trata o mais novo game lançado pela marca de desodorantes Rexona Teens Fun Spirit. Lembra daquele brinquedo, o Genius? O esquema é o mesmo, basta seguir a sequência de cores/sons que vai aumentando enquanto você não errar. É muito gostoso de jogar, e vicia. Os meninos também podem se divertir, mas o melzinho mesmo vai pras garotas: as 25 meninas com maior pontuação ganharão kits de maquiagem e produtos Rexona Teens, e a primeira colocada ainda ganha uma viagem pra Sampa com direito a helicóptero, limusine e dois acompanhantes pra fazer a festa pela cidade o dia todo! Na boa, só pelo kit de maquiagem eu já tô empenhada desde ontem no joguinho. Não dá pra ser Mirão em tempo integral, visse!

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Quem sabe o Murphy me dá um desconto dessa vez e eu deixo pra trás essa fama de loser da família? Vocês se lembram quando eu fui ao Blogcamp e fiquei babando em tudo naquela cidade gigantesca? Então, agora me imaginem um dia inteiro perdida em São Paulo, andando de limusine e helicóptero? Dá história pra mais de um ano de blog, certeza.

Meninas, corram já fazer o cadastro (sem cadastro os pontos não são salvos), a coisa vai só até dia 15 de Outubro.

Ps. Este é um post patrocinado, mas poderia não ser. Eu gostei mesmo da coisa e também tô na corrida!

Adeus Banco Cruel - Reabilitação de uma consumista compulsiva

notas-voando.jpgEu tenho um sério problema quanto a lidar com dinheiro: eu não sei fazer isso. Tudo culpa dessa sociedade capitalista d’uma figa, que sempre me ensinou que dinheiro na mão é vendaval, é vendaval, na vida de um sonhador, de um sonhador. Só que no meu caso, tá mais pra Katrina mesmo.

Quando criança, absolutamente toda e qualquer moeda que eu ganhasse ou (cof, cof) encontrasse, era gasta com gibis. Eu adorava gibis, nunca fui de brincar com bonecas. Acabei com uma coleção gigantesca da Turma da Mônica, incluindo edição especial de trinta anos. Mais pra frente, ainda na tática da moeda perdida, entupi meu guarda-roupas com revistas dos Backstreet Boys. Revistinhas, biografias, álbum de figurinhas auto-colantes. Comprava a revista inteira pra destacar UMA maldita página. E olha, era deprimente. A seguir, um trecho de um dos meus diários por volta dos 10 anos de idade:

“Ontem o meu pai deu 10 reais pra mim e 10 reais pra Maira (minha irmã)! Nós fomos até a banca e compramos 4 revistas. Sobraram 6 reais e nós demos 4 para a minha mãe, pra ela comprar um diário novo pra cada uma. E agora ficamos com 4 reais, que provavelmente serão gastos em revistas!”

Céus. Sem comentários.

Enfim, isso prova que desde pequena eu não sei segurar o dinheiro. Quando eu comecei a trabalhar, e me vi com TODA aquela grana (600 pilas) na mão, aí meus queridos, foi o começo do fim. Eu gastava cada centavo antes do próximo vale/pagamento. Poder tomar um sorvete, ou comer o que eu quisesse sem ter que pedir dinheiro pros meus pais era o máximo. Engordei feito uma porca nessa época.

De qualquer forma, gastar todo o seu dinheiro é um problema seu, foi você quem trabalhou por ele, nada mais justo. Mas chegará o dia em que você verá AQUELA sandália na vitrine, e ao enfiar a mão na carteira, um morcego vai te morder por atrapalhar o sono dele naquela caverna escura e vazia. E o que fazer quando você quer comprar, mas o seu dinheiro já foi, e o próximo pagamento está longe? Tchan tchan tchan tchaaaaan!

Você abre uma conta no banco pra ter um talão de cheques e um cartão de crédito i-guai-zi-nhos aos da sua mãe! Aí você pode comprar sem ter o dinheiro, é só pagar depois! :)

Logo você entra no limite do cheque especial. Quando isso acontecer, dificilmente você conseguirá sair, e acabará pedindo pra aumentá-lo. Depois de muito tempo pagando juros absurdos, você faz um empréstimo do banco pra cobrir o limite, pois os juros do empréstimo são menores. Em vão, pois um ou dois meses depois, você já está usando o dito cujo novamente E pagando o empréstimo ao mesmo tempo. Os juros do cheque especial parecem prestações eternas daquela sandália que você não comprou.

Pode não ter acontecido com você, mas aconteceu comigo, uma consumista descabeçada. Acontece que, como o meu pai tem uma empresa, eu bancava a espertona e tratava os meus assuntos pessoais com o gerente de pessoa jurídica que cuida das coisas dele, assim não tinha que ficar duas horas na fila, e o cara sempre resolvia TODOS os meus pepinos. Acontece que ele se foi. Não morreu, não. O desgraçado foi pra outra agência e me abandonou. Logo no primeiro problema eu me estrepei. Foi então que eu percebi que o tratamento VIP tinha acabado, e tomei uma difícil decisão: fechar a conta.

Ver o meu cartãozinho lindo ser destruído foi uma cena triste. Ficar uma hora e meia na fila também foi. Não tão triste quanto ver um cachorro ser atropelado ontem (provavelmente in memoriam, essa), mas foi. Sem contar que eu tive que cobrir o limite, pagar o cartão, o empréstimo e etc. Tudo de uma vez. Pra isso emprestei do Mobilon, que não cobra juros.

Agora é só esperar o casamento, e quando os credores dele forem também meus, cancelar a minha dívida comigo mesma.

Medo da eternidade - A Descoberta do Mundo

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(Outro conto de Clarice, talvez o melhor de todos.)

Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.
Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.
Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:

- Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira.
- Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.
- Não acaba nunca, e pronto.
- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.

- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver.
- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.
- Perder a eternidade? Nunca.
O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.
- Acabou-se o docinho. E agora?
- Agora mastigue para sempre.

Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito. Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atrevessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.
- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!
- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.
Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.

Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.

(LISPECTOR, Clarice. Medo da eternidade. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. p. 446-8. 1)

Eu nunca vou me conformar com a humanidade

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Quem lê o Substantivolátil há algum tempo já deve ter percebido que eu cultivo um certo desgosto pelos seres humanos. Não todos, claro. Inclusive porque apesar das tentativas, não conseguiram ainda me convencer que sou um macaco.

Mas vamos por partes. Durante o ensino primário, você acredita quando sua professora diz que o ser humano difere dos demais animais por que raciocina, não é? É. Mas isso só acontece porque você, ainda exalando a mais pura inocência, não faz a mínima idéia da mente medonha de certos adultos. Ou pior, da mente medonha que você pode desenvolver com o passar dos anos.

Existem os que pensam que pensam. São os que não fazem jus à “superioridade” de sua raça, desprezando toda e qualquer capacidade que os caracterizem como Homo Sapiens. São os que Deus devia olhar de canto e dizer: “Tu num vai pensar muito não, fio. Só vai pensar merda mesmo, melhor ficar macaco.”. Talvez se certos estrupícios fossem privados de suas faculdades mentais, eu nunca precisasse tomar conhecimento das seguintes buscas: 1, 2, 3 e 4

Sobre essa última, devo dizer que além de tarado, o infeliz é analfabeto. A busca encontra esse texto, sobre a espertona que protestou nua quando o Bush pintou por aqui. O detalhe é que o nome da imagem é “virgi.jpg”. Virgi, no caso, como brincadeira com uma expressão caipiresca: “Virgi Maria!”. Mas a anta queria fotos de mulheres peladadas virgens. Santa ignorância!

Por quê, diabos, o cérebro humano tem essa tendência a pegar a saída mais rápida pra baboseiras? Por quê será que o Orkut, na forma mais miguxesca possível e os blogs prostitutas “bombam”, enquanto é difícil encontrar um blog interessante e inteligente?

Parece que todo mundo fica dez vezes mais criativo quando se trata de inventar algo que não sirva pra porcaria nenhuma. Quem foi, minha virgimaria, que inventou o diabo de “air guitar“!? Meia dúzia de tontos resolvem fingir que estão tocando guitarra, e quando a gente percebe, a coisa já tem campeonato! E então vêm os japoneses e inventam uma guitarra pra tocar enquanto não se toca guitarra!

Isso sem contar coisas tipo os caras do Jackass, o povo que se deforma e acha lindo, a tal da suspensão (porque não enfia aquele gancho na orelha?), e outras intermináveis bizarrices mas, que fazem a gente perder a fé na humanidade.

Claro que a imagem no começo do post é apenas uma brincadeira, o Homer é a anta de teta mais querida do mundo. :lol:

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