Considerações sinceras (até demais) sobre o BlogCamp

mobilon-eu

Mobilon e eu no BlogCamp (clique para aumentar)

Esse BlogCamp foi uma coisa curiosa pra mim. A começar pelo fato de ter dormido apenas duas horas de sexta pra sábado, e já chegar morrendo ao local. Mas vamos rebobinar um pouco:

Gente, eu sou do interior. Acho que nunca fui pra São Paulo sem ser em excursão escolar, onde o ônibus nos deixava e pegava exatamente no ponto da visita. Então dá pra imaginar a caipira com o nariz grudado na janela espiando tudo. Até os carros alegóricos destroçados perto do sambródro sambódromo eu achei legal. Me senti o Id Brain, com aquela cara de feliz e me diverti até no metrô, segurando no Mobilon porque eu não alcançava lugar nenhum com aquele monte de gente. Estranhei o horizonte amarelado, pois aqui em Americana, o céu ainda é azul.

Passada a euforia de quem vê o mar pela primeira vez, percebi que tudo lá é longe e grande pacas e que a gente ia ter que andar um bocado. Pensando em chegar logo, as duas topeiras decidiram deixar o hotel pra mais tarde. No meio do caminho imaginei como seria um efeito dominó com aqueles edifícios.

Chegando ao Gafanhoto - ai que emoção - avistei o Fábio Seixas, um dos poucos que tem foto no blog e que eu pude reconhecer de primeira. Mais tarde ele me perguntou qual era o meu blog, e depois da resposta fez cara de interrogação - o Fábio Seixas não me conhece. Fazer o quê.

Alguns dos primeiros a bater um papinho com a gente foram o Paulo, o Wagner Fontoura e o Marcel, que inclusive aturou a gente boa parte do dia.

Sobre o evento, devo dizer que alguns debates me pareceram meio monopolizados. Eu sei que fala quem quer, mas no debate (que a princípio era) sobre jornalismo participativo, eu fiquei com medo de abrir a boca e levar porrada. Vai ver foi o sono, vai ver eu sou uma frouxa. Em alguns momentos a coisa se tornava “profissional” demais, perdia um pouco a leveza e parecia mais uma disputa por visibilidade. Por vezes foi maçante.

Mas calma, coleguinhas, obviamente houveram as partes boas, onde o pessoal debateu de forma sadia e se divertiu bastante. Eu só sinto por ter perdido a dancinha do Edney - que devia adotar Interney no nome, porque muita gente não conseguia se referir a ele de outra forma. Ele me conhecia, ai que emoção².

E, mais que obviamente, a melhor parte foi o bar. Lá eu - depois de uns copinhos - desembestei a falar, infernizando a vida de um monte de gente, entre eles: Fugita, Thiane, Manoel Netto, Inagaki, Tiago Dória, Renato e Eric. Pessoal, da próxima vez vocês estão autorizados a me atingir na cabeça com o objeto mais próximo. Eu achei que ia infernizar o Cardoso também, mas acho que ele não foi com a minha cara (apesar da foto do começo do post ser de autoria dele).

Pra finalizar, lembram do papo do hotel, lá no começo? Depois de gastar mais de 10 pilas com o táxi, pois os hotéis mais próximos já estavam lotados, pegamos o ÚLTIMO quarto disponível num F1. Eu estaria disposta a dormir na calçada caso não conseguíssemos, pois após quase 20 horas acordada (tendo dormido só duas), eu não estava em condições de dar mais nenhum passo. Mas eu ia acabar com a raça do Mobilon.

É isso, pessoal, eu estava devendo este texto, mas demorei pra me recuperar do final de semana - lembrando que eu ainda fui prestar ENEM no domingo. Se você chegou até o final, parabéns, você já atingiu sua cota de leitura por hoje, pode ir dormir. Eu vou.

Update: esqueci de comentar que, durante o evento, ocorreu um infeliz incidente: um projetor do local foi furtado. O pessoal está tentando arrecadar o dinheiro para repor o aparelho através de contribuições, visto que o local nos foi cedido gratuitamente. Caso queira colaborar, pode fazê-lo através de um botão de doação na sidebar do blog oficial do BlogCamp 2007.

Juventude Transviada

amy-winehouse.jpg

Quando eu tinha treze anos, tive uma briga feia com a minha mãe e fugi de casa - pulei o muro dos fundos, levei um capote do outro lado e ganhei um joelho ralado. Corri pra casa de uma amiga. Quinze minutos depois, meus pais apareceram. Um joelho ralado e uma surra. Parabéns pra mim.

No começo do ano passado, saí de casa e fui morar com uma amiga. Voltei três meses depois, sem grana e com cara de cão arrependido. Parabéns de novo.

Apenas dois leves episódios de várias atitudes estúpidas que tomei em busca de uma liberdade e independência que ainda não tinham hora nem motivo pra ser. Dos quatorze aos dezessete anos fui de primeira aluna a aluna rebelde e perdi um ano escolar, incrivelmente me tornando o avesso de mim mesma. E só depois de muita cabeçada eu me toquei que andava pra trás, desperdiçando qualidades e tempo em troca do “eu sou mais eu”.

Hoje em dia, back on track, não consigo me conformar que tantos jovens tenham realmente que criar um belo monte de merda pra só depois se tocar que eles mesmos terão que limpar tudo sozinhos. E aqueles que não percebem acabam morrendo afogados no meio da própria bagunça.

Os exemplos são vários, e em diferentes níveis. Como a tal onda rehab, que já não dá mais pra engolir. Lindsay Lohan, Britney, Paris, e mais recentemente Amy Whinehouse, que ilustra esse post, e dona do hino anti-reabilitação, fazem parte de uma explosão de poitas pessoas que se acabam publicamente, num universo onde sobra dinheiro e faltam valores. Longe de mim dar uma de politicamente perfeita, mas acessar um portal todo dia e ver “fulana deixa a reabilitação”, “fulana presa dirigindo bêbada”, “fulana volta à reabilitação” é de torrar a paciência de qualquer um.

Mas não precisamos ir tão longe. Podemos encontrar bons exemplos de inconsequência e rebeldia sem causa mais perto do que pensamos. Um ótimo lugar pra isso é a faculdade. E se tratando da rede privada de ensino, a coisa tende a piorar. Em sua maioria, um reservatório de salsinhas que, enquanto os pais - de classe média - se matam pra pagar as mensalidades, só pensam em ir “po bar”, ficam felizes quando tem palestra ao invés de aula, pois assim não precisam ir, e desperdiçam o tempo - deles, do professor e dos outros alunos - se manifestando no meio de uma aula de sociologia da comunicação pra fazer uma piada infame.

Invariavelmente, quando esse tipinho chega e brada: “Vam po bar, galera!”, e você responde: “Tá louco, tem aula”, ele te manda um: “Então fica, CDF”, e sai, feliz e contente, com os amigos maiorais pra jogar truco e beber enquanto você rala. Porque ele é mau, e você é um neeeeerdeee.

Invariavelmente, amanhã ele estará varrendo o chão da sua empresa. Se você deixar.

Aqui tem Schmooze, visse!

schmooze_award.jpgEsse troço espalhou mais do que fogo em palha seca, mas ao menos é um “meme” com um propósito bacana. Quem tem o Poder do Schmooze (pomposo, o troço), é quem é capaz de criar um círculo de amizades através da interação com os colegas. Conversar, debater, visitar outros blogs, citá-los. Parece fácil, mas é difícil um belo dia um belo dia aprenderá ih-óh, tem gente que não abre a bolsinha dourada dos links nem pra própria mãe.
E segundo os meus colegas Becher (de quem sou leitora), e o intitulado Keep Walking do Flores Vermelhas Num Fundo Preto (apropriado), eu tenho a força The Power of Schmooze! Gracias, amigos! Eu parto do princípio que: quando você gosta, você fala, você comenta. Não há mal algum nisso, é mais que saudável. Sem contar que você não corre o risco de parecer um velho rabugento.

Então aqui vão os cinco blogueiros/blogs que também são uns belos schmoozeros:

  • Rev Ibrahim, do 1001 Gatos de Schrödinger, que, inclusive, está fazendo um trabalho muito legal, apresentando um painel de opiniões sobre o aquecimento global com a participação de vários blogueiros (eu também tô nessa), e que vale a pena conferir!
  • Leo, do BlogueIsso!, costuma comentar os posts que chamaram sua atenção, com os devidos créditos, é claro. Parabéns, Leo!
  • O Mario, do Connected Minds, que vive me chamando pra tudo que é meme! :lol:
  • A Ester do Saber é Bom Demais, que recentemente publicou uma lista com as beldades masculinas da blogosfera! Só avisando às meninas que a maioria já tem dona, inclusive o Mobilon! ;)
  • And last, but not least, o contraditório da blogosfera, Cardoso, que é mestre em nos mandar pros lugares mais esquisitos que já vimos na internéte.

Obs.: Eu sei que ando meio sumida, por estar meio apertada com os afazeres, mas logo logo as coisas voltarão ao normal.

Obs.2: Quero mandar aqui uma força pra Kaka do blog Meu Veneno, que está passando por um momento complicado com a perda de sua mãe, que, como disse Wagner Fontoura do Boombust, “foi tomar chá com o Poderoso”. Estamos aguardando sua volta, Kaka!

Update: num momento de distração, digitei incorretamente o link para o Blog do Cardoso, agradeço ao Becher mais uma vez, agora pelo aviso!

Meme: Meus vídeos preferidos do YouTube

Eu não ia participar. Primeiro por não ser muito de fuçar no YouTube, segundo porque já peguei meu barquinho e zarpei dessa mania de meme faz um tempo. Mas enfim, sendo convidada 3 vezes não deu pra escapar. Mas deixa estar, Rodrigo, Fagner (não o das borbulhas) e Rev. Ibrahim, na próxima eu pego vocês.

Existem vários motivos pelos quais podemos gostar de um vídeo que está no YouTube. Pode ser o maldito vídeoclipe que você nunca conseguiu ver inteiro, ou por não conseguir baixar com a conexão discada, ou simplesmente pelo pé no saco de precisar baixar, mesmo, como é o meu caso, com o “Horror with Eyeballs” da banda The Dissociatives, paralela de Daniel Johns, vocalista do Silverchair, no início da sua fase mutchô loca:

The Dissociatives - Horror With Eyeballs

Pode ser um curta bem produzido, ou não (às vezes essa é a graça), mas que seja criativo e interessante, como o “Mario: Game Over”, que tem um final tosco, mas é ‘bem feitinho’, com direito ao Mario descendo pelo cano da pia:

Mario: Game Over

Ou então uma montagem bacana (baixou a tia), feita a partir de filmes ou vídeos caseiros, como o remix do clássico vídeo de um garotinho derrubando a casa porque ganhou um Nintendo Sixty Fooooooouuuur!!! Oh my Goooooood:

Nintendo 64 Kid Remix

Quem sabe aquela peça que todo mundo comenta, mas que você nunca vai ver ao vivo, porque mora no interior e as chances de você parar em Sampa pra ir ao teatro são… éé… hmm… responde Seu Merda!! :

Terça Insana - Seu Merda

Mas o melhor da interatividade na web é trazer à tona os seres mais estúpidos que você muito provavelmente jamais veria na sua vida, pelo menos não tão de perto, e o YouTube não fica fora. Pior que lá, só no Orkut. Mas no Orkut não tem vídeo. Quer dizer, agora tem, mas são do YouTube.

E tem hora que é bom ver um(a) capiau(a?) aprendendo a lição. Como a “Piloto de Fuga” a seguir:

klarice piloto de fuga no acidente em cocal

Como quase todo mundo já fez, eu não vou chamar ninguém. Se alguém quiser participar, segue o esquema de sempre: sinta-se convidado e diz que fui eu, que eu coloco o link.

Melhor é ser pobre

pobre.jpg

Eu não sou pobre. Também não sou rica, nem de longe. Tô no meio do furdunço da maldita classe mérdia. Isso porque o meu pai - que veio do sítio e foi engraxate aos 10 anos - e minha mãe - que também criança, entregava pão de madrugada pra ajudar o meu avô - trabalharam feito camelos pra que eu tivesse um pouco mais de conforto e oportunidade nessa vida bandida.

E assim, trabalhando e construindo a vida em 12x nas Casas Bahia, num sufoco dos diabos, fomos conquistando, aos poucos, pequenos e grandes confortos, que incluem desde quinquilharias eletrônicas, até carro e casa própria. Benzadeus, já diria a minha avó. Vira pro lado e abraça o irmão, diria um pastor da igreja Penten Peten Pentecostal.

E era uma vez que, o cinto é apertado, a faculdade - que eu já divido com o meu pai, por caridade dele, não minha - fica um pouco pesada. Bóra arranjar um descontinho - descontinho o escambau, no máximo um financiamento que eu vou ter que pagar de qualquer forma. Mais uma vez, um jeitinho Casas Bahia de se viver.

Vou até a sala da assistente social, e explico pra ela que eu sou blogueira tá complicado dar conta e que eu não queria deixar o curso, que eu adoro. Ela, com aquele jeito de assistente social, começa a falar comigo com a voz mansa e pausada, e quando eu percebo, já encarnei a pobre pra não desapontar a coitada. Ou vice-versa.

Agora, analisando a ficha de inscrição do programa, tenho apenas uma coisa a declarar: nesse país, se não puder ser rico, pule a classe média e seja pobre. Não importa quantos carnês você tem socado naquela pasta entupida de contas a pagar, se você tem uma TV, um microondas e mais que dois pares de sapato, você não tem direito à ajuda nenhuma. A classe média é a órfã da grande pátria.

Porque se o governo diz que eu posso, eu vou ter que me poder.

hit counter html code