Mães com descontrole emocional

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Se não me engano, na minha época de Orkut (maldita seja) eu fazia parte da comunidade que dá nome a esse texto. Minha mãe e eu nunca fomos melhores amigas e ela faz o tipo meio, digamos… exagerada. Mas isso, hoje em dia, nem é mais um problema tão sério, afinal, ambas somos crescidinhas e não há motivos para perder a cabeça por besteira, não é?

Era o que eu pensava, até hoje.

Estávamos numa discussão besta, quando ela, soltando um clichê de mãe sem argumento me disse que eu tinha que obedecer porque a casa é dela, e eu rebati com um clichê de filha sem argumento dizendo que nasci porque ela quis. Quando ela me olha com a cara clichê de mãe com raiva e diz:

– Se você disser isso mais uma vez, você vai… (e eu prevendo os clássicos “se ver comigo” ou “se ver com o seu pai”, quando ela completa com um:) morrer.

(…)

Milhares de respostas passaram pela minha cabeça, mas eu só consegui ficar parada, atônita.

Então é isso, a minha mãe quer me matar. Caso eu suma, vocês já sabem.

O que eu desenharia para ganhar vida?

Eu poderia deixar um comentário, mas essa pergunta lançada pelo Rev. Ibrahim merece mais do que uma rápida resposta. Merece uma ida mais a fundo (hm).

Se você pudesse desenhar algo que se tornaria real, o que seria? Será que é tão fácil responder? Depois de pensar por uns vinte minutos e fuçar em alguns desenhos de quando eu era mais nova, cheguei a uma conclusão: o ser humano é incapaz de escolher ou manter uma escolha quando se trata de desejos. Mesmo que você decidisse hoje, amanhã se culparia ao lembrar de algo melhor/mais importante.

Quando pequena, provavelmente eu desenharia algo relacionado a brinquedos gigantes. Se um brinquedo é legal, gigante então deve ser super! Meu primo tinha um Macaco Murfy e eu adorava. Agora imagina essa porra em tamanho real e fazendo aquele barulho. Virge.

Quando podemos realizar um desejo, costumamos pensar nas coisas mais impossíveis de se ter, pelo menos naquele momento. Uma vez a professora de artes passou uma lição chamada “Sonho Meu” que era, basicamente, desenhar um sonho meu (é memo?). Na época eu estava aprendendo a tocar violão e pensava muito em ter uma bandinha, só que guitarras estavam fora de cogitação pra uma adolescente desempregada. Adivinha o que eu desenhei? Um mundo onde todo mundo tocava e guitarras nasciam em árveres árvoros árvores e notas musicais flutuavam sobre as nossas cabeças. Se guitarras nascessem em árvores, o que caralhos eu ia comer!? Se guitarras nascessem em árvores, Newton teria morrido com uma guitarrada. Mas naquela época a idéia me parecia boa. Nem sempre a gente realmente quer o que pensa que quer. Quando desejamos algo, desejamos apenas a parte boa, anulando qualquer possibilidade de algo dar errado.

Enfim, por isso meu desejo seria algo como uma casa e eu não trocaria o meu namorado pelo Johnny Depp (apesar que.. brinks! uahau)

E você, o que desenharia para ganhar vida?

Por que o seu cachorro é mais feliz que você

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O ser humano é um ser pensante. Pensante até demais. Por isso acontece de eu me pegar questionando o sentido da vida enquanto lavo a louça. Nesse momento, sempre concluo que mais feliz é o meu poodle. A complicação começa no começo: enquanto eu preciso de fraldas, mamadeiras, chupeta, carrinho, berço com gradinha e alguém a postos o tempo todo, ele nasce e uma semana depois já anda e come sozinho, sem frescura. Ele aprende sozinho o que diabos ele precisar pra sobreviver, enquanto eu, seis anos depois estou apenas iniciando o processo de aprendizagem que vai levar um terço da minha vida para ser concluído e determinar diretamente o meu futuro.

Enquanto eu tenho que aprender alemão, ele vai se entender com qualquer cachorro apenas com uma mútua cheirada de bunda.

Enquanto eu me apaixono e desapaixono, sofro, choro, acho que minha vida acabou, tudo a que ele tem que se prestar é sexo casual, pelo instinto e reprodução. Sem lenga-lenga sentimental. Sem fotos rasgadas, sem conversas de quarenta minutos no telefone, sem traição. Eu duvido que ele fosse se importar caso sua última companheira tivesse um affaircom o seu truta Rex.

Enquanto eu tenho um guarda-roupa cheio de frescura, ele tem uma roupa pro frio. E isso porque ele é um poodle fresco, a minha finada rotweiller nem disso precisava.

Eu, pra ficar feliz, preciso de um conjunto inesgotável de coisas que mudam e aumentam a cada ano que se passa em minha vida. Pra ele balançar o rabinho euforicamente de alegria, basta que eu saia pra colocar o lixo na calçada e volte.

Ele nunca vai precisar viajar de avião a negócios. Conseqüentemente nunca vai sofrer um acidente. Nunca vai jogar videogame num dia de chuva e ser atingido por um raio. Nunca vai precisar ganhar dinheiro pra pagar a faculdade que vai prepará-lo para ganhar mais dinheiro pra comprar uma banheira de hidromassagem. Ele nem gosta de tomar banho. Ele não precisa de um computador, nem de um Playstation, não tá nem aí se o Harry Potter tá no vigésimo sétimo filme, ou quem vai sair pelada na próxima Playboy. Ele nem sabe o que é um blog e o que são palavras-chave.

Ele não precisa limpar a casa e ter talheres bonitos pra receber convidados pra jantar. Ele só precisa tomar um solzinho de manhã e dormir o resto do dia. E precisa da gente. Pra ir colocar o lixo na rua e deixar ele feliz com a volta.

A minha vida é mais interessante do que a dele? Depende do ponto de vista. De qualquer forma, eu vou bater as botas assim como ele. Só que ele nunca vai se perguntar – Afinal, pra quê? Isso é bom ou ruim? Outra vez, depende do ponto de vista. Tem horas que eu queria ser igual.

O dia em que o Mel Gibson quase me matou

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Era uma noite de sábado sexta como tantas outras. Com o frio congelando até o fígado, só podia ser pizza e filme debaixo do cobertor, mesmo. “Hum, olha esse aqui, é aquele filme novo do Mel Gibson, dizem que é bom, vai esse mesmo.”

Chegando em casa, o primeiro comentário foi da sogra: “Mas a Mirian vai ver esse filme? É bem sanguináreo.” Ué, mas a Mirian é macho, tchê. Afinal, ela assiste Jogos Mortais dando risada. Que tem demais, um sanguinho à toa.

Eis que, após meia hora de filme, entre cabeças cortadas e corações arrancados, sinto um forte gosto de sangue e me sento. Tontura, pernas fracas, tento levantar e quase desmaio. “Tô passando mal, me leva pro hospital!”. Param o filme. A sogra sai correndo, busca água, depois sal, depois Coca-Cola. “Calma é só a sua pressão que caiu!”. E aquele gosto de sangue, que pressão que nada! Teorizo o mais óbvio: “É uma hemorragia interna, algum órgão explodiu, eu vou morrer”, penso, enquanto digo: “Me leva pro hospital!” incessantemente, como uma gralha maldita. Quando a sogra resolve empurrar a minha cabeça pra baixo e me manda forçar pra cima eu imagino o sangue jorrando de algum lugar da minha cabeça. Mas não acontece nada. Sem sangue. A tontura melhora, mais ainda tremo mais que vara verde. Eu nunca vi uma vara verde tremer, mas a minha avó e minha mãe sempre disseram isso.

No fim das contas virei motivo de piada. Eu ali (ainda) achando que ia morrer, e estavam rindo da minha desgraça. Chorei pra mostrar que eu não estava brincando.

Assisti ao resto do filme sem olhar as cenas de sangue. Ou seja, só ouvi o resto do filme. Continuei mole pelo resto da noite e fui dormir choramingando de medo. O estranho é que eu estava tranquila, segundo a sogra, foi meu inconsciente que não aguentou. Por causa dele vou ter que aposentar os apelidos Mirão e Mirian Bravo. Foi-se a minha honra.

Inconsciente idiota.

Substantivolátil de Cara Nova!

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Isso mesmo, caros leitores, o Substantivolátil passou por um Extreme Makeover. Resolvi dar uma inovada no visual do site, que está bem mais amplo agora, com uma outra sidebar (já que uma só estava ficando apertada), e o Blogroll foi parar lá embaixo, depois dos posts. Tem também mais duas novas imagens no topo, elas são randômicas, é só você ficar que nem tonto dando F5 pra ver.

Tem também um perfilzinho ali do lado, com uma foto (minha – Nãão! Sério!?) que pra falar a verdade eu acho que bota medo. Eu me sinto intimidada com aquela cara de político em eleição olhando pra mim enquanto eu leio. Enfim…

Ainda falta alguns muitos ajustes que vão sendo ajustados, mas logo a casa estará em ordem.

E você que só vê a minha fuça pelo leitor de feeds, toma vergonha e vem aqui ver e dar opinião porque deu trabalho pra cacete.

Oi Marcia! Tô bem, e você?

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Deixa eu contar uma coisa pra vocês, leitores: algumas mulheres, quando sentem-se incomodadas com algo (principalmente quando o algo é outra mulher) transformam-se em seres extremamente rancorosos, mal-educados e vingativos. E isso, a nível de mundo virtual, acaba revelando quase que um alterego, pois as criaturas podem sair descarregando sua raiva pra tudo que é lado e permanecer no anonimato.

Isso pode ser comprovado por qualquer outra mulher que tenha um blog/fotolog/algo que o valha e que seja provido de um guestbook.

Quando eu era mais nova, eu tinha um fotolog pessoal, um fotolog da minha banda e um blog pessoal. Virava e mexia, apareciam os comentários anônimos, sempre ofendendo, é claro. O porquê, ninguém sabia. Mas era coisa de mulher. E eu, na minha ingenuidade, ficava extremamente ofendida, escrevia posts-resposta gigantescos, sem perceber que isso não ia mudar a raiva que a poita sentia de mim. Vai ver ela queria o meu namorado, ou o meu lugar na banda, ou a minha mochila do Urso Pooh. São inúmeras as hipóteses. O fato é que essa fase passou e eu nem me lembrava mais dela, até ler o seguinte comentário no último post:

Marcia (uu@uuu.com) on 15 Jul 2007 at 12:46 am:

cadela

Minha primeira reação foi de surpresa, pois eu não esperava isso aqui. Depois ri. Depois resolvi escrever. Não pra relatar indignação ou xingar a Marcia de volta, mas sim pra dizer:

Oi Marcia, eu tô bem, e você? Sei que você não gosta de mim, mas não sei o porquê e nem sei quem você é, então, se quiser escrever me contando, ficarei feliz em saber. Aliás, talvez a gente pudesse ser amigas, nunca saberemos. De qualquer forma, xingar é muito feio, viu! Mas continue visitando o blog se gostar dos textos. E da próxima vez, aproveita e dá uma clicadinha no anúncio, alí em cima! Abraço!

Quid novi?

papa-bento-xvi.jpgComo é sabido, há três assuntos que não se discute: religião, política e futebol. Como representante do sexo feminino, troco este último pelo Johnny Depp ou algo que o valha em termos de indiscutível.

Mas deixemos os dois últimos para outros posts, pois o Papa alemão anda dando o que falar.

Assim como comentei sobre os nomes, a religião também nos é imposta assim que nascemos. Sem perguntas, me enfiaram as fraldas e me afogaram num tanque de água benta para que eu fosse considerada então, uma legítima cristã. E como todo santo Domingo, eu era levada para a casa de Deus, para ouvir a Sua palavra, não demorou pra que eu decorasse a missa de cabo a rabo e, assim como 95% dos fiéis, dissesse cada palavra da ladainha pensando na sobremesa que estava por vir, na prova de matemática, ou ainda reparando na senhora gorda cochilando no banco ao lado.

Então você cresce. Passa pela 1ª Eucaristia (comer o pãozinho) e depois pela Crisma (senão não casa). Pronto, você já tem idade suficiente para ser um Cristão por conta própria. Mas infelizmente, também tem idade pra entender o porque de aquele Padre gostar tanto de chamar os meninos pra sacristia depois da missa. E de repente, os escândalos não são apenas na TV, mas também na sua região, com pessoas que você até conhece. Tá impossível empurrar a Igreja Católica goela abaixo. Aliás, Cruzadas e Inquisição à parte, não é?

E com tanta sujeira e falta de moral, o melhor que o Papa pode fazer é “autorizar a disseminação da antiga missa em latim“? Como diria a minha avó: pra quê, cristão?!

Como se não bastasse, hoje vem essa:

O Vaticano divulgou nesta terça-feira (10) um documento datado de 29 de junho último que aponta a Igreja Católica como a única a reunir todos os requisitos da comunidade fundada originalmente por Cristo e seus apóstolos.

Claro, todos os requisitos. Inclusive pedofilia.

(…) reafirma-se a idéia de que o catolicismo é o único meio pelo qual se pode alcançar a salvação espiritual com a ajuda da fé em Jesus Cristo. Teológicamente, porém, isso não significa que os outros cristãos, ou mesmo os seguidores de religiões não-cristãs, estão automaticamente excluídos dessa salvação, mesmo que não se convertam ao catolicismo. Difícil de entender?

Um pouco. Mas pra mim tanto faz, eu vou continuar adorando o Deus Chocolate (o único que me traz conforto imediato e me impede de metralhar todo mundo quando tô de tpm).