15
Jul
  Agorando

Dia desses, mandando uma caminhadela noturna, daquelas pra dar oi pras estrelas, respirar fundo e se encontrar se perdendo pelas ruas, o Tom mano véio me cantou uma pelos fones que entrou rasgando a mente:

“Where will I meet my fate?”

Rapaz, complicado. Falando desse jeito até parece que amanhã eu vou virar a esquina, trombar com uma figura suficientemente destino-like e tipo “olocobicho, ô demora”

Não, porque what the fuckin’ flyin’ carajos seria “encontrar o meu destino”? É encontrar a pessoa que vai ficar velha ao meu lado? Arrumar um trampo que eu vou fazer pra sempre? Ou qualquer coisa que componha uma rotina que será repetida overandoverandoverandover até a cova?

Então meio que eu rodei, porque a vida andou aí me mostrando que as coisas curtem dar uma mudada e se pá eu sou um ser sem um destino capa dura na prateleira do cosmos.

O problema é que a gente costuma achar muito mais legal viver qualquer coisa que não seja o exato momento que deveria estar sendo vivido, impressionante.

É mais legal lembrar de quando a gente tinha alguém, de quando era mais magro e tinha mais dinheiro ou pensar que amanhã vai ter alguém, a gente vai emagrecer e vai ter mais dinheiro, do que aceitar o que tem pra janta e aprender as lições que precisam ser aprendidas SIMPLESMENTE PARA QUE O CICLO SEM FIM DE CAGADAS NÃO SE REPITA REPETIDAMENTE PARA TODO O SEMPRE TE DEIXANDO ETERNAMENTE SOZINHO, GORDO E POBRE.

Porque olha, quantos futuros não se tornam passado enquanto a gente não presta a devida atenção às rédeas do presente, hein?

Seguindo o conselho de outra ídola do cantarolamento, eu ando me dando apenas 20 segundinhos pra reclamar, chorar, berrar, porque o barco lá fora zarpa sem mim, caso eu queira ficar. E o mar é sempre muito mais legal.

Só que às vezes a gente fica pendurado no cais, esperando a terra dar um sinal, pra confirmar as nossas (in)decisões. Olha, aí vem um outro devaneio dos meus dias recentes, que diz que a única coisa das quais eu não posso me desfazer pra viver são os meus órgãos. De resto, tudo se aguenta/substitui/supera/esquece.

E você provavelmente já tá aí pensando que dá até pra viver sem um rim. Quédizê.







13
Jun
  Sensacional

“Esse mundo de merda está grávido de outro.”







11
Jun
  Ao Deus-dará

Eu pintei o cabelo de vermelho.
Cantei numa banda.
Fui reprovada no colégio.
Voltei a ser loira.
Fui ser fotógrafa.
Saí de casa.
Voltei pra casa.
Fiz um blog.
Abandonei a faculdade.
Saí de casa.
Voltei pra casa.
Vi que tinha feito merda.
Saí de casa.
Fui parar numa capa de revista.
Fui parar na tv.

“Hm, mas o que é que você quer, afinal?”

Por algum motivo, eu não me envergonho de dizer que nunca tive planos. O que é que eu posso fazer? Nunca encontrei algum que me atraísse. A única coisa que eu sei é que quero ser livre e feliz. Sei lá como, vou seguindo. Anda dando certo. Acho que a minha fé no “vai dar certo” tem parte nisso.

Você pode achar que eu sou uma perdida, e talvez eu o seja. Mas já vi planos não darem certo no final, porque, afinal, “atravessar na faixa não impede que sejamos atropelados por um carro desgovernado”.

Eu também já errei, menti, feri, me feri. Muito. Fui egoísta, babaca, inconsequente e todas aquelas coisas que todo mundo um dia é, nessa vida. Você também. Mas, cada vez mais, eu acredito que não é feio voltar atrás e pedir perdão. E perdoar. E ceder ao que acalma coração e alma. Afinal, quem mais, além da gente, perde com a inquietude da nossa própria alma?

Pelo contrário, os que torcem contra (pensam que) ganham. O que não é pior nem melhor, mas ainda é a gente perdendo.

Enfim, o objetivo desse post é, na verdade, saber a resposta de vocês para três perguntas, sobre algo que eu ando tentando entender (pra talvez saber como seguir pela vida com mais certeza e menos dor):

Até que ponto a inadmissibilidade de se apresentar ao mundo como uma pessoa “fraca” (seja lá o que isso signfique de fato), nos leva adiante?

Até que ponto vale a pena quebrar o pescoço pra manter o queixo erguido?

Até que ponto vale enganar a si mesmo para camuflar, sufocar, matar um amor que a gente sabe que ainda está lá?

E uma quarta, de brinde:

Até que ponto a gente deve se amar em primeiro lugar? Isso não conflita com a pergunta anterior?

É, meus amigos. A vida é terrivelmente complicada e maravilhosamente colorida. Ah, e não tem rascunho. Mas que bela merda, não é?







16
Mar
  Teogonia revisitada

Esses dias aí, eu precisei passar umas horas na estrada e matei o tempo lendo sobre mitologia. Enquanto lia, fiz uma interpretação livre da porra toda no tuinter, só de zuá. Mas teve umas gentes aí que até curtiram, feito a Emilia, que compilou e teve a coragem de colocar esta merda no blog dela (uahuahauha), e o Bisoro, que me pediu pra postar a coisa aqui.

Então, segue a compilação da Emília:


por Mirian Bottan, em pequenos gorgeios e comentários.

Afrodite nasceu da espuma sangrenta que o saco de Urano fez no mar, onde foi atirado por seu filho, depois de cortado pelo mesmo (Que origenzinha mais sem glamour, hein, deusa do amor? Por isso que a galere diz só “nascida da espuma”).
Daí o filho (Crono), com medo de tomar no cu, comeu todos os filhos, menos um que a mãe escondeu (e foi criado por uma ninfa meio cabra).
O filho escondido (Zeus) cresceu, se enfiou na casa do Crono, zuou o café do véio e fez ele vomitar os irmãos (E essa é a história de como a família de vocês não deve ser).

Afrodite, que era meio vagaba, teve um filho feio e pintudo.
Ela ficou puta porque a mãe da Esmirna disse que a mina era mais bonita que ela, e fez a coitada dar pro próprio pai, que tarra bêbado.
Aí o cara ficou puto da cara com a mina e a hipponga da Afrodite tentou consertar transformando a mina em árvore.
Da árvore caiu um moleque gatinho, que a Afrods esperou crescer e traçou também.
Mas aí um amante da afrods ficou putinho, virou um porco selvagem e foi sangue nozóio atrás do moleque (Adonis), que se fodeu.

Zeus não era FACIO, virou até black swan pra traçar uma mina (que botou ovo depois, coitada).
Depois a (corna da) mulher dele convenceu uma das amantes (grávida) a segurar periquita e ele mandou raio na mina, oloco bicho.
Mas Hermes, o deliquente, salvou o bebê, costurando-o na COXA de Zeus -Q???

“Hermes era o mais talentoso dos deuses. Quando criança, ja se destacava pela delinquência, sobretudo (…) pela invenção de mentiras complicadas” (Tenho uns amigos assim huauah)

01 informação relevante: Zeus comia GE RAL

(Emilia: Verdade. Veja aqui).

Então tá. Aí o Posêidon (um velho de tridente, tipo o pai da Ariel) mandou um touro pro truta Minos matar.
Mas o Minos era tipo do Peta (brinks, ele só curtia touro, igual à mãe dele) e não quis matar. O Poseids (irmão do Zeus comedor) ficou puto e rolava uma tendência de se vingar do cidadão zoando a mina dele, entao poseids fez a mina do Mino(s) SE APAIXONAR PELO TOURO
Aí a mina encomendou uma vaca de mentira pra se esconder dentro e dar pro touro (é tipo pegar a Roberta Close, né? BRINKS).
Só que a vaca da Pasífae não só foi fodida como fodeu todo mundo porque ficou grávida do mano Minotauro (1/2 touro, 1/2 mano) que matava as gentes.

Aí o DÉDALO (ui), o tonto que fez a vaca, teve que se virar nos 30 e construir um labirinto em volta do Manotauro, para parar a putaria. Só que o Minos (que gostava tanto de touro que agora era quase um, com o lindo par de chifres, óia!), não deixou o cara vazar. Acho justo.
(Não, gente, não tô chapada, só tomei leite hoje. Chapação é com o mano Dioniso, que nasceu da coxa do Zeus comedor).

O Dédalo resolveu ser sagaz uma vez na vida e mandou um asão de cera e pena pra ele e outro pro filho pra fugir na voação. Mas o filho, Ícaro, TINHA que ter um momento jegue feito o pai quando fez a vaca e quis dar um rolê NO SOL. Enfim, a asa derreteu e a besta quadrada caiu no mar.

(continua… Ou não!)







16
Feb
  EXCELente

Essa semana, passei por uma experiência kinda traumática. Fui lá fazer aquilo que as empresas fazem de má-vontade e a gente faz com o cu na mão: entrevista de emprego.

Pra começar, estou eu toda trabalhada no preparo emocional, e aí… os corno me mandam voltar dali dois dias.
Dois dias depois, saio toda feliz, andando de mãos dadas com a esperança de um salário nessa vida de merda. Ando uma eternidade para chegar ao metrô, carrego bilhete único, saio do metrô para pegar o ônibus e… perco a desgraça (do ônibus, nunca a minha). Fico ali meia hora com o coração palpitando, xilique nas pernas, achando que ia perder a porra do horário. Garrei na esperança que tava querendo me largar.

Chega o ômbus. Me arrumo ali, naquela lata de sardinha, sem nem segurar, porque o povo vai tão junto que não tem nem espaço pra cair. Todo mundo tipo joão bobo. Eis que (óbvio), no meio do percurso, um barulho MUITO ALTO no ônibus indica que alguma coisa que fazia parte do ônibus agora não faz mais. Motorista anda mais umas 3 quadras e encosta. E vem o anúncio: “A bolsa caiu.”

Bolsa? Que porra de bolsa é essa? Porra, cobrador, deixou cair a bolsa com a marmita?!

Bolsa de ar. Aparentemente, aquilo que não deixa o ônibus ficar rebaixado quando tem uma cacetada de jão dentro. O que, né, era nosso caso.

Todo mundo pra fora.

Detalhe: eu não sei me virar em São Paulo sem o site da SPTrans e o Google Maps. Não sei chegar em lugar nenhum sem ver percurso, numeração da linha etc. Afinal, São Paulo não é Americana, onde QUALQUER ônibus que você pega, até os interurbanos, passa pelo terminal, de onde, obviamente, sai também qualquer outro ônibus.

Aí ficou lá a caipira, enfiando a cabeça pra dentro de qualquer ônibus e perguntando se passava na rua tal, até que descobriu um que “passava ali perto”.

Finalmente, meu destino. Entro, pego um lugarzinho. Espero ser chamada.

Pensem comigo: o que pode ser uma entrevista para “assistente de professora de artes”? Na minha cabeça, nada mais que algumas perguntas bobas tipo “O que você acha de arte-educação?”, “Qual foi a última exposição de artes que você visitou?” e tal. Já tinha passado por isso, tava baba. Nas tranqulidade, sento, espero uns 5 minutos enquanto a atendente, com um fone de ouvido, fala com alguém de outro setor e ri. Então ela começa o conversê:

“Bom, Maira… Você vai fazer uma redação e uma prova e…”

O QUÊ?! REDAÇÃO? PROVA? QUE PORRA É ESSA? EU TÔ PRESTANDO VESTIBULAR OU TENTANDO UM EMPREGO?!

Mas escolha é que eu não tinha, fiz a redação e fui pra prova. Ah, a prova.

Imaginem uma matéria que você aprendeu, sei lá, na quarta ou quinta série, e que nunca mais, e com certeza absoluta, NUNCA MAIS usou. Era o caso. A “matéria”? Não riam dessa pobre burrica: Excel.

Agora, PRA QUÊ DIABOS uma ASSISTENTE DE SALA da PROFESSORA DE ARTES precisa mandar muito no EXCEL?!

Claro que eu não sabia fazer NADA. Num ato de desespero… abri a ajuda. E li. Li até me convencer de que não sabia que porra era “matriz” e “k” na fórmula de percentual. Como sou brasileira, ainda fiquei sentada lá uma hora até entender que.. é, eu não sabia nada.

Finalmente, a entrevista de verdade verdadeira. Uma mulher muito mal-comida que nem olhava pra minha cara, muito menos anotava o que eu dizia. Sabe quando você tem uma frasezinha básica que geralmente ganha os entrevistadores? Então… A minha é “Essa experiência seriam bem interessante porque pretendo lecionar e…” e nessa hora, sempre fazem uma cara SUPER FELIZ e é win. Sempre. (Pra constar: eu pretendo mesmo lecionar. Não é mentira pra entrevistador!)

De qualquer forma, minha frase-chave não funcionou. A mulher nem levantou uma sobrancelha. Nada. Nesse momento eu tive a certeza absoluta de que tinha me fodido. E, como dizem por aí, tá no inferno, abraça o capeta. Então, eu fiz o que me restava: desandei a mentir. Disse que já tinha experiência em escolas, em vários cursos. Menti tanto que esqueci de contar que tive experiência (de verdade) com crianças em ateliê, no meu antigo emprego. É nóis.

Legal é que uns dias antes da entrevista, um amigo me disse que tinha se fodido numa entrevista por não saber Excel. Aí fui contar minha experiência a ele, e, como o mundo é mesmo uma ervilha, a vaga que eu não tive a capacidade excelística de conseguir era a mesma dele.

Mas é isso aí, amigos são pra essas coisas… rir, chorar, se foder no Excel.

Agora quero ficar um tempinho sem fazer uma entrevista. Vou primeiro aprender mecânica, elétrica, marcenaria e culinária. Porque, seguindo a (falta de) lógica, vai que eu precise, pra ser estagiária num museu. Né?