Porque 30 segundos é pros fracos

Cada vez que sai um vídeo novo da Dove eu tenho que falar um putaqueopariu. Eles sempre mandam bem, seja fazendo pensar, seja deixando todo mundo num coro “oooohhnn, que bunitchénho”, como naquele video do menininho. Pô, eu quase chorei.

Isso sem falar do vídeo-celebridade, o Evolution, ou aquele da musiquinha “True Colors”, que inclusive inspirou um post aqui, há um tempo atrás.

Enfim, fui convidada pela Dove a divulgar mais um vídeo foda, dessa vez usando teatro negro japonês. Uma puta trabalheira, só pra apresentar um desodorante, o Invisible Dry (que não mancha roupas escuras) mas a idéia é muito boa. Assista até o final pra entender, zeromeia.

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Clique para assistir.

Oompa Loompa Style

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Eu tenho uma teoria: tudo, absolutamente TUDO que acontece comigo tem um propósito positivo. Comecei a pensar assim depois que uma sucessão de merdas resultou em uma porrada de coisa boa nos últimos meses. A última delas foi me perder, descendo pro lado errado da Av. Paulista, e encontrar um apartamento foda, por um valor mais foda ainda.

Por conta disso não fico mais com raiva quando perco o ônibus, esqueço alguma coisa, ou quando qualquer coisa parece ter dado errado. Vivo mais feliz assim.

E só assim eu consigo explicar o fato de o meu pai ser o mais baixo dos sete irmãos dele e ter casado com a minha mãe, que era a mais baixa da ninhada alemã.

Porque tem que ter uma razão divina pra essa minha estatura de banquinho de cozinha.

E se não estava irônico o suficiente, infomação adicional: minha ÚNICA irmã, MAIS NOVA, é mais alta que todo mundo em casa. O alvo dessa maldade era eu. Única e exclusivamente. E como se não bastasse, aos 21, tenho fuça de 15.

Mas eis que, analisando minha tosca situação sob essa nova ótica, descobri que sim, mais uma vez , eu me fodo pra me dar bem.

Putaqueopariu, ficou MUITO estranho isso. Enfim, aí vai:

- Eu passei por baixo da roleta no ônibus por muito mais tempo do que você e o todos os seus irmãos juntos.

- Quando eu quero, eu faço as coisas sozinha, tipo hoje, quando enfiei o rack que eu havia comprado num carrinho de supermercado e levei (ladeira abaixo) até a minha casa, só pra não pagar entrega. Mas quando eu não tô afim, eu faço cara de chorinho e as pessoas me ajudam.

- Eu NUNCA bato a cabeça nos lugares, porque não chego lá. E fico em pé dentro de um carro. Não que isso seja muito útil, anyway.

- Eu nunca fico pra trás com caronas. "A Mirian cabe, ocupa pouco espaço".

- Se eu torcer o pé, sou fácil de carregar. Se eu estiver com preguiça de andar também, aí combino com a cara de chorinho e não fico com remorso, pois sei que não incomodo muito.

- Eu posso comprar roupas de criança. MUITO mais barato que roupa de gente. E se eu for comprar tecido pra mandar fazer alguma peça, também gasto menos.

- As pessoas me dão lugar no ônibus quando percebem que estou prestes a morrer esmagada.

- Eu consigo dormir deitada numa poltrona. Mas dá um pouco de trabalho.

- Posso usar o salto que eu quiser. Meninas mais altas tem limite de salto. Quando quero ficar malvada, posso mandar uma botona dominatrix com um salto que poderia entrar pela sua barriga e sair nas costas. Fuck, yeah!

- Eu consigo dar voltas nadando numa piscina de lona. Tá, essa é completamente useless, mas eu queria mais ítens.

E se tudo isso não for suficiente, saiba que eu era MUITO mais ágil que a maioria das pessoas no Kung Fu, por conta do tamanho. Chega aí que a gente bate um papo. Rápido e indolor.

Valeu, Mariazinha!

Pausa para os comerciais.

Porque eu precisava agradecer à querida Mariazinha por proporcionar uma fonte de diversão e argumento para zoação ETERNA para com alguns amigos blogueiros.

Sem mais. O vídeo é bem auto-explicativo. :D

Sobre pés: os vermelhos e os ausentes

Por Maira Bottan

Não sei se é praxe cidade pequena ser no meio do mato. Ou ter muito mato.  Mas deve ser, afinal, ela não cresceu o bastante pra deixar apenas um pedacinho de mata no meio de um grande pedaço de terra asfaltada.

Amigos, digo que é bem pior quando você mora no fim de uma cidade pequena. Ali, na divisa do canavial.

Não sejamos ingratos, o bairro tem uma beleza. Verde. Pra todo lado.
Se você olhar ao leste, vê o sol nascer no meio do nada. Se olhar a Oeste vê um bairro que não tem…nada. Se olhar ao sul, vê a área rural. Que nem deve mais ser do meu município. E por último, se olhar ao norte, verá uma avenida que só tem comércio de um lado. Do outro é mato.

Não entendam como reclamação. O bairro tá bom agora. Sim, quem morava por aqui era chamado de pé vermeio. Quando chovia a gente amarrava sacola de supermercado no pé pra não sujar de barro. Foda.

De qualquer forma, barro não falta. E o que vem junto do barro? João-de-barro!

                                periquito curioso 
                                                    Epa! Esse não é o Jão!

Apesar de gostar de passarinhos, não conheço tudo sobre todos. Mas posso dizer sobre ele o que sei.

Ele constrói casinhas de barro. Oh!

Quase sempre em cima dos postes. É uma verdadeira obra. Considero esse passarinho o mais pedreiro dos passarinhos.
Tem todo um esquema a casinha. Montar o alicerce, parede e coisa e tal. E sabe como fazem isso? Óbvio. Preparam o barro e levam com o bico. E sabe como preparam o barro? Pezinhos. E como colocam na casinha? Pezinhos. E bico.

Eis que há algumas semanas, saio eu pra ir pegar ônibus. Não tenho motorista. Meus pais fazem muito de me dar o passe do busão.
Dado uns cinco passos na calçada, vi um João-de-barro em cima do muro. Pensei: "Nossa, que legal! Faz tempo que não vejo um!!"

Fui chegando mais perto e vi que ele estava escondendo um pezinho!

– Igualzinho a um flamingo! - parei, num momento de reflexão - engraçado, nunca vi passarinho escondendo o pé.

Confesso agora que eu tenho um sério problema. Se eu vejo um botão, nao sossego até apertar. Logo, se eu vejo um passarinho com o pé escondido, não sossego até ver o pezinho.

Andei até o Jão, e ele continuou lá. Parado.

– Passarinho folgado! Era pra voar! Só pomba não voa quando a gente chega perto.

Pomba não voa quando você chega de mansinho. E como você faz pra ela voar? EXATO! Dei um pulo em direção do coitado. Coitado mesmo.  O passarinho não voou, tudo que ele fez foi rodopiar. Num pé só.

Pensamento: MAIRAIDIOTADEUMAFIGAAA! Coitado do passarinho, não tinha um pé! Saí andando rápido pro coitado se acalmar e parar de rodar..

Depois me veio o pensamento profundo: certa vez ouvi dizer que o João-de-barro constrói a casinha e a fêmea passa e vê se gosta. Se gostar fica com ele.
Como uma Maria-de-barro vai gostar de uma casinha feita por um passarinho que se tentar preparar o barro, cai? Pobre Joãozinho.

Será que já inventaram mini pernas mecânicas?

Vivendo só, consigo mesmo

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Aviso: Recomendo aos senhores meus pais que não prossigam com a leitura deste texto. Confiem em mim, ou estarão por sua conta e risco.

Janeiro de 2006. Eu, 19 aninhos e bochechas rosadas, me encontrava numa recém solteirisse enlouquecida e enxergava um alvo festa em cada segundo do meu dia. Só queria saber de sair, dançar, beber e rever os amigos.

SÓ QUE, apesar de trabalhar e pagar com a minha própria alma a bagaça toda, meu pai insistia em me botar uns limites surreais:

– Volta às 2.
– Mas, pai, a festa começa 11!

Depois de uma sessão descarrego eu conseguia permissão para voltar às 2 e meia. ÓBVIO que isso nunca aconteceu. Parece que quanto mais torta eu voltava da balada, menos barulho eu fazia. Coisa de mestre.

Mas chegou uma hora que aquilo começou a me incomodar, eu não queria e nem precisava ficar passando por aquele perrengue. E um belo dia, no meio do marasmo de uma viagem de férias, eu peguei o telefone, e chamei um táxi para a rodoviária.

Desci com as malas, já dando tchau:

– Tchau mãe! Tchau pai!
– Como assim!? Cancela, esse táxi, cancela!

Cancelar o escambau, já estava pagando. Algumas latas de cerveja na mochila, e fugi da viagem. Voltei pra casa, peguei as minhas roupas e fui direto pro meu novo lar, o apartamento de uma amiga. Assim, do nada.

Po-rém, coleguinhas, eu aviso: para sair de casa, há de se ter um belo propósito, e muita responsabilidade. Caso contrário, você vai viver a época mais louca da sua vida. E não vai ser no bom sentido, bem.

Como eu, no meio daquele êxtase todo e endoidecida como estava, não tinha nem um, nem o outro, já podemos imaginar: fodeu homericamente.

Hoje, novamente morando sozinha, e em outra cidade, tive que repassar todo o insucesso da última tentativa, pra evitar entrar em depressão, ficar desnutrida e infeliz, sem ninguém pra chamar de meu bem muita merda.

Então vamos conversar.

1. Se você mora sozinho, MORE SOZINHO, e NA SUA CASA - Isso mesmo. Morar sozinho te dá uma liberdade que parece sem fim. E você fica a um pulo de dormir cada dia na casa de um amigo/affair ou de trazer tooodo mundo pra morar contigo. Ameba, só vai se ferrar. No segundo caso, vão quebrar seus copos, comer sua comida e não vão te ajudar lavar a louça, não se iluda. Até porque, a tendência é você trazer as pessoas pra sua casa quando quem tá no comando é o teu “alter-ébrio”. Nesse caso ainda podem vomitar no teu tapete, se você tiver um. E por favor, tenha. O que nos leva ao próximo ponto.

2. Tenha uma casa decente - Eu ainda estou morando num república, mas me mudo em poucos dias e já tenho a lista de tudo que preciso ter no meu novo apartamento. E isso inclui tapetes, cortinas, abridor de garrafa, espremedor de alho, baldes, potes e várias outras coisas que você vai achar toscas e dispensáveis, simplesmente por nunca ter se preocupado com elas, que eram responsabilidade de seus pais.

Quando você sair do banho e escorregar no chão molhado, eu espero que você não tenha um traumatismo craniano. E também espero que você não engula nenhum pedaço de vidro depois de quebrar a boca da garrafa de cerveja tentando abrir numa quina qualquer.

3. Nem só de Texas Burger vive o homem - Tome vergonha na fuça e aprenda a cozinhar. Senão vai ficar gordo e desnutrido (sim, é possível). E frutas e legumes são muito mais baratos que uma caixa de nuggets.

4. Limpe a casa - Fazer amizade com as baratas NÃO É NORMAL. Aquilo era só um filme, e elas não sabem dançar.

5. A sua cama não serve só pra fazer sexo - Durma nela, às vezes. De preferência algumas horas por noite.

6. Last but not least - Controle o seu dinheiro. Ligar pro seu pai pra pedir vai ser MUITO feio.

Pai, caso você tenha lido até o final, eu juro que te pago no próximo mês.

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