Maira @ USA Parte II

Segue mais um email enviado pela dona paçoca menor, sobre suas aventuras lá nas gringa:

? Em nova york, ficamos em dois hotéis: no primeiro, posso dizer que a foto era exatamente igual a realidade… Mas ocultaram que a realidade era para anões (ou Mirians). O quarto tinha UMA cama e o box do chuveiro era de vidro, de frente pra cama. Quarto de motel define. Na porta, estava escrito “como se divertir: entre no quarto, feche a porta, entre debaixo do lençol e divirta-se!”… Quédizê, tenho cara de lésbica agora.

Fizemos um código de honra lá, enquanto usava o banheiro, a porta com vidro fumê cobria o vaso sanitário, pq eu não sou obrigada a ver ninguém cagando.
Nesse hotel, tinhamos uma belíssima vista diretamente pro terraço do terceiro andar.

? Saí para comprar leite. Comprei uma garrafinha de 200 ml e um achocolatado e fiquei feliz. Daí cheguei no hotel, fui tomar meu leite e, adivinha? A porra do achocolatado não era uma lata normal. Era uma merda de uma lata que precisava de abridor para abrir!

Enfiei a lata de volta na sacola e fui lá trocar, pensando no meu discurso no caminho. Aí comecei a pensar: “e se esse cara não quiser trocar a lata? Mano, esse cara não vai trocar a lata. Esse VIADO vai me deixar com uma merda de lata fechada e eu não vou tomar meu leite”. Aí comecei a chorar. Liguei pra minha mãe e falei que eu era uma burra e que não podia nem tomar leite. Ela mais ou menos me mandou me recompor e trocar a merda da lata.

? Daí tivemos que trocar de hotel, e nosso novo hotel fedia cigarro e tinha um delicioso bolor no frigobar.
Dessa vez ficamos no 11o andar \o/ com uma linda vista pro muro do hotel do lado. Daí eu desisti de ter uma vista bonita e fui mais feliz.

?Tivemos que comprar botas de pelo por dentro, porque tava mtoo frio e eu estava prestes a perder a ponta do meu dedão. Sério, tava preta.

?Na rua, na frente do Guggenheim, um casal chegou perto da gente e disse “hmm.. Can you please take a picture?” e a Carol lá “Sure, sure!” e aí o cara disse “Try to… Éé…to show de Guggenheim”.

Mano, esse “éé” não me engana. Americano não fala “é”. Latino (na nossa concepção de latino, que exclui a gente do grupo dos latinos ainda que a gente seja latino) não fala “é”.

E eu “Where are you from…?” e eis que o cara me solta um “Brrrazil!”. Óbvio. Aí falei “Então pode falar português!” aí rolou aquele momento “eeeeee conterrâneos!” que durou 5 segundos porque nosso ônibus chegou.

? No Starbucks, um casal olhava pra mim e pra Carol e tentava adivinhar de onde a gente era. Chutaram Rússia, França, Holanda e ficaram com França. Eu tava quase levantando e falando “ok, one chance! Listen to me: veeeeeem pra ser feeeliz!” enquanto dançava com os peitos de fora.

? Na noite da véspera do Natal, tudo fechou. Tudo. Daí quando vimos que estava tudo fechando saímos correndo que nem loucas pra comprar coisas de necessidade básica: água, leite, absorvente e um alicate de unha, porque nóis é pobre mas limpinha.

? 26/12: fomos embora de nova york. Ou tentamos. Acordamos cedinho pra comprar maquiagem da promoçao de Natal na Sephora e fomos trocar o alicate pq ele fechava e não abria mais. Demoramos muito nisso. Aí pegamos um metrô que ficava parando de túnel em túnel e acamamos perdendo o outro trem, aí chegou um outro trem, aí lembrei que não tinha feito o check in do vôo, aí entrei em desespero, aí… chegamos com meia hora de antecedência no aeoporto! Yay!

Mas demoramos pra achar o check in. E chegamos atrasadas 4 míseros minutos… E perdemos o vôo.

Eu surtei, pq alguma companhia tinha me feito assinar um algo que dizia que eupagaria uma multa mto alta pra trocar de vôo. Comecei a chorar, a tremer, dor de barriga, a atendente toda calma, a Carol me mandando ficar calma (ela não sabia disso da multa) mas acabou que nao era essa companhia, a mulher ficou com dó da gente e trocou nosso vôo… Pra dali 6 horas. Passamos o dia no aeroporto, mas pegamos o vôo.

Chegando no aeroporto de Charlotte, onde tinhamos conexão, adivinha? Vôo atrasado 1 hora. Chegamos tarde por bosta em Myrtle Beach. A tia Leila ficou feliz, pq não atrapalhamos a novela dela.

? Em Myrtle Beach foi tudo bem tranquilo, pq estando na casa de comnhecidos não tinha como dar errado. Todo mundo levava a gente pra lá e pra cá, não tinha check in pra fazer nem nada. \o/
Aí resolvemos sair. A tia nos deixou no shopping e disse “quando quiserem, liguem e eu venho buscar!”. Falei pra ela: “anota o telefone da carol!” e ela disse “não, VCS vão precisar de mim. Não eu de vocês.”

Resultado? A bateria do meu celular acabou, não sabíamos como ligar pra tia Leila, fui pedir ajuda pra um cara disse que minha bateria tinha “died” e que eu precisava de um carregador e ele me fez uma cara de “ah, sim, sim!” me chamou, disse para eu estender a mão e ao invés de me dar um carregador, jogou uma porra de um sal na minha mão. Na minha e na da Carol. Começou a jogar água na nossa mão, falar pra esfregar, já tava achando que era pra eu rezar por um carregador e daí o cara tentou me vender o pote de sal por 80 DOLARES. Chorei, né? Ele disse que o sal era bom pras mãos, que hidratava, que cuidava. Saí puta da vida com as mãos cheias de óleo, sem carregador e xingando o cara e foi aí que aprendi que se eu sorrir enquanto falo “enfia um pepino no seu cu, seu merda” vão me responder “oh, that’s beautiful, thank you!”

Daí sei la como a tia conseguiu o telefone da carol e nos ligou. Ficamos 8 horas no shopping.

? No ano novo não fizemos nada de mais… Ficamos em casa, nos depilamos… A tia resolveu depilar o suvaco da carol com cera quente e ela ficou cheia de hematomas.

? Fui numa festa com a Paula, filha da tia, bebi um licor de mel maldito lá e ensinei todo mundo a jogar bilhar brasileiro. O mais legal: eu não sei jogar bilhar. Só lembro que eu falava “that’s the braziiiilian way!”. Existe bilhar brasileiro? Foda-se. Sei que sou tão ruim que perdi no jogo que eu mesma inventei.

Enfim, hoje é dia 13/01, chegamos em Orlando depois de uma viagem de 8 horas num trem lotado.

? Chegando em Orlando vi que o google maps me mandava caminhar por 17 minutos com as malas. Me recusei e fui perguntar sobre o, saca só, SHUFFLE. Hahahahahahha. O cara me olhava com cara de “whaaaat?!” enquanto eu pedia mais informações sobre o SHUFFLE pro hotel. Hhauhauauhauhauaha.

Aí ele disse “Come with me, young lady…” e me levou até uma imensa placa que dizia: “SHUTTLE”. Hahahahaha

Shuffle, sabe? Aquele tipo de carro em que vc entra, aí e ele embaralha todo mundo e vc desce num lugar aleatório.

? Mas ok, chegamos no hotel, a atendente estava falando ao telefone… E continuou no telefone… E eu fui perdendo a paciência… Até a Carol me falar: “o que vc está esperando?” e eu responder: “tô esperando essa vaca desligar essa porra desse telefone e me atender!”
Uns 2 minutos depois, a mulher me atende e diz “where are you from?” a Carol diz “Brazil!” e a mulher me fala “Oh, enton falan brasileiro?” hahahahahahahahaha! A mulher entendia português.

? Comprei os ingressos da Disney. Paguei com um rim praquele rato capitalista. Mais um pouco e eu ganhava uma faca da tramontina porque olha, ô passeio caro da porra! Tinha desconto pra recém-casados. Cogitamos falar que éramos casadas, já que temos o mesmo sobrenome.

Mas foi isso. Fui jantar agora e um cara passou, buzinou e me chamou de bitch. Não foi uma boa recepção.

Beijos, amo vcs e tô com saudade. 🙂

Maira @ USA – parte I

Olá, substantivolaters! Como vocês não devem saber, a paçoca menor me abandonou neste fim de ano e foi com uma prima nossa passar o natal/ano novo/aniversário dela lá pelas terras do Tio Sam. Elas vão ficar lá até Fevereiro e a Maira ficou de me mandar notícias por email. Chegou o primeiro e, depois de quase mijar nas calças de tanto rir, eu resolvi compartilhar com vocês. Eu pedi permissão só por educação porque ela ainda não autorizou mas eu tô cagando e vou publicar mesmo assim. Segue:

(ps: não vou corrigir os erros pq ela já devia ter aprendido a digitar no celular)

Pra começar:

15/12: saimos do brasil. O voo demotooou a chegar! Mas antes demorasse mais: ficamos 12 hs no aeroporto de bogota sem internet, telefone e o q fazer. Bateu o sono, dormimos no chao. Tres vezes. O voo atrasou, so pra ajudar. Comi um cheetos bola q nao tinha formato de bola e tinha gosto de isopor Fofura.
Fui passar desodorante e nao sei se foi a pressao do aviao, sei que a esfera do meu desodorante roll on ficou no meu suvaco e o liquido caiu todo em mim.

16/12: chegamos no aeroporto jfk, onde percebi q nao tinhamos impresso o e-ticket do trem pra washington. Dai fizemos isso, pegamos metro ate a estaçao penn station, onde imorimimos nosso bilhete de trem e embarcamos. Chegamos em washington 11:30 e no nosso hotel (sheraton crystal city) ao meio dia. Fizemos check in com uma moça simpatica chamada Ebony.
Tomamos banho e saimos. Almoçamos comida italiana (ruim) num lugar que vc paga a bandeja pequena ou grande e pega o que quiser. A comida era mesmo horrivel. Apimentada, sem gosto, terribel! Dai compramos uma salada pra comer a noite. Pq ne? Ai taa mto frio e eu fui comprar leitinho quentinho no starbucks… Como sou burra, comprei um frapuccino. Nao sabia se era gelado, fiquei com vergonha de perguntar e tomei assin mesmo. Quédizé, gelou ate o cu.
Capotamos cedo e nao comemos a salada. Comprei um desodorante achando q era roll on, mas é “sólido”. É tipo um sabonete na ponta. Mas evita o sovaco preto!!!

17/12: acordamos cedo, fomos tomar cafe da manha… Comi um croissant recheado com ovo e tomate e bwcon e tinha um cafe com leite desnatado e integral (pq eu nao sabia o q era o q, entao coloquei um pouco dos 4 cafes e 3 leites diferentes. Ai comecei a cagar no pau no meu dia. Saindo de la, fomos pra downtown. Parei uma mulher ba rua e disse “hi, would you help me, please? Where is the White House?” caipira assim. Hahahahaha!
Tiramos um milhao de fotos de esquilos, do monumento de washington (que a carol fica chamando de obelisco mas acho q ta errado. Ela achava q ele era o pentagono. Isso pq nem cinco pontas ele tem.), tirei foto usabdo o obeluscopentagonowahington como espada. Passei frio. Conheci um museu maneiro latino americano e a arvore corcunda do obama (procurem ai)
Comprei uma luva quando a ponta do meu dedo ficou preta. Fiquei com medo de cair, e, como diz o Chandler, a ponta é a melhor parte, pq é onde fica a unha.
Tomei um cafe do starbucks, dessa vrz, quente.
Voltando pra cristal city, descobrimos que de uma maneira bizarra exise uma cidade no subsolo! Sim! Eh possivel cruzar A CIDADE INTEiRA pelo subsolo! Tem galerias, Restaurantes, tudo! Logo, descobrimos q tomamos um veno da porra no outro dia sem necessidade. And also desvobrimos pq nao existia pessoas na rua.
Dai fomos comer no mc donalds. A atendente me tratou mal, um soldado da guerra do vietnam bebado ficou falando com a gente e a gente nao entendia nada. A coca cola tinha gosto de torneira velha.
A noote, comemos a salada do outro dia. Cortei fora o bolor do cream cheese.
Obviamente, me deu piriri. Depois dessas comidas, nao podia ser diferente. Passei mto mal.

18/12: acordei querendo ser saudavel, pedi um troço achando q era sucrilhos, mas era um mingau fmde aveia que mais oarecia um cancer.
Saimos do nosso hotel maravilhoso e rico e viemos parar num hotel pobre. Mas esse eh bem mais legal! Tipo, no outro hotel tinha 4 travesseiros ENORMES e um edredon gordaoo… Nesse eu posso usar as pulgas do carpete como travesseiro! Mto mais legal 🙂
Comemos no burger king.
Fui ver a arvore corcunda a noite.
Comprei ingresso pro quebra nozes np teatro warner 🙂 e um shampoo, pq com esse frio, meu cabelo virou pixaim.

Acho q eh isso, por enquanto!

Quarter life crisis

Quando eu tinha 15 anos, era aquele devaneio: aos 25, eu, uma pessoa equilibrada, organizada, com um diploma, um plano definido pra vida, uma relação estável e uma vida tranqüila. Correu tudo certo, só que não. De tudo isso, a única certeza é que eu sou uma pessoa. 

Aí, como se eu não tivesse uma vida inteira pra construir, nos últimos tempos eu andei dedicando o meu tempo a questionar essa única certeza. Porque né, pra que me contentar com o fato de me reconhecer como indivíduo se eu posso enlouquecer me perguntando pra quê eu sou um?

A maior prova do desequilíbrio emocional/psicológico que permeia os 25 anos é isso de se orgulhar do fato de completar um quarto de século vivido. Porque, né, quem, em pleno domínio de suas faculdades mentais, acha interessante o fato de estar ficando mais velho, SETE ANOS DEPOIS DOS 18? Apenasmente não há mais vantagem nessa brincadeira, posto que munida do meu rg eu já posso fazer absolutamente tudo que a maioridade permite, inclusive ser presa.

Eu só sei que eu fico aí fazendo contas. Nem acabei de comprar meu jogo de panelas e tenho cinco míseros anos, que vão voar como os últimos (ou mais), pra ter trinta e provar pro mundo que é nóis, fi. Daí eu também lembro que o tempo dos quinze, com banda e cabelos vermelhos, que parece ontem, já não é ontem há dez anos, que é o dobro do que falta pra eu fazer aqueles trinta. Que fezes.

E sei lá, eu me pego olhando o nada e pensando em mudar de cidade, mudar o guarda-roupa, querer velhos amores, querer novos, querer continuar querendo aquele que apareceu do nada, comprar prateleiras, adotar um cachorro, comer mais frutas, voltar a estudar, cair no mundo, ouvir mais o caetano, ouvir menos o caetano, sair mais, sair menos e ver mais filmes, ficar nesse caminho e tentar aquele outro.

Ando achando que tenho problema no coração, na tireóide, na circulação, nos rins, na cabeça, rugas, e na verdade eu tenho mais de 20 anos e mais de mil perguntas sem respostas, só que eu nem posso cantar essa loucura, porque eu também tenho calos nas cordas vocais.

Eu quero a minha mãe.

A Carolina

Um dia, a Carolina entrou na minha vida como tanta gente já entrou. Mas trouxe com ela o que não vem sempre: um riso sem freio. Daqueles que entregam a bebedeira, como ela mesma define. Ela ria e ria, dela e da vida. E foi assim que eu gostei um pouco mais daquela Carol linda.

Um dia, naquele rolê SUPER descolado e pra frentex (pós-qualquer-outro-rolê) de ir pro puteiro da Augusta, enquanto eu pensava que aquilo não tinha mais a mínima graça, ela sentou ao meu lado e falou sobre investimento em pesquisas acadêmicas. E eu achei a Carol mais que linda.

Ela tinha tanto de mim e eu tanto dela que não deu pra ignorar. Além disso, ela fazia um irmão (de alma) feliz, de um jeito que eu não podia fazer, pois com incesto não trabalhamos.

Um dia, a Carolina entrou na minha casa, como pouquíssima gente entrou. E, a partir daí, vendo nos caminhos dela um projeto de muitos dos que eu já havia trilhado, comecei a despejar nela (como eu faço aqui com vcs) as minhas balelas e teorias, que ela ouvia e absorvia quase como se eu soubesse de alguma merda dessa vida.

E enquanto a gente montava racks, colocava quadros na parede e consertava o armário do banheiro, eu ia vendo a vida da Carolina se moldando de acordo com alguns dos meus conselhos e, de uma forma estranha, me orgulhava disso. Até o dia em que a vida me deixou em pânico às seis da manhã de um sábado. Nesse dia, a Carolina virou mais, muito mais. Ela cuidou de mim e eu prometi cuidar dela.

Um dia, a Carolina não olhou a rua ao atravessar. E a partir do momento em que eu a vi caída no chão, ao lado daquele monstro de ferro, eu repeti a minha promessa como um mantra.

Naquele primeiro dia, eu só queria não perder a risada da Carolina. As noites discorrendo sobre a miséria da raça humana e falando mal de quem merecia. Eu queria que ela visse a persiana colocada na janela. Eu queria que ela derrubasse a energia do apartamento, pra gente tirar foto no escuro.

Ela não sabe, mas, no segundo dia, eu descobri que eu nunca teria sido atropelada por um ônibus, porque enquanto ela estava pra rua, seguindo um caminho que eu defendia, eu estava em casa, pensando em qual deles seguir, mas sem escolher nenhum. E então, eu resolvi seguir dois: o meu e o dela.

Ela não sabe, mas eu não perco mais a hora. Porque quando o despertador toca, eu me levanto com as minhas pernas e as dela.

Ela não sabe, mas eu lavo o meu cabelo e o dela todo dia no banho, porque no hospital ela não pode.

Eu estico todos os meus músculos e os delas, todo dia, porque ela me pediu pra lembrar que isso não é pouco.

E por falar em pouco, eu vou vivendo muito, por duas vidas: a minha e a dela. Cuidando com o dobro de amor da minha toquinha que agora é nossa, dos meus planos de dominação mundial que agora são nossos, do meu gordinho que agora é nosso.

E, principalmente, do meu coração, que há muito também é dela.

Pra quando ela levantar, não sentir que nenhum mínimo detalhe da vida se perdeu ou ficou pra trás, e precisar se preocupar com uma, e apenas uma coisa: andar na faixa.

Entenda aqui.

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Aprenda aqui.

Teogonia revisitada

Esses dias aí, eu precisei passar umas horas na estrada e matei o tempo lendo sobre mitologia. Enquanto lia, fiz uma interpretação livre da porra toda no tuinter, só de zuá. Mas teve umas gentes aí que até curtiram, feito a Emilia, que compilou e teve a coragem de colocar esta merda no blog dela (uahuahauha), e o Bisoro, que me pediu pra postar a coisa aqui.

Então, segue a compilação da Emília:


por Mirian Bottan, em pequenos gorgeios e comentários.

Afrodite nasceu da espuma sangrenta que o saco de Urano fez no mar, onde foi atirado por seu filho, depois de cortado pelo mesmo (Que origenzinha mais sem glamour, hein, deusa do amor? Por isso que a galera diz só “nascida da espuma”).
Daí o filho (Crono), com medo de tomar no cu igual, comeu todos os filhos, menos um que a mãe escondeu (e foi criado por uma ninfa meio cabra).
O filho escondido (Zeus) cresceu, se enfiou na casa do Crono, zuou o café do véio e fez ele vomitar os irmãos (E essa é a história de como a família de vocês não deve ser).

Afrodite, que era meio vagaba, teve um filho feio e pintudo.
Ela ficou puta porque a mãe de uma tal de Esmirna disse que a mina era mais bonita que ela e fez a coitada dar pro próprio pai, que tarra bêbado.
Aí o cara ficou puto da cara com a mina e a hipponga da Afrodite tentou consertar transformando a mina em árvore.
Da árvore caiu um moleque gatinho, que a Afrods esperou crescer e traçou também.
Mas aí um amante da afrods ficou putinho, se transformou um porco selvagem (porque nesse rolê deu merda nego se transforma) e foi sangue nozóio atrás do moleque (Adonis), que rodou.

Zeus não era FACIO, virou até black swan pra traçar uma mina (que botou ovo depois, coitada).
Depois a (corna da) mulher dele convenceu uma das amantes (grávida) a segurar periquita e ele mandou raio na mina, oloco bicho.
Mas Hermes, o deliquente, salvou o bebê, costurando-o na COXA de Zeus -Q???

“Hermes era o mais talentoso dos deuses. Quando criança, ja se destacava pela delinquência, sobretudo (…) pela invenção de mentiras complicadas” (tenho uns amigos assim huauah)

01 informação relevante: Zeus comia GERAL

(Emilia: Verdade. Veja aqui).

Então tá. Aí o Posêidon (um velho de tridente, tipo o pai da Ariel) mandou um touro pro truta Minos matar.
Mas o Minos era tipo do Peta (brinks, ele só curtia touro, igual à mãe dele) e não quis matar. O Poseids (irmão do Zeus comedor) ficou puto e rolava uma tendência de se vingar do cidadão zoando a mina dele, entao poseids fez a mina do Mino(s) SE APAIXONAR PELO TOURO
Aí a mina encomendou uma vaca de mentira pra se esconder dentro e dar pro touro (é tipo pegar a Roberta Close, né? BRINKS).
Só que a vaqueta da Pasífae (mina do mino, encomendadora da vaca) não só foi fodida como fodeu todo mundo porque ficou grávida e pariu o mano Minotauro (1/2 touro, 1/2 mano) que matava as pessoa tudo.

Aí o DÉDALO (ui), o tonto que fez a vaca, teve que se virar nos 30 e construir um labirinto em volta do Manotauro, para parar a putaria. Só que o Minos (que gostava tanto de touro que agora era quase um, com o lindo par de chifres), não deixou o cara vazar. Acho justo.
(Não, gente, não tô chapada, só tomei leite hoje. Chapação é com o mano Dioniso, que nasceu da coxa do Zeus comedor).

O Dédalo resolveu ser sagaz uma vez na vida e mandou um asão de cera e pena pra ele e outro pro filho pra fugir na voação. Mas o filho, Ícaro, TINHA que ter um momento jegue feito o pai e quis dar um rolê NO SOL. Enfim, a asa derreteu e a besta quadrada caiu no mar.

(continua… Ou não!)

EXCELente

Essa semana, passei por uma experiência kinda traumática. Fui lá fazer aquilo que as empresas fazem de má-vontade e a gente faz com o cu na mão: entrevista de emprego.

Pra começar, estou eu toda trabalhada no preparo emocional, e aí… os corno me mandam voltar dali dois dias.
Dois dias depois, saio toda feliz, andando de mãos dadas com a esperança de um salário nessa vida de merda. Ando uma eternidade para chegar ao metrô, carrego bilhete único, saio do metrô para pegar o ônibus e… perco a desgraça (do ônibus, nunca a minha). Fico ali meia hora com o coração palpitando, xilique nas pernas, achando que ia perder a porra do horário. Garrei na esperança que tava querendo me largar.

Chega o ômbus. Me arrumo ali, naquela lata de sardinha, sem nem segurar, porque o povo vai tão junto que não tem nem espaço pra cair. Todo mundo tipo joão bobo. Eis que (óbvio), no meio do percurso, um barulho MUITO ALTO no ônibus indica que alguma coisa que fazia parte do ônibus agora não faz mais. Motorista anda mais umas 3 quadras e encosta. E vem o anúncio: “A bolsa caiu.”

Bolsa? Que porra de bolsa é essa? Porra, cobrador, deixou cair a bolsa com a marmita?!

Bolsa de ar. Aparentemente, aquilo que não deixa o ônibus ficar rebaixado quando tem uma cacetada de jão dentro. O que, né, era nosso caso.

Todo mundo pra fora.

Detalhe: eu não sei me virar em São Paulo sem o site da SPTrans e o Google Maps. Não sei chegar em lugar nenhum sem ver percurso, numeração da linha etc. Afinal, São Paulo não é Americana, onde QUALQUER ônibus que você pega, até os interurbanos, passa pelo terminal, de onde, obviamente, sai também qualquer outro ônibus.

Aí ficou lá a caipira, enfiando a cabeça pra dentro de qualquer ônibus e perguntando se passava na rua tal, até que descobriu um que “passava ali perto”.

Finalmente, meu destino. Entro, pego um lugarzinho. Espero ser chamada.

Pensem comigo: o que pode ser uma entrevista para “assistente de professora de artes”? Na minha cabeça, nada mais que algumas perguntas bobas tipo “O que você acha de arte-educação?”, “Qual foi a última exposição de artes que você visitou?” e tal. Já tinha passado por isso, tava baba. Nas tranqulidade, sento, espero uns 5 minutos enquanto a atendente, com um fone de ouvido, fala com alguém de outro setor e ri. Então ela começa o conversê:

“Bom, Maira… Você vai fazer uma redação e uma prova e…”

O QUÊ?! REDAÇÃO? PROVA? QUE PORRA É ESSA? EU TÔ PRESTANDO VESTIBULAR OU TENTANDO UM EMPREGO?!

Mas escolha é que eu não tinha, fiz a redação e fui pra prova. Ah, a prova.

Imaginem uma matéria que você aprendeu, sei lá, na quarta ou quinta série, e que nunca mais, e com certeza absoluta, NUNCA MAIS usou. Era o caso. A “matéria”? Não riam dessa pobre burrica: Excel.

Agora, PRA QUÊ DIABOS uma ASSISTENTE DE SALA da PROFESSORA DE ARTES precisa mandar muito no EXCEL?!

Claro que eu não sabia fazer NADA. Num ato de desespero… abri a ajuda. E li. Li até me convencer de que não sabia que porra era “matriz” e “k” na fórmula de percentual. Como sou brasileira, ainda fiquei sentada lá uma hora até entender que.. é, eu não sabia nada.

Finalmente, a entrevista de verdade verdadeira. Uma mulher muito mal-comida que nem olhava pra minha cara, muito menos anotava o que eu dizia. Sabe quando você tem uma frasezinha básica que geralmente ganha os entrevistadores? Então… A minha é “Essa experiência seriam bem interessante porque pretendo lecionar e…” e nessa hora, sempre fazem uma cara SUPER FELIZ e é win. Sempre. (Pra constar: eu pretendo mesmo lecionar. Não é mentira pra entrevistador!)

De qualquer forma, minha frase-chave não funcionou. A mulher nem levantou uma sobrancelha. Nada. Nesse momento eu tive a certeza absoluta de que tinha me fodido. E, como dizem por aí, tá no inferno, abraça o capeta. Então, eu fiz o que me restava: desandei a mentir. Disse que já tinha experiência em escolas, em vários cursos. Menti tanto que esqueci de contar que tive experiência (de verdade) com crianças em ateliê, no meu antigo emprego. É nóis.

Legal é que uns dias antes da entrevista, um amigo me disse que tinha se fodido numa entrevista por não saber Excel. Aí fui contar minha experiência a ele, e, como o mundo é mesmo uma ervilha, a vaga que eu não tive a capacidade excelística de conseguir era a mesma dele.

Mas é isso aí, amigos são pra essas coisas… rir, chorar, se foder no Excel.

Agora quero ficar um tempinho sem fazer uma entrevista. Vou primeiro aprender mecânica, elétrica, marcenaria e culinária. Porque, seguindo a (falta de) lógica, vai que eu precise, pra ser estagiária num museu. Né?