O livro dos dias

“Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?”

E foi com essas frases que conheci Legião Urbana. Não simples frases, mas aquelas ditas no momento certo.
Legião Urbana desde então foi isso pra mim: frases certas, nas horas certas.

Minha história sobre como comecei a gostar de Legião Urbana passa longe de ser daquelas belas onde o pai apresentou ao filho e blablablous. Muito pelo contrário, meu pai surtava com Renato Russo, dizendo que era muito depressivo. Pelo fato de na época eu só usar calças jeans, tênis e camisetas pretas, ele vivia dizendo que era culpa das músicas que eu escutava, proibindo até de tocar Legião no carro quando a família saía pra viajar. Chegamos a brigar feio. Ele gritava que o cara já tava morto quando ainda era vivo e eu gritava que.. gritava nada, porque não tinha coragem de gritar com o meu pai (que na época era maior que eu) por medo de levar uma no meio da boca e perder os dentes da frente. Então ele falava e eu chorava no meu cantinho. Escutando Legião, claro.

E não foi motivo de brigas só com o meu pai, não. Foi motivos de brigas com desconhecidos que falavam que era uma merda, foi motivo de brigas com a minha irmã pela demora pra escrever esse texto (essa parte vc corta, é que não resisti..hahahaha*), e até motivo de brigas com meu ex-namorado, que dizia que o Renato tinha uma voz irritante e era um bicha. Como meu ex gostava de Freddy Mercury, tinha o que mandar quando ele dizia isso..mesmo gostando do Freddy Mercury também. Mas não, Renato Russo não foi motivo pra ele ser ex. Meu ex virou ex porque ele gosta de meninos e meninas mesmo. Brincadeira. Ou não…vai saber.

Enfim…quem me apresentou Legião Urbana foi minha queridíssima irmã, senhorita Mirian Bottan. Ela já gostava, eu cantarolava “Eduardo e Mônica”, ela me apresentou o cd “As Quatro Estações”, eu gamei. E desde então, Renato Russo se tornou presente na minha vida, dono até da música-tema do meu primeiro namorico.
Não é segredo nenhum nesse blog minhas desgraças amorosas, então não faz diferença para minha pessoa dizer que a música era “Mais Uma Vez”, cuja letra dizia:

“Tem gente que está
Do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá…”

Preciso dizer que é mais do que lógico que Renato Russo tinha razão?
E, como a anta que vos fala nunca entende os sinais divinos, Renato Russo foi dono da música-tema do meu segundo namorico também…

“Você gosta mesmo de mim
Se arriscando a me perder assim
Ao me explicar o que eu não quero ouvir.”

Rolou um sentimentalismo aqui, mancebos. Melhor mudar os exemplos.
Voltando, Legião foi trilha sonora de quando prestei vestibular também!..

“Hoje não dá
Hoje não dá
Não sei mais o que dizer
E nem o que pensar…”

…e foi ai que sai no meio da prova, liguei pra Paçoca chorando loucamente porque tinha rodado no vestiba.

Saindo das desgraças da vida da Maira, vamos pras vergonhas.
Lembram quando era moda alugar karaokês em datas festivas? (Pra quem lembra, shame on us) Pois toda vez que havia um, lá estava eu, superando a vergonha de cantar em público e entre “Catedral” e “Hyperconectividade”** (a Paçoca era viciada em cantar isso no karaokê com nossa prima), cantando TODAS as músicas da Legião Urbana, pra vergonha de mim mesma e tortura alheia.

A paixão pela banda e pelo Renato Russo foi crescendo cada vez mais e comecei uma coleção da banda, incluindo revistas antigas e lp’s, que buscava em tudo quanto era sebos de Americana e região. Por isso quase surtei quando fiquei sabendo do novo livro. Tentei participar de promoção, mas a minha Mairice não deixa ganhar essas coisas. E eis que recebo um exemplar de presente, de um truta da Tatá, que me viu participando!

Posso dizer que o livro é perfeito. É tudo o que eu esperava ler de Renato Russo. E foi justamente por ler e ver que “Renato Russo: o filho da revolução” é um presentão pra qualquer fã que estou aqui agora, pra um super negócio. Recebi não só um, mas DOIS exemplares!

Então é o seguinte: o Subs vai presentear com um livro o leitor que contar a melhor e mais divertida história pessoal envolvendo alguma música da banda. Quero ver quem tem algo das desgraças Bottânicas na própria vida ;)

É isso, negada, esse é o livro dos nossos dias, o livro dos nossos amores!

Notas da Miroca:

* Não corto.

** HiperconectividadÊ! Liga lá!

Substantivolatilidade Pública

Buenas, caros leitores!

Esse é um post incomum, hoje não teremos aventuras ou insights Bottânicos (apesar de a paçoca II estar preparando um texto pra loguinho mais). Hoje eu vim pra consultar vossas mercês, que estão sempre a acompanhar o blog, comentando e dando um tostão de suas próprias teorias e reflexões, sobre uma idéia que tive cá com os meus Bottans.

Como eu disse, temos sempre uma boa participação através de comentários e, dependendo da densidade do assunto em questão, acabamos vendo o desenrolar de verdadeiros outros textos, seja pelas diversas possibilidades de interpretação ou pelos diferentes tipos de experiência vividos por cada um.

Cada comentário passa pela minha aprovação e é lido, SEMPRE. Mas o campo de comentários não nos proporciona facilidade de discussão. Vai ficando meio confuso e cansativo.

Pensando nisso, cutuco: o que vocês achariam de um espaço onde pudessem desenvolver as suas próprias reflexões a partir de um texto, ou ainda, expôr seus próprios insights e gerar CONVERSAÇÃO a partir disso? Afinal, eu não tô aqui pra falar sozinha, eu falo pra vocês e, na maioria das vezes, vocês me falam de volta muito mais do que imaginam. Enfim, a ideia é um forum, que viabilizaria essa conversação. Eu já percebi que o pessoal gosta de participar lá na comunidade do Subs, e achei legal centralizar isso aqui mesmo.

Mas pra isso, é imprescindível que vossos asses estejam presentes e operantes, por isso, vos pergunto: vai?

[Enquete removida]

Caso animem comigo nessa, nascerá então o SubsForum, ou ForumVolátil, ou ainda, o Cantinho da Tia Bottan.

Zoei, galere. Preciso de nomes, ideias de temas, o que vocês acharem legal. Vamos fazer acontecer DO NOSSO JEITINHO!

Demoréds?

Update 14.09.09 – 16h30: Há pouco mais de uma hora, conferi os resultados da enquete, que mostravam 10 respostas negativas, contra quase 30 positivas. Qual não foi a minha surpresa ao descobrir há pouco que algum hackerzinho sem louça pra lavar foi perder tempo na vida zoando a enquete, e lançando pra 600 os votos negativos.

Obviamente, terei que desconsiderar a parada, mas já pude ter uma ideia pelas respostas anteriores ao trabalho do nosso pimpolho revolts, sem contar os comentários e os leitores que vieram falar comigo via IMs. So, here we go!

Quanto aos palpites, keep’em coming! \o/

Murphy Reloaded

lei de murphy

Já fazia um tempo que Murphy não fazia uma de suas aparições marotas em minha vida. Daquelas, sabe, perto dos feriados prolongados e tal. Mas quando eu resolvi tirar uma semana pra ficar de bobeira em Sampa, entre passeios culturais e bebedeiras com os trutas, ele quis me lembrar quem é que mandava. Esperou a semana toda e resolveu me foder na Sexta-Feira.

Estávamos na Vila Mariana, eu e Pablito e tínhamos compromissos em Pinheiros e Vila Olímpia, respectivamente.  Ambos faríamos uso do transporte público paulistano mais confortável e pontual: o busão. Paulo calculou o tempo e decidiu sair com uma hora de antecedência, pra não correr riscos. Como o moço só tinha notas altas, juntei os trocados e mandei levar, que depois eu sacava a grana na galeria da rua de trás. Ele insistiu pra eu ficar com alguma merreca, eu insisti pra ele levar tudo.

Ele me ligou, meia hora depois de sair, dizendo que o trânsito estava fluindo e que já havia chegado, com bastante tempo de folga, ia até ligar pra um amigo e chamar pra um café. Decidi, então, sair um pouco mais tarde, afinal, eu só tinha que ir até a Faria Lima e meu ônibus me deixaria a apenas 100 números do meu destino. Nem um quarteirão.

Depois de pronta, enrolei a ponto de tentar entender, por uns minutos, porque Donald Trump e Backstreet Boys estavam no mesmo programa. Faltando 45 minutos pro chat na Teia, com as minhas queridas lulus Lucia Freitas e Liliane Ferrari, saí. Afinal, o tempo calculado por Deus era de 30 minutos, incluindo as minhas caminhadas.

Eu não aprendo, MESMO.

Ao chegar na galeria, alguém duvida que o terminal da Caixa Econômica estava SEM NOTAS e o 24hs PIFADO, enquanto todos os outros que não me eram úteis estavam perfeitamente operantes?

Perguntei pro segurança se perto de onde eu deveria pegar o ônibus havia algum lugar onde eu poderia sacar a grana e ele disse que sim. Então, bóra. Era uma subidinha DE LEVE, debaixo do sol das 13hs, mas, afinal, eu sou nova, né? E aquele caminho eu teria que fazer, de qualquer forma.

Chegando lá, parei num boteco pra saber de um caixa e o cara me indicou o sentido contrário do ponto de ônibus. Fiz cara de nojinho, por causa do sol, mas ainda tinha tempo.

Andei, andei, andei até encontraaar avistar uma galeria, onde, pra não enrolar, não tinha o que eu precisava e o segurança me mandou subir mais um quarteirão, virando a esquina. Eu sempre me esqueço, quando me dizem “um quarteirão” em Sampa, que eu não estou em Americana. Depois de mais andar e andar e andar, sabe onde eu cheguei? Na agência da Caixa, em frente ao metrô Ana Rosa. Sabe quanto tempo eu levo da localização inicial até lá? 10 minutos. Sabe quanto tempo eu levei com a volta LAZARENTA que eu dei? Quase 25.

Enfim, entrei e parei atrás da modesta fila de cinco mancebos. O caixa estava lento, mas, pelo menos, eu não estava mais no sol. Uns 10 minutos e pronto, eu era a primeira da fila, esperando uma senhora. Quando, de repente, uma mulher que estava dois negos pra trás, na fila, um tanto quanto irritada com a demora, resolveu descontar na senhora, dizendo pra ela pedir ajuda, se não sabia usar o caixa. Quando ela deu aquela olhadinha pra trás, por cima dos óculos e deu uma cruzadinha no pé, eu respirei fundo. A véia ia empacar, de propósito. E depois de fazer tudo o que podia lá, ela resolveu sair. Não porque tinha cansado, mas porque o caixa TRAVOU.

Juro, eu fiquei esperando a torta no meio da fuça, porque mais pastelão que aquilo, não dava. Quinze minutos depois, quando eu peguei aquela nota de DEZ CONTOS, eu ria histericamente, por dentro. Eu nem ia usar tudo, eu só precisava de DOIS.

Enfim, resolvi perguntar por alí mesmo qual eu pegava pra ir pra Faria Lima. Afinal, com tanto ônibus passando por mim, pra quê voltar tudo, até o ponto com o que eu havia pesquisado? Tive 30 minutos de trânsito na Paulista pra responder essa pergunta. Até vi um cara tocando flauta pelo nariz.

E só pra fechar com chave de ouro pra quem adoooora as minhas desgraças Murphéticas, o novo caminho tranformou os 100 números que eu teria que andar em exatos 1000. Um só zero, tantos quarteirões.

Concluindo:

- Meus trocados são meus trocados.

- Nunca destrate alguém que está na sua frente na fila do caixa.

- Nunca perca tempo com o Donald Trump nem com os Backstreet Boys. Muito menos com os dois juntos.

Sem mais.

Risky Business – parte II

caminho-facil-ou-dificil

Pode soar meio new age da minha parte, mas tenho cá pra mim que o maior desafio do ser humano é se livrar de suas ideias fixas, pra ser feliz de verdade.

Depois de um tweet sobre o aniversário de 1 ano da minha vida de solteira, de 1 ano sem um namoro que já tinha se tornado problemático e de como me sinto mais feliz por isso, recebi um reply que me deixou muito encucada.  O assunto era o mesmo, mas o cara mandou à merda um casamento de 12 anos e diz ser agora o pai solteiro mais feliz do mundo. Até ai, tudo bem. Mas o que me matou foi a forma como terminou:  ”Por que eu demorei tanto?”

Confesso que essa frase me deu um medo gigantesco. Por que demoramos tanto?

Você continua naquele trabalho porque é natural acordar, trabalhar todo dia, todo o dia, ganhando o mesmo salário.
Você continua com aquela pessoa porque é mais do que normal papear com a familia dela, sua família perguntar por ela, sair com os mesmos amigos, dividir as mesmas situações, o sexo de sempre, as brincadeiras de sempre.
Você continua saindo com aqueles amigos porque se conhecem há décadas e dividem as mesmas coisas que divide com a sua/seu namorado/namorada. Menos o sexo. Ou não.

E não para pra pensar se o que você julga “natural, normal” na verdade já se tornou algo chato ou até infeliz, a que você continua agarrado. Seja pelo medo de soltar, seja por não ter pensando nisso ainda.

Não penso que seja só pela segurança. Há um fator de grande peso que deixamos de lado: ideia fixa.

É algo que nunca me desceu pela goela. Pensar em manter qualquer coisa da minha vida sem emoção, sem querer fazer acontecer, sem o gostinho da conquista, sem um algo novo, me sufoca.

Tudo o que começamos, seja um novo trabalho ou um relacionamento, é também uma busca por novas experiências, algo que nos acrescente mais do que temos até então. Uma espécie de troca, sabe? Você ensina e é ensinado. Mas quando chega o comodismo, é porque também chegou o maldito ponto em que nada mais vai te fazer crescer!

É como terminar a escola e querer voltar para o primeiro ano. Não vai mais ter cabeça para as mesmas piadinhas, não vai mais ter graça sem as companhias e não aprenderá mais nada de útil. Porque assim como nos estudos, a vida é feita pra ser vivida em etapas, conforme a sua necessidade de algo maior.

Continuar na mesma é dizer “te amo” todo dia, pra alguém que você trocaria por uma mariola.

Não há problema em arriscar novas amizades, um novo trabalho e buscar um novo amor. Mas talvez haja em continuar pra sempre neles achando que já é tarde ou ainda é cedo.

Risky Business

cage

Pode soar meio new age da minha parte, mas tenho cá pra mim que o maior desafio do ser humano é se livrar da necessidade louca de segurança, pra ser feliz de verdade.

Quando eu ouço o bom e conhecido “o seguro morreu de velho”, até me ataca um cacoete. Por dois motivos:

O primeiro eu até explico com outro dito, de William Shedd: “Um barco, no ancoradouro, está seguro. Mas não é para isso que os barcos são feitos”.

Mas o segundo é o meu preferido: desde quando somente as atitudes do seguro são fator determinante da sua própria segurança?

Atravessar na faixa não impede ninguém de ser atingido por um carro desgovernado.

Veja bem, isso não é um ode à quebra das regras todas, não tô dizendo pra ir dançar frevo no meio do cruzamento. Eu só acho que é uma questão de análise de “custo-benefício”. O que é que você perde, pra ganhar o que ganha?

Quanto valia a vida do policial à paisana, assassinado ontem, ao tentar impedir um assalto numa lotérica, aqui perto da minha casa?

Quanto vale a alegria daquela menina que eu vejo no mesmo ponto de ônibus, nos mesmos horários, com o mesmo uniforme da loja de sapatos, há mais de cinco anos? Eu posso estar enganada, mas será que o salário dela vale a expressão mau-humorada com a qual eu até me acostumei?

Quanto vale a sua liberdade?

Quanto vale poder errar e acertar sem se sentir culpado, quanto vale se sentir vivo?

Estar deitada no colo da mãe, o que parece ser o lugar mais seguro do mundo, não impediu a Maira de tomar uma laranjada no nariz. Fui eu quem jogou, foi sem querer e eu já pedi milhares de desculpas, mas o que eu quero dizer é que ela, deitada ali, provavelmente sentia que nada de ruim podia acontecer.

Usando a paçoca como exemplo novamente (coitada, se fode mais que eu): ontem, ela foi caminhar pelo bairro, que é tranquilo e relativamente seguro, e acabou correndo de quatro cães-de-guarda. Quem poderia prever que um dono sem-noção ia deixar os bichos soltos, num horário onde puta galera sai pra caminhar?

Enfim, quando ela chegou, o meu pai disse que ela não devia ter corrido e sim ficado parada, ou ainda, ido na direção dos cães! Ele já o fez. Talvez essa minha coragem venha um pouco daí, vai saber.

De qualquer forma, nesses cinco anos, onde parece que eu já fiz tanta doideira, acredito ter aprendido mais do que a menina dos sapatos.

Acordar já é perigoso. Se você pretende nem sair da cama, se mata.

“No bird is meant to be caged.”

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