Mirian Bottan Facts por Maira Bottan. Ou quase isso.

                 paçoca

                                          Bottans mandando um fusqueta                              

Tentei um outro começo, mas o melhor mesmo é começar me apresentando.
Meu nome é Maira, e carrego o sobrenome Bottan. Sou bastante citada aqui como "irmã".

Mas me diga, Maira, o que faz aqui?

Simples. Após um comentário no texto "Astrologices à parte" sobre sonhos com abacates, ou melhor, um monte deles, em meio a macarrão sendo preparado e faxina sendo feita, recebi um telefonema do senhor meu pai dizendo que a senhorita minha irmã me mandou estar online. Direto assim.

Fui logo pensando "Lá vem, lá vem. Olha o favor! O que será dessa vez? Vai  papear pelo mundo afora e eu vou ter que cobrir o sumiço!"

Mas não! O assunto era um convite pra escrever aqui no Substantivolátil!

Então cá estou eu, pegando o bonde andando, sentando na janelinha e dando tchau!
A justificativa é que eu e minha querida irmã Bottan sempre fomos uma dupla e tanto. Uma sempre diferente da outra. Com 5 anos ela jogou sal no permanente da minha tia. Com 5 anos eu falava com ervilhas. Acho que gera um estranho tipo de equilíbrio…

Enfim, ela sempre foi a espertona, e eu sempre a mais boba. Acho que a coisa vem dos pais. Minha mãe era a certinha que não tem histórias pra contar pros netos e meu pai era o malvadão que só aprontava. Depois vem dizer que não sabe pra quem minha irmã puxou..

De todas as pessoas, a que foi mais afetada pelas mudanças de humor e pelas fases de Mirian Bottan, obviamente, fui eu. Passo então a vocês, caros leitores do Substantivolátil, as mais variadas Mirians, simplesmente para conhecerem as positivas e as negativas dessa baixinha.

 "Ah! Pegadinha do Malandro" - Sempre me aprontava alguma. Como quando me fez chorar dizendo que eu havia comido farofa vencida, seguido de um ‘Ma! Você vai morrer!!’

Protetora da Maira fraca e oprimida - Pra me defender, ela virava uma barraqueira de primeira.

Imaginem a cena: eu com 7 pontos no pé quis ficar no meio do vuco-vuco num show de Ska. Porém a rodinha punk na minha frente não estava prevista. Começaram a me empurrar de lá pra cá daqui pra lá e minha irmã tomou a frente, deu um puta de um empurrão em um menino que achou que ela queria participar da rodinha punk. Ela mandou o segundo empurrão seguido de um "TEM MENINA AQUI CARALHO!" A rodinha punk mudou de lugar e eu continuei procurando a menina a quem ela se referia….

Irmã mais velha - Essa era a pior. Tinha direito a tudo. Até à Diddy roxa no Donkey Kong. Aliás, quando o assunto era roxo x rosa eu nunca podia escolher.

Irmã mais nova - Cheguei a acolher muitas vezes essa peça na minha cama no meio da madrugada porque tinha assistido filme de terror. Ainda tinha q ir buscar o travesseiro dela e doar o lado da cama encostado na parede.Terrível.

Aproveitadora - Acabava com a mesada dela, pedia a minha emprestada, não pagava e ainda me chamava de mercenária quando eu cobrava de volta.

Malvada - Me batia e se eu ainda estivesse chorando quando minha mãe chegasse falava "ENGOLE O CHORO!" e eu engolia.

"Ow, foi mal" - Só me dava os canos. "Não janta não que a gente vai sair pra jantar!" "Não assiste o filme ainda que a gente assiste junto!" "Vou só dar uma saidinha e volto pra te ajudar a pintar o quarto." "Dá um pulo lá no apê hoje que a gente conversa um pouco!"

Pré-adolescente - O que não faltou na fase mais irritante de um ser foram gritos, batidas de porta, "por que você nasceu?! eu era mais feliz sem você!". Além disso, ai de mim se chamasse de "Tatá" na frente dos amigos..Se saísse só o "Tá" já me lançava um olhar "você tá morta"

Bottan Style - Um tio certa vez disse que os Bottans não bebem socialmente.. bebem pra acabar. Tenho que concordar com ele. E todos os Bottans também. Esse lado "Bem Bottan" apareceu na minha festa de 15 anos. Todos juntos, cantando parabéns. Acabado a música, alguém grita "Mi, corta o bolo com a sua irmã!".. "Miii…." "Cadê a Tatá?".. Ai aparece a flor. Com uma cara impagável.
  - Oh, já foi o parabéns? Eu tava no banheiro…

Missão cumprida! Agora vou voltar à faxina que me foi interrompida, porque pior que a Mirian Malvada é a Mãe Bottan descendente de alemão que não vai gostar nada nada da casa nesse estado!

Abraços, sigam lendo os textos da Bottan II que prometo um dia escrever igual a minha Tatá!

[Nota: Então é isso,  Maira Bottan também pintará por aqui from now on. E já chegou queimando o meu filme. Tatá não, porra.]

Astrologices à parte

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Hoje, mais cedo, estava eu checando uns correios eletrônicos da vida, e como numa boa manhã de domingo, não tinha porra nenhuma de interessante, apenas uns iscrépis no Orkut. Aí fui lá conferir um provável desabafo de algum amigo bêbado, proveniente da última madrugada.

Qual não foi a minha surpresa quando, na página inicial, li a minha sorte de hoje que dizia: “Se seus desejos não forem extravagantes, eles serão realizados”.

Pô, fiquei chateada. Ontem mesmo eu havia decidido que depois da cobertura e de uma casa na praia, eu ia querer um fazedor de suco particular. Humano.

E esse meu chateamento me levou a refletir sobre me incomodar com uma frase cuspida por um estagiário do Google. Caros leitores, perdoem a farofice, mas em tempos remotos, astrologices muito me agradavam.

Poooode falar que é coisa de gente tosca, pouco instruída, coisa de pobre, whatever. Mas por mais que eu me esforçasse pra me convencer que aquela porcaria não valia um palito, eu sempre acabava com uma pulguinha atrás da orelha. Feito mulher quando diz que não tá nem aí se o cara não ligar. Por trás da expressão blasé, há um descabelo master, um “Aimeligapelamordedeusalguémtemquemequerersocorrooo”.

É.

Digo mais: quando bem nova, costumava comprar revistinhas do João Bidu TODO MÊS. Prontofalei. Uma fase negra repleta de previsões, significados de sonhos, livros de Wicca, runas, incensos e o diabo a quatro. Depois dos Backstreet Boys, foi essa porra toda que levou a minha grana adolescente por um bom tempo.

Acontecia de eu ficar meio frustrada quando nenhum livrinho sabia me dizer o que significava sonhar que tinha um aparelho de som automotivo instalado no estômago, ou um primo do tamanho duma lata de cerveja que ficava roxo quando eu não o alimentava, mas no fim das contas era um prazer quase sexual ler sobre como eu era uma escorpiana poderosa, fatal e fodidamente foda.

-Oh, imagine! Cê acha mesmo?!

De qualquer forma, um dia enjoei e queimei tudo numa carriola (irrelevante), mas ainda continuei a correr os olhos pelo horóscopo quando abria um jornal. Também não vivia em função, não ia deixar de sair se me dissessem que um piano cairia sobre a minha cabeça, mas certamente prestaria mais atenção ao que viesse de cima. Ou de baixo, ou de trás, enfim, de onde pudesse doer.

Noite passada mesmo, sonhei que estava voando, e depois encontrei por aí que sonhar que estou voando significa concretização de meus sonhos mais elevados. Diz se não é estimulante!

Só que hoje funciona assim: ainda a-do-ro uma bela astrologizada, mãss veja bem: se vier me falar que vai dar merda ou que vai dar morte, eu apelo pra lei da atração, faço melhor de três ou até de quatro (epa). Eu poderia usar a senha da minha irmã e decidir que a sorte dela agora é a minha. O que interessa é me favorecer, mano. Felizmente, depois de tanto acreditar em baboseira, eu descobri que o meu caminho só pode ser construído por mim.

E se precisar, as estrelas que mudem de lugar.

Infância em páginas

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Já comentei várias vezes que aprendi a ler aos quatro anos de idade. Segundo a excelentíssima senhora minha mãe, um belo dia, ao voltar da creche, eu parecia puta da vida com alguma coisa, entrei e me tranquei no quarto.

O motivo da apurrinhação era que a minha melhor amiga sabia ler, e eu não. Saí do quarto lendo.

Daí pra frente, virei uma devoradora de livros, gibis, vidros de shampoo, embalagens de massa de tomate, e faixas na rua. Essas eu lia até ao contrário. E era fucking master, aliás.

Apesar de moleca, estava sempre com um livro na mão. Lia em cima de árvore, ia nadar na represa, andar de skate (!) ou carrinho de rolemã (!!) e levava o livro na mochila.

Costumava me sentir numa outra dimensão, me desligando totalmente do universo ao meu redor. O que, inclusive, me rendeu vários momentos contrangedores, como o dia em que, no meio de uma aula de literatura, mas perdida em algum romance, ouço a voz da professora, beeem lá no fundo:

- “Ardendo”, “arder”, o que o autor quis dizer com isso, pessoal?

Por algum motivo sobrenatural e mais forte do que a minha vontade, mesmo sem fazer a mínima idéia do que ela estava falando, decidi responder, não sem antes vislumbrar a expressão apavorada da minha amiga que me dizia com os olhos um “Abortar! Abortar!”, que eu também ignorei, soltando em alto e bom tom:

- QUEIMAR?

Acontece que a resposta era DESEJO, e o troço todo sobre o qual ela falava era praticamente um conto erótico, que havia deixado a classe toda boquiaberta. Depois dos três segundos mortais de silêncio, todos rolaram de rir da minha “inocência”, e obviamente, virou a graça do ano olhar pra minha cara do nada e mandar um “QUEIMÁÁR”.

Mas esse era o MEU elemento chave para fantasiar. Dependendo do que eu lia no momento, eu olhava pras pessoas e levantava teorias a respeito delas, ou fingia que elas me perseguiam e vice-versa. Eu vivia com um pé dentro e o outro fora da história da vez.

O mundo de uma criança é feito dessa fantasia, de coisas que somente você consegue ver. Um universo paralelo, sem ninguém pra atrapalhar.

Minha irmã, por exemplo, fazia amizade com ervilhas e pequenos insetos. No mundo dela, naquele universo só dela, isso cabia perfeitamente.

9788560302109.jpgE é justamente dentro de um universo paralelo todo seu que George, um garoto inglês de 12 anos, se perde – e se encontra – em meio a monstros e muita fantasia, num dia inteiro de perseguição pela bela Londres, no livro Coração de Pedra, de Charlie Fletcher.

Após quebrar a cabeça de um dragão de pedra no Museu de História Natural, George precisa correr contra o tempo – e de um pterodáctilo – para encontrar o Coração de Pedra e reparar a situação.

De leitura rápida e cativante, Coração de Pedra é recomendado para crianças de 8 a 80 anos, e para todos aqueles que buscarem ingresso para um mundo novo e misterioso, de tirar o fôlego!

Inventando história

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Você já parou pra pensar que, a cada minuto do seu dia, desde a hora em que acorda, você está diretamente em contato com alguma coisa besta, pra qual ninguém nunca dá bola, mas que não estando lá, faz uma falta dos diabos?

Precisa sair da cama, não. Ela mesma. Aliás, cama, colchão, travesseiro e até o lençol. Algum dia alguém pensou que seria mais fácil envolver o colchão numa capa mais fácil de tirar e lavar. Fantástico! Se você não acha fantástico é porque não lava roupa.

Bote os pés pra fora da cama. Seus chinelos. Outra coisa sem importância. Mas você fica puto quando somem.

Vamos sair do quarto. Antes disso, fechadura. Um troço tão simples, mas que está presente em pelo menos 4 portas em cada casa desse mundo. E ninguém se liga na fechadura. Porquê será? Não que alguém devesse fazer um ode à fechadura, mas pô, sei lá. Deixa emperrar pra ver se não faz falta. E junto com a fechadura vem de brinde a chave.

O banheiro então, é um festival. Vaso sanitário, sistema de descarga, pia, torneira, ralo, chuveiro. Puta merda. O banheiro me fascina. Cada uma dessas coisas foi pensada por alguém, planejada, aperfeiçoada. E a gente nem tchum. Tem gente que idolatra o bidê, mas isso não vem ao caso.

Como será que alguém pensou na escova de dentes? E na escova de cabelos? E no secador!? Nesse último eu daria um beijo, por sinal.

Tudo bem, eu amo o meu computador, o celular, e todas as facilidades do mundo moderno. Mas e o zíper? O que seria da gente sem zíper e botão pra fechar as roupas? Sem prego pra botar algo na parede? Sem as tomadas?

Chapéu, óculos, liquidificador, isqueiro, cinto, sabonete! Quando foi que alguém decidiu que só água não era o suficiente pra limpar as partes? Falando em limpar as partes, ainda tem ele, todo branco, todo rolo, por vezes fofo e com cheiro de pêssego: o papel higiênico. Oh!

Às vezes a humanidade me emociona. Mas em seguida, esse sentimento me faz lembrar que eu sou uma frouxa. E você também. Nós todos, uns frouxos. Porque as pessoas não querem mais inventar besteirinhas indispensáveis. Parece que todo mundo agora só quer saber de inventar robô. De preferência que fale, lave, passe, cozinhe, seja conselheiro, amigo, fuck buddy e ainda troque a lâmpada e dance o tchan.

Cientistas são cientistas, mas devemos admitir que pessoas comuns costumam ter idéias brilhantes, provenientes de situações comuns. O meu pai é uma dessas pessoas. Já inventou uma centrífuga na época que a minha mãe fabricava fraldas descartáveis, um sistema de irrigação prum pomar, um troço pra dosar a comida e água do cachorro e recarregar o pote automaticamente, e um outro troço de pegar corrupto na praia.

Não, meu pai não sai agarrando político, tô falando do bicho, ô anôma anêma anêmona do mar.

Enfim, é por isso que projetos como o concurso de inventores, que está sendo realizado pela 3M são admiráveis! Nada mais interessante do que dar chance à mentes brilhantes que não têm condição de tirar do papel idéias que podem mudar a vida de alguém.

Eu, como não saco nada de física, literatura ou gramáticaaa dessas coisas, continuo aqui, inventando história, mas se você tem algo pra mostrar, corre lá e faz a inscrição! Quem sabe você não faz a diferença?

Aliás, acho que eu vou inscrever o meu pai e fazer uma grana em cima das idéias do véio (inserir risada maligna aqui).

Não?

Update: pra decepção dos xerifes de plantão, NÃO, este NÃO É um post patrocinado. Desculpe desapontar. ;)

O feitiço contra o feiticeiro - ou o arquiinimigo de seu Teixeira.

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Não havendo mais pendências, e já passando da hora, deixei o trabalho. Assim que coloquei o pé pra fora do edifício e avistei a minha nova realidade, fui tomada por uma felicidade besta, mais ou menos como aquela que a gente sente quando uma brisa surge do nada, no meio daquele calorão, refrescando a alma.

E foi nesse clima patético de poesia que eu alcancei a Av. Paulista. Ia andando toda faceira, muito provavelmente com um sorrisinho também patético, que não condizia com o cansaço de final de expediente.

Foda-se, eu estava feliz.

Passei por uma farmácia, entrei e comprei uma besteirinha qualquer ao som de uma música boa. Até a farmácia parecia agradável. Fui mais simpática do que o normal com a atendente.

Cheguei ao ponto de ônibus, em frente a uma loja de cd’s, de onde vinha outra música boa, que combinava com o meu estado de espírito no momento. Tudo parecia tão bem que nem mesmo sabendo que eu estava prestes a me atrasar para um compromisso, eu conseguia ficar puta com o ônibus que não passava NUNCA.

Não fiquei puta mas depois de 20 minutos comecei a estranhar. Depois de muito estranhar, como eu ainda estava de bem com a vida, decidi pegar um táxi, pois eu já estava atrasada o suficiente para o tal compromisso.

Dei sinal e o táxi encostou. Pela janela, brinquei com o taxista: “Em quantos 5 minutos você consegue me levar até o Butantã?”, e entrei. Sentei e soltei um “Nossa, desisto desses ônibus, demoram demais!”. Ele deu um sorrisinho besta e me perguntou por onde eu queria ir:

-Ah, o ônibus costuma ir pela Rebouças e…
-Pela Rebouças? Mas a Rebouças fica pro outro lado…

No mesmo minuto eu olhei pro outro lado da Paulista, e lá estava ele, as letras brancas enormes, impossível não ver: Jd. Maria Luiza. Passando por mim, indo embora.

Puta que o pariu! Aquela BOSTA de felicidade me fez viajar na maionese e esperar o ônibus do lado errado da avenida!

Depois dessa, não havia o que fazer mesmo, descer do táxi e voltar pro ponto é que eu não ia, então decidi seguir.

Voltei a viajar, pensando na vida, enquanto rolava um padre Marcelo Rossi no rádio do táxi, e as coisas iam novamente tranquilas. Até que, depois de uns 15 minutos rodando, me dou conta de que a grana estava indo longe, e não estávamos sequer na metade do caminho:

- Mas viu, nós não chegamos nem na Rebouças ainda?
-Ah, sabe como é, né moça, esse trânsito…

Parei de viajar e comecei a prestar atenção. De repente avisto uma placa com um nome conhecido, uma rua bem perto de onde eu havia saído, só que num pedaço que eu não conhecia, bem mais abaixo. Ele estava dando voltas! Maldito! O ódio tomou conta quando me toquei o quanto teria que pagar se quisesse realmente chegar em casa. Num impulso, resolvi pedir pra sair:

-Faz o seguinte, moço, me deixa na Rebouças mesmo, de lá eu tomo um ônibus, porque a grana que eu tenho aqui não vai dar, não.

E ele, na maior calma: “Tudo bem, moça.”

Tudo bem, moça? Tudo bem, moça!?

Aí meu orgulho falou mais alto. Eu definitivamente não ia gastar aquilo pra ficar no primeiro terço do caminho, e muito menos engolir a satisfação do taxista safado.

-Moço, faz assim, eu tenho X aqui, você acha que consegue me levar por isso? É que eu já estou atrasada, e preciso chegar logo, mas se eu te der mais que isso, não terei dinheiro pra voltar.

Ele relutou um pouco, mas concordou. Como o taxímetro já contava muito perto do valor que eu havia proposto, daí em diante ele desembestou a correr, tentando chegar o mais rápido possível. Mas dessa vez, como que por um milagre, Murphy deve ter achado tanta sacanagem que resolveu ficar do meu lado, colocando um belo engarrafamento no caminho todo. Foi aí que o jogo virou.

Ele já havia concordado com o valor, não podia voltar atrás. Só que simplesmente não conseguia sair do lugar. Começou a suar e dar soquinhos no volante, irritado e nervoso, me perguntando incessantemente se faltava muito.

Eu, por outro lado, dizia que provavelmente era depois da próxima curva, mas que não tinha certeza, e fazia cara de paisagem, soltando esporádicos “Nossa, mas que trânsito”, que o deixavam ainda mais puto. Certa hora ele disse, cerrando os dentes:

-É, moça, eu te disse do trânsito.

Depois de uns 20 minutos, eu digo pra ele encostar. “Serve aqui?”, ele me pergunta, quase desesperado.

Pois servia perfeitamente. Estávamos em frente ao ponto onde eu desceria de ônibus, o taxímetro marcava 2 vezes o valor combinado, e certamente, a partir de então, ele pensaria bem melhor antes de fazer outro cliente de besta novamente.

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