Exatamente fodidos

duvida

Dia desses, quando me mandaram virar à direita, prar variar, deu tela azul e eu fiquei dançando com o volante, sem saber pra onde ir. Isso porque, dirigindo, me falta agilidade pra fazer um air-writing e lembrar qual é a mão direita. Só assim eu sei qual lado é qual.

Vai, pode rir, eu fui piada por anos (e ainda sou) por conta disso. E antes fosse só por isso.

Relógio, pra mim, só digital e nos esquema AM PM da vida. Porque, se eu estiver desatenta e o relógio mostrar 16h30, eu vou falar “seis e meia”.

Quinhentos metros e um quilômetro, pra mim, é a mema merda. Também não me pergunte o tamanho de nada, que eu só fiz questão de decorar o meu pra afirmar que não sou anã. Por três centímetros E MEIO.

Se um dia você começar a calcular algo em voz alta na minha frente e eu estiver prestando atenção, é encenação. Eu já parei de ouvir no primeiro número e tô pensando no queijo que tá na geladeira.

Eu dou a volta no quarteirão e já acho que tô no outro bairro.

Eu dou a volta em mim mesma e já não sei de que lado eu vim.

Se eu disser que tá vindo um ventinho noroeste, seja legal e não me peça pra apontar.

Eu, que sempre fui a melhor aluna da sala, vacilei no segundo ano do colegial e reprovei. Detalhe: Reprovei em todas as matérias de exatas e passei com nota máxima em todas as outras.

O diretor disse que não podia me ajudar porque eu não era burra, era folgada.

Daí que, num belo dia, eu resolvi descobrir se isso era normal, ou se tinha algo por trás de eu ser tão mula, matematicamente falando. Procurei por “falta de senso de direção” e RÁ! Olha o que eu achei na Wikipédia:

Discalculia (não confundir com acalculia) é definido como uma desordem neurológica específica que afeta a habilidade de uma pessoa de compreender e manipular números.

Entre os sintomas, estão:

Problemas de diferenciar entre esquerdo e direito.

Falta de senso de direção (para o norte, sul, leste, e oeste) e pode também ter dificuldade com um compasso.

Dificuldade com tabelas de tempo, aritmética mental, etc.

Melhor nos assuntos tais como a ciência e a geometria, que requerem a lógica mais que as fórmulas, até que um nível mais elevado que requer cálculos seja necessário.

Dificuldade com tarefas diárias como verificar a mudança e ler relógios analógicos.

A inabilidade de compreender o planejamento financeiro ou incluir no orçamento, nivelar às vezes em um nível básico, por exemplo, estimar o custo dos artigos em uma cesta de compras.

Tendo a dificuldade mental de estimar a medida de um objeto ou de uma distância (por exemplo, se algo está afastado 10 ou 20 metros).

Inabilidade de apreender e recordar conceitos matemáticos, régras, fórmulas, e seqüências matemáticas.

Dificuldade nas atividades que requerem processamento de seqüências, do exame (tal como etapas de dança) ao sumário (leitura, escrita e coisas sinalizar na ordem direita). Pode ter o problema mesmo com uma calculadora devido às dificuldades no processo da alimentação nas variáveis.

A circunstância pode conduzir em casos extremos a uma fobia da matemática e de dispositivos matemáticos (por exemplo números).

E tem mais, num outro artigo:

A discalculia é um distúrbio que dificulta a aprendizagem, pois impede que o indivíduo compreenda os processos matemáticos, mesmo que ela tenha um QI normal ou acima do normal.

As crianças que apresentam esse tipo de dificuldade realmente não conseguem entender o que está sendo pedido nos problemas propostos pela professora. Não conseguem descobrir a operação pedida no problema: somar, diminuir, multiplicar ou dividir. Além disso, é muito difícil para elas entenderem as relações de quantidade, ordem, espaço, distância e tamanho. E isso algumas vezes é entendido pelos pais e professores como preguiça.

Então, amigo, se você apresenta essas dificuldades, você tem discalculia. Seus problemas não acabaram, você vai continuar sem entender porra nenhuma na aula de Física e usando a calculadora só pra escrever SEIOS e OLHOS. Então faça como eu, vá pra uma área onde você só use números escritos por extenso. E o mais importante, use essa bagaça a seu favor:

Mãe, é por isso que eu não controlo meus gastos.

Amigos, é por isso que eu sou uma merda no bilhar.

Pai, é por isso que eu arranquei o retrovisor do carro, aquela vez.

Maira, tá fudida, vai me ajudar a estudar exatas pro vestibular.

E last, but not least: querido diretor, folgada é a senhora sua mãe. Um beijo.

Não bimbarás

missbimbo

Sempre ri de quem acredita em jogos considerados do capeta, mas, nessa última semana, reconsiderei.

Há exatos 34 dias, estava eu sentada à mesa com a senhorita Mirian, cada uma em seu pequeno mundo virtual, como é de costume nos fins de semana, quando escuto uma platéia aplaudindo, som vindo do note da Paçoca. P o que diabos era aquilo.

Ai começou a merda, ela me apresentou um jogo: Miss Bimbo. Que ela, por sua vez, conheceu através de um tweet/post  da Lia.

O objetivo resumido é: ter as roupas mais caras,  ser a mais magra, inteligente e estilosa. Como a Lia disse, entre as metas “politicamente incorretas” também consta arrumar um namorado rico, mesmo que ele seja velho e feio. Eu ri. Achei ridículo. Mas fui lá e fiz minha querida Bimbo Makyyta, pela boa e velha curiosidade. E desde então, caro leitores, eu bimbo (do bottanês BIMBAR) todos os dias.

Tentei parar, mas quando não bimbei, recebi o e-mail de assunto “Your Bimbo is sick”, resolvi dar uma checadinha e minha Bimbo, uma quase mini-me, estava morrendo de FOME!

Como não pude deixá-la morrer, voltei a bimbar.

Mas essa semana, algo me assustou. Durante esses 34 dias (fora o episódio da fome) tratei minha Bimbo muito bem. Dei legumes, água, chocolate quando ela estava triste, botei a Bimbo pra dançar, mandei pra academia, coloquei roupa bonita e fiz uma maquiagem animal.

Um dos objetivos, como eu disse, era arrumar um namorado. Acontece que minha Bimbo mesmo com alto Q.I., super atitude, bonita e bem vestida não arrumava um mancebo! Já me pareceu meio familiar…

Quando finalmente conseguiu arrumar um namoradinho feio e pobre (na visão Bimbo de ser, pelo menos), subi novamente de level e a nova meta era: terminar com o namorado.

Fiquei TRÊS dias tentando pagar TREZENTOS bimbos dólares por causar danos emocionais ao meu bimbonamoradovirtual e mesmo assim ele não queria terminar comigo!

Ai já não me era apenas familiar: era minha vida real. Eu tenho um karma lazarento de arrumar homem que não aceita fim de relacionamento nem pagando!

Fui então comentar o fato com a Paçoca, já que, sendo quem me apresentou o jogo, poderia estar mais sabida do que eu e me dar umas dicas. Mas o que ela me disse sobre a sua Bimbo foi:

“Gasto todo o meu dinheiro em roupas, terminei com o meu Bimbo-namorado, entrei em compulsão alimentar e agora tenho que frequentar o psicólogo.”

Duas vezes não pode ser coincidência. Isso não pode ser do bem.

Quadrilha Estendida

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Eu costumava achar que a Quadrilha, de Drummond, era uma puta verdade irritante:

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.

Mas pensando melhor, antes fosse simples assim. Porque fora dos livros, o João é amigo do Raimundo e a Teresa, se pudesse controlar, escolheria gostar do primeiro ao invés do segundo!

Ou a história pula o Joaquim e a Maria quer mesmo é pegar a Lili.

Às vezes, outra quadrilha passa perto e um dos mancebos se torna o J. Pinto da outra história, forçando desiludidas Marias ou Teresas a dar uma chance por despeito e viver uma vida vazia. Ou descobrir o tempo perdido.

E vai ver o J. é de um João mais velho que acaba de voltar dos Estados Unidos, onde se deu bem. Nesse caso, quem melhor pra ficar com o cara do que a Lili, que nessa bagunça toda, certamente era a única que conseguia focar nos estudos e no trampo.

Faz sentido.

Sexta-Feira 12

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Aí marquei um chopp pra Sexta, com uma galera-gente-boa random. Porque, ah, eu estarei em Sampa pra dois trampos no dia e ninguém ia fazer nada, mesmo. Uma parada durante a manhã, tarde livre e a outra à noite, antes da farra.

-Nossa, na noite de Sexta, wtf?

-É que é uma parada com o d… dia dos… namorados… que é na… Sexta? Orra, meu! Esqueci o dia dos namorados!

Né, esqueci. Mesmo com as propagandas todas, não me liguei no dia, não calculei nada, caguei pro dia dos namorados.

Aí hoje, parei cinco minutos pra correr os olhos pelas fofocas twiteiras e pronto:

“Odeio o dia dos namorados.”

“Mais um dia dos namorados sozinho(a)”

“Sexta é dia de me enfiar embaixo das cobertas e esquecer do mundo.”

Credo!

Olha só, se liguem-se no que eu vou compartilhar. De todos os anos que eu namorei (os quase oito) eu não me lembro de nenhum dia dos namorados em especial. Sério. Isso porque quando chegava esse dia maldito, TODOS os restaurantes estavam lotados, os motéis lotados, os banco de praça lotados, o bar do Zé lotado, o bar da Loira Drink’s lotado e nem os véio saíam tempo suficiente pra armar uma em casa.

Ou seja, era mais fácil planejar uma noite especial a dois em qualquer outro dia do ano, a não ser que programasse tudo dois meses antes.

Isso sem contar a obrigação do presente. Eu sou do tipo que tá indo almoçar, vê uma roupa/perfume/cd que ele vai gostar e compra. Pode ser no dia 10 de Novembro, que é, sei lá, dia do trigo, simplesmente pra ver a felicidade do outro. Daí eu não vi nada legal, não faço idéia do que comprar, mas preciso.

Depois de anos de namoro, você ainda corre o risco de comprar pela obrigação e o lazarento esquecer o teu.

Enfim, meus argumentos não são apenas pelo “capitalismo disfarçado de sentimentalismo URRA”. Porque datas como o Natal e a Páscoa, por exemplo, ainda te mandam pra casa, reúnem a família, vai todo mundo pra casa da vó encher a pança e passar um tempo junto, inclusive parentes que moram fora e você só vê algumas vezes por ano. Tipo, só nessas datas. Enfim, nem essa desculpa o dia dos namorados tem, porque, salvo um ou outro caso, os namorados se encontram e se pegam regularmente.

Pra ser sincera, o ano em que essa data mais me marcou foi o último, por ser o primeiro em que eu não estava oficialmente namorando, mas ao mesmo tempo estava num chove-não-molha, que não me deixava nem esquecer do dia, nem querer lembrar, aí fudeu.

Rolou até a tag TPDN, ou “Tensão Pré Dia dos Namorados”, no Twitter. Pra quê, né gente, que fim de carreira.

Então assim, o ponto é: se a falta de um namorado te incomoda, eu presumo que te incomode o tempo todo, todos os dias, ou pelo menos no fim das baladas e nos dias frios e não SÓ nos dias que antecedem o 12 de Junho. Então, relaxa. Os casais NÃO se multiplicam nessa data, muitos deles voltam pra casa e brigam depois do jantar, muitos outros dão uma trepadinha marromenos no estilo do presente, outros ainda não completaram nem dois meses de namoro, esses estarão super apaixonados e felizes todos os dias, é você que só vai reparar nisso nessa noite em especial.

Comemora a independência da Rússia, o dia do Beagle, o aniversário do Maguila e a fundação do Figueirense Futebol Clube, mas não fica aí chafurdando em auto-piedade.

Pega a grana que você não vai gastar com ninguém e marca um chopp com uma galera, enche o saco daquele camarada que tá borocoxô porque terminou com a mina, manda ele tomar no cu e curtir a noite. E curta também.

Lembre-se que, ao menos, caiu na Sexta. Além disso, Sexta-Feira 12 deve ser algum sinal.

Centavos

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Aí ontem eu estava na rodoviária de Americana, esperando pra pegar o ônibus pra sampa. Tinha acabado de comprar um suco, e, olhando pra mochila de 853 quilos, resolvi separar a grana pro metrô e deixar no bolso, pra não ter que ficar fazendo manobra pra caçar moeda.

Por conta da porcaria do suco, me faltariam cinco centavos pra pegar o metrô. Cinco míseros centavos! E por causa deles, eu ia ter que parar pra sacar grana, mais tempo com a mochila de 853 quilos nas costas. Parece idiota, mas ninguém ia me vender uma passagem de metrô por cinco centavos a menos e nem eu ia pedir cinco centavos pra comprar leite pos irmão, tio, então naquele momento aquilo me irritava razoavelmente.

E de repente eu me vi olhando pros lados e desejando com todas as minhas forças uma moeda de cinco centavos. E não conseguia parar de pensar em todas as vezes que eu me desfiz das pobres moedas “sem valor”.

A gente corre, corre e esquece que cada pedacinho da gente e do ambiente ao nosso redor é uma engrenagem e por mais engrenagenzinhazinha que seja, ela move alguma outra. Mas é uma mania nossa de só lembrar do dedinho do pé quando dá uma topada na quina da cômoda, só lembrar do papel higiênico quando acaba.

Pior: lembrar das pessoas por conveniência. A maior reclamação dos meus amiguinhos mudernos que entendem de computadô é o tanto de amigo que surge das trevas quando precisa de favor “oi, cara, quantotempopegueivírusmeajudaêê”.

Pior ainda: sinto dizer, mas a maioria de nós trata as pessoas mais importantes da própria vida como se fossem moedas de cinco centavos.

Semana que vem você visita a vó. Manda um beijo de feliz aniversário pra tia pela sua mãe, afinal, o ingresso daquela festa já estava comprado faz tempo. Não sobrou grana pra visitar a prima (outra vez), mas não dava pra perder a liquidação. Mas gente, sempre tem uma outra oportunidade, eles sempre vão estar lá!

Não?

A minha irmã foi pra Americana pra me ver e eu tomei um açaí rápido com ela e fui pra São Paulo porque, bem, eu precisava ir pra São Paulo. A minha sorte é que eu sou tão criativa que eu só precisei de uma moeda pra entender que da próxima vez eu preciso passar o fim de semana com ela.

Foi mal, paçoca.

(E tá aí a moeda de vocês.)

Teoria do Playmobil

playmobil

Orkuteando por volta de 2006, eu dei de cara com uma comunidade que mudou a minha vida. Hiperboleamentos à parte, a parada me apresentou à teoria mais simples e eficaz ever: a Teoria do Playmobil. E depois de me perguntarem por toda a semana no MSN o que diabos é a Teoria do Playmobil,  decidi apresentá-la aos senhores. Preparem-se, aqui vai:

“Nada do que possa acontecer vai tirar esse sorriso do meu rosto.”

Se você  não entendeu, atente para a foto do nosso querido modelo Playma acima.

Se você ainda não entendeu, aqui vamos nós:

Numa semana, recebo várias propostas de projetos absurdamente legais, combino um encontro com uma pessoa que muito me agrada, marco uma viagem, emagreço dois quilos (girl talk) e tal.

Na outra semana, o maior projeto vai pra stand by, a pessoa também, eu quase quebro o nariz e passo dias com dor e, se não bastasse, no único dia que eu resolvo sair, eu encontro o ex de mãos dadas com uma mistura de lacraia com Gretchen, que rebolava ao som do mais fino tuntstunts.

Não era pra voltar pra casa e chorar toda a vida? Óbvio, e foi o que eu fiz, até desabar de cansaço.

Acordei mais inchada que baiacu assustado, mandei o espelho tomar no meio do toba dele e fui pra cozinha. Aí minha irmã chegou de São Paulo. Passei umas boas horas conversando e rindo com ela e com a minha mãe e, de repente, me caiu a ficha do nível de pateticidade dos meus últimos dias.

Quando você tá mal, você se força a ficar cada vez pior. Interneticamente falando, você vai lá e coloca Hamburg Song no repeat enquanto posta uma foto com cara de cu no fotolog e fica falando sozinho no twitter, tudo isso sem abrir a janela ou acender a luz, claro, porque luz vai estragar o clima I’m sorry, I can’t be perfect.

Aí quem te olha de fora pensa: puta cara chato da porra.

Claro que não é fácil ficar bem do nada, quando você tá (ou acha que tá) ferrado, mas da próxima vez, tenta fazer um esforço e fazer alguma coisa que cause riso. Bota uma comédia, assusta a vó, vai brincar com o pet. Peixe não vale.

E agora se apegue ao que achar mais conveniente, porque as explicações vão de misticismo à ciência. Você pode simplesmente acreditar que positivo atrai positivo ou pesquisar sobre os benefícios do riso para a saúde. Fazendo o último, inclusive, você vai descobrir que o riso faz o organismo liberar serotonina. Quem mais força isso mesmo? Ah, os antidepressivos! Então se você se entope de alegria fabricada, podia tentar fabricá-la sozinho.

E arrume desculpas pra tudo. Azar o dele se ele tá pegando baranga, já apareceram mais três projetos novos, tem 6 bilhões de pessoas no mundo. Filtrando um pouco, eu posso chutar que existem ao menos algumas mil pessoas por quem eu ainda posso me apaixonar. Que sejam cem. Que sejam 10. Que seja uma.

Só que eu nunca vou encontrá-la enquanto estiver no quarto postando cuzice no fotolog. E ela nunca vai me amar se eu não o fizer primeiro.

Ps. Comunidade aqui.

Maira Bottan – o retorno.

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Quando a senhorita Mirian Bottan foi-se embora para São Paulo, afirmei pra mim mesma: eu nunca sairei de Americana. Essa frase virou lei quando a mancebinha voltou dizendo que a capitar era pura loucura, que mais um mês e ela escalaria prédios no auge do surto. Até então, minha idéia era bem simples: fazer uma viagem pós-formatura do ensino médio, voltar e me preocupar com faculdade e meu namoro.

Acontece que nem tudo é como se espera, baby, nem tudo é pra sempre. E quando me disseram, ri ironicamente e gritei que era praga. Não acreditei em uma só palavra, e arrumei desculpas esfarrapadas para isso.
Em menos de um mês, o tal namoro tão concreto e eterno acabou, depois de tomar coragem lendo um texto que me passaram. E a pessoa a quem me dediquei por 2 anos, sem pausa para mim mesma, disse, em exatas palavras: ‘Você tem que sofrer para aprender. Vai aprender na dor’

Dado o aviso, o mancebo pisou em mim feito o seu Madruga no chapéu.

Entrei na fase que ganhou o título de ‘blackout da mente’. Fiz o que não faria, fui quem não fuiria. Mas saí dessa fase, com a ajuda de uma pessoa. Quando o ano estava prestes a acabar, bateu o desespero. Que aquela merda acabasse logo. E foi aí que me pegaram pelo braço, e fui até o fim.

E foi-se 2008, entre tantos soluços e abraços. [Exit night.]
E começou 2009. [Enter light.]

E aí? Aí que 5 meses de lágrimas, 5 meses de pensamentos ruins, 5 meses de sentimentos ruins me trouxeram ao agora: nunca estive tão feliz comigo mesma, nunca me senti tão bem por ter uma chave de casa, nunca senti tanta saudade do meu cachorro, nunca amei tanto meus pais, nunca tive tantos amigos, nunca fui tão eu mesma, e, por último, mas não menos importante: nunca estive tão próxima da minha irmã.

E, na verdade, é mais por ela do que por mim que faço esse texto, porque, se ainda não deu pra sacar, foi ela quem jogou a ‘praga’, quem passou o texto do fim do namoro, me guiou até o fim do ano, me ouviu chorar uma vez por dia, todos os dias, em 5 meses, foi ela quem me levou pra sair quando só queria enfiar o travesseiro na cara e esquecer o mundo, me ligou meia-noite no meu aniversário, meio louca, e me fez rir. Foi ela quem começou, que causou e que salvou. E por causa não só dela, mas em grande parte, estou aqui, em São Paulo, numa lan, vendo a chuva, escutando meu estômago roncar e recebendo msgs de ‘quando você volta?’ das meninas com quem moro agora.

Mano, você salvou minha vida.

Ou começou a foder tudo. 😀

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[Nota da Miroca] Depois dessa, ela quase pode me chamar de Tatá em público. Te amo, gorda.

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