Vinte e poucos anos

Eu tô em crise. Sério. Enlouquecida.
Crescer é bom, mas não é fácil. Mudar idem.
Quando se é criança, a segurança é garantida, pois não depende da gente, e sim de todo mundo que nos rodeia. Nosso único dever é acordar e viver. Simples assim.
Na adolescência, a coisa pode mudar um pouco para alguns, ou continuar na mesma, para outros. Novamente vai depender do teu progenitor, ou de quanto ele te “paitrocina”.
Um belo dia, o meu me disse que era hora de me virar. A água bateu, e fui aprendendo a nadar.
Até então, você ainda pode errar. Ainda pode se dar ao luxo de ser vagal no colégio, de arrumar um empreguinho furreca, apenas pra ter grana pra balada. Mas tudo tem seu preço. A essa altura, você ainda não manda nada, fanfarrão, e vai ter que continuar seguindo as regras da casa, voltar no horário estipulado e aguentar o perrengue se alguém perceber que você não consegue enfiar a merda da chave no buraco da fechadura.
Com o passar dos últimos anos da adolescência, a sede por independência e privacidade vai aumentando quase que em progressão geométrica. Você vai querer sair sem dizer pra onde vai, voltar quando quiser (ou não voltar), vai querer o seu espaço, o seu tempo, levar seu(a) namorado(a) pra dormir em casa, levar os amigos pra uma reuniãozinha, ou ter a casa toda pra andar pelado ouvindo um megafuckingloud rock ‘n roll pra relaxar, depois de um dia de trabalho.
De qualquer forma, isso tudo simplesmente não combina com a sua mãe esquentando o seu leitinho de manhã. Muito menos o da sua companhia.
“Bom dia, amor. A noite foi ótima, sabia? Quer que eu peça pra minha mãe te preparar um suquinho?”
E por causa dessas e outras, em alguma hora, depois dos 20 e antes dos 25 anos, a sua cabeça vai dar um nó. Você vai se dar conta que tem que dar um jeito na vida, não importa como. É a crise do quarto de idade. Vai se dar conta que não é, nem de longe, tão adulto quanto achava que as pessoas de 20 e poucos fossem, quando você tinha 15.
Vai se dar conta também que o tempo passou mais rápido do que você esperava, e que você não evoluiu absurdamente daquele emprego furreca, e que está longe de onde imaginava que estaria a essa altura. Por conta disso, vai surtar imaginando onde estará daqui a alguns anos.
Tem gente que continua com a vida de sempre, e de alguma forma tenta conciliar esse troço da liberdade com as regras impostas pelos donos da casa, seja fazendo acordos, fazendo chantagem emocional, seja quebrando tudo e vencendo pela força.
Aqui, não tem coisa mais ridícula do que um cara de vinte e poucos anos, morando em casa, usando o carro da mãe, trabalhando com o pai, e querendo dar ordem porque, afinal, ele é adulto.
“Puta que pariu, mãe! Cadê meu leite, porra!? Tô atrasado!”
Como eu já disse, mudar não é fácil, mas é necessário. Eu estou com 21 anos. Olhando em volta, todas as minhas roupas, as minhas coisas, tudo está sendo guardado e empacotado, pra sair de uma cidade de 200 mil habitantes e ir morar no meio da selva. Na terra da garoa, Sumpaulo. Não faço a mínima idéia do que vai acontecer, mas preciso arriscar.
Ainda tem um bom caminho até a minha cobertura no Morumbi. Mas quando chegar lá, eu mando o convite da festa.
Um ótimo 2008 pra todos nós!












